segunda-feira, 20 de maio de 2013

Como é a face de Deus?


Por mais que eu tente não consigo me sentir normal...
Ontem pude vivenciar uma pouco mais a presença do sobrenatural e de forma emocionante, como sempre, o Criador me trouxe respostas e com elas surgiram ainda mais discernimento sobre mim, o que em partes me envergonhou.
Mesmo sabendo o desígnio de meu coração sempre condiciono minhas ações ao ‘se’. ‘Se’ eu tivesse dinheiro. ‘Se’ eu tivesse tempo. ‘Se’ eu tivesse influencia. ‘Se’ eu tivesse alguém pra me ajudar.
De repente percebo que o ‘se’ está diretamente ligado ao ‘eu’ e talvez por isso nunca faça de fato o que gostaria. O ‘eu’ é superficial e egoísta, acha mais fácil arrumar desculpas, apontar culpados que agir, ‘se’ eu soubesse disso antes...
Falando espiritualmente já vivenciei os dois lados da moeda, o que podemos dizer Bem e Mal, me foi permitido saber sobre a Verdade e sobre o que outros consideram Fatos. Sempre me senti no meio do fogo cruzado, como se fosse neutra ao combate ao mesmo tempo, que ambos os lados estivessem chamando por mim.
A questão é que durante toda minha vida quis experimentar o que meu corpo desejava, quis saber das sensações, das reações, e principalmente saber até onde meu ‘eu’ me permitiria chegar. Meu ‘ser’ sempre ponderou, por mais que não fosse ouvido sua influencia sempre sobressaiu, e sei que por isso nunca me perdi completamente no caminho. Por mais que pegasse atalhos, que acabaram se tornando grandes abismos, eu sempre acreditei que cabia somente a mim me encontrar novamente.
Ainda não pude conhecer alguém que compartilhe das mesmas experiências que eu, o que conheço são pessoas que desacreditam, outras que não conseguem imaginar, outras que me acham insana, mas ainda assim creio que em algum lugar há alguém que saiba o que vivi.
Diante tudo que passei tenho a certeza de que há dois lados no universo o que chamamos de Bem e mal, de Luz e Trevas. Não sei se há de fato céu e inferno, talvez inferno seja algumas fases que vivemos, talvez céu sejam outras, mas creio sim na eternidade. Talvez não em um paraíso como descrito por alguns, até porque o paraíso é pessoal a cada um. A mim por exemplo, a natureza crua, sem a tecnologia, é um grande paraíso, já conheço pessoas que não conseguem se imaginar em um lugar assim, então a visão de paraíso também depende do referencial, está ligado a Verdade de cada um.
Nessa dualidade espiritualista que reflete na comportamental posso afirmar apenas que minha escolha sempre foi clara, por mais que tentassem me confundir. Mesmo na imensidão da escuridão sempre vi uma faísca de luz e é nessa direção que escolhi caminhar.
Não sou hipócrita de me achar santa, na verdade estou longe da santidade, nem tao pouco sou digna de méritos e louros, mas ainda assim o sobrenatural me alcança de maneira a me surpreender.
Estou farta de toda religiosidade acusadora. Percebo que as pessoas estão perdidas dentro de si mesmas por influencia de quem deveria ajuda las a se encontrar. Estou vivendo uma era tão vazia de princípios que a carência tem predominado em todas as gerações, e os afetos estão destorcidos.
No Brasil a liberdade de expressão aliada às diversas opções religiosas geram um grande leque de opções que se tornam verdadeiras armas de guerra, pois o que se tem são criticas uns aos outros, são agressões verbais, são insultos morais, sem mesmo conhecer um ao outro, o que vale é influenciar opiniões e conquistar seguidores.  
Igreja se tornou uma forte e grande fonte de renda, não é mais instituição religiosa, usa o termo apenas para adquirir vantagens, na verdade se tornou uma das empresas mais lucrativas, é o comercio que cresce mais rápido e de forma segura e sabe por quê? Porque trabalha exatamente a parte vulneral do homem como ser. Muitos acreditam ser o espiritual, mas na verdade é o emocional.
Não me importa como você chama o Criador, ou quem você acredita ter sido o mensageiro dEle, não me importa nem mesmo se você crê que Ele teve um coautor na criação, o importante é a fé.
Ter fé é acreditar no que os olhos não veem. É acreditar no que a razão dita impossível.
Milagre não é questão de transformação é questão de fé. E ter fé não é escolha e sim um chamado que deve ser trabalhado diariamente, deve ser alimentado, deve ser cuidado.
A fé aumenta na proporção que você a desenvolve, e saber administra la é questão de coragem e dedicação.
A fé não é tangível, não é visível, não tem cheiro, não faz barulho, ela simplesmente existe dentro de você. É o que te move a acordar todas as manhas e seguir. Fé é o que faz quem tem uma rotina seguir sem desistir e quem não tem encontrar um caminho.
Fé é a força invisível que age dentro de cada um, e sabe porque há pessoas mais fortes que outras? Porque algumas pessoas são mais sensíveis à fé que outras. Algumas pessoas permitem que a fé aja, enquanto outras preferem cala la.
Eu me pergunto quando conseguirei estar na presença do Pai sem me derramar em lagrimas. Minha sensibilidade está ligada a minha fé, pois ela quer dominar, mas eu a repreendo sempre.
Sei que o ‘ser’ quando desperto para humanização a qual se destina é capaz do inimaginável, mas quando o ‘eu’ é quem está à frente tudo é complicado e já tido ‘se’ nunca sai de cena.
