22/07/2013
Acabo de me recordar do tempo em que usava o sinal da cruz
como proteção.
Já estava na igreja evangélica, mas ainda assim quando
surgia medo, insegurança, fazia o sinal, como que elevando uma oração ao céu.
Um dia, não me recordo exatamente como ocorreu, se foi em sonho ou uma voz, fui
alertada para esse gesto, que me parecia tao importante.
Comecei a indagar em meu interior o que de fato representava
para o ‘eu’, ao que me foi ‘inspirado’, digamos assim, que era apenas um gesto
como qualquer outro, talvez uma mania. Dizia para mim mesma que era como um
amuleto, me protegia, então escutei a pergunta: e o homem que não tem mãos ou
braço, esse não receberá proteção por não conseguir fazer o sinal da cruz?
Nesse instante percebi que de fato o todo está em demasia
ligado a mente, talvez seja porque é nela que a alma tem liberdade.
Diante tudo isso volto a questão das imagens. Não sei falar
da grande maioria porque não conheço o contexto, por isso falo de Jesus Cristo.
Quando penso em Jesus não penso em um homem cabeludo de
olhos claros, não penso de imediato na cruz, mas sim no milagre de como carne
ser Santo, concebido por uma virgem, um homem que soube esperar o momento certo
para se revelar e que mesmo em Sua grandeza suportou humilhações, venceu
tentações, tudo para nos deixar o exemplo e isso porque? Porque Ele é orgulhoso
e queria aparecer, se destacar? Não! Jesus nunca se impôs, sempre respeitou o livre arbítrio de cada um, por onde passou
pregou a Verdade, mas nunca impôs que as pessoas a seguissem, pelo contrario,
sempre deixou claro que todos ouviriam, mas apenas os que estivessem preparados
entenderiam as parábolas.
Observando assim fica nítido porque não gosto de velórios.
Claro que essa cultura é antiga e ainda predomina, mas quando meu corpo físico
morrer não quero que as pessoas me vejam dentro de um caixão. Velar um corpo
começou com a ideia de que a alma poderia voltar a qualquer momento, por isso o
corpo deveria ficar aguardando, a partir daí surgiu a mumificação, que
conservava esse corpo caso a alma demorasse, mas hoje está claro que o único
capaz de ressuscitar dos mortos é Cristo Jesus, que morreu, ressurgiu e
retornou ao espaço, sendo assim, porque desejar que as pessoas se despeçam de
um corpo já sem vida? Quando meu corpo físico morrer quero que tudo seja doado,
tudo mesmo, cada órgão, a pele, até o cabelo se houver interessado. Após doarem
tudo quero que os restos seja cremado e as cinzas jogadas em agua corrente,
preferencialmente ao mar, onde vivi minha primeira experiência de quase morte,
onde escuto demasiadamente o sobrenatural me falar, onde percebo a grandeza de
Deus (há outros textos falando sobre isso). Não quero choro, lamentações, quero
muita alegria, se possível quero que minha família e amigos façam festa,
afinal, finalmente meu espirito terá retornado para casa e só meu ‘ser’ sabe o
quanto ele deseja isso... Diante tudo isso concluo que quero que as pessoas se
lembrem de mim alegre, cheia de vida, claro que muitos me conheceram no
processo do ‘despertar’ e não puderam contemplar as fases de metamorfoses,
muitos me conheceram na fase rebelde, muitos em tantas outras fases pela vida,
todos esses podem analisar a embalagem, mas quem me conheceu de verdade, quem
percebeu meu ‘ser’ acima de meu ‘eu’ terá certeza que esse será o momento mais
feliz e assim, se recordará de mim sempre com palavras de conforto e carinho.
