terça-feira, 9 de julho de 2013

Sonho confirmando certezas

Após uma noite de sonhos sem coesão acordei pensativa e com o coração quieto.
Ontem pude confirmar o que sempre chamei de acordo com o sobrenatural.
Sempre disse que a linha entre o bem e o mal é como uma brincadeira de corda, onde não se trata do lado mais forte pra vencer e sim do lado que resiste mais tempo.
Não creio que haja certo e errado, acredito sim no bem e no mal, logo pessoas com inclinação para o bem fazem o que acreditamos ser certo e pessoas com inclinação para o mal fazem o que chamamos de errado.
Posso dizer que essa inclinação muitas vezes é involuntária e foge a consciência, nem elas mesmas sabem porque o fizeram. Normalmente estão perturbadas, confusas, mentalmente. Mais do que nunca hoje percebo o porque, mas isso tudo é questão de fé.
Me considero uma pessoa de pouca fé, nunca fui de acreditar de todo nas pessoas, nem mesmo quando essas estão me ensinando algo.
‘A História só é história porque precisou acontecer, ser vivida, e quem estava lá a narrou, dessa forma aprendemos o que querem nos contar, mas não podemos saber o que aconteceu de fato. O que estavam pensando para tomar tais decisões e agir de tal maneira.’
Meu duelo interior começou muito cedo, posso dizer que me recordo desde por volta dos 5 anos, mas pelo que me contam com 2 já dava sinais de que não era muito adepta a religiosidade.
Mesmo estudando varias doutrinas e religiões nunca me deixei convencer apenas pelo que as “autoridades” diziam, sempre escutei a todos com muito respeito, mas dai a crer e me envolver integralmente era outra situação.
Talvez seja falta de fé, talvez seja traços de rebeldia, mas acabei criando um código com o sobrenatural e desse modo o medo cedeu lugar a curiosidade.
Já ouvi lideres evangélicos dizendo que não tenho intimidade com Deus por viver na misericórdia dEle e não na graça, que eu não posso desafia lo como faço, mas porque quando coloco isso em oração me é revelado o contrario?
Deus mede cada um segundo suas ações, mas essa analise é individual segundo o coração.
Meu coração é carne logo falho, em muitos momentos é podre, mas minha alma que é luz queima a compaixão e a Verdade, mesmo sem de fato conhece la e desse modo minha consciência não me permite agir sem analisar os riscos para mim e para os outros, é assim que a razão me mantem nos trilhos.
Criar esse código com o sobrenatural me permitiu ver que a fé independe de religiosidade ou credo, ela é mais poderosa que qualquer santo, imagem, vela, ou afins.
O ditado “a fé move montanhas” passou a ter um novo significado.
Talvez eu seja a pessoa mais incrédula desse mundo e por isso precisei criar um código, talvez eu seja fraca espiritualmente, talvez eu seja vulnerável de mais, há tantos talvez, justamente por isso prefiro sentir que apenas ver e ouvir.
Os olhos são enganosos, tudo depende do ângulo de visão, assim também pode ser as sensações, mas quando se entra em equilíbrio e sente com o coração não, ai é exato.
Sempre confiei no que chamada de 6° sentido, apesar de algumas vezes ele parecer falhar, mas desde o código foi criado muita coisa mudou.
Em 2004 estava vivendo uma crise espiritual terrível, de modo que não sabia mais no que crer. Não fossem as visões e tudo mais, se fosse por escolha escolheria ser cética, mas como poderia ser após viver tudo que já havia vivido?
Como em todas as outras nessa fase os acontecimentos me assustavam, pois não sabia se eram devaneios, me via insana, foi quando ‘um amigo’, me vendo perturbada questionou o que era. Respondi que estava ficando louca, que sabia que acabaria indo parar em um hospício e não queria isso. Nesse momento ele se abaixou ao meu lado e teve seu momento de anjo, recordo que me disse: não importa no que você acredita, seja em Deus ou no diabo, escolha você pelo Bem ou pelo mal, o importante é ter fé, pois a fé é que dita o equilíbrio.
No momento achei um absurdo aquelas palavras, como não importa no que crê? Como achar normal alguém que acredita, que serve, que reverencia o diabo?
Aquelas palavras me confundiram ainda mais, pois não sabia exatamente se as visões vinham de Deus ou se era o diabo brincando comigo. Na verdade nunca tive certeza dessa resposta, pois quando me afastava da vida espiritual e evitada assuntos envolvendo fé e religião tudo ia mais brando, mas sempre que começava a questionar e sem perceber já estava envolvida em algo as visões eram intensas, desse modo me sentia no meio de um fogo cruzado, onde não ouvia Deus me chamar, mas O sentia me abraçando, muitas vezes O senti chorando por mim. Quando via as aparições, ainda mais quando as imagens estavam deformadas e horripilantes a sensação de pavor me dizia que o diabo estava se alimentando do meu medo e fazendo festa com minha confusão mental. Foi nessa fase que finalmente criei o código...
