domingo, 7 de julho de 2013

De repente meu hoje...

De repente tudo está de pernas pro ar e ainda assim o desespero não me atinge.
Há um equilíbrio sobrenatural que me envolve em um abraço sutil e confortante.
Por todos os ângulos que observo não vejo saída. Me sinto em um labirinto onde o fim nunca foi visto. Estou de frente à esfinge que cobra a resposta, mas nem mesmo consigo entender a pergunta. Talvez já tenha sido devorada e não saiba...
Sob meus pés sinto como se estivesse em meio a areia movediça que me puxa mais e mais, no entanto por mais fundo que ela me coloque ainda vejo a luz do sol, o que me faz crer que um novo dia brilha em nova oportunidade de começo.
O maior desejo é de me isolar, de fugir de todos e de tudo, de me esconder de mim, de meus pensamentos, de meus medos, de meus lamentos, de minhas verdades, mas essa não é uma opção.
Dentre as oportunidades nada restou, o todo me atropelou e estou estirada na estrada sem conseguir me recompor. O destino está me atropelando, não tenho vivido, tenho apenas seguido dia a dia sem fim, em uma redundância que me rouba a juventude e cega meus sonhos.
Já não consigo ter foco e objetivo, tudo que se revela parece tão convicto que não duvido nem questiono, apenas aceito e sigo.
Algo dentro de mim grita por socorro. Deseja se libertar dos padrões sociais e seguir livre.
Me sinto como uma fada que não consegui usar seus poderes. Como um pássaro que não consegue voar. Como um cão que não sabe latir. Como uma flor sem perfume. Como um arco íris sem cor. Como um livro sem palavras. Como um palhaço sem graça. Como comida sem sabor. Como sol sem calor. Como humano sem amor.
Vejo tudo e me sinto nada. A solidão me afaga e se faz agradável companhia, mas estou rodeada de pessoas, há tanta movimentação, o mundo não para.
O tempo se esvai como o ar dos pulmões e não se pode para lo.
Há tanta utopia desejando ser ilusão, pois ao menos assim poderá ser vivida. Os desejos adormecidos despertaram de forma tal que o presente passou a ser cronometrado em contagem regressiva.
Em uma fase, onde a ausência de sentimentos estava tao intensa ao ponto de ser sentida, encontrei o equilíbrio e com ele o amor próprio e a aceitação, mas a disposição deu brecha para a imaginação e o que antes era evitado acabou sendo gerado dia após dia, em meio à admiração, a compreensão, ao desejo de restituição.
Pode ser que a situação inusitada, que em outrora seria negada, seja estratégia do destino. Pode ser que seja a vida brincando comigo. Pode ser que seja pura confusão da mente e do coração.
De tão ideal parece surreal. É como se fosse motivação ao equilíbrio. De certo modo é desejar o futuro mesmo não crendo no presente. É desejar a eternidade mesmo sem crer no para sempre.
Pensar me leva a alienação, conversar confunde qualquer questão, mas escrever alivia meu coração.
Há momentos que não me sinto eu. É como se fosse mera telespectadora de minha vida. Como se me tornasse juíza ao passo que sou ré. Tenho vontade chorar, mas as lagrimas não saem. Tenho vontade correr, mas me falta forças. Explode dentre de mim um mix de incoerência. É quando certas conversas me leva a acreditar que há pessoas que são anjos vestidos de humanos.
As pessoas não fazem ideia do quanto uma conversa pode aliviar a alma e aquecer um coração, da mesma maneira que pode destruir aquela e causar uma doença paliativa nesse.
As pessoas não são responsáveis pelo que plantam, mas são pelo que colhem. Isso porque muitas vezes plantam sem conhecimento especifico, não sabem a época correta, o que pode ou não acarretar na produção. Caso mesmo em dificuldades haja produtividade a responsabilidade pela colheita é pessoal, pois cada produtor tem livre arbítrio em escolher se misturará os bons frutos aos ruins ou se irá separa los.
Talvez a areia movediça esconda uma terra fértil e produtiva. Talvez resistir a queda seja preparar o terreno para o plantio favorável e promissor. Talvez o equilíbrio seja resposta positiva a voracidade do tempo. Talvez o coração brando seja a confirmação de que o impossível é apenas questão de opinião. Talvez sentir a crescente constante interior seja aprender que o ser independe do querer. Talvez a aceitação não seja opção, nem conformação, e sim decisão.

Não acredito em perfeição. Acredito em adaptação. A criação é mutável.

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