Na minha trajetória não procurei colecionar amigos, sempre
procurei evitar ter inimigos, mas há sempre aquelas pessoas que mesmo em poucos
contatos acabamos criando afinidades tao grande ao ponto de gerar muito bem
querer. Comigo acontece muito isso, pessoas que não vejo há anos e que seria
praticamente impossível rever, mas que deixou no coração muitas alegres
lembranças, um afeto que é repleto por carinho, e se consegui despertar isso em
alguém, é isso que quero que a pessoa guarde. É muito fácil quando alguém não
pode se defender as pessoas apontarem defeitos, tentarem justificar o que quer
que seja, mas ninguém conhece o outro ao ponto de saber como ele se sente,
ninguém conhece as batalhas interiores de outra pessoa. Muitos não conhecem nem
as suas próprias...
Talvez por desejar que seja assim comigo inocentemente faço
assim com Cristo. Reconheço seu sofrimento para me lavar do pecado, para me
ensinar o que é o bem e o que é o mal, mas creio que não foi fácil carregar a
cruz na qual foi crucificado, a cruz que representa o pecado tento um peso
muito maior que o da madeira grossa, desse modo não quero lembrar dele na cruz,
até porque o sinto vivo em meu coração. Não sei explicar, me falta sabedoria
para conseguir transmitir como O vejo, mas sei que Ele está a postos, sempre
orientando.
Não me importa se Jesus era preto ou branco, se tinha
cabelos claros ou escuros, lisos ou emaranhados, assim não me importa a imagem,
me importa senti Lo. Talvez eu não passe de uma mulher de pouca fé, mas creio
que a mim cabe olhar Seus exemplos e ensinamentos. Ele já carregou a cruz por
mim, porque devo agora refazer isso? Porque carregar no peito a representação
da dor e do sofrimento de Cristo?
Até tenho tentado entender tudo isso, tenho tentado aceitar
e respeitar as imagens, mas para eu é o mesmo que pegar a foto de qualquer
pessoa que nunca vi e quanto mais tento aceitar mais me vejo incrédula. Tento
levantar orações, mas sempre a faço de forma geral, só penso em Cristo e em
tudo que fez por mim.
Será por não conseguir adorar imagens, por não aceitar o
fato de que as pessoas as usam como amuletos, que não me sinto digna de orar
pedindo benções especificamente para minha vida? Mas o que são imagens?
Retrato, estatuas, tudo tão banal, frágil, a santidade está tão além de tudo
isso. Acredito sim em pessoas de espirito elevado que se serviram ao bem
enquanto viviam no plano terrestre, mas daí a serem santas? Santo só Cristo é,
e ainda assim não consigo adorar a imagem que dizem ser ele. É como se meu
coração fosse cego e só enxergasse com os sentidos, assim não vejo a imagem de
Cristo, mas sinto Seu cheiro, Sua presença, Sua proteção, Seu calor. Sei que
Ele é real, que existe, mesmo sem poder vê Lo. Não dá pra explicar...
Engraçado que minha vida não está
como gostaria, há uma grande insatisfação diante meu eu, mas de algum modo meu
‘ser’ não se sente no direito de pedir por mim, é como se no silencio me
dissesse que tudo está como deve e assim o conformismo me abraça.
Não posso negar que há momentos que
desejo desistir de tudo, fugir desse mundo, cair em um sono profundo e esperar
que a Verdade se revele de forma direta, mas mesmo em meio a lagrimas meu ‘ser’
sorri, confiante que tudo está dentro do planejado.
Não tenho clareza do todo, mas
espero que tudo se revele...
Meu ‘ser’ acaba de me indagar algo
interessante. Tenho sofrido na vida profissional por não gostar de rotina,
trazendo isso pra vida espiritual porque rezas prontas e rituais me incomodam
tanto? Porque sou tão medrosa ao ponto de ser incrédula?
Pela logica é mais fácil apenas
seguir o roteiro que tentar entende lo.
Faz parte da falta de fé querer
saber o porque de tudo? Querer conhecer
a historia de casa personagem dito santo ou evoluído que seja? Não conseguir
adorar a quem ‘não reconheço’? Como saber se estou no caminho certo?
Me assustei quando conheci o
satanismo, mesmo admirando o contexto bem elaborado, mas porque teme lo, porque
identificar seus sinais se diante o que me é revelado ele nada mais é que
enganação.
