Passos lentos e analisados rumo a Idade da loba
O tempo se revela voraz quando analisado detalhadamente.
O dia é passageiro e é justamente essa velocidade que nos
impede de observar o quanto o tempo é avassalador no dia a dia.
Minha história pode não ser emocionante, na verdade não é mais
que outra qualquer, mas a mim é diferente de tudo que um dia sonhei, diria até
que é bem distinta de tudo que imaginei.
De certo modo consigo perceber que o ontem nada tem haver
com o hoje, que em nada se assemelha ao amanhã.
Cada dia é único e carrega em si suas reponsabilidades,
decisões e consequências.
Tudo que narro hoje é sobre meu próprio ponto de vista, o
que difere em demasia dos demais observadores.
Minha infância foi como posso dizer “agradável”.
Não sou fruto de uma união estável, minha mãe se desdobrou
para dar conta de duas crianças, minha irmã mais velha, filha do casamento e de
mim, filha de um relacionamento quando já estava separada.
Não ter meu pai por perto fazia falta, principalmente quando
estava na casa de minhas amigas, que pareciam ter uma vida perfeita com seu pai
e sua mãe juntos, mas isso nunca me incomodou, na verdade me incomodava mais
não precisar dar satisfação.
A vantagem de crescer no interior é que o termo liberdade de
fato é conhecido. Brincava de bola na rua, de queimada, de pique pega,
esconde-esconde, tudo era festa. Das peraltices que já fiz as piores foram lá,
desliguei muito registro e toquei muita campainha em vão, saindo correndo em
seguida, sem nem observar se alguém a porta vinha.
Da turma sempre fui mais moleca que o normal, enquanto
minhas amigas já eram serias eu ainda me comportava mal. Sempre fazendo piada,
fazia gracinha por onde passava. Falava muito bobeira, era tanta baboseira,
coisa de menina.
Até que um dia isso mudou, conheci um rapaz que acreditei
ser meu primeiro amor. Foi em um 12 de junho dia muito promissor, mas pensar em
beijo pra mim já me causava terror.
Era uma criança grande, nem 14 anos tinha, meu corpo é que
não era coerente com que minha idade e mente dizia.
1.75 metros e 74 kg, muita massa corporal para apenas uma
menina.
Muito da vida eu acreditava saber, pensava estar madura para
aquele momento viver.
Foi uma noite diferente, fez eu rever meu presente, foi a
primeira vez que desejei crescer.
Entre fatos e acontecimentos na despedida um beijo
aconteceu, foi o primeiro beijo da jovem apaixonada, que viu o jovem rapaz como
seu príncipe encantado.
Não estava em cavalo branco, nem usava roupa engraçada, ao
contrario era simples e desastrado o que o tornava desejado.
Do beijo não consigo esquecer, me causou tremedeira, me fez
enlouquecer. Depois disso passou a ser tudo que queria ter.
Foi algo tão importante que algo dentro de mim mudou no
mesmo instante.
Diminui as brincadeiras, passei a me comportar de outra
maneira, me via adolescente de fato, sem nunca ter nem menstruado.
Perdi peso, passei a me preocupar com a aparência, queria
conseguir alguma beleza.
Foi assim que começou meu primeiro erro do passado...
Nunca me senti popular, apesar das pessoas assim relatar.
Nunca fui do tipo que cativa amizades, apenas retribuo com simplicidade.
Tímida e muito reservada, nunca permiti assim ser observada,
me fazia comunicativa e engraçada.
A verdade é que de lá pra cá tanta coisa mudou que nem
consigo relatar bem como era meu humor, sei apenas que aquele foi o momento que
descobri o amor.
Sonhava acordada, como quem ama e é amada, mais tudo era
ilusão, utopia da paixão.
O guri nem me notava, ele era acostumado a essa situação,
beijava uma donzela e era perseguido não importava a direção.
Descobrir isso foi à primeira decepção ao meu coração.
Logico que após muitos anos e acontecimentos, logo pode imaginar quantos
tormentos.
A partir daí decidi não mais me apegar, queria me divertir
sem me apaixonar. Por um tempo consegui, momentos inesquecíveis vivi, grandes
experiências aprendi, mas um outro alguém logo apareceu e com seu jeito sincero
me convenceu.
Resolvi arriscar e novamente me deixei levar, nem mesmo vi a
conquista chegar.
Durante muito tempo foi bom, até que o que era novo mudou,
descobri a insegurança, que com tudo acabou.
