E eis que aquela manhã foi em tudo diferente.
Não despertei em meu quarto como de costume, não vestia meu
pijama, nem tao menos estava em meu apartamento.
Remexi de um lado para outro e a cama estava macia, tao
macia que não estava normal. Abri os olhos devagar como que duvidando que o sol
já tivesse raiando, mas a claridade revelava que sim.
Me espreguicei gostosamente e antes que pudesse ordenar os
pensamentos o susto me colocou de pé, apenas perguntas me surgiram.
- Onde estou? Que lugar é esse? Como vim parar aqui?
Fechava meus olhos firmemente na esperança de que aos abri
los estaria novamente em meu quarto, mas foi em vão.
Não estava sobre uma cama, na verdade nada ali parecia
normal. Estava em uma espécie de caverna, mas não era de pedras, ao contrario,
tudo era macio e fofo, não havia moveis ou similares, apenas um espaço de solo
macio e paredes iguais. O teto era arredondado descendo as paredes de encontro
ao solo. Havia uma pequena abertura por onde entrava uma luz branca e
brilhante. Caminhei devagar até ela e percebi que tudo ainda iria me
surpreender.
O espaço parecia pequeno, mas passei por ele sem
dificuldades. Do lado de fora um belo jardim reluzia sua beleza que era
iluminada pelo sol que aquecia e acalmava. As flores dançavam em sintonia com
as borboletas e as libélulas. Havia por ali muitas abelhas, formigas, joaninhas
e cigarras. Cada uma respeitando o espaço da outra.
Eu não me via gigante, estava tão pequenina quanto aqueles
seres, mas não tive medo em momento algum, ao contrario, me sentia parte de
tudo aquilo.
Um ser pequeno e que não identifiquei começou a falar
palavras também não identificadas ao meu conhecimento, mas após alguns segundos
passei a identificar cada palavra e pude perceber que ela me saldava por ter
despertado, era uma pequena fada. Corpo minúsculo humano e asas de borboletas,
me dizia que todos estavam me esperando.
Voou para a direita e eu tentei segui la, mas não conseguia
caminhar, não sentia minhas pernas, e caí ao chão.
A pequena fada dizia para que eu caminhasse com o coração e
não com o corpo físico. Tentei varias vezes, mas eu não conseguia sair do lugar.
Fiquei nervosa e percebi que todos os pequenos seres se afastaram de mim, até
as flores pararam de dançar, o som que ecoava deixou de soar.
Respirei fundo e tentei acordar, afinal aquilo só podia ser
um sonho.
Me acalmei e tentei manter o equilíbrio, foi quando abri os
olhos e estava flutuando como a pequena fada, foi quando percebi que era
preciso caminhar com o coração, ou melhor flutuar com ele. Tentei procurar a
fadinha, mas ela já havia partido e não acompanhei seu trajeto.
Passei por uma arvore muito grande e dela saiu um rato
branco com o peito bege, me assustei ao ponto de cair ao chão com toda força. E
quanto ia gritar o ratinho pulou no meu colo e se pôs a falar que era um
râmister amigo. Mesmo assim senti nojo, foi nesse momento que surgiu um outro
ratinho que na verdade mais parecia um gato, ou melhor era um mini tigre. O
peguei no colo e não quis mais o largar.
Caminhei e de repente estava diante alguns prédios altos com
muitas pessoas, mas cada pessoa tinha uma personalidade diferente, se fosse na
atualidade diria que era uma verdadeira festa a fantasia.
Eu saltava de prédio em prédio a procura de não sei o quê,
mas sabia que devia encontrar algo e o tigre miniatura sempre comigo.
Do alto eu observava o belo jardim do qual havia saído.
Até que um tigre branco enorme surgiu no céu e com um
rugido, que estremeceu toda a terra e amedrontou todo mundo, eu caí e quando
toquei o solo na verdade voltei a mim e despertei.
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