Após uma noite de sonhos sem coesão acordei pensativa e com
o coração quieto.
Ontem pude confirmar o que sempre chamei de acordo com o
sobrenatural.
Sempre disse que a linha entre o bem e o mal é como uma
brincadeira de corda, onde não se trata do lado mais forte pra vencer e sim do
lado que resiste mais tempo.
Não creio que haja certo e errado, acredito sim no bem e no
mal, logo pessoas com inclinação para o bem fazem o que acreditamos ser certo e
pessoas com inclinação para o mal fazem o que chamamos de errado.
Posso dizer que essa inclinação muitas vezes é involuntária e
foge a consciência, nem elas mesmas sabem porque o fizeram. Normalmente estão perturbadas,
confusas, mentalmente. Mais do que nunca hoje percebo o porque, mas isso tudo é
questão de fé.
Me considero uma pessoa de pouca fé, nunca fui de acreditar
de todo nas pessoas, nem mesmo quando essas estão me ensinando algo.
‘A História só é história porque precisou acontecer, ser
vivida, e quem estava lá a narrou, dessa forma aprendemos o que querem nos
contar, mas não podemos saber o que aconteceu de fato. O que estavam pensando
para tomar tais decisões e agir de tal maneira.’
Meu duelo interior começou muito cedo, posso dizer que me
recordo desde por volta dos 5 anos, mas pelo que me contam com 2 já dava sinais
de que não era muito adepta a religiosidade.
Mesmo estudando varias doutrinas e religiões nunca me deixei
convencer apenas pelo que as “autoridades” diziam, sempre escutei a todos com
muito respeito, mas dai a crer e me envolver integralmente era outra situação.
Talvez seja falta de fé, talvez seja traços de rebeldia, mas
acabei criando um código com o sobrenatural e desse modo o medo cedeu lugar a curiosidade.
Já ouvi lideres evangélicos dizendo que não tenho intimidade
com Deus por viver na misericórdia dEle e não na graça, que eu não posso
desafia lo como faço, mas porque quando coloco isso em oração me é revelado o
contrario?
Deus mede cada um segundo suas ações, mas essa analise é
individual segundo o coração.
Meu coração é carne logo falho, em muitos momentos é podre,
mas minha alma que é luz queima a compaixão e a Verdade, mesmo sem de fato
conhece la e desse modo minha consciência não me permite agir sem analisar os
riscos para mim e para os outros, é assim que a razão me mantem nos trilhos.
Criar esse código com o sobrenatural me permitiu ver que a
fé independe de religiosidade ou credo, ela é mais poderosa que qualquer santo,
imagem, vela, ou afins.
O ditado “a fé move montanhas” passou a ter um novo
significado.
Talvez eu seja a pessoa mais incrédula desse mundo e por isso
precisei criar um código, talvez eu seja fraca espiritualmente, talvez eu seja
vulnerável de mais, há tantos talvez, justamente por isso prefiro sentir que
apenas ver e ouvir.
Os olhos são enganosos, tudo depende do ângulo de visão,
assim também pode ser as sensações, mas quando se entra em equilíbrio e sente
com o coração não, ai é exato.
Sempre confiei no que chamada de 6° sentido, apesar de
algumas vezes ele parecer falhar, mas desde o código foi criado muita coisa
mudou.
Em 2004 estava vivendo uma crise espiritual terrível, de
modo que não sabia mais no que crer. Não fossem as visões e tudo mais, se fosse
por escolha escolheria ser cética, mas como poderia ser após viver tudo que já
havia vivido?
Como em todas as outras nessa fase os acontecimentos me
assustavam, pois não sabia se eram devaneios, me via insana, foi quando ‘um
amigo’, me vendo perturbada questionou o que era. Respondi que estava ficando
louca, que sabia que acabaria indo parar em um hospício e não queria isso.
Nesse momento ele se abaixou ao meu lado e teve seu momento de anjo, recordo
que me disse: não importa no que você acredita, seja em Deus ou no diabo,
escolha você pelo Bem ou pelo mal, o importante é ter fé, pois a fé é que dita
o equilíbrio.
No momento achei um absurdo aquelas palavras, como não importa
no que crê? Como achar normal alguém que acredita, que serve, que reverencia o
diabo?
Aquelas palavras me confundiram ainda mais, pois não sabia
exatamente se as visões vinham de Deus ou se era o diabo brincando comigo. Na
verdade nunca tive certeza dessa resposta, pois quando me afastava da vida
espiritual e evitada assuntos envolvendo fé e religião tudo ia mais brando, mas
sempre que começava a questionar e sem perceber já estava envolvida em algo as
visões eram intensas, desse modo me sentia no meio de um fogo cruzado, onde não
ouvia Deus me chamar, mas O sentia me abraçando, muitas vezes O senti chorando
por mim. Quando via as aparições, ainda mais quando as imagens estavam
deformadas e horripilantes a sensação de pavor me dizia que o diabo estava se
alimentando do meu medo e fazendo festa com minha confusão mental. Foi nessa
fase que finalmente criei o código...
