quarta-feira, 1 de maio de 2013

Fatos & Boatos: Momentos anjo momentos demônio, depende da estratégia


Fatos & Boatos
Cada pessoa carrega em si um anjo que duela com um demônio e não há um vencedor, há batalhas vencidas.
Ter personalidade é se conhecer suficiente para não permitir que padrões sociais influenciem no seu gosto de viver. É saber tirar proveito de todas as situações. É sorrir de si mesmo. É não ter medo das consequências dos erros. É ter coragem suficiente para arriscar se. É ansiar ser feliz diariamente.
Narrar minha trajetória seria como revive la em câmera lenta, pois olhando as lembranças são tantos detalhes a serem narrados para um bom entendimento do contexto, que um dia vivido se equivaleria a três descritos.
Por alguns momentos que vivi passei a acreditar que um dom, ou uma maldição, me acompanha: o fato de ganhar de imediato à confiança das pessoas. Não sei se as pessoas confiam em mim ou veem em mim uma pessoa para desabafar, uma espécie de psicóloga.
Com tudo que a vida me ensinou procura ouvir as pessoas sem tomar partido e sem opinar, tudo que faço após analisar a situação de diversos ângulos de visão é tentar orientar a pessoa a fazer o mesmo, a sair do papel de vitima e se colocar alheia à situação, para assim ter uma visão mais consciente e racional do todo e assim analisar outros pontos de vista.
Não acredito que exista certo ou errado o que existe é uma infinidade de possibilidades, mas que só surgem com clareza quando se observa de forma racional o contexto, o que normalmente é difícil sendo personagem.
Em um dado momento de minha existência, digo existência porque de fato eu havia desistido da vida, estava eu sem perspectivas, sem anseios, apenas uma alma vazia e sofrida arrastando um corpo que se negava a ceder. Após algumas experiências vividas com o sobrenatural decidi existir consciente já que viver não era uma opção. Muni-me de força mesmo com todo medo que me abraçava, fingi disposição mesmo com toda depressão que me acometia, sorria mesmo chorando por dentro, respirava mesmo desejando a morte e ainda assim as estratégias do destino me mostraram novos horizontes, não necessariamente a seguir, mas a observar e analisar se minha situação de fato era a pior.
Após muitos acontecimentos, muita perca muitas desilusões, vi minha vida ser tirada de mim instantaneamente e o pior foi que deixou a existência, que passou a ter um peso insuportável. Pensei em muitas maneiras de findar a existência, mas a cada possibilidade um detalhe me inspirava vida, por mais que ela estivesse distante, por mais que fosse uma utopia...
Sem vida e certa de que não conseguiria findar minha existência eu descobri o começo. Foi quando aprendi que recomeçar pode ser valioso, mas pode conter manias, vícios, então aprendi e escolhi começar de novo.
Recordo-me bem e jamais ei de esquecer uma tarde em que estava no trabalho e um grupo de atletas me chamou a atenção. Era um grupo grande de umas 20 pessoas, em média de uns 30 anos. Todos bem apessoados e muito comunicativos. Não me recordo de que estado eram, mas conversei com alguns, indiquei lugares como bares, hotéis e restaurantes. Na conversa soube que eram atletas paraolímpicos que estavam chegando para um campeonato que estava acontecendo. Fiquei surpresa, pois a maioria não apresentava deficiência visível, mas um a um eles começaram a falam de suas deficiências como que se orgulhassem delas.
Havia dois deficientes visuais, uns três em cadeira de rodas, que chegaram minutos depois, esses as deficiências eram mais visíveis, mas os outros eram imperceptíveis, ao me revelarem pude entender por que. Alguns usavam prótese na perna toda, outro do joelho para baixo, havia um com prótese na mão, outro em todo braço, cada um de fato tinha algo faltando para poder se dizer com o corpo humano perfeito, mas isso não lhes tirava a alegria de existir e o prazer de viver. Haviam encarado horas de voo e estavam ansiosos por conhecer a cidade, por iniciarem o torneio, nem de longe pareciam lamentar sua condição. Pode ser que essa tenha sido apenas a primeira impressão, mas duvido muito que fosse de todo diferente.
Fiquei entusiasmada com esse grupo, afinal eram tao animados, alegres, cheios de vida, tinham tudo que eu havia perdido e de repente desejava encontrar. Como sempre observei a situação como um sinal do sobrenatural, para que eu passasse a observar minha existência de outra maneira, afinal podia ter perdido tudo, mas ainda tinha saúde e fé suficiente para resgatar a esperança.
