Já te aconteceu de ter um amigo e ele ser tão legal que você
chega a acreditar que ele seria o melhor namorado do mundo e de repente vocês
assumem namoro e a coisa muda?
Ou de você começar a sair com uma pessoa que é animada,
positiva, sem neuras, e vocês curtem muito juntos, mas que após assumirem
namoro ela se transforma e ao invés de companhia você se vê ao lado de um
conselheiro comportamental?
Ou quem sabe já aconteceu de você estar em uma relação
descontraída e agradável, sentindo de fato a paixão se desenvolver e de repente
quando assume namoro sente a pressão do relacionamento? O peso do compromisso?
A responsabilidade excessiva que você ainda não se sente pronto para encarar?
Isso é comum e acontece até entre pessoas que se conhecem há
anos. Certas pessoas encaram namoro de fato como preparação para o casamento e
acabam depositamos na relação suas maiores expectativas, seus sonhos, e quando
o menor detalhe não sai com esperado se desespera e perde ao ponto de perder a
razão.
Um namoro não precisa ser dotado de dogmas e padrões, pode
ser um acordo mutuo entre ambos. Pode ser descontraído, sem neuras, leve e
agradável, ou pode ser pesado, cheio dee tensões, autoritarismo e controle.
Tudo vai depender das partes a fins. Do diálogo. Da liberdade em ser quem de
fato se é.
Se já no começo da relação à balança pesar pelo negativo não
creia que em algum momento o positivo irá predominar. Personalidade pode até
ser moldada, mas jamais modificada.
Não acredito em amor a primeira vista, isso pode ser tesão,
admiração, curiosidade, mas o amor mesmo é construído com ações e gestos no dia
a dia. Nem mesmo palavras pode favorece lo.
Um bom relacionamento não é aquele que não tem problemas e
sim o que usa os problemas como degrau para evoluir a relação.
Não existe pessoa perfeita que se encaixe no seu padrão de
ideal, o que você pode encontrar é uma pessoa disposta a tentar fazer
acontecer, mas esse tentar que muitas vezes é o problema.
No meu caso uma das tentativas foi assim:
“Era uma tarde de sábado quando meu novo namorado me
convidou para fazer algo diferente, passar o dia em um motel.
Nunca fui do tipo de gosta de motéis, pois além de ver tal
lugar como um abatedouro não consigo imaginar outro uso senão sexo e com isso
sinto certo nojo de me deitar em uma cama que muitas outras pessoas deitaram.
Me pergunto quanta promiscuidade não existiu dentro daquelas paredes, quantas
orgias, quantas doenças diferentes podem ter estado ali. Por mais tudo passe
por um rigoroso cuidado e higienização não consigo receber bem a ideia de ir a
um motel, mas diante aquela situação não vi meio de negar ao pedido.
Estava no começo de uma relação que iniciou conturbada. O
homem em questão era noivo quando nos conhecemos e sempre o ouvi falar sobre a
noiva com muito entusiasmo e respeito. Não cheguei a conhece la, mas a
respeitava, sabia que era uma pessoa influente na sociedade, assim como ele, de
família nobre, com a carreira em ascensão.
Lavávamos o carro no mesmo lava-rápido, o que nos permitia
toda sexta no fim de tarde sentar, tomar uma cerveja gelada e comer um tira
gosto. Tal ato se tornou rotina e de certo modo já nos programávamos para esse
feito, por mais que o carro estivesse limpo, o interesse ali era na conversa e
na companhia.
Em uma dessas sextas ele me disse que o noivado não ia bem,
contou me a história e nem ao menos opinei. Apenas ouvi atenta, imaginando a
situação, foi nesse dia que ele pediu o numero do meu telefone, alegando gostar
de desabafar comigo. Não fiz mistério e passei.
No meio da outra semana me ligou dizendo que queria me ver.
Marcamos de tomar um açaí na mesma noite, foi quando ele disse que o noivado
havia acabado, que ele ficava triste pois haviam sido sete anos de
relacionamento, mas que por outro lado estava se sentindo aliviado.
Escutei atentamente os desabafos dizendo apenas para que ele
tivesse calma e não tomasse nenhuma decisão precipitada.
Na sexta lá estávamos nós novamente no lava rápido.
Diferente dos outros dias ele agora estava solteiro e isso deu abertura para o
que jamais imaginava. Ele começou a dizer que estava aliviado com o fim do
relacionamento, pois há certo tempo vinha mentindo para a noiva e até para ele
mesmo.