Minha trajetória terrestre até é repleta de situações que
parecem lendas até ao meu eu, mas meu ser sabe de fato o quanto tudo é real.
Ontem pude perceber que a força de vontade surge do
pensamento. Esse é o interruptor que ligo ou apaga qualquer motor.
Olhando com os olhos da fé finalmente me sinto privilegiada,
não pelas visões que tenho, não pelos dons que me atribuem, pois nem eu mesma
sei entende aquelas ou discernir esses, mas por ter chegado onde cheguei e
conquistado tudo que conquistei.
Na verdade se meu eu for analisar minha existência se resume
em perdas e lamentações, nada foi concreto, a pessoa que antes era tão admirada
se tornou um nada. Tantas oportunidades perdidas. As pessoas veem como
acomodação, falta de disposição, falta de vontade, no entanto é tudo resposta as
minhas orações.
Olho meu passado próximo e não me alegro com quem era, da
mesma maneira que o sendo me incomodava. Cresci de certo modo revoltada pela
minha situação familiar, carregava muita magoa, que me causava dor e cegava
minha razão. Desde muito cedo assumi um desejo tremendo pela morte, mesmo
crendo que jamais poderia causa la, eu desejava criar meios para que ela me
encontrasse. Nossa quantas vezes não a senti perto, mas a tal sensação se
aproximava e o quadro se transformava.
Deixei a casa dos meus pais aos 15 anos, foi quando
acreditei que finalmente poderia ser eu, sem mascaras, sem medo, apenas seguir
como desejava meu coração e de certo modo foi.
Sempre fui muito tímida, mas nunca deixei que esse traço
comandasse minha personalidade, na verdade ele é comandado pelo bom senso.
Nunca fui de me impor, mas por algum motivo sempre fui ‘seguida’ pelos de mais.
Digo seguida no sentido de ouvida, minha opinião sempre foi aceita, até quando
parecia absurda. As pessoas podiam não concordar, mas aceitavam pois de certo
modo meu jeito de apresentar os fatos demonstrava coesão, o que deixava até
mesmo o mais sábio em duvida. Muitas vezes eu nem sabia de fato o que estava
dizendo, mas algo em mim dizia que era assim e as convicções surgiam.
O grande problema é que eu havia me tornado uma ‘rebelde sem
causa’, vesti a armadura da ignorância para me defender das pessoas, passei a
alimentar um ódio mortal da globalização, do capitalismo, logo me fazia alheia
a socialização e por mais que estivesse nela me fazia alheia. Tentava criar e
impor minhas próprias regras, talvez por isso nunca parei em uma tribo de fato,
passei por varias, até perceber que estava perdida, não tinha uma personalidade,
tudo que fazia era testar meus limites.
Foi nessa fase que senti meu coração quebrar, mas não em dor
e sofrimento como antes, mas de certo modo estava renascendo.
Percebi que vivia tudo que negava. Estava conhecendo meus
limites, mas estava perdendo minha essência, me distanciando de meu ser e
alimentando meu eu. Foi quando decidi mudar, mesmo que isso custasse minha
popularidade, minhas amizades, minha vida.
Por mais que eu tentasse nada acontecia, quando percebia
minha reação era a mesma de sempre, mesmo que eu não quisesse, era como se
fosse um robô programado. Assim mudei o foco de oração. Não desejava mais
proteção, prosperidade financeira, queria de fato ser humanizada, humilde,
controlar meus impulsos, minha vaidade.
Ah, mal sabia eu o que estava pedindo...
Minha vida virou de cabeça pra baixo, eu que achava que já
tinha sofrido muito nessa vida percebi que o muito era nada, e passei a
experimentar dores terríveis que ultrapassavam o corpo físico e chegavam à
alma.
Me vi sem chão. Sem apoio. Sem saída. Estava sozinha no
grande labirinto da vida e seguir não era opção, tudo que podia era assumir a derrota,
a humilhação e regredir ao meu pior pesadelo.
Sem opção o fiz.
Nesse período era como se a própria morte me abraçasse, mas se divertindo
com meu sofrimento nem ela me queria.
Anos e anos seguiram, muito aconteceu, mas muito em perdas,
em lamentos, em sofrimento, em dores, nem mesmo fatos que deveriam ser
comemorados o foram. Nunca houve de fato a satisfação, sempre faltou algo, e
ainda é assim. Essa fase ainda não passou e talvez nunca passe, pois no ultimo
ano se intensificou ainda mais, no entanto agora observo por um novo ângulo.