Pouco depois, no mesmo dia, recepcionei outro grupo de amigos, agora eram apenas quatro rapazes e duas moças, que vinham pela primeira vez ao estado para o casamento de um amigo. Em poucos minutos surgiu uma empatia tão grande com um deles que acabamos trocando telefone, o que não era um procedimento aceitável, mas foi mais forte que eu.
O rapaz não só era muito bonito como também educadíssimo e agradável, não puder dizer não quando perguntou se eu podia orienta lo sobre os pontos turísticos fora dali também. Por algum motivo senti que não se tratava de um flerte, mas sim de uma ingenuidade por estar em um estado desconhecido e temer que os amigos não o acompanhassem nos passeios.
O casamento seria na mesma noite, no entanto ele ainda ficaria na cidade por mais dois dias e não pretendia ficar o tempo todo preso em um hotel bebendo como os amigos.
No dia seguinte me ligou ainda pela manhã questionando sobre um shopping na cidade e um bom local para almoçar, sugeri um restaurante em um dos shoppings mais conhecidos, talvez por ser o maior da cidade não sei, mas normalmente quando se fala em um shopping aqui ele é o primeiro a ser mencionado, então levei isso em consideração para indicar.
Não bastasse a indicação me veio o convite para acompanha lo no almoço. Sem hesitar aceitei, afinal além de lindo era de educação admirável, por que não me arriscar?
Encontramos-nos no shopping como combinado e durante o almoço conversamos muito. O teor da conversa que de fato me deixou atônita.
Ele me contou sobre sua vida difícil, foi criado com a mãe e o padrasto que abusava dele desde os sete anos de idade. Segundo ele a mãe dele sabia e pouco depois um tio também começou a abusar, assim ele cresceu achando que aquilo era normal, até que aos 13 anos, cansado de sofrer abusos resolveu ir para um monastério, queria estudar e ser padre para não mais passar por situações parecidas, porem logo no primeiro ano começou a ser aliciado. Segundo ele diferente padre assediava os menores e os ameaçava no nome de Cristo.
Diante a situação ele realmente acreditou que aquilo era normal, que onde quer que fosse seria assim, pois a vida toda era aquilo que lhe acontecia. Ficou com os padres até perto dos 18 anos, quando revoltado deixou tudo e resolveu tentar a vida em outro estado. Começou a trabalhar, a estudar, já morava sozinho, foi quando conheceu uma jovem e se apaixonou pela primeira vez.
Sentiu-se feliz, aquela sim era a realidade que ele achava que devia existir, mas pouco tempo depois de namoro ele descobriu que a moça não namorava só com ele, que ficava com os ‘amigos’ dele. Era do tipo que estava no quarto da casa dele como namorada, mas pegava o ‘amigo’ na cozinha.
Ficou muito revoltado, não sabia como a vida era de fato, pois tudo ia contrario ao que ele acreditava e desejava, por isso se fez recluso por uns anos, período em que até se envolveu com algumas mulheres e também com homens, mas focou nos estudos e na carreira. Agora que estava formado, bem empregado e ganhando bem ele se via perdido diante a vida. Não sabia de fato como devia seguir, não sabia se gostava de ficar com homens ou mulheres, não sabia se era heterossexual ou homossexual. Dizia que não sentia interesse por homens, mas que por passar a vida todo sendo assediado achava que aquilo tinha que continuar, havia aprendido a ter prazer daquela maneira.
Ele me contava esses detalhes com tanta verdade nas palavras, com tanta sinceridade no olhar, que durante nossa conversa me esqueci de que ele era um estranho e apenas me vi ouvinte do contexto. Em minha mente as cenas narradas se formavam como uma novela que se revela capitula após capitulo. Tudo que pude concluir é que daquela história ele era o personagem principal, como o protagonista que sofre, sofre, mas no final acaba bem e feliz.
Tentei mostrar a ele esse ponto de vista, mas ele realmente estava perdido em relação a sua sexualidade, o que contradizia com sua vida profissional.
Conversamos a tarde toda, apesar do assunto ser serio sorrimos pelas possibilidades e procurei olhar o lado positivo do todo: ele era lindo, saudável e agora bem sucedido.
Trocamos contatos e no dia seguinte ele voltou para o estado onde estava morando.
Mantivemos contato por muito tempo, até onde ele me disse que estava namorando. Perguntei se era um homem ou uma mulher, ele disse que era uma mulher, que estavam bem e ele estava feliz. Alegrei-me por ele, parecia mais centrado.
Nosso contato ficou cada vez menor, mas guardei a imagem que ele havia se encontrado e estava bem.