Pensei que ele a estivesse traindo e dobrei a atenção, pois
apesar de duvidar da fidelidade humana acredito que quando há amor de verdade,
ao ponto de renunciar a solteirice e entrar em uma vida conjunta, a
cumplicidade e o respeito são tão favoráveis que a fidelidade acontece
naturalmente, negar outras pessoas se torna traço da personalidade.
Escutava atenta cada detalhe, o ouvi dizer que há um tempo
havia conhecido uma jovem, que além de linda, batalhadora, educada era muito
centrada e racional. Que ele estava apaixonado desde o primeiro minuto, mas
devido ao compromisso se privou de falar a ela e assim se tornaram amigos. Que
ele esperava ansioso para poder vê la a cada despedida. Que ficava em casa
lembrando seu sorriso, seu jeito de falar, seus trejeitos de se expressar.
Os olhos dele de fato brilhavam e o timbre da voz
demonstrava muita emoção. Cheguei a acreditar que ele realmente estava
apaixonado, mas minha certeza se foi quando ele disse que o alvo do cupido
apontava para mim.
Ele era um rapaz muito bonito, porem pertencia a outro
mundo. Eu com toda minha simplicidade, vinda de família pobre, ele super
popular, herdeiro de uma fortuna que nem de longe conseguiria calcular.
Fiquei em choque e acredito que não consegui esconder meu
espanto, pois ele ficou desconcertado dizendo que não queria me assustar, que
entenderia se eu não o desejasse, mas que não queria perder minha amizade. Que
havia decidido me contar porque estava se sentindo sufocado e gostaria que eu
soubesse que ele faria de tudo para me conquistar.
Não disse que sim nem que não, afinal de contas também havia
terminado um namoro a pouco tempo e não queria me envolver, mas ele era legal e
ter sua amizade era bom.
Nos dias seguintes passamos a nos falar diariamente. Ele
passou a me buscar em casa para irmos ao cinema, a barzinhos, sorveterias, os
passeios eram bem diversificados.
Houve dias em que acordei pela manhã com a campainha tocando
e ao abrir eram rosas enviadas por ele, em outra era uma cesta de café da manhã
e assim foi por um tempo, até que em um parque da cidade em uma bela tarde de
domingo o primeiro beijo aconteceu.
Começamos a namorar, mesmo eu ainda não estando apaixonada
resolvi tentar. Tinha esperanças de que com o tempo eu aprendesse a ter medo de
perde lo, no entanto essa foi a pior escolha que fiz, pois quando aceitei namorar
ele achou que estava aceitando dar satisfações do meu dia a dia e a relação de
amizade que era muito agradável cedeu lugar a um namoro que desde que recebeu
esse titulo pesou.
Ele me ligava de minuto em minuto, se eu não pudesse atender
por estar no trabalho ele ficava nervoso. Segundo ele eu devia atender mesmo
que não dissesse nada, só para ele ouvir que estava em atendimento . Começou a
monitorar quanto tempo eu levava do trabalho para casa, de casa na padaria, que
horas acordava, com que amigas andava, isso de um dia para outro, apenas por
ter mudado o titulo da relação de amizade para namoro.
No principio já queria jogar tudo por ar, mas minhas amigas
que o achavam muito bonito, diziam que eu devia ter paciência, pois além de
bonito era rico e bem sucedido.
Aguentei, aguentei, e
já havia se passado três meses, o que ele fazia questão me lembrar dia
noturnamente, visto que diante eu estar
suportando acabei não me apaixonando e assim não tínhamos relações sexuais, o
que para ele era um absurdo e começou a cobrar.
Foi dessa maneira, que ele propôs um sábado diferente para
nós dois.
A principio não desejava. Primeiro que não gosto de motéis,
depois que não me via pronta para estar com ele intimamente dessa maneira, mas
após muitos argumentos acabei cedendo e fomos para o tal lugar.
Os planos era de ficar curtindo o lugar, a piscina, tomar
uma cerveja e deixar rolar naturalmente.
No caminho a empolgação dele revelava toda ansiedade, que só
se ausentava quando ia falar algo sobre minhas amigas, as quais ele não gostava
de nenhuma, dizia que elas eram baladeiras e que eu não podia andar com elas,
devíamos andar juntos, só nós dois. Conceito esse que nunca aceitei, logo nunca
obedeci.