Sempre disse que Deus é estratégico, mas não fazia ideia até
mesmo os pensamentos influenciam no desenrolar dos fatos.
Hoje estou vivendo na minha pior fase, onde tenho tudo que
sempre neguei. Sou a pior vilã e a maior vitima de mim mesma.
Se meu eu observar há muita vergonha, muita humilhação, mas
então surge meu ser e me faz lembrar das orações que fiz, onde pedia para que
meu ser fosse moldado.
O eu é o estagio do diamante bruto, sabe se que tem valor,
mas não se pode ver. Já o ser é o diamante bruto em processo de lapidação, onde
o brilho aparece cada vez mais, afim de se tornar belo e valioso.
Foi isso que me ocorreu. Eu não sabia o poder da oração. Só
sabia que não me aceitava mais como estava, queria mudar, queria que meu ser
dominasse meu eu e não mais o contrario, mas não imaginava que tanta coisa
precisaria acontecer para eu finalmente entender...
Chamo todo esse processo de despertar, pois analisando hoje
é como se eu estivesse vivendo um transe e de repente saísse dele. Meu eu crer
que o transe era o que devia haver, tudo indo bem financeiramente,
profissionalmente, sentimentalmente, mas meu ser sabe que não, pois havia desequilíbrio
familiar, espiritual e logo mental.
Passar por esse doloroso processo não foi fácil, na verdade
ainda o vivo, mas hoje de cerdo modo o vivo com satisfação, pois sei que minhas
orações foram atendidas. Meu ser de fato se faz ouvido e meu eu a cada dia
procura aconselhar se com ele.
Toda ignorância cedeu lugar a compaixão. Toda rebeldia cedeu
lugar ao agradecimento. Toda magoa cedeu lugar ao amor. Toda agressividade cedeu
lugar a compreensão. Toda armadura cedeu lugar a humildade. Toda aspereza cedeu
lugar a caridade.
Logico que ainda há muito a ser melhorado, trabalhado, mas
já me alegro pois o que antes era critica se tornou aceitação. Aprendi que cada
um é responsável pelas escolhas que faz e independente do ângulo de visão sempre
respeito qualquer decisão.
Nesse mundo não há certo e errado, o que há são ideais e
objetivos que variam de acordo com os princípios.
Talvez se eu não tivesse despertado, hoje estaria muito bem
financeiramente, profissionalmente, mas tenho certeza que como pessoa estaria
cada vez mais distante da humanidade, pois o ego e a vaidade são difíceis de serem
domados.
Logo não tenho nada que gostaria, mas também nem o tendo
poderia sanar a ambição, assim me alegro por minha situação, pois como
dependente me torno cada dia mais humilde, o que me permite de fato ser humana.
Há muito que quero mudar e ver acontecer, do mesmo modo que
há muito a aprender, mas o saber não cessa, o conhecimento é uma crescente continua.
Continuo acreditando no código que foi criado, pois do mesmo modo que ele tanto
me livrou ele muito me revelará e isso começa a se concretizar.
Desejo encontrar as respostas, mas ainda não consigo
formular com exatidão as perguntas. Me vejo uma barata tonta correndo sem rumo.
Converso com as pessoas e me sinto tão pequena, como se fosse uma criança em
processo de desenvolvimento. Desse modo a infantilidade me afaga e gera sonhos
que em outrora não seriam se quer cogitados, pois o tempo passou avassalador e
destruiu as esperanças, mas parece que há uma luz, pequena, distante, mas a
negritude não é de toda trevas.
Sigo cada dia mais perdida, mas focada no conhecer.
Já descobri meus limites, agora quero descobri de fato meus
dons, a fim de cumprir com minhas obrigações de forma favorável e satisfatória.
Não sei os compromissos que assumi, mas independente do que
foi a um porque e não cabe a mim saber. Há muitos mais mistérios que minha
imaginação pode alcançar, mesmo que dê a asas a ela e a veja voar, há o limite
onde ela pode chegar, o importe é me conscientizar e desejar sempre me moldar.
A fase intolerante deu espaço à flexibilidade do meu ser.
Conhecer a Verdade não se trata de sanar a curiosidade e sim
de tomar a posição e fazer uma escolha de vida.
Eu escolho viver sem entraves nos olhos, sem pré-conceitos.
Eu escolho ouvir a voz do coração aliada à razão. Escolho o bem sem olhar a
quem. Escolho a felicidade mesmo em meios a dificuldades. Escolho a lágrima
sincera, que permite o sorriso verdadeiro. Escolho a mudança à estagnação.
Escolho o eterno ao temporal. Escolho a Verdade ao superficial. Escolho a vida
na existência. Escolho ser acima de ter.
Vamos que vamos, avante e além. Afinal o tempo não para.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.