O sobrenatural tem agido na minha vida de forma sutil, e creio que é resposta as minhas orações, pois estou farta de me decepcionar com homens e ministérios que só visam lucros e multiplicação. Meu desejo é me envolver com um povo que independente de números de membros sejam pessoas focadas na Luz. Pessoas que entendam que o Bem Maior vale mais que uma fachada bem elaborada, que uma decoração chamativa. Pessoas que façam eventos para honra e glória e não para divulgação da bandeira. Pessoas que queiram ensinar para preparar e não para influenciar. Pessoas que tenham como objetivo o coração do Pai e não a salvação.
Por muito tempo acreditei estar sozinha nessa batalha, mas aos poucos Deus tem me revelado que cada qual a sua maneira há os escolhidos. Infelizmente eles estão espalhados em diversos ministérios, em diversas culturas, mas a Verdade é uma só e isso me faz crer que não há perfeição, o que há é disposição de seguir o que foi determinado.
Sempre soube que o corpo depende do membro que depende do corpo, é uma interação que não cessa. Nunca acreditei na dependência de um ou de outro e sim na interação, como dito, mas começo a perceber que a comunhão se faz necessária para o amadurecimento, para a evolução.
Para fazer parte de um corpo é preciso agir, e como membro não se pode ficar parado, pois membro parado não gera resultados. Imagina um corpo humano no qual a mão não responde as funções, é uma mão vazia, defeituosa, que não gera resultados, mero apêndice. A mente precisa estar sã em sintonia com o corpo, para que os membros trabalhem em harmonia, exercendo cada qual sua função.
Falando de evangelho por exemplo, se observar com olhos do capitalismo entendo perfeitamente essa guerra invisível e declarada que existe, pois o que conta são os números, logo valor das ofertas, valor do dizimo, numero de templos, etc. No entanto se for analisar com olhar espiritual não há porque tal duelo, a Verdade é uma só e está contida na Palavra, que é a mesma para todos. A bíblia é única, Deus é único.
Vejo pessoas de diferentes religiões buscando tao vorazmente sua salvação que se esquecem de olhar para o próximo, alguns se esquecem até mesmo de sua família sanguínea para viver a irmandade, valorizam os que estão próximos compartilhando de sua fé e se esquecem que os outros também são humanos e precisam atenção.
As pessoas acreditam em vida eterna e querem conquista la, mas se esquecem que primeiro é preciso conquistar o coração de Deus. De que adianta buscar santidade se não há humanização?
Santo apenas Deus como Cristo se fez. Sua santidade jamais será alcançada, pois é um atributo dEle. Tudo que podemos é seguir Seus exemplos em agradecimento a tanto amor.
A vida eterna, o paraíso, isso já herdamos em promessa, seguir em santidade deve ser o tempo de evolução, onde através da humanização conseguiremos chamar a atenção do Pai e assim atingir seu coração.
Quem, buscando na memoria, não consegue se lembrar ao menos um fato que na infância fez ou viveu desejando o reconhecimento dos pais? Crer é a mesma coisa. É permitir que a fé trabalhe. É querer chamar a atenção do Pai, a fim de que Ele o note diferente da multidão.
Eu não sou em nada espetacular, nunca fiz nenhuma ação que me torne especial, não tenho nada que me torne formidável, mas por algum motivo me sinto diferente. Sei que Deus mensura cada um segundo suas ações, e o que de fato tem peso não são as palavras, mas o coração.
Claro que as palavras tem poder profético, mas sendo palavras podem se tornar fagulho ao vento, que incendeia ou se apaga e a diferença está justamente no coração.
Porque pessoas que estudam na mesma escola, aprendem as mesmas coisas não são todas bem sucedidas? Porque irmãos criados juntos, com a mesma atenção, com o mesmo carinho, não desenvolve a mesma personalidade? Porque profissionais de uma mesma área não atuam da mesma maneira? Porque tudo está ligado ao coração.
Deus é o único que conhece verdadeiramente o coração de cada um. Conhece até mesmo detalhes que a própria pessoa não conhece. É por isso que as vezes ouvimos historia tao surpreendes e pensamos: nossa, como aquela pessoa conseguiu superar tudo isso? Justamente porque Deus conhece o coração dela e sabe exatamente onde ajudar, quando fortalecer.
Ai me vem a pergunta: E se for uma pessoa cética? Eu creio que Deus age sobre a vida dela com a mesma intensidade. Pode ser que não seja da mesma maneira, pois sem crer os sinais terão que ser diferentes, mas como criatura Deus abençoa, a questão é que essa benção liberada não se torna bem aproveitada, mas nem por isso Deus poupa misericórdia.
O que torna um Cristão diferente de um Cético é a fé que leva à esperança, o que permite que o cristão receba da graça de Deus, enquanto o cético fica apenas com Sua misericórdia. Agora aquele que conhece a palavra e que por qualquer motivo se volta contra ela, esse sim não recebe nem mesmo a misericórdia.
Acho tão difícil que nos tempos de hoje haja quem nunca ouviu falar de Cristo, mas um momento de reflexão me leva a conscientização que há gerações que são reflexos dos pais, e assim herdam como herança familiar a fé e os atributos tal, esses até podem ser perdoados por sua ignorância, mas aquele que permitiu ouvir mesmo que por um breve momento a Verdade, esse será julgado.