Duvido muito que aja alguém que deteste mais motéis do que
eu, afinal desde a entrada é constrangedor, veja bem: você chega e a pessoa que
te recebe pergunta que quarto você quer. Ela sabe exatamente o que você vai
fazer ali, e após a resposta sabe exatamente o valor que o cara te atribui ou a
condição financeira dele para tal aventura.
Odeio motéis. Logo na entrada a vergonha de ter que escolher
um quarto, na sequencia estacionamos na garagem e ele baixou a porta. De certo
modo a garagem é o local no qual mais fico a vontade em um motel, pois ao menos
ali tenho a impressão que foi menos usado.
Já no quarto o nojo deu lugar a admiração. Uma decoração de
muito bom gosto, dois quartos, uma piscina grande, uma banheira também grande.
No frigobar além de bebidas, muito chocolate e picolé. Aos poucos ia ficando a
vontade, apesar de me negar a entrar na piscina, afinal de contas sei lá
quantos casais distintos estiveram ali. Sei quanta quanta porra diferente não
estava dissolvida ali em meio a todo cloro. Nem mesmo a ideia de entrar na
banheira me agradava, vai saber se lavavam direito.
Nunca gostei nem de clubes por essas mesmas razoes, o que
dirá de motéis, mas já que estava ali precisava relaxar.
Abri um cerveja, coloquei um MPB, pois se há outra coisa que
tenho nojo são os filmes pornôs que passam em motéis. Parecem surreais. As
mulheres parecem bonecas infláveis programadas para gemidos pré estabelecidos,
quando os homens que são como robôs penetrarem nelas. Não há romance, não há
historia, apenas sexo. Talvez funcione para prostitutas que estão ali como
bonecas também, apenas fazendo o trabalho, mas para pessoas normais duvido
muito que excite, mas vai ser, se tratando de sexo tem doido de todo tipo.
Tudo ia bem, conversamos, bebíamos, sorriamos, já estava a
vontade, tao a vontade que não pude deixar de atender ao meu celular quando ele
tocou.
Era uma amiga desabafando, pois havia acabar de terminar com
o namorado de cinco anos. Diante o desespero dela ouvi atentamente seu desabafo
e disse que assim que chegasse em casa iria direto vê la.
Quando desliguei pude ver na expressão do cidadão que algo
estava errado. Ele estava irritadíssimo por eu ter atendido e mais ainda por marcar
de ir encontra la. Não fiquei no celular mais que 3 minutos, mas pela reação
dele foi como se tivesse sido três horas.
Tentei conversar, mas o dialogo virou discussão. Ele dizia
que eu não podia ter amigas, ainda mais solteira, que esta agora estava
solteira, logo eu não podia ir na casa dela, porque mulher solteira está sempre
a procura de homem e ela ia acabar me apresentando alguém. Tudo isso por uma
ligação que recebi, no qual a amiga estava aos prantos por ter acabado de
terminar um namoro, coisa que ainda nem era definitiva.
A situação ficou tao chata que chamei para ir embora, foi
quando ele disse que não iriamos, pois afinal ainda não havíamos feito o que
fomos fazer.
Ele brutalmente me jogou na cama e começou a me beijar.
Estava tao irritada que não correspondia, mas ele me segurou de maneira que não
consegui me levantar. Usando toda sua força, ele me segurava meus punhos com
uma só mão, de forma que seu braço apertava meu pescoço e eu mal conseguia
respirar. Eu Usava um vestidinho leve o que facilitou para ele, assim com a
outra mão chegou minha calcinha para o lado e conseguiu o que tanto queria.
Procurei manter o equilíbrio, pois temi que algo pior
pudesse acontecer. Senti dor quando ele ‘me possuiu’, mas maior que a dor era o
medo do que ele seria capaz de fazer.
Já o conhecia há uns seis meses e a três namorávamos, apesar
dele ser um tanto antissocial nunca percebi em si traços de agressividade. É
bem verdade que para ele ninguém era bom suficiente, que todo mundo queria me
colocar contra ele, que eu devia viver em função dele, no entanto pensei que
isso era apenas um ciúme bobo que passaria logo, mas naquele momento descobri
que podia ser uma psicopatia.
Quando ele conseguiu o que queria ficou calmo e me beijava
como louco, me acaricia, como que me idolatrando. Levantei e disse que queria
ir embora, agora que ele já havia recebido o que queria. Ele me perguntou o que
eu havia achado, se havia gostado, se queria repetir. Diante aquela situação a
louca seria eu em contrariar e assim disse que sim, que havia gostado e que
queria muito repetir, mas que estava cansada e queria ir pra casa.
