Há dia em que o espelho me ama, ele me chama, me estimula,
me anima.
Em outros me intriga, me aborrece, me castiga.
Tudo fica sem graça, não sei como estou, não me sinto bem
onde quer que vou.
Meu reflexo é mera imagem, retratando a aparência, mas aos
meus olhos não percebo beleza.
É um resumo interior, declarando meu humor, ditando como
estou, por dentro com ou sem dor.
Depende de minha alegria, de meu entusiasmo ou harmonia.
É como uma canção que a nota depende do cifrão.
Como o reflexo a imagem contagia, seja noite ou seja dia.
Nada por determinada razão, mas tudo por contaminação.
É o poder do subconsciente que invade ocultamente a alma da
gente.
O espelho é minha rima, minha esgrima, minha linha.
Meu bruxo aconselhador.
Minha inspiração em momentos que ‘tô que tô’.
O espelho pode muito falar, demasiadamente lamentar ou
simplesmente me olhar.
Meu reflexo depende de quem eu sou no momento de
apresentação.
É como uma canção que pode soar com ou sem emoção.
Meu ‘ser’ é único vagante, viajante, pensante, mas meu ‘eu’
é milhões assim como as ocasiões.
Cada cifrão já ditaria uma canção, não fosse à rima que foge
a razão.
Tudo organizado, tudo bem amparado, pela imagem do coração,
espelho da alma ditando a emoção.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.