Era uma noite qualquer, quando
percebo que uma mulher além de ter no dedo um anel com a imagem de uma santa
carrega no pescoço um escapulário (corrente com imagens de santo na frente e
atrás).
Curiosa sobre as historias dos
santos católicos, tentando entender um pouco mais sobre a fé individual de cada
um, pergunto a mulher quais santos eram aqueles e ela simplesmente me responde:
não sei.
Insisto: - Você não sabe que santo
está carregando no pescoço?
Ela responde já nervosa, como que
querendo encerrar o assunto: - Não, não sei.
Até iria perguntar sobre a imagem no
anel, mas a resposta me deixou tao pasma que não consegui.
Como uma pessoa se diz católica,
frequenta semanalmente um grupo de oração do qual diz está gostando muito, até
revela traços de melhoria em sua personalidade, discute quando ouve criticas
sobre as imagens e os santos, mas quando questiono sobre o escapulário que
carrega no pescoço nada sabe me dizer?
Que fé é essa que a faz carregar
uma imagem da qual não sabe nome, não sabe a historia, sabe apenas que é dito
santo?
Podia estar carregando uma imagem
do satanismo ou qualquer outra religião que não faria diferença.
É isso que não entendo nas pessoas,
dizem que a fé move montanhas e sem duvida acredito nisso, mas a fé
direcionada.
Diante esses fatos me vejo ainda
mais egoísta, pois concluo que minha forma de pensar não está no todo errada.
Não que eu não reconheça a importância de almas evoluídas, não é isso, eu mesma
quero muito chegar no além e me encontrar com Paulo, com Jó, com Maria
Madalena, há tanto pra conversar, são personagens que respeito e admiro, mas
não carrego sua imagem no peito.
Há uma cruz de madeira a qual as
pessoas oram que essa é o primeiro crucifixo que admiro, pois há a silhueta de
um homem ali, mas os cabelos cobrem seu rosto. Quando vi esse detalhe me
lembrei das inúmeras vezes que recebi as resposta do Criador, onde Cristo me
aparecia nitidamente em Sua imensidão, mas mesmo O vendo, mesmo O sentindo,
mesmo me tocando, nunca me permitiu ver Seu rosto.
Não é fácil me dispor a rever meus
conceitos e há muda los quando tudo confirma que mesmo na contra mão do mundo,
mesmo sozinha na jornada, ainda estou na direção certa. Talvez a fé não seja
coletiva como acreditamos e sim pessoal e singular. Eu acredito que posso estar
onde minha fé pode me levar e isso independe de santo e imagens, está além de
anjos e demônios, é mais profundo que certo e errado e mais sublime que ‘ser’
ou ‘estar’.
Finalmente percebo que essa
temporalidade terrestre é apenas detalhe... Ainda tenho medo porque quanto mais
claro fica a Verdade menos me apego ao mundo e a tudo que ele me oferece. As
vezes me sinto alheia a realidade, sem grandes dores mesmo em grandes
tormentas, como se tudo fizesse sentido e fosse racional. Como se estivesse
aqui apenas de passagem, como um viajante que para a fim de descansar antes de
seguir caminho.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.