No entanto como disse é tudo uma questão de fé, a qual acaba sendo pessoal, mesmo diante a Verdade ser uma só.
Me emociono quando percebo que mesmo em meio é essa confusão na esfera espiritual que se fez na sociedade há pessoas dispostas a fazer o bem sem olhar a quem, apenas obedecendo os ensinamentos, apenas tentando fazer diferença sendo diferente, buscando assim não receber o direito de passar a eternidade no céu, pois isso é fato por ser a herança prometida, mas com o objetivo de alcançar o coração de Deus.
Pode parecer egoísta, fazer o bem com um objetivo atrás, ganhar a atenção, o favor, a graça do Pai, mas é o contrario. É se assumir dependente de Deus, é saber que distante dEle nada tem valor, é diminuir para ve Lo crescer.
Eu quero chamar a atenção de Deus por agrada Lo, por alegra Lo, mesmo que isso signifique sofrer tormentas aqui, mesmo que isso signifique viver indiferente aqui, mesmo que isso me anule aqui. Não quero ser exaltada pelo Pai, quero apenas a liberdade de chama Lo Pai e poder ceiar com Ele, poder olhar Tua face e ver Teus traços.
Engraçado, é a primeira vez que paro para analisar, tantas vezes estive diante Deus, tantas vezes ouvi Sua voz, sentei me ao Seu lado, estive em Seu colo, Sua destra sempre me é revelada, mas eu nunca vi Sua face. Desconheço os traços do Pai. Como serão Teus olhos, Tua boca? É Papai, talvez na eternidade eu descubra...

Projeto Sucupira


Ontem tive a oportunidade de conhecer um projeto que muito me emocionou e constrangeu.
Constrangeu, pois percebi o quanto sou falha, prefiro sempre a facilidade de reclamar sobre minha vida a observar que existam pessoas em piores situações que eu.
Emocionou, pois percebi que diferente de minha fragilidade há pessoas fortes, pessoas que são capazes de olhar além de si, pessoas que não focam em seus problemas e sim em amenizar os problemas dos outros, pessoas que sabem que o pouco para elas pode fazer a diferença para outra pessoa, pessoas que ao invés de matar o tempo na frente da TV ou vivendo a futilidade social, preferem apoiar com palavras e ajudar com sorrisos. Pessoas que não aceitam ser mais um, que querem de fato somar na vida de outros. Pessoas que visam o Bem Maior.
Eu sempre disse que há pessoas são anjos vestidos de humanos e esse vídeo, retratando a realidade de um grupo de idealizadores, deixa isso bem claro.
A religiosidade cega grande maioria de líderes, o que acaba desimano uma guerra invisível, mas voraz, que ao invés de focar em valores e princípios distorce a Verdade e influência de forma errada há muitos, mas os racionais percebem que igreja acabou se tornando uma empresa promissora e segura, por isso esses, insanos espirituais, continuam acreditando no ser e focando na humanização além do egocentrismo capitalista.
História é visto como passado, mas é escrita no presente. São as ações que a vivifica ou a deixa esquecida, desse modo cada um escreve uma historia própria, mas há quem não se conforma com o rotineiro e visa à revolução.

Projeto Sucupira escrevendo história. Assista ao vídeo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Transporte coletivo em Goiás "..." ( problema nacional )


Goiânia apesar de tanta evolução ainda é vista por alguns estados como a capital rural, via esse fato com certa indignação, acreditando que isso fosse ignorância de quem assim imaginava, visto que a cidade é bem desenvolvida, no entanto começo a entender porque pensam assim.
A questão é cultural. Atualmente a discussão na mídia é sobre o aumento das tarifas do transporte coletivo, que no ano passado era R$2,50 subiu para R$2,70 e agora pode chegar a R$3,00.
Essa discussão não é novidade, assim como os protestos e a indignação da população também não, no entanto nada é levado em consideração.
Há duas semanas os usuários do transporte coletivo sofreram com a paralização do serviço, pois os motoristas em greve reclamavam aumento salarial, que após muita negociação foi firmado em 9%, mas e agora quem paga esse aumento? O usuário.
A inflação existe em tudo, apesar de hoje ser bem maquiada, mas a questão que quero frisar não é o aumento do salario dos trabalhadores do transporte ou o aumento da tarifa, porque isso acontecerá a população querendo ou não. A questão é a qualidade desse serviço.
Recordo-me anos atrás quando ainda existiam vãs, as ruas era uma loucura, havia muito transporte clandestino, mas ao menos havia opções de transportes.
Recordo-me também quando decidiram tirar os cobradores e inserir o sit pass. Todo bem tem um pouco de mal e vice e versa, logo duas vertentes me surgiram na época:
1° Muitos trabalhadores perderiam seus empregos para máquinas.
2° Seria um meio de evitar a criminalidade, pois cessaria os assaltos.
Após alguns anos a conclusão que chego é que não importa quanto Goiás evolua, não importa quanto o governo mude a forma do transporte, está mudando apenas a fachada, não está tratando o problema.
Volto a citar a questão básica da educação. Os goianos são vistos como roceiros não pela cultura agropecuária ou pela musica sertaneja que exporta, mas pela falta de educação.
A tarifa do transporte coletivo subindo para R$3,00 se torna a tarifa mais cara do país, passando até a da capital do estado do Paraná, onde o serviço é referencia.
Não tenho duvida que se trata de educação cultural porque tive a oportunidade de conhecer ambos os sistemas.