Minha trajetória terrestre até é repleta de situações que parecem lendas até ao meu eu, mas meu ser sabe de fato o quanto tudo é real.
Ontem pude perceber que a força de vontade surge do pensamento. Esse é o interruptor que ligo ou apaga qualquer motor.
Olhando com os olhos da fé finalmente me sinto privilegiada, não pelas visões que tenho, não pelos dons que me atribuem, pois nem eu mesma sei entende aquelas ou discernir esses, mas por ter chegado onde cheguei e conquistado tudo que conquistei.
Na verdade se meu eu for analisar minha existência se resume em perdas e lamentações, nada foi concreto, a pessoa que antes era tão admirada se tornou um nada. Tantas oportunidades perdidas. As pessoas veem como acomodação, falta de disposição, falta de vontade, no entanto é tudo resposta as minhas orações.
Olho meu passado próximo e não me alegro com quem era, da mesma maneira que o sendo me incomodava. Cresci de certo modo revoltada pela minha situação familiar, carregava muita magoa, que me causava dor e cegava minha razão. Desde muito cedo assumi um desejo tremendo pela morte, mesmo crendo que jamais poderia causa la, eu desejava criar meios para que ela me encontrasse. Nossa quantas vezes não a senti perto, mas a tal sensação se aproximava e o quadro se transformava.
Deixei a casa dos meus pais aos 15 anos, foi quando acreditei que finalmente poderia ser eu, sem mascaras, sem medo, apenas seguir como desejava meu coração e de certo modo foi.
Sempre fui muito tímida, mas nunca deixei que esse traço comandasse minha personalidade, na verdade ele é comandado pelo bom senso. Nunca fui de me impor, mas por algum motivo sempre fui ‘seguida’ pelos de mais. Digo seguida no sentido de ouvida, minha opinião sempre foi aceita, até quando parecia absurda. As pessoas podiam não concordar, mas aceitavam pois de certo modo meu jeito de apresentar os fatos demonstrava coesão, o que deixava até mesmo o mais sábio em duvida. Muitas vezes eu nem sabia de fato o que estava dizendo, mas algo em mim dizia que era assim e as convicções surgiam.
O grande problema é que eu havia me tornado uma ‘rebelde sem causa’, vesti a armadura da ignorância para me defender das pessoas, passei a alimentar um ódio mortal da globalização, do capitalismo, logo me fazia alheia a socialização e por mais que estivesse nela me fazia alheia. Tentava criar e impor minhas próprias regras, talvez por isso nunca parei em uma tribo de fato, passei por varias, até perceber que estava perdida, não tinha uma personalidade, tudo que fazia era testar meus limites.
Foi nessa fase que senti meu coração quebrar, mas não em dor e sofrimento como antes, mas de certo modo estava renascendo.
Percebi que vivia tudo que negava. Estava conhecendo meus limites, mas estava perdendo minha essência, me distanciando de meu ser e alimentando meu eu. Foi quando decidi mudar, mesmo que isso custasse minha popularidade, minhas amizades, minha vida.
Por mais que eu tentasse nada acontecia, quando percebia minha reação era a mesma de sempre, mesmo que eu não quisesse, era como se fosse um robô programado. Assim mudei o foco de oração. Não desejava mais proteção, prosperidade financeira, queria de fato ser humanizada, humilde, controlar meus impulsos, minha vaidade.
Ah, mal sabia eu o que estava pedindo...
Minha vida virou de cabeça pra baixo, eu que achava que já tinha sofrido muito nessa vida percebi que o muito era nada, e passei a experimentar dores terríveis que ultrapassavam o corpo físico e chegavam à alma.
Me vi sem chão. Sem apoio. Sem saída. Estava sozinha no grande labirinto da vida e seguir não era opção, tudo que podia era assumir a derrota, a humilhação e regredir ao meu pior pesadelo.
Sem opção o fiz.  Nesse período era como se a própria morte me abraçasse, mas se divertindo com meu sofrimento nem ela me queria.
Anos e anos seguiram, muito aconteceu, mas muito em perdas, em lamentos, em sofrimento, em dores, nem mesmo fatos que deveriam ser comemorados o foram. Nunca houve de fato a satisfação, sempre faltou algo, e ainda é assim. Essa fase ainda não passou e talvez nunca passe, pois no ultimo ano se intensificou ainda mais, no entanto agora observo por um novo ângulo.
