sexta-feira, 10 de maio de 2013

Revolta comigo mesma (ser brasileira)


                “Beleza não se coloca à mesa”
                Tal afirmação nem de longe tem validade, primeiramente que se colocado no sentido de alimento à beleza dos pratos, das frutas e do que quer que seja conta muito. O ser humano se alimenta com os olhos.
                Se comparado à beleza humana ainda assim não vale, pois de nada importa a pessoa ser bonita e não ter educação, cultura. É a discrepância entre conteúdo e embalagem.
                Hoje estava me recordando a infância, quando na escola estudava o hino nacional, quando estudava sobre historia, geografia, ciência. Quando admirava o Brasil por ser um país rico em belezas naturais, por ter a maior bacia de agua fluvial do mundo.
                Um país que evita guerra, de clima tropical, pessoas hospitaleiras, que representa calor humano, samba, carnaval.
                De acordo com o ângulo de visão posso dizer com todas as letras: orgulho de ser brasileira. Povo da miscigenação, sem preconceitos, sem imposições de tradições ou religiosidade.
                No entanto toda liberdade é confundida com libertinagem.
                País democrata, mas as leis só se aplicam a maioria menos privilegiada, pois a minoria que governa ou opina manipula as leis de acordo com suas necessidades.      
                Eu não duvido da índole dos políticos, ao contrario acredito realmente que existam políticos nobres que tenha boas intenções, mas duvido muito que após assumir qualquer que seja o cargo seja possível continuar honesto.
Há uma máfia silenciosa que age dianoturnamente e, ou se entra no jogo ou as perseguições iniciam.
Não se trata de vicio e sim de habito.
Falar da politica no Brasil é atentar para todos os ângulos que envolvem desenvolvimento humano. Não se pode negar a evolução e investimentos tecnológicos e em exportação, no entanto tudo favorecendo a classe alta, pois apesar do índice de pobreza diminuir fica cada vez mais difícil os trabalhadores sobreviverem com o salario mínimo. Fato que deve ser levado em consideração ao se analisar o índice de criminalidade.
A atual presidenta bate no peito com orgulho por ter aumentado o salario mínimo, divulga a diminuição das taxas de energia elétrica, no entanto não comenta a alta da cesta básica.
Famílias tem que optar por moradia e alimentação ou segurança e moradia, pois se morarem em um local relativamente seguro não terão condições de se alimentar, para isso precisam morar nas periferias, onde conseguem pagar alugueis, mas não tem a mínima segurança. Onde trafico é o principal comercio, onde as crianças ao invés de brincar nas ruas crescem aprendendo a comercializar, seja produtos falsificados, sejam drogas, sejam produtos roubados.
Sem falar na discrepância entre o índice de natalidade e de mortalidade por idade. As 'crianças' estão cada vez mais sendo colocando outras crianças no mundo e muitas vezes sem se preocupar com o futuro dessa vida, afinal mal conseguem ver o presente como imaginar o futuro? São adolescente sem a menor perspectiva de melhoria, que aceitam sua situação como normal e apenas existem. 
Os idosos estão vivendo o abandono, em total desrespeito não só a experiência de vida e sua fragilidade como muitas vezes desrespeito humano. Sendo mal tratados, humilhados e até mesmo agredidos por cuidadores ou pessoas afins.
Até bem pouco tempo a moda da bandidagem era cometer crimes e ter certidões de nascimento falsas, assim se fossem pegos alegavam ser menor de idade e ficaria por isso mesmo, porque a lei não permite que uma pessoa menor de 18 anos responda por seus atos.
Que lei é essa que não vê o menor apto a assumir a responsabilidade por seus atos? Que não permite que ele aprenda a arcar com as responsabilidades de suas escolhas? Você também não sabe? Eu te digo: é a lei consciente, que sabe que o sistema prisional é universidade da malandragem. Sabe que um menor preso ao invés de se reabilitar irá se especializar no mundo do crime.
Sendo assim o que é mais viável a sociedade: aguentar que esse jovem aprenda lentamente cometendo seus crimes no dia a dia ou tira lo do mercado por alguns anos e depois recebe lo de volta profissional?
Seja como for não devia ser.
Um país onde os governantes criam bolsa alimentação, auxilio gás, e todo tipo de plano que dê para desviar verbas. Que acredita ser mais viável pagar R$915 por cada presidiário, que roubou, que matou, que estuprou, não importa, mas que está lá, preso, sem fazer nada, apenas sendo amparado pelos direitos humanos. Que aprova e libera a verba mensal de R$1.350 por dependente químico em tratamento e em paralelo paga aos trabalhadores um salario mínimo de R$678.
Imagino quantas clinicas abrirão a partir daqui...
Que país é esse? Que cultura queremos alimentar? Que cidadãos estamos formando?
Sou leiga e infelizmente não posso mudar nada na realidade, mas não há quem possa calar meus pensamentos nem silenciar minha revolta.
A verdade é que a classe dita média do Brasil se acostumou com olhar sempre quem está pior. Não olham como poderia ser. Ignoram os salários dos políticos, o conforto no qual vivem com o dinheiro dos cofres públicos, enquanto a massa não tem saúde publica de qualidade, os professores das redes publicas de ensino temem entrar nas salas de aula, pois além dos baixos salários ainda não são respeitados pelos jovens que deveriam lhe ser gratos.
Verdade seja dita, brasileiros são verdadeiros baderneiros que se unem em campanhas motivacionais, se unem em pedidos de paz, se unem em manifestações, mas quando tem que colocar a boca no mundo e gritar sobre os problemas reais e cotidianos, quando tem que fazer valer o direito do voto e eleger pessoas dignas, que mesmo roubando façam diferença, preferem se omitir. Preferem se calar, não participar, isso sem falar nos que se vendem...
Baderneiros sim. Enchem a boca para fazer valer seu direito como consumidor, criam caso pelo menor problema que seja, mas não tem coragem de gritar por melhores condições.
Há sempre manifestações isoladas de classes especificas de trabalhadores, já pararam para pensar como seria se todas as áreas resolvessem parar no mesmo dia. Saúde, segurança, comercio, transporte, as pessoas ignorando tecnologia, apenas vendo o dia passar diante seus olhos? Um dia apenas seria suficiente para alarmar as autoridades, pois dia a dia o comercio movimenta o Brasil.
Vivemos no país dos impostos e não é coincidência ser o país que mais tem feriados anualmente. Pagamos caro em tudo que adquirimos para poder ter os tao desejados feriados, pagamos caro pela ilusão de recebermos vantagens, mas isso é parte da nossa cultura. Furar fila, receber um troco a mais, comprar mais barato por não precisar da nota, pechinchar, brasileiro sempre dá um jeitinho. Seja uma verbinha aqui, molhar a mão de outro ali, é a cultura do povo brasileiro.
A conclusão que chego é que hoje O Brasil é um país de turismo, é um país bonito em sua formosura, porque trabalhadores pagam na verdade apenas pela liberdade de ir e vir, visto que um presidiário recebe mais que quem trabalha honestamente sol a sol.
O Brasil é de fato gerido por grandes cérebros que geração após geração conseguem manipular a massa a seu favor, para que assim continuem guiando a nação de acordo com o ideal antissocial.
O povo brasileiro são verdadeiros equinos de viseira, que não conseguem ver a força da união, que até conseguem gritar, mas não conseguem levantar um brado de mudança. São pombos urbanos que se conformam com migalhas que sobram de outros.
Vejo em quem se acha nobre, nos que se dizem da classe alta por ter bens, por estarem acima do salario mínimo, esses são os que mais me enojam, pois dentro de seus carrões com os vidros fechados ignoram os pedintes e fingem nada ver. Trancados em seus escritórios no ar condicionado não conseguem ver a vida dura de um trabalhador que lida no campo, na produção, nas ruas...
 Médicos que passaram anos estudando para salvar vidas estão mais preocupados em quanto vale o tempo que passará atendendo o paciente que se o paciente ficará bom. Enquanto isso professores arriscam suas vidas para ensinar o básico da educação para os jovens. Assistentes sociais tentam sua sorte em todo tipo de situação. Bombeiros arriscam suas vidas por pessoas que nem se quer sabem a historia.
Realmente o Brasil é um país mil, mil faces, mil interpretações.
O que me revolta não é a questão social ser tão discrepante, o que me revolta são as pessoas acreditarem que evolução é sair no nível de estrema pobreza devido as diferentes bolsas do governo, passando para o índice de pobreza apenas.
É digno uma família receber apenas o suficiente para sobreviver e ainda assim encontrar motivos para sorrir? De fato é, mas isso é conformismo.
O que falta na população é indignação. É força na voz. É liderança. É revolução.
Pior que a pobreza existencial imposta pelas condições externas é a pobreza intelectual que o governo quer ocultar.
É fácil passar melado na boca de uma criança para cala la, pois o choro pode incomodar e se incomodar algo pode acontecer.
Não é viável para a pequena parte que lidera que a maioria tire a viseira, pois assim pode se ampliar os horizontes e isso dificulta a guia.
Se a maioria for levada a questionar não haverá resposta suficiente.
Se a maioria se unir não haverá força que supere.
Se a maioria decidir não haverá lei que valha.
Mas união de um povo que duela entre si é utopia. Porque é isso que acontece com o brasileiro. Vivem uma batalha invisível constante, querendo cada vez ter mais, acumular mais, não para si, mais para o outro, e o pior é que não é para ajudar o outro e sim para mostrar que ele é melhor, que tem mais, que pode mais.
Onde iremos parar?
Se o governo quisesse mesmo ajudar investiria principalmente na educação, que é onde tudo começa. Moldando o caráter do cidadão desde os primórdios, para que as temperanças do dia a dia não o contamine, para que ele faça diferença onde estiver e não que seja mais um no conformismo.
É preciso ensinar a criança a sobreviver no meio modificando o a seu favor e não apenas suportando as adversidades do clima. Claro que muitas vezes não se pode parar a chuva, então será preciso aprender a dançar nela, esconder pode até evitar que nos molhemos, mas cedo ou tarde o suprimento cessará e a lei da sobrevivência falará mais alto.
Como brasileiros estamos nos escondendo da chuva, estamos sobrevivendo com o estoque que temos armazenado em casa, pode até ser que o tempo seja voraz e que não soframos tanto com a tempestade, mas e nossos herdeiros? O que deixaremos para eles?
Quanto mais penso na população mais vejo fantoches. Minha imaginação insana me leva a uma viagem interdimensional onde a vida é apenas uma brincadeira da evolução, onde os dias são cartas magicas e só vai para o estagio seguinte quem desvendou os mistérios. No entanto há camadas na evolução e elas são em demasia discrepantes.
Quanta futilidade na modernidade. A valorização da globalização se concretizou distorcida. Era da superficialidade, dos desamores, das ilusões, das depressões.
É a evolução tecnológica, cientifica, cultural que nada evoluiu existencialista mente e por isso volta ao inicio, mas ninguém percebe, ninguém vê. Estão todos ocupados demais gritando suas conquistas e avaliando o que juntaram para analisar o que deixaram de observar.
As pessoas estão tão inseridas na batalha do cotidiano, que nem se dão conta que não conhecem as regras do jogo. Querem é jogar e seguir, pois conhecer pode levar tempo e dar o trabalho de faze las pensar.
Eu me coloco dentre essa maioria que tudo vê e nada diz, pois mesmo daqui, da zona de conforto, do lado desconexo da razão que se une a imaginação, assisto tudo de camarote, pois me sinto de mãos e pés atados. E não é por medo, vergonha ou receio, é simplesmente por não ver esperança nessa geração.
Pode ser que algum dia haja algum revolucionário que sozinho faça o movimento libertador valer, que crie algum meio de ser ouvido, mas por hora isso me parece insanidade. E só me resta a amargura de ter que aceitar tudo como é, colocar a viseira e seguir como é preciso, pois diferente disso seria apenas uma formiga no caminho dos lobos.
De fato sou tão responsável quanto qualquer outro, mas eu nunca quis ser nem me sentir melhor, mas o fato de fazer parte não me faz ser igual. Apenas vivo a lei da sobrevivência imposta aos que gritam silenciosos na imensidão escura e fria.
Podem calar minha voz, podem torturar meu corpo, mais jamais aprisionarão minha alma ou cessarão meus pensamentos.
Minha imaginação é remédio pra loucura ou fertilizante da insanidade, isso irá depender de que ângulo se analisar.
Sou muitas, não sou nenhuma, sou várias, sou nada, posso ser quem você quiser ou quem eu desejar, depende do que for analisar.
Por hora sou essa voz silenciosa que grita por socorro enquanto desfruta dos prazeres sociais.
                Sou a energia que vibra em calor e aquece com esperanças a fé da população.
                Sou eu, uma entre tantas,  tanta em uma querendo ser ouvida, querendo ser vista, querendo fazer diferença sendo diferente, mas segue eloquente sem muito discernir da massa de gente...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.

Postagens populares

Arquivo do blog

Páginas

Postagens populares