Não levou muito tempo, pra reviver tal situação, um novo
jovem chegou arrasando meu coração.
Dominou geral, me deixou sem reação, quando vi já estava
casada, sem muita inspiração, na verdade no fundo sentia muita empolgação.
Não levou muito tempo pra tudo se tornar um tormento, o
sonho de eternidade se desfez com a mesma intensidade que se fez.
Novamente estava sozinha, mas dessa vez não mais sozinha,
com um lindo bebê no colo e outro dentro, se desenvolvendo no ventre.
Mas esse é um resumo enxuto do que realmente aconteceu, dos
amores marcantes que meu coração viveu.
Se bem que existiu mais um, quando sozinha já estava, até
mesmo meus filhos era minha mãe que criava.
Um rapaz diferente, nada convencional, um tanto fora do
normal. Unia tudo que queria, independência, determinação e alegria.
No começo eu nem imaginava o que iria acontecer, até que com
seu jeitinho único me fez querer com ele conviver.
Era tudo confuso, incerto, mas um belo dia se tornou ideal,
amor incondicional, nunca havia vivido algo igual.
Entre dialogo e aprendizado juntos caminhávamos, ele era a
alegria que novamente me sorria, mas aos poucos tudo mudou, o vi diferente o
que complicou. Assumo que a insegurança voltou, mas ainda vejo que foi com
motivo, pois não o sentia mesmo comigo.
O relacionamento acabou, mas o fim demorou, o sofrimento
ficou meses seguindo.
Um dia passou, simplesmente acabou, a curiosidade restou de
saber como poderia ter sido.
Em tudo há um porque, nunca pode se saber antes de pagar pra
ver.
Escolhas, ações, consequências, é esse todo que molda o ser,
mas algum ignoram esse viver.
A grande maioria segue a existência da rotina, não procura
razão, apenas vai de acordo com a direção.
Comigo não era diferente, até aquele primeiro beijo
ardente...
Sempre fui incoerente, pois acreditava em muita gente, o que
eu não sabia era que ponto de vista diferente existia.
Era inocente, não tinha malicia, tudo era verdade o que me
diziam.
Nunca entendi muito bem o que pensa quem mente, mas aprendi
que há lobos vestidos de cordeiro no meio da gente.
Sempre me faltou ambição, nunca quis bens, riquezas ou alto
padrão. Talvez seja de minha personalidade ser simples e sem popularidade, mas
o que sei de verdade é que sempre desejei a eternidade.
Algo dentro de mim sempre gritou, um som silencioso e sem
descrição, um grito calado do coração que não soava certa razão, mas sempre se
fez ouvido, mesmo quando temido.
Aos olhos comuns sempre fui normal, mas ao observador do
sobrenatural sempre fui diferencial.
Desde a infância não apenas via, mas muita coisa ouvia e sentia.
Não sabia o que era e em uma louca guerra me via, a realidade terrestre
duelando com a sobrenatural, que mais me parecia irracional.
Durante anos temi em um sanatório viver, pois as vezes que
tentei dizer causava pânico e então pude perceber, que meu universo é paralelo
a quem não pode entender.
Na trajetória da vida altos e baixos vivi, oscilando entre o
certo e errado sempre segui.
Foram mais lagrimas que verdadeiros sorrisos, mas a
felicidade se revelou opção, foi assim que aprendi a começar sempre que
houvesse uma nova decisão.
Me libertei de mim mesma, soltei minhas algemas.
Não sou mais refém do anseio de ninguém.
Nem mesmo dos meus traumas, medos ou desalentos.
Vivo como sendo meu melhor e já não mais lamento.
Bens já puder ter, popularidade, fama, tudo que engana.
Em bares e baladas badaladas pude frequentar, famosos que
estão na mídia cheguei a conhecer, o que aumentou ainda mais minha vontade
aprender.
Não me enaltece o ter na vida, pois torna tudo superficial,
sem moral, tudo muito normal, tamanha futilidade social.
Me apetece o ser, que ultrapassa esse ter, é o real porque,
que dita o bem mesmo sem conhecer, é a vibração que move o viver, os
ensinamentos cativos de qualquer religião, seita ou não. Visa o bem estar, o
ponderar, o equilíbrio ao se encontrar.
Da gloria conheci a miséria, ao ponto de nem saber quem eu
era. Sem dinheiro nem profissão, desempregada e sem compaixão. Um peso
constante, pra família que outorgada assume as despesas sem dizer nada.
Nessa fase primeiro a negação, depois a decepção até chegar
a aceitação, que revela em tudo uma direção.