O mau não existe como obra do
Criador, como defende o livro negro, e sim como livre arbítrio dos espíritos frágeis
e perdidos.
Obs.: Estava escrevendo enquanto os
trabalhos da noite eram preparados. Tento elevar meus pensamentos em prece, mas
fica difícil, visto que não sei exatamente como minha luz chegará ao céu. Não
consigo pedir por mim, mas desejo ardentemente o bem coletivo e ao ‘eu’ desejo
apenas o que há anos venho pedindo: discernimento. Sei que aos poucos o véu
está se rasgando, minha vida até aqui é marcada por esses momentos onde se é
possível perceber, mas ainda me vejo uma mulher de pouca fé, pois mesmo com
todos os sinais, mesmo com todas as confirmações desejo mais, desejo ir além,
talvez até muito além do que minha consciência humana consiga alcançar e
imaginar, mas algo dentro de mim diz que há muito mais. Observo cada detalhe,
cada gesto, o traçado, os desenhos, tudo parece inocente e sem grande
significado, mas a meu ‘eu’ que muito já viu, ouviu e leu, tudo está repleto de
conteúdo, e esse muito mais complexo que pode imaginar qualquer mente
ignorante. Bom mesmo é quem nunca se perdeu no caminho, quem nunca ouviu
historias diferentes, quem nunca conheceu outros pontos de vista, quem nunca se
fez curioso pela Verdade. É muito mais fácil aceitar a Verdade imposta e segui
la que tentar encontra La por traz de tudo. É muito mais fácil viver na fé que
viver as revelações do sobrenatural.
Recordo me de um desenho da (Caverna do dragão), onde havia um senhor
sábio chamado mestre dos Magos e um cavaleiro malévolo chamado vingador...quem
assistiu o final sabe do que estou falando...
O mais impressionante é que o
sobrenatural (como gosto de chamar) continua me constranger. Diante essa
confusão mental tudo que busco é confirmação de que independente de doutrina,
credo, religião, até mesmo independente de imagens e rezas prontas o caminho ao
Bem Maior, que conduz a Verdade é o Amor. Em sonhos tenho tido grandes
revelações que estão me trazendo inúmeros aprendizados, talvez esteja fazendo
um curso intensivo e não sei, mas como mulher de pouca fé estou sempre
desafiando a ser ouvida, assim sempre faço perguntas diretas, algumas vezes até
dito a resposta, ao passo que quando me é dito conforme esperava fico atônita.
Como já disse não se trata de certo
ou errado e sim bem ou mal, não nego que talvez seja apenas mais confusão, mais
se é porque os sinais estão tão nítidos? Claro que há inúmeros detalhes que
descordo e não consigo seguir, mas é como em qualquer outro lugar. Os homens,
por melhores que sejam, são falhos e todos estamos longe da perfeição, por mais
que tentemos busca la. Desse modo confirmo que não sou dessa geração, talvez
minha vinda para terra seja uma missão tao complexa que nem eu ainda
identifiquei, ou talvez minha falta de fé seja o castigo, ou até mesmo pode ser
que o que vejo como pouca fé seja a certeza de que a fé como todos veem é
pequeno de mais diante a grandeza do sobrenatural, afinal não preciso de cruz,
não preciso de imagens, não preciso de velas, não preciso de nada material para
elevar meus pensamentos ao céu, preciso sim de muita paz, de muito equilíbrio,
de muito amor. Com isso tenho certeza que independente de forma física, de
sexo, de raça, de credo dos santos e/ou afins, minhas orações são ouvidas.
Sei lá, posso estar em tudo errada,
mas não duvido da certeza que me move e me diz que esse não é meu lugar.
Estou longe de ser quem gostaria,
pois ainda percebo traços de egoísmo, de vaidade, de superioridade, mas pouco a
pouco vou lapidando meu ‘eu’ em concordância com meu ‘ser’ e daqui até a data
prevista muito acontecerá...
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.