Sempre disse que Deus é estratégico, mas não fazia ideia até mesmo os pensamentos influenciam no desenrolar dos fatos.
Hoje estou vivendo na minha pior fase, onde tenho tudo que sempre neguei. Sou a pior vilã e a maior vitima de mim mesma.
Se meu eu observar há muita vergonha, muita humilhação, mas então surge meu ser e me faz lembrar das orações que fiz, onde pedia para que meu ser fosse moldado.
O eu é o estagio do diamante bruto, sabe se que tem valor, mas não se pode ver. Já o ser é o diamante bruto em processo de lapidação, onde o brilho aparece cada vez mais, afim de se tornar belo e valioso.
Foi isso que me ocorreu. Eu não sabia o poder da oração. Só sabia que não me aceitava mais como estava, queria mudar, queria que meu ser dominasse meu eu e não mais o contrario, mas não imaginava que tanta coisa precisaria acontecer para eu finalmente entender...
Chamo todo esse processo de despertar, pois analisando hoje é como se eu estivesse vivendo um transe e de repente saísse dele. Meu eu crer que o transe era o que devia haver, tudo indo bem financeiramente, profissionalmente, sentimentalmente, mas meu ser sabe que não, pois havia desequilíbrio familiar, espiritual e logo mental.
Passar por esse doloroso processo não foi fácil, na verdade ainda o vivo, mas hoje de cerdo modo o vivo com satisfação, pois sei que minhas orações foram atendidas. Meu ser de fato se faz ouvido e meu eu a cada dia procura aconselhar se com ele.
Toda ignorância cedeu lugar a compaixão. Toda rebeldia cedeu lugar ao agradecimento. Toda magoa cedeu lugar ao amor. Toda agressividade cedeu lugar a compreensão. Toda armadura cedeu lugar a humildade. Toda aspereza cedeu lugar a caridade.
Logico que ainda há muito a ser melhorado, trabalhado, mas já me alegro pois o que antes era critica se tornou aceitação. Aprendi que cada um é responsável pelas escolhas que faz e independente do ângulo de visão sempre respeito qualquer decisão.
Nesse mundo não há certo e errado, o que há são ideais e objetivos que variam de acordo com os princípios.
Talvez se eu não tivesse despertado, hoje estaria muito bem financeiramente, profissionalmente, mas tenho certeza que como pessoa estaria cada vez mais distante da humanidade, pois o ego e a vaidade são difíceis de serem domados.
Logo não tenho nada que gostaria, mas também nem o tendo poderia sanar a ambição, assim me alegro por minha situação, pois como dependente me torno cada dia mais humilde, o que me permite de fato ser humana.
Há muito que quero mudar e ver acontecer, do mesmo modo que há muito a aprender, mas o saber não cessa, o conhecimento é uma crescente continua. Continuo acreditando no código que foi criado, pois do mesmo modo que ele tanto me livrou ele muito me revelará e isso começa a se concretizar.
Desejo encontrar as respostas, mas ainda não consigo formular com exatidão as perguntas. Me vejo uma barata tonta correndo sem rumo. Converso com as pessoas e me sinto tão pequena, como se fosse uma criança em processo de desenvolvimento. Desse modo a infantilidade me afaga e gera sonhos que em outrora não seriam se quer cogitados, pois o tempo passou avassalador e destruiu as esperanças, mas parece que há uma luz, pequena, distante, mas a negritude não é de toda trevas.
Sigo cada dia mais perdida, mas focada no conhecer.
Já descobri meus limites, agora quero descobri de fato meus dons, a fim de cumprir com minhas obrigações de forma favorável e satisfatória.
Não sei os compromissos que assumi, mas independente do que foi a um porque e não cabe a mim saber. Há muitos mais mistérios que minha imaginação pode alcançar, mesmo que dê a asas a ela e a veja voar, há o limite onde ela pode chegar, o importe é me conscientizar e desejar sempre me moldar.
A fase intolerante deu espaço à flexibilidade do meu ser.
Conhecer a Verdade não se trata de sanar a curiosidade e sim de tomar a posição e fazer uma escolha de vida.
Eu escolho viver sem entraves nos olhos, sem pré-conceitos. Eu escolho ouvir a voz do coração aliada à razão. Escolho o bem sem olhar a quem. Escolho a felicidade mesmo em meios a dificuldades. Escolho a lágrima sincera, que permite o sorriso verdadeiro. Escolho a mudança à estagnação. Escolho o eterno ao temporal. Escolho a Verdade ao superficial. Escolho a vida na existência. Escolho ser acima de ter.

Vamos que vamos, avante e além. Afinal o tempo não para. 

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