Anos depois pude reencontra lo. Fui ao estado em que ele estava morando e não medi esforços para vê lo. Encontramos-nos em um barzinho badalado da cidade. Ele não havia mudado muito, estava com o jeito mais másculo, mas continuava lindo e com a mesma educação diferenciada de antes.
Conversamos sobre quando nos conhecemos, sobre o quanto nos identificamos e conversamos, sobre as dificuldades existencialistas que ambos estávamos passando, mesmo que sendo de maneiras distintas, sobre todo aquele tempo e tudo que havia ocorrido nele.
Ele me contou que chegou a morar com a mulher que me disse estar namorando, mas que quando tudo ia bem, quando já tinha concedido quitar a casa, o carro, e fazer uns investimentos ela simplesmente decidiu se separar e não abriu mão dos bens, visto que haviam morado juntos.
Certo de que a vida realmente não era como ele imaginava que deveria ser ele abriu mão de tudo para ela e foi viver uma vida louca, já que assim devia ser. Começou a mexer com coisas pesadas (o que da maneira que ele me disse envolvia não só drogas, mas quem sabe prostituição, tráfico, sabe lá, prefiro não me dizer explicitamente, apenas repetia que era coisa muito mais pesada que eu pudesse imaginar), realmente saiu de si para viver o que a existência impunha. Se tornou o que ele mesmo taxava de ‘porra louca’. E assim ficou por um período até que se cansou e resolveu voltar ao seu estado dito normal, onde trabalhou em dobro para reconquistar tudo que havia perdido o que ainda não estava perto de se concluir, mas ele já havia traçado o objetivo, o que é o primeiro passo da conquista.
Quase não nos falamos, mas vez ou outra trocava uma mensagem na rede social e até onde sei ele já comprou um carro bom, comprou outra casa, não tao boa quanto à outra, mas está feliz por estar conseguindo pagar as prestações e por te la mobilhado como desejava, se definiu como heterossexual e está recuperando o tempo perdido, aproveitando a boa fase para pegar muitas mulheres, o que não fez no passado. Segundo ele a única certeza que tem é que não quer se casar tão cedo.
Sempre que conversamos declaro a ele a admiração que tenho por ele ter superado os traumas, os medos, as duvidas e ter optado pelo caminho “correto”, de ser um trabalhador honrado e honesto e conseguir conquistar seus objetivos pelo suor do seu trabalho.
Ele sempre comenta não entender porque quando nos conhecemos já me contou tudo isso. Segundo ele negava até para si mesmo o todo e de repente se abriu a mim, mas que nunca se arrependeu, pois eu nunca o critiquei, apenas escutei.
Isso acontece com frequência na minha vida, pessoas que nem conheço, nunca vi antes, puxam papo e desabafam suas dores. Não sei exatamente se a pessoa que é muito carente e tem a necessidade de conversar ou se de fato minha personalidade inspira confiança.
Sei apenas que a meu ver isso é devaneio, por isso digo que todo mundo preciso de um psicólogo, não precisa necessariamente ser um profissional, basta eleger uma pessoa em quem confia de verdade, um bom ouvinte que não opine, apenas escute e dê opções diferentes de visão.
No meu caso continuo vivendo situações assim, seja no ônibus, sejam na recepção de uma clinica, na fila do banco, no caixa do supermercado, onde quer que eu vá a sempre alguém querendo desabafar. Nem sempre consigo ser racional e interagir, na maioria delas apenas escuto e finjo atenção, não sei de fato o que a pessoa pensa, mas pela empolgação da despedida em meio a agradecimentos acredito que fica mais aliviada.
Hoje vejo essas situações como estratégias de Deus, pois com elas posso aprender que há situações piores que a minha, que há pessoas mais carentes de atenção que eu e principalmente aprendo a como não agir com estranhos, ou seja, Deus usa esses momentos para trabalhar quem fala e para me moldar como ouvinte.
É por isso que ao invés de sair por ai falando da minha vida com todo mundo, lamentando minhas dores ou gritando minhas alegrias eu simplesmente escrevo. Ao menos assim só tem acesso quem é curioso e não roubo a atenção nem o tempo de ninguém. Parar e ler são uma opção.
Conclusão: Não conhecemos as estratégias do Criador, podemos passar por uma situação que parece constrangedora, mas há um por que. Algo está sendo trabalhado naquele momento. Seja percepção, aceitação, discernimento. Tudo tem uma razão de ser e até no silencio há resposta. É preciso aceitar cada situação como lição e não se deixar traumatizar. O que faz a diferença e começar quantas vezes precisas for. Em alguns momentos somos anjos na vida de alguém, mas em outro podemos ser demônio.