Satisfeito ele não perguntou mais nada e entramos no carro.
Minha vontade era de sair correndo dali e ir embora para
nunca mais vê lo, mas sabia que algo assim só pioraria a situação, por isso
fingi que nada havia acontecido, ou melhor que nada havia me assustado.
O carro não queria ligar, não sei se era bateria, mas não
ligava. Após inúmeras tentativas o carro finalmente pegou, o que durou apenas
até sairmos da garagem, no pátio do motel o carro morreu. Nada fazia o carro
pegar. Ele tentou por longos minutos, até que me pediu para descer e empurrar.
Uma camareira que passava no local viu a cena e chamou um homem que trabalhava
lá. Imagine a cena, a camareira, o tal homem e eu empurrando o carro para fora
do motel.
Nessa altura eu tinha duas opções chamar um taxi e ir embora
ou esperar com ele o guincho, mas as duas opções me deixariam esperando dentro
do carro. Aproveitei que ele foi pagar a conta e liguei para um taxi.
Mal podia acreditar naquela tarde. Não sabia o que doía mais
a dor de ter sido tomada sem o menor prazer ou a vergonha pela situação.
Meu corpo estava anestesiado com se não acreditando em tudo
aquilo. Não podia ser eu a estar vivendo tal situação.
Ele ligou para o guincho e esperávamos dentro do carro
quando vi um taxi se aproximar, então disse para ele que iria para casa e mais
tarde ligaria para ver como ele estava. Ele achou um absurdo eu o deixar ali,
não queria me deixar ir, mas antes que pudesse me segurar corri para o taxi e
entrei. Ele tentou convencer o taxista a não me levar, mas esse não deu ouvidos
e saímos dali. Eu estava tao assustada que não conseguia chorar, sorrir, nem
pensar, apenas sentia medo do que ele seria capaz de fazer dali por diante.
Cheguei em casa e tomei um longo banho como que querendo
lavar aquele momento da minha alma, mas após muito tempo percebi que seria
impossível. Senti vontade denuncia lo,
fazer um exame de corpo de delito e pedir uma defesa preventiva que o obrigasse
a ficar metros de distancia de mim, mas me lembrei que o fato dele ser filho de
família nobre e muito conhecida o daria proteção. Eu sem duvida seria a errada
da historia, afinal a corda sempre estoura no lado mais fraco.
Não sabia se estava mais com medo de que ele aparecesse a
qualquer momento ou de que ele começasse a me perseguir, mas para minha
surpresa ele só me ligou a noite, dizendo que queria me ver. Não sabia como
dizer a ele que tudo havia acabado, ainda mais porque para ele estávamos na
nossa melhor fase, agora que já havíamos tido tanta intimidade.
Disse que ia dormir cedo pois estava cansada, que na manha
seguinte ligaria para ele, inconformado ele gritava ao telefone dizendo que eu
não queria vê lo porque ia sair com
minha amiga, que eu era tão vadia quanto ela, que ele havia terminado um
noivado de sete anos pra ficar comigo e agora eu estava trocando ele por uma
amiga, que ele não ia aceitar isso, que era um absurdo. Antes que continuasse
desliguei o telefone e bloqueei as chamadas recebidas dos números dele,
interfonei na portaria dizendo que se qualquer pessoa perguntasse por mim era
para dizer que eu não estava, o que funcionou ao menos até a manhã seguinte.
No domingo levantei mais calma desejando ver toda situação como
passado, acreditando que ele cairia em si e deduziria que após tanto ter me
insultado tudo estava acabado, mas não foi bem assim.
Sai pela manhã para comprar pão e na porta do prédio ele
esperando por mim. Tentei voltar, mas ele gritou meu nome o que mostrava que já
havia me visto, logo essa não era mais uma opção. Para evitar escândalos fui
até ele para conversar e ver o que queria. Ele estava normal, super atencioso e
educado. Estava na caminhonete do tio, que tinha um jet na carrocinha. Segundo
ele a família nos aguardava em um lago.
Procurei sem firme, mas não agressiva ao dizer que não iria
e que não queria mais namora lo, a principio ele disse apenas que eu estava
cansada por isso estava dizendo aquelas coisas, que iria se encontrar com a
família e que de lá me ligava. De fato pegou o telefone de outra pessoa e me
ligou, e cada vez que eu ouvia que era ele eu desligava, até que desliguei o
celular durante todo o domingo.