De tudo que sonhei nada conquistei, não tenho profissão,
emprego, nem carrão. Nem mesmo tenho cartão, nome limpo eu não tenho não, uma
empresa falida tenho que dar baixa, mas nem pra isso acho graça.
Tantos anos se passaram e nada fiz de diferente, apenas
segui como uma adolescente inconsequente, mas analisando afinco vejo que no
todo recebi muito.
Meu principal sonho alcancei, saber quem sou e onde irei.
Antes era rebelde, intolerante e exigente, agora sei que
nada depende de mim exatamente.
Cada um é como é, não importa se homem ou mulher, a
identidade é pessoal, isso é racional.
Não há certo ou errado, há escolhas que ditam caminhos, há
consequências que mudam destinos.
Sei que fui tantas que nem me lembro mais, papel que os
reencontros faz. Revejo amigos da infância, da adolescência, da época da
inconsequência, que acreditava que a juventude não teria fim, essa era de fato
eu sim.
Mas do todo ainda vejo que conquistei meu maior desejo,
conhecer meus limites sem influencia ou palpites.
Fui em cada momento eu, errante, determinante, mas
simplesmente confiante.
Hoje posso dizer que seria bom naquela época me conhecer,
tudo seria tao diferente, mas talvez eu não tivesse a certeza que hoje me
conforta, de que tudo que foi não volta.
Acima disso me alegra dizer, que posso reescrever uma nova
historia do viver.
Posso ter me tornado vazia, posso até beirar ser fria, mas
hoje eu controlo meu ser, por isso prefiro não sofrer.
A vida se torna simples de viver quando agente aprende que
tudo é escolha e cada decisão dita uma direção.
Cada um é responsável pelo seu destino, seja qual for o
caminho que escolheu percorrer.
Ninguém o obriga a seguir, o existir foi outorgado, mas como
viver só você pode escolher e fazer acontecer.
Estou beirando a idade da dita crise, onde a loba se revela,
já imaginando o que era perto do que me espera.
Se é a melhor fase ainda não sei dizer, mas garanto que é a
fase que mais me inspira viver.
Não tenho medo de nada, tudo tem nova graça, nem que seja
patético, tudo se torna poético, pois é a magia do viver que dita ao meu eu
como deve ser. Assim sigo em equilíbrio eu e o ser, vivendo a existência da
razão, mesmo sem coesão, sem rima ou refrão, mas com uma imensa alegria no
coração.
Por tanto tempo me vi velha, jovem ainda era, e mais tempo
perdi. Agora estou aqui, velha na idade, mas madura de verdade pra superar e
seguir.
Há tanto por fazer, tanto que quero viver, ver acontecer.
A idade cronológica nada tem haver com a idade existencial,
pois isso só foge ao real, é questão de vivencia, a dita experiência que não se
pode adquirir, é preciso sentir.
A evolução é mais que mudança de padrão, de status, ou
condição, é o despertar para vida, seus anseios, suas conquistas.
É preciso saber comemorar cada vitória, festejar a toda
hora, e não se fazer de rogado, por ser um ser desmotivado.
O que você conseguiu foi por merecimento, mérito,
independente do contra tempo, não pode desanimar, desiludir ou lamentar, é
preciso as oportunidades abraçar, mesmo que na ocasião não veja clareza na
situação. O que é seu não pode ter outro dono não!
Sou grata ao sobrenatural por ter feito tudo exatamente
igual.
Foi assim que aprendi e hoje posso verdadeiramente sorrir.
Mais que imagem, que ilustração, essa é a verdade do meu
coração.
A simplicidade me cativa, o ter me emociona, mas no fundo a
forma distinta de ambos que me apaixona.
Sou como camaleão ou um ator, porque não? Vivo de acordo com
o ambiente, ditando o comportamento pelo momento, não por futilidade, mas por
simples conhecimento que nem sempre pode se dizer a verdade.
Grande maioria das pessoas não
estão preparadas para tirar a viseira.
Grande maioria das pessoas não estão preparadas para sair do
seu pequeno ciclo.
Grande maioria das pessoas não
estão preparadas para se quer imaginar o Bem Maior.
Grande maioria das pessoas não
estão preparadas para ter fé de fato.
Grande maioria das pessoas não
estão preparadas para a eternidade.
Grande maioria das pessoas não
estão preparadas para sair da zona de conforto.
Grande maioria das pessoas não
estão preparadas para despertar.
Me resta imaginar o que devo, eu,
do futuro esperar.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.