quarta-feira, 24 de julho de 2013

Meu 'eu' e as imagens de santos

Era uma noite qualquer, quando percebo que uma mulher além de ter no dedo um anel com a imagem de uma santa carrega no pescoço um escapulário (corrente com imagens de santo na frente e atrás).
Curiosa sobre as historias dos santos católicos, tentando entender um pouco mais sobre a fé individual de cada um, pergunto a mulher quais santos eram aqueles e ela simplesmente me responde: não sei.
Insisto: - Você não sabe que santo está carregando no pescoço?
Ela responde já nervosa, como que querendo encerrar o assunto: - Não, não sei.
Até iria perguntar sobre a imagem no anel, mas a resposta me deixou tao pasma que não consegui.
Como uma pessoa se diz católica, frequenta semanalmente um grupo de oração do qual diz está gostando muito, até revela traços de melhoria em sua personalidade, discute quando ouve criticas sobre as imagens e os santos, mas quando questiono sobre o escapulário que carrega no pescoço nada sabe me dizer?
Que fé é essa que a faz carregar uma imagem da qual não sabe nome, não sabe a historia, sabe apenas que é dito santo?
Podia estar carregando uma imagem do satanismo ou qualquer outra religião que não faria diferença.
É isso que não entendo nas pessoas, dizem que a fé move montanhas e sem duvida acredito nisso, mas a fé direcionada.
Diante esses fatos me vejo ainda mais egoísta, pois concluo que minha forma de pensar não está no todo errada. Não que eu não reconheça a importância de almas evoluídas, não é isso, eu mesma quero muito chegar no além e me encontrar com Paulo, com Jó, com Maria Madalena, há tanto pra conversar, são personagens que respeito e admiro, mas não carrego sua imagem no peito.
Há uma cruz de madeira a qual as pessoas oram que essa é o primeiro crucifixo que admiro, pois há a silhueta de um homem ali, mas os cabelos cobrem seu rosto. Quando vi esse detalhe me lembrei das inúmeras vezes que recebi as resposta do Criador, onde Cristo me aparecia nitidamente em Sua imensidão, mas mesmo O vendo, mesmo O sentindo, mesmo me tocando, nunca me permitiu ver Seu rosto.
Não é fácil me dispor a rever meus conceitos e há muda los quando tudo confirma que mesmo na contra mão do mundo, mesmo sozinha na jornada, ainda estou na direção certa. Talvez a fé não seja coletiva como acreditamos e sim pessoal e singular. Eu acredito que posso estar onde minha fé pode me levar e isso independe de santo e imagens, está além de anjos e demônios, é mais profundo que certo e errado e mais sublime que ‘ser’ ou ‘estar’.

Finalmente percebo que essa temporalidade terrestre é apenas detalhe... Ainda tenho medo porque quanto mais claro fica a Verdade menos me apego ao mundo e a tudo que ele me oferece. As vezes me sinto alheia a realidade, sem grandes dores mesmo em grandes tormentas, como se tudo fizesse sentido e fosse racional. Como se estivesse aqui apenas de passagem, como um viajante que para a fim de descansar antes de seguir caminho. 

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.

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