Uma amiga de infância que era casada com um amigo em comum também da infância, certa vez me procurou para desabafar sobre seu casamento. Já estavam juntos há alguns anos e na época tinham um garoto de uns três aninhos.
Eu sou um tanto fria para lidar com relacionamentos, pois seja como for acredito que valha enquanto faz bem a ambos, a partir do momento que começa a magoar é porque não deve prosseguir, até por isso não gosto de aconselhar ninguém. Já sofri suficiente para aprender que o amor dura enquanto há felicidade, depois insistir é pedir para sofrer, então prefiro a separação amigável que a tentativa traumatizante.
Ela me disse apenas que os dois estavam brigando muito e que ela havia descoberto que ele estava traindo ela, que aquilo era um absurdo e que eu devia falar com ele, visto que sempre fui muito amiga de ambos. Na ocasião me muni de razão para falar a ela que nessa situação ela tinha duas opções:
1° Conversar com ele, pedir desculpas pelo que quer que fosse, perdoa lo como marido e esquecer o assunto e começar de novo o casamento.
2° Conversar com ele, pedir desculpas pelo que quer que fosse, perdoa lo como pai do seu filho, aceitar a situação e tocar a vida.
Ela achou um absurdo eu ser tao fria diante a situação, segundo ela como amiga eu devia brigar com ele, dizer a ele que ele era um moleque, que não podia fazer aquilo, que ela não merecia etc.
Eu até podia fazer dessa maneira, mas que diferença faria na vida deles? Eu seria apenas mais uma pessoa tomando partido e acusando o. Na verdade não estive com eles durante o casamento para saber como era o dia a dia, para ponderar o que o levou a tal ação, então como julga lo?
Tudo que sei é que naquele momento fui demônio na vida dessa amiga, tanto que anos já se passaram e até hoje ela não fala comigo.
Sei que voltaram pouco depois, que a maneira deles está bem, mas de uma forma que eu não desejo para mim. Vive uma vida noturna, de baladas, o que permite que um viva corneando o outro, que por sua vez finge não saber. Se ao menos fosse com pessoas distantes, que provavelmente não verão novamente, mas é com os amigos próximos, do convívio social, que frequentam a casa deles. Melhor seriam se assumir como adeptos ao swing e viver uma relação aberta de vez, assim causaria menos espanto, mas quem sou eu para criticar? Cada um vive o que acredita.
Por isso estou na fase da reciprocidade. Acredito estar completa com meu eu, após anos trabalhando meu ser, finalmente sei quem sou, o que quero e como conseguir. Pode ser que eu continue com dificuldade de evoluir, pode ser que eu continue a perder tempo, mas agora o faço de forma nitidamente consciente.
Foi à fase em que tocava o terror sem me preocupar com o que as pessoas achavam, vivo em sociedade e querendo ou não preciso respeitar os padrões, por mais que eu não concorde nem viva com eles, mas respeito é sinal de maturidade.
Passou a fase em que precisava me fazer aceita para me sentir confortável, hoje se aproxima de mim quem quer e fica quem suportar, sou quem sou tenho bom senso suficiente para entender que minha liberdade vai até onde a do outro começa.
Já não mais preciso estar presente para estar junto, tao menos participar para me manter, o ditado “diga-me com quem tu andas que te direi quem és” não cabe a mim. Consigo andar com porcos e por mais que os respingos me atinjam consigo não me lambuzar.
Toda ignorância e intolerância cederam lugar a ponderação e cautela, onde procuro mais ouvir que falar escutar além de ouvir, refletir antes de falar, ser flexível diante um novo ângulo de visão e manter minha opinião acima de qualquer imposição.
Aprendi que muitas vezes é melhor ouvir asneira e silenciar para evitar atritos que tentar alertar um tolo de sua ignorância.
Curtindo cada segundo dessa nova fase: reciprocidade. Onde cada um tem de mim exatamente o que merece não como vingança, mas como respeito. Chega de jogar perolas aos porcos. Não acredito que cada um colha o que planta, pois não consigo ser rude como algumas pessoas, mas acredito que a indiferença é a mais forte das armas contra os insensatos.
Vamos que vamos avante e além me doando na mesma proporção que recebo.
Meus pensamentos vagam na direção que meus anseios mandam, as lembranças são apenas nostalgias.
Não tenho saudade do passado, tenho saudade de pessoas e de situações, mas definitivamente estou vivendo minha melhor fase.
RECIPROSIDADE JÁ!
#despertaréaprenderaAMARasiassimadetudoetodos


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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.

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