Goiânia apesar de tanta evolução ainda é vista por alguns
estados como a capital rural, via esse fato com certa indignação, acreditando
que isso fosse ignorância de quem assim imaginava, visto que a cidade é bem desenvolvida,
no entanto começo a entender porque pensam assim.
A questão é cultural. Atualmente a discussão na mídia é
sobre o aumento das tarifas do transporte coletivo, que no ano passado era
R$2,50 subiu para R$2,70 e agora pode chegar a R$3,00.
Essa discussão não é novidade, assim como os protestos e a indignação
da população também não, no entanto nada é levado em consideração.
Há duas semanas os usuários do transporte coletivo sofreram
com a paralização do serviço, pois os motoristas em greve reclamavam aumento
salarial, que após muita negociação foi firmado em 9%, mas e agora quem paga
esse aumento? O usuário.
A inflação existe em tudo, apesar de hoje ser bem maquiada,
mas a questão que quero frisar não é o aumento do salario dos trabalhadores do
transporte ou o aumento da tarifa, porque isso acontecerá a população querendo
ou não. A questão é a qualidade desse serviço.
Recordo-me anos atrás quando ainda existiam vãs, as ruas era
uma loucura, havia muito transporte clandestino, mas ao menos havia opções de
transportes.
Recordo-me também quando decidiram tirar os cobradores e
inserir o sit pass. Todo bem tem um pouco de mal e vice e versa, logo duas
vertentes me surgiram na época:
1° Muitos trabalhadores perderiam seus empregos para
máquinas.
2° Seria um meio de evitar a criminalidade, pois cessaria os
assaltos.
Após alguns anos a conclusão que chego é que não importa
quanto Goiás evolua, não importa quanto o governo mude a forma do transporte,
está mudando apenas a fachada, não está tratando o problema.
Volto a citar a questão básica da educação. Os goianos são
vistos como roceiros não pela cultura agropecuária ou pela musica sertaneja que
exporta, mas pela falta de educação.
A tarifa do transporte coletivo subindo para R$3,00 se torna
a tarifa mais cara do país, passando até a da capital do estado do Paraná, onde
o serviço é referencia.
Não tenho duvida que se trata de educação cultural porque
tive a oportunidade de conhecer ambos os sistemas.
Em Goiânia os ônibus não respeitam os horários programados,
por vezes o usuário aguarda de 30 a 40 minutos pela saída do ônibus, ou até
mais tempo, e quando esse chega é um empurra, empurra. A pessoa que está na
frente se não se apressar pode até ser pisoteada, pois ninguém respeita o
espaço de ninguém, todos estão com pressa para chegarem aos destinos e assim
não olham quem está à frente, não importam se é criança, gestante, idoso.
Os ônibus tem bancos preferenciais, mas são meros enfeites,
algumas pessoas acreditam que servem apenas para variar o estofado, pois sentam
e se surge alguém que se enquadra na necessidade, no direito de usar o banco, finge
que estão dormindo ou algo semelhante. Isso é o que? Falta de educação. É a
herança cultural do estado de Goiás, onde o egocentrismo grita até nos pequenos
detalhes, mas é possível cobrar das pessoas que seja diferente se o problema
começa do alto? A questão vem do sistema que é falho. Das empresas de
transporte coletivo que não respeitam o usuário, agem como quer, pois quem de
fato precisa do transporte não tem outra opção, assim seja como for o lucro
está garantido.
Em Curitiba acontece bem ao contrário. Os terminais são organizados,
o população aguarda em fila a chegada dos ônibus, que respeitam os horários do
cronograma fielmente. Quando esse chega não há tumulto, empurra, empurra, nem
pessoas duelando para entrar. Todos entram educadamente, e o ônibus por mais
que encha não vai com pessoas exprimidas na porta como se fossem embaladas a vácuo.
Caso lote, o usuário aguarda pacientemente o próximo ônibus, que virá no tempo
programado. Um sistema referencia no Brasil, que ainda utiliza o cobrador na liberação de
entrada.
Contudo o que posso concluir é que de fato o goiano perde
sempre pela educação cultural que desenvolve, pois é uma educação cada vez mais
xucra. É verdade que comparando goiano ao curitibano a questão que irá surgir é
que os goianos são sociáveis, unidos, amigos, já os curitibanos são frios,
soberbos, antissociais, mas isso também é cultural. Quando no seu meio os
curitibanos são tao agradáveis quanto qualquer outro, mas não são dados como os
goianos que abrem suas vidas em qualquer fila para quem quer que seja.