Na segunda me organizei para ir trabalhar e temia que ele
estivesse novamente na porta do meu prédio, antes de sair liguei o telefone e
para confirmar que ele não desistiria de me ligar recebi mensagens com diversos
números de telefone diferente tentando me ligar, ao todo somavam 78 chamadas,
com 9 mensagens de voz. Comecei a ouvir as mensagens de voz, as quais as 5
primeiras eram carinhosas, dizendo que me amava, que queria se casar, que
abriria mão de tudo por mim, que me daria o sobrenome da família, que eu seria
muito rica, teria tudo que desejasse, já as seguintes revelavam descontrole
emocional, em resumo ele esbravejava que eu era uma vagabunda, que havia
acabado com a vida dele, que havia roubado a paz dele, que se eu não ficasse
com ele não ficaria com mais ninguém, que iria me esperar na porta de casa 24
horas se fosse preciso, pois cedo ou tarde eu teria que sair.
Interfonei para o porteiro e questionei se alguém havia
perguntado por mim. Segundo ele o porteiro da noite disse que meu namorado
havia rodado o prédio a noite toda, mas ele mesmo não havia visto, assim desci
temerosa e tentando me esconder, observei que ele não estava por perto e fui
trabalhar.
A principio desejei ir a uma delegacia e denuncia lo, mas ao
me aconselhar com um amigo que na época era tenente da Rotam ele perguntou se
queria que ele resolvesse da maneira dele. Isso normalmente não seria bom, mas
como confiava nele disse que sim.
Durante a tarde ele insistiu em ligar de números ocultos e
desconhecidos, mas sempre que via que era ele desligava, para não ouvir as
ameaças e estragar ainda mais minha tarde. No fim do dia mostrei ao meu amigo
onde o cidadão morava, dei nome, telefone, fotos, tudo que tinha e sabia sobre
ele, pedindo apenas que não fizesse nada que eu não faria. Ele sorrio e disse:
isso vai depender dele.
Não sei que argumentos meu amigo usou, sei apenas que era
umas 3 horas da madrugada quando meu telefone tocou com um numero oculto.
Atendi receosa e pude ouvir que era o cidadão, mas agora com uma voz tremula e
humilde como nunca. Ele dizia que eu não precisava me preocupar, que ele nunca
mais iria me procurar, que havia decidido procurar a ex e voltar com ela.
Tudo que consegui dizer foi: ótimo. Desliguei o telefone sem
saber se de fato ele havia desistido de me incomodar ou era blefe, mas o tempo
me mostrou que ele falava serio.
Nunca mais tive noticias dele, não sei se voltou com a ex,
na verdade nem sei se ela existia de fato, pois tudo que conheci foram
historias.
Meu amigo nunca me contou de fato o que havia feito para
conseguir que ele se afastasse de mim, dizia apenas que sempre que eu
precisasse de um ‘motoqueiro fantasma’ ele estaria à disposição.
Foi a pior experiência que vivi, mas serviu de lição, hoje
acredito que é necessário tempo para se conhecer uma pessoa, na verdade talvez
isso nunca aconteça, mas se é para sofrer que seja por alguém de quem se gosta.
Nesse caso mesmo, eu não gostava, dei uma chance porque ele parecia legal e
veja o que aconteceu. “
Nunca mais entrei na onda das minhas amigas observando se o
rapaz é bonito, se tem dinheiro, carrão, se é bem sucedido, se vem de família
nobre, ou coisa do tipo.
Hoje não me importa se o cara é baixo ou alto, se é gordo ou
magro, se branco ou preto, se é rico ou pobre, se anda a pé. Tudo que avalio é
se é trabalhador, como é a relação com a família e os amigos, se é sociável e
se lida bem com ‘não’.
Prefiro meu bem estar a viver de fachada para a sociedade e
assim posso não estar frequentemente na mídia, posso não causar nas redes
sociais, posso não ter popularidade, mas mantenho boas amizades, mesmo que
passe tempos sem ver, mesmo que não haja convívio.
Motoqueiros fantasmas, químicos que se fazem padeiros,
pessoas sãs que fazem uso da insanidade. Psicologia reversa seja na pressão ou
ameaça, o importante é a atitude e os resultados.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.