Em Goiânia os ônibus não respeitam os horários programados, por vezes o usuário aguarda de 30 a 40 minutos pela saída do ônibus, ou até mais tempo, e quando esse chega é um empurra, empurra. A pessoa que está na frente se não se apressar pode até ser pisoteada, pois ninguém respeita o espaço de ninguém, todos estão com pressa para chegarem aos destinos e assim não olham quem está à frente, não importam se é criança, gestante, idoso.
Os ônibus tem bancos preferenciais, mas são meros enfeites, algumas pessoas acreditam que servem apenas para variar o estofado, pois sentam e se surge alguém que se enquadra na necessidade, no direito de usar o banco, finge que estão dormindo ou algo semelhante. Isso é o que? Falta de educação. É a herança cultural do estado de Goiás, onde o egocentrismo grita até nos pequenos detalhes, mas é possível cobrar das pessoas que seja diferente se o problema começa do alto? A questão vem do sistema que é falho. Das empresas de transporte coletivo que não respeitam o usuário, agem como quer, pois quem de fato precisa do transporte não tem outra opção, assim seja como for o lucro está garantido.
Em Curitiba acontece bem ao contrário. Os terminais são organizados, o população aguarda em fila a chegada dos ônibus, que respeitam os horários do cronograma fielmente. Quando esse chega não há tumulto, empurra, empurra, nem pessoas duelando para entrar. Todos entram educadamente, e o ônibus por mais que encha não vai com pessoas exprimidas na porta como se fossem embaladas a vácuo. Caso lote, o usuário aguarda pacientemente o próximo ônibus, que virá no tempo programado. Um sistema referencia no Brasil,  que ainda utiliza o cobrador na liberação de entrada.
Contudo o que posso concluir é que de fato o goiano perde sempre pela educação cultural que desenvolve, pois é uma educação cada vez mais xucra. É verdade que comparando goiano ao curitibano a questão que irá surgir é que os goianos são sociáveis, unidos, amigos, já os curitibanos são frios, soberbos, antissociais, mas isso também é cultural. Quando no seu meio os curitibanos são tao agradáveis quanto qualquer outro, mas não são dados como os goianos que abrem suas vidas em qualquer fila para quem quer que seja.
Não me canso de dizer que a primeira mudança que devia existir não só em Goiás, mas no Brasil é a educação. E não digo sobre investir em professores para que trabalhem na alfabetização, como o governo vem frisando não, mas investir em educação que devia vir de berço, mas como há gerações isso não vem acontecendo os pais não estão passando para os filhos. E não os culpo, pois como ensinar o que não se aprendeu?
É necessário a inclusão de respeito, de bom senso, de cidadania nas disciplinas escolares. Ao invés de aprender religião que acaba desimano em religiosidade é preciso ensinar humanização.
A grande massa, que é a maioria carente, não tem voz ativa para mudar as imposições do governo, mas com educação tem meios de desfrutar com o mínimo de dignidade das migalhias que ele oferece.
O aumento da tarifa para R$3,00 confirmar a tarifa mais cara do país e talvez a com pior qualidade, e o que isso importa para os órgãos e o governo? Estão preocupados em ter de onde tirar para pagar o aumento salarial dos motoristas, mas qualidade já é outra discussão.
Quem utiliza o transporte coletivo hoje? Justamente o assalariado, que não tem condição de ter um veiculo próprio. Com o aumento o valor compromete certa de 23% do salário mínimo, ai me vem a pergunta então esses trabalhadores não poderão mais adquirir bem algum? Pois os economistas, os orientadores financeiros, sempre aconselham as pessoas a nunca comprometer mais que 30% de seus salários. E quem mora de aluguel? Como vai ser?
O Brasil trabalhando dando tiro no escuro, pois as decisões tomadas sempre acarretam em novos projetos sociais que visam melhorar a situação das famílias carentes, são tantas bolsas diferentes, o governo inventa tanto auxilio, mas tudo isso é para remendar os estragos que já veem há muito tempo.
É preciso que haja revolução, que o sistema seja renovado, e não digo tirar o poder de determinadas mãos e passar para outras, mas sim o sistema funcional de toda legislação.
O governo tenta maquiar os problemas liberando benefícios e divulgando na mídia, o pior que consegue e tudo isso por que? Porque a massa não tem a devida educação. São levados ao conformismo. Não sabem pensar além, ou questionar o sistema.
Quem dá algo de graça a alguém? Todo beneficio criado tem interesse por traz, seja politico ou financeiro.
Todos os problemas enfrentados no Brasil, seja em Goiás ou qualquer outro estado, tem o mesmo culpado: A EDUCAÇÃO.
Queria ver como seria se a minoria, os que tem o poder, os que tem dinheiro, utilizassem o sistema publico para tudo, como a grande massa. Saúde, ensino, transporte, como se portariam? Suportariam ao menos um mês a lastima de depender de um sistema que oscila entre ruim e péssimo? Que politico que se dispõe em viver como cidadão comum, sem privilégios, ao menos um mês? Conhecendo a realidade do dia a dia, dependendo dos órgãos públicos de atendimento?
Mas pensar nisso me traz de volta a questão da educação, pois é a massa que elege seus representantes, assim nós somos os coautores do caos declarado, mas silencioso que existe.
Me acabo de rir quando pessoas que são tipicamente brasileiras, com malandragem, com malicia, ganham eleições. Pessoas sem o mínimo de cultura, sem conhecimento especifico para tal, mas pessoas populares, que estão na mídia, que são engraçadas ou polemicas. É a típica embalagem ganhando o mercado sem importar o produto.
São vereadores, deputados, ministros. Estão à frente das decisões que muitas vezes nem sabem do que se tratam, ou se sabem tem apenas uma ideia superficial por ouvir falar, mas tem voz ativa de decisões. Esses são os inteligentes, pois sabem aproveitar a ingenuidade da massa, que na verdade é a futilidade maquiada pela simplicidade que beira a ignorância. Diante isso porque investir em educação, se isso pode levar a massa a pensar e mudar o sistema?
É melhor que tudo continue como está mandando quem pode obedecendo que tem juízo e se revoltando quem nada pode opinar.
Do que adianta protestos se tudo que acontece são consequências das escolhas da massa?
O conformismo social do cotidiano tem que refletir é nessas situações, pois quem sabe assim a população não percebe a necessidade de mudança? Ah, me esqueci, a massa é apenas um movimento no espaço, a minoria pensante é um seleto grupo de privilegiados.

Religiosidade

Quando falo em educação quero dizer conscientização, humanização.
Minha existência sempre se resumiu em guerras espirituais, e com isso pude estudar diversas religiões, culturas e seitas. Cada uma delas me agregou valores e me permitiu discernimento. Tenho uma opinião pessoal e especifica sobre o todo, mas acima disso respeito cada uma.
No planeta terra os seres racionais são ditos humanos, independente de nacionalidade, cor da pele, classe social, cultura, a certeza é a mesma para todos: A MORTE.
Alguns acreditam em paraíso, outros em inferno, há os que acreditam na evolução do espirito, mas enfim, para que qualquer lugar ou estagio seja conhecido é necessário antes que a morte aconteça.
Para algumas culturas a morte é uma dádiva recebida após certa evolução espiritual, para outros é castigo. Alguns a veem como honra e a buscam, outros a temem, mas a questão é que a morte é sempre a morte. É a paralisação do corpo físico, é a perca dos sentidos humanos.
Diante esse fato me pergunto, por que tanta religiosidade no mundo?
Sou exemplo nato de que a fé é mecanismo que move o espirito, logo alimenta a esperança que move o corpo, mas fé nada tem haver com religiosidade.
Se as pessoas respeitassem a fé umas das outras a religiosidade não existiria, mas a questão é que não há respeito, logo uma guerra fria se armou há séculos e não cessa.
Desde que difundiu o evangelho no mundo, por exemplo, igreja virou um comercio. Grandes ministérios se sentem especiais, pois é frequentado pela nobreza, recebem altos valores em ofertas e dízimos, organizam super eventos gospel. E a essência cadê?
As pessoas estão se convertendo por modismo, porque determinada igreja é legal, determinado líder é liberal, porque em tal lugar há gente bonita, porque ali posso conseguir alcançar o que almejo, mas a essência não é observada.
Onde você está colocando seu coração?
Um clamor não é feito por determinada religião e sim por pessoas que tem um objetivo comum e como você chama esse objetivo não interessa.
Minhas experiências sobrenaturais, tanto com o bem como com o mal, me permite dizer que independente da confusão humana o BEM MAIOR é único.
O Criador é apenas um, que assim como a discrepância na linguagem entre as nações há a discrepância na cultura das religiões, mas não interessa se os rasta chamam de Jah, se os testemunhas chamam de Jeová, se os Judeus chamam de Yahveh, se os israelitas chamam de Alá, pior são os indianos, por exemplo, que estão tão perdidos que aceitam muitos com medo de excluir algum ou errar na escolha... e assim por diante.
Não importa a religião, não importa o nome, o que importa é o BEM MAIOR, é a criatura reconhecer a excelência do Criador e respeitar a Verdade. Mas que Verdade? Se cada religião, cultura, seita, ensina algo? A Verdade do Criador, do Amor, do Respeito, da Caridade.
Quando falo em educação coloco um tom de utopia, pois a educação que me refiro é a humanização. Seria uma espécie de universalismo contido no cotidiano refletido nas ações populares, ou seja, a junção do todo em tudo resultando no equilíbrio geral, mas diante essa situação me surge à questão que se tudo fosse equilíbrio o existir seria pleno e o viver perderia a graça.
Sendo assim educação seria respeito, ou seja, tolerância mesmo nas diferenças.
Ao invés de ensino religioso as escolas deviam incluir disciplinas como bom senso, discernimento de limites, princípios e valores morais, tudo isso é a dita educação que tanto preso.
A realidade humana é tao discrepante com a proposta que, independente de idade, a falta de senso gera o desamor, o desrespeito, o egocentrismo.
O humano é dito racional, mas age irracionalmente na maioria das adversidades, o que acarreta em uma avalanche de intolerância, de rebeldia, de corrupção.
É preciso ponderar, analisar os valores, identificar os princípios, o auto conhecimento, pois só assim as pessoas saberão que existe limites que devem ser respeitados, que cada ser tem um espaço delimitado no universo, podendo até ultrapassa lo, mas com consentimento de quem habita aquele espaço excedente.
Falar nesse tipo de educação pare demasiadamente imaginário, como um conto sem fim, como fé na perfeição, mas não é, é apenas acreditar no homem como humano. É manter viva a esperança do Despertar. É acreditar que a evolução espiritual não é privilegio de poucos e sim opção a todos.
Quem diante uma adversidade não procura um meio de sair ileso? Quem em qualquer dilema não presa seu lado? Quem não prefere acumular pensando no amanhã a compartilhar hoje?
O ser humano é um ser corrompido desde o ventre. Emoções, pensamentos, tudo passa da mãe para o filho ainda em formação, e tudo fica tatuado no inconsciente.
É como o vicio que passa pelo gene e pode se desenvolver ou não.
A única maneira de mudar essa realidade é inserindo mudança na educação, de forma que não haja imposição e sim conscientização. É necessário ensinar as crianças a pensar, não só mostrar o passado como história a ser gravada, mas como contexto a ser analisado, a fim de que caso necessário possam buscar a mudança no futuro.
Leis existem não para serem seguidas, mas para serem respeitadas, logo se com a alienação social o contexto se difere porque não mudar as leis?
A mudança não significa aceitação, nem tao pouco fraqueza, significa apenas que a compreensão chegou ao nível da evolução.
É preciso que os humanos sejam humanizados.
É preciso que o ser social se torne racional.
É preciso que o Amor domine o Ego.
É preciso que o querer faça valer.
É preciso a união da globalização na conscientização do Despertar.
Tudo que levamos dessa vida são as experiências vividas.
A única certeza do ser, independente de credo, raça, cor, religião, doutrina, cultura, seita, e afins, é a morte. Pra que perder tanto tempo com futilidades se tudo será apenas historia? Haja paraíso ou não a eternidade é certa, agora, onde, como, e com quem é uma incógnita que jamais será de todo esclarecida, pois é pessoal a cada individuo como ser.
Vamos ser feliz independente de fatores externos. Vamos dar as mãos e cantar a mesma canção que inspire vida. Vamos abraçar calorosamente. Vamos sorrir verdadeiramente. Vamos amar inconsequentemente. Vamos viver, pois morrer cedo ou tarde iremos, é a única certeza sã. 

Inicio do fim?


Mais uma vez sou obrigada a afirmar, as estratégias de Deus continuam a me surpreender.
Hoje pude compartilhar de uma reunião que há tempos já havia sendo preparada, de fato a Paz que senti confirmou que é chegado o tempo novo.
Mesmo que seja por pouco tempo, como sempre foi, mesmo que haja divergências que me impeça de caminhar, pude sentir por algumas horas que a Verdade está se revelando. Há um mover diferenciado e que clama pela união do corpo.
“Um corpo é feito de diversidades. Imagine um corpo só de pernas, como ele seria? É preciso que haja diversidade dos membros para que o trabalho seja feito.” Pastor Saulo.
A simplicidade do óbvio me encanta sobremaneira que me deixa atônita.
Pouquíssimas vezes pude me reunir com pessoas de diferentes ministérios e que houvesse ordem e entendimento. Onde todos falassem a mesma língua, orassem no mesmo proposito.  
A sensação que tive hoje é que o véu está de fato se resgando no plano terrestre. A vestimenta da religiosidade começa a cair, há quem esteja voltando às origens. Estão desnudos, usando a malicia como discernimento para evangelização.
“Não queremos estiar mais uma bandeira... Reginaldo”
Mais que defender um ministério, mais que marcar território, mais que defender uma bandeira, é preciso evangelizar. Levar a palavra onde à futilidade, o socialismo, a rotina, os afazeres, o dia a dia deixa excluído.
Há meses não sentia a confirmação em meu coração e hoje posso dizer que é mais que emoção, de fato a Paz confirma que o caminho está certo. Não sei como será a jornada, desconheço as curvas do caminho, mas posso dizer que agora a escolha é minha. Deus mais uma vez cumpriu o prometido e me revelou a luz, o foco, a direção. Seguir ou não cabe a mim.
Minha luta diária desde os primórdios nunca foi contra carne ou sangue, foi literalmente contra principados e potestades, e as revelações sempre foram tao claras que beiram a alienação, contudo o medo sempre me inibiu de seguir.
Não é medo de errar, não é medo de perder, não é medo de tentar, é medo de que minha fé seja tão fora do normal que me leve a lugares nunca habitados por humanos. Medo de não controlar o que me é proposto e acabar caindo em alguma armadilha, mas se for parar para refletir já estou na armadilha...
O medo do fracasso é que me impede de desenvolver meus dons, aceitar meus talentos e trabalhar na missão. O medo que me paralisa. O medo que me cega.
Por ter medo espero por companhia, acredito na ilusão que cedo ou tarde alguém irá me acompanhar, mas a salvação é individual.
Cada um é medido segundo seu próprio coração.
Há pouco tempo estava orando e o Espirito Santo me conduziu a refletir sobre essa carência por companhia.
Como ser humano, sou abstrato, logo é normal a necessidade de relacionamentos, no entanto por falta de companhia acabo deixando de fazer muitas coisas que gostaria, por exemplo: muitas vezes deixo de ir ao cinema assistir a um filme que quero muito por não ter quem vá comigo, deixo de ir à igreja porque não tem quem vá comigo, deixo de ir a um show porque não tem quem vá comigo, deixo de ir caminhar porque não tem quem vá comigo, já deixei de fazer inúmeras coisas porque não tinham alguém para ir comigo.
Presa, na falta de companhia, acabo sendo refém de minha solidão, o que não me incomoda, pois faço uso do meu bom gosto musical, uso a leitura, a escrita, analiso o todo, enfim, a solidão me diverte, mas ela na maioria das vezes não é uma opção e sim uma consequência da falta de companhia.
Um dia estava em meu quarto registrando minhas nostalgias, curtindo a saudade causada pelas lembranças quando o Espirito Santo me colocou diante uma situação que fiquei sem persuasão. Escutei: Você crê que Jesus está voltando. Crê que cada um é medido seu coração, segundo a evolução espiritual. Você crê na sua salvação, mas e se Ele chegasse agora para o arrebatamento e viesse ter contigo o que Ele te diria?
Na hora minha mente pensou: Ele me abraçaria me transbordaria de Paz, pois sabe que é o que mais preso, me pegaria no colo e me conduziria à eternidade. No entanto meu coração gritava: Ele me olharia com olhos lacrimejando, certo de minhas qualidades e de minha dedicação, mas diria que eu não iria com Ele por não ter companhia.
Nessa noite mal consegui dormir analisando o que aquilo queria dizer, e de repente, pouco a pouco as revelações foram surgindo.
Quantas vezes eu não fui à igreja encontrar uma amiga? Quantas vezes eu não fui à igreja porque estava “interessada” em determinado rapaz? Quantas vezes não fui à igreja só para ter para onde ir, ou o que fazer, ou pessoas para conversar, em fim, por motivos alheios ao verdadeiro proposito que é louvor e adoração.
Que me adianta companhia para o que quer que seja se no fim eu serei julgada por mim mesma, por meus atos, segundo meu coração? Quando for o dia do arrebatamento, Cristo não vai esperar que eu arrume companhia para ver a Glória e mesmo que eu tenha companhia, Ele não vai esperar ela chegar.
É preciso entender que o ser humano é abstrato, mas o ser espiritual não. O espirito é livre. O espirito caminha no sobrenatural da fé.
Queria poder dizer que o espirito não tem sexo, ou é hermafrodita, mas isso seria amador demais até para mim, que ainda pretendo aprofundar em estudos sobre isso, por hora basta dizer que o espirito é um viajante solitário que faz paradas de apoio pela eternidade.
É chegada a hora da forca, onde assassino meu ser errante e passional e passo a alimentar o embrião espiritual revolucionário ou continuo zumbi da futilidade social.
Pior que ver demônios, pior que ouvir vozes, pior que temer as visões é sentir o duelo invisível em meu ser. É assistir a batalha insana do meu eu.
Começo a acreditar que tenho mais medo de mim que das visões que surgem.
Olho o tempo e se for analisar o humano de fato o tempo foi valioso, trouxe grandes ensinamentos, a evolução é perceptível, no entanto ao espiritual, por mais que tenha ocorridos tantos acontecimentos, continuo no estagio embrionário.
A discrepância entre meu ser e meu eu é tamanha que confunde até a mim, mas essa confusão não é natural, são setas, são distrações, pois quando meu ser encontra meu eu e ambos entram em harmonia o objetivo é alcançado, a Paz reina causando o equilíbrio. É o equilíbrio da balança.
Disposta eu sempre fui. Curiosa ainda mais. Agora é a hora de fazer diferença com quem é diferente.
Pode ser que o tempo me mostre que ainda não é, que é apenas mais uma ilusão, mas até lá sem dúvida terei adquirido muitos conhecimentos, terei vivificado em suma minha fé, terei alimentado meu espirito e fortalecido minha alma.
Sei que optar por aceitar e começar de novo vai abalar as estruturas do inferno, sei que a voracidade do diabo será terrível, já precinto as visões ainda mais frequentes, as manifestações físicas, os gritos, os odores, mas talvez essa seja a hora de mostrar para mim mesma que sou capaz. Capaz não de vencer tudo isso, mas ao menos de encarar, de lutar.
Lembrei me de minha tarde onde estava refletindo sobre ‘tentar fazer acontecer’ e ‘estar disposto a fazer acontecer’.
Minha vida é um acumulado de sonhos abandonados, projetos inacabados, planos que ficam no meio do caminho. Até me irava com tudo isso, mas por fim aceitei a condição de não ser capaz de concluir algo e por isso a gana por iniciar o que quer que seja cessou, desse modo parei de me preocupar e ansiar em demasia.
Algumas pessoas veem isso como comodismo, eu digo que é conformismo, mas hoje pude ver que é uma simples questão de escolha.
Quando você decide tentar fazer algo e logo percebe que não dará certo, você pode até insistir, mas quando começar causar incomodo você desiste do fato e fica frustrado.
Quando você se dispõe a fazer algo, se logo percebe que não dará certo, você insiste, se não der certo continua insistindo, por mais que não dê certo, você não desiste, pois você se dispôs a fazer acontecer e seja como for será, mesmo que para isso você precise passar duras lições, o importante é o resultado final.
Obvio que você não vai morrer tentando, mas você vai esgotar suas forças, usar toda sua energia, sofrer humilhação, beirar a morte, pra só então dizer que não deu certo, pois ai sim você não apenas tentou, mas usou todas as suas armas e morreu lutando.
Hoje as sensações que se misturam são:
Admiração, por saber que Deus tem levantado pessoas marcadas não com a marca da promessa simplesmente, mas com voz de inquietude, indignação, insatisfação, pessoas que fogem as regras, que quebram dogmas, mas que pregam a Verdade e a Vida.
Encantamento, por sentir nessa missão um chamado, o silencio de Deus confirma em meu coração que sente a Paz.
Medo, pelos traumas já vividos de acreditar, confiar, me dedicar e lá na frente descobrir que tudo não passava de maquiagem.
Anseio, por desejar identificar meu dom, conhecer meu talento, me fazer útil.
Me decidir pelo sim é declarar uma guerra, na qual o abalo será tao intenso que atingirá o plano espiritual e ai não haverá mais alternativas, o caminho é um só e as escadas são longas e cansativas, mas o visualizar do horizonte é pleno.
O duelo deixará marcas, feridas serão reabertas, cicatrizes sangrarão, mas o novo ser ao nascer saberá como tratar em cada situação...
#SANTIDADE

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Revolta comigo mesma (ser brasileira)


                “Beleza não se coloca à mesa”
                Tal afirmação nem de longe tem validade, primeiramente que se colocado no sentido de alimento à beleza dos pratos, das frutas e do que quer que seja conta muito. O ser humano se alimenta com os olhos.
                Se comparado à beleza humana ainda assim não vale, pois de nada importa a pessoa ser bonita e não ter educação, cultura. É a discrepância entre conteúdo e embalagem.
                Hoje estava me recordando a infância, quando na escola estudava o hino nacional, quando estudava sobre historia, geografia, ciência. Quando admirava o Brasil por ser um país rico em belezas naturais, por ter a maior bacia de agua fluvial do mundo.
                Um país que evita guerra, de clima tropical, pessoas hospitaleiras, que representa calor humano, samba, carnaval.
                De acordo com o ângulo de visão posso dizer com todas as letras: orgulho de ser brasileira. Povo da miscigenação, sem preconceitos, sem imposições de tradições ou religiosidade.
                No entanto toda liberdade é confundida com libertinagem.
                País democrata, mas as leis só se aplicam a maioria menos privilegiada, pois a minoria que governa ou opina manipula as leis de acordo com suas necessidades.      
                Eu não duvido da índole dos políticos, ao contrario acredito realmente que existam políticos nobres que tenha boas intenções, mas duvido muito que após assumir qualquer que seja o cargo seja possível continuar honesto.
Há uma máfia silenciosa que age dianoturnamente e, ou se entra no jogo ou as perseguições iniciam.
Não se trata de vicio e sim de habito.
Falar da politica no Brasil é atentar para todos os ângulos que envolvem desenvolvimento humano. Não se pode negar a evolução e investimentos tecnológicos e em exportação, no entanto tudo favorecendo a classe alta, pois apesar do índice de pobreza diminuir fica cada vez mais difícil os trabalhadores sobreviverem com o salario mínimo. Fato que deve ser levado em consideração ao se analisar o índice de criminalidade.
A atual presidenta bate no peito com orgulho por ter aumentado o salario mínimo, divulga a diminuição das taxas de energia elétrica, no entanto não comenta a alta da cesta básica.
Famílias tem que optar por moradia e alimentação ou segurança e moradia, pois se morarem em um local relativamente seguro não terão condições de se alimentar, para isso precisam morar nas periferias, onde conseguem pagar alugueis, mas não tem a mínima segurança. Onde trafico é o principal comercio, onde as crianças ao invés de brincar nas ruas crescem aprendendo a comercializar, seja produtos falsificados, sejam drogas, sejam produtos roubados.
Sem falar na discrepância entre o índice de natalidade e de mortalidade por idade. As 'crianças' estão cada vez mais sendo colocando outras crianças no mundo e muitas vezes sem se preocupar com o futuro dessa vida, afinal mal conseguem ver o presente como imaginar o futuro? São adolescente sem a menor perspectiva de melhoria, que aceitam sua situação como normal e apenas existem. 
Os idosos estão vivendo o abandono, em total desrespeito não só a experiência de vida e sua fragilidade como muitas vezes desrespeito humano. Sendo mal tratados, humilhados e até mesmo agredidos por cuidadores ou pessoas afins.
Até bem pouco tempo a moda da bandidagem era cometer crimes e ter certidões de nascimento falsas, assim se fossem pegos alegavam ser menor de idade e ficaria por isso mesmo, porque a lei não permite que uma pessoa menor de 18 anos responda por seus atos.
Que lei é essa que não vê o menor apto a assumir a responsabilidade por seus atos? Que não permite que ele aprenda a arcar com as responsabilidades de suas escolhas? Você também não sabe? Eu te digo: é a lei consciente, que sabe que o sistema prisional é universidade da malandragem. Sabe que um menor preso ao invés de se reabilitar irá se especializar no mundo do crime.
Sendo assim o que é mais viável a sociedade: aguentar que esse jovem aprenda lentamente cometendo seus crimes no dia a dia ou tira lo do mercado por alguns anos e depois recebe lo de volta profissional?
Seja como for não devia ser.
Um país onde os governantes criam bolsa alimentação, auxilio gás, e todo tipo de plano que dê para desviar verbas. Que acredita ser mais viável pagar R$915 por cada presidiário, que roubou, que matou, que estuprou, não importa, mas que está lá, preso, sem fazer nada, apenas sendo amparado pelos direitos humanos. Que aprova e libera a verba mensal de R$1.350 por dependente químico em tratamento e em paralelo paga aos trabalhadores um salario mínimo de R$678.
Imagino quantas clinicas abrirão a partir daqui...
Que país é esse? Que cultura queremos alimentar? Que cidadãos estamos formando?
Sou leiga e infelizmente não posso mudar nada na realidade, mas não há quem possa calar meus pensamentos nem silenciar minha revolta.
A verdade é que a classe dita média do Brasil se acostumou com olhar sempre quem está pior. Não olham como poderia ser. Ignoram os salários dos