Não me canso de dizer que a primeira mudança que devia
existir não só em Goiás, mas no Brasil é a educação. E não digo sobre investir
em professores para que trabalhem na alfabetização, como o governo vem frisando
não, mas investir em educação que devia vir de berço, mas como há gerações isso
não vem acontecendo os pais não estão passando para os filhos. E não os culpo,
pois como ensinar o que não se aprendeu?
É necessário a inclusão de respeito, de bom senso, de
cidadania nas disciplinas escolares. Ao invés de aprender religião que acaba desimano
em religiosidade é preciso ensinar humanização.
A grande massa, que é a maioria carente, não tem voz ativa
para mudar as imposições do governo, mas com educação tem meios de desfrutar
com o mínimo de dignidade das migalhias que ele oferece.
O aumento da tarifa para R$3,00 confirmar a tarifa mais cara
do país e talvez a com pior qualidade, e o que isso importa para os órgãos e o
governo? Estão preocupados em ter de onde tirar para pagar o aumento salarial
dos motoristas, mas qualidade já é outra discussão.
Quem utiliza o transporte coletivo
hoje? Justamente o assalariado, que não tem condição de ter um veiculo próprio.
Com o aumento o valor compromete certa de 23% do salário mínimo, ai me vem a
pergunta então esses trabalhadores não poderão mais adquirir bem algum? Pois os
economistas, os orientadores financeiros, sempre aconselham as pessoas a nunca
comprometer mais que 30% de seus salários. E quem mora de aluguel? Como vai
ser?
O Brasil trabalhando dando tiro no
escuro, pois as decisões tomadas sempre acarretam em novos projetos sociais que
visam melhorar a situação das famílias carentes, são tantas bolsas diferentes,
o governo inventa tanto auxilio, mas tudo isso é para remendar os estragos que
já veem há muito tempo.
É preciso que haja revolução, que o
sistema seja renovado, e não digo tirar o poder de determinadas mãos e passar
para outras, mas sim o sistema funcional de toda legislação.
O governo tenta maquiar os
problemas liberando benefícios e divulgando na mídia, o pior que consegue e
tudo isso por que? Porque a massa não tem a devida educação. São levados ao
conformismo. Não sabem pensar além, ou questionar o sistema.
Quem dá algo de graça a alguém?
Todo beneficio criado tem interesse por traz, seja politico ou financeiro.
Todos os problemas enfrentados no
Brasil, seja em Goiás ou qualquer outro estado, tem o mesmo culpado: A
EDUCAÇÃO.
Queria ver como seria se a minoria,
os que tem o poder, os que tem dinheiro, utilizassem o sistema publico para
tudo, como a grande massa. Saúde, ensino, transporte, como se portariam?
Suportariam ao menos um mês a lastima de depender de um sistema que oscila
entre ruim e péssimo? Que politico que se dispõe em viver como cidadão comum,
sem privilégios, ao menos um mês? Conhecendo a realidade do dia a dia,
dependendo dos órgãos públicos de atendimento?
Mas pensar nisso me traz de volta a
questão da educação, pois é a massa que elege seus representantes, assim nós
somos os coautores do caos declarado, mas silencioso que existe.
Me acabo de rir quando pessoas que
são tipicamente brasileiras, com malandragem, com malicia, ganham eleições.
Pessoas sem o mínimo de cultura, sem conhecimento especifico para tal, mas
pessoas populares, que estão na mídia, que são engraçadas ou polemicas. É a típica
embalagem ganhando o mercado sem importar o produto.
São vereadores, deputados,
ministros. Estão à frente das decisões que muitas vezes nem sabem do que se
tratam, ou se sabem tem apenas uma ideia superficial por ouvir falar, mas tem
voz ativa de decisões. Esses são os inteligentes, pois sabem aproveitar a
ingenuidade da massa, que na verdade é a futilidade maquiada pela simplicidade
que beira a ignorância. Diante isso porque investir em educação, se isso pode
levar a massa a pensar e mudar o sistema?
É melhor que tudo continue como
está mandando quem pode obedecendo que tem juízo e se revoltando quem nada pode
opinar.
Do que adianta protestos se tudo
que acontece são consequências das escolhas da massa?
O conformismo social do cotidiano
tem que refletir é nessas situações, pois quem sabe assim a população não percebe
a necessidade de mudança? Ah, me esqueci, a massa é apenas um movimento no
espaço, a minoria pensante é um seleto grupo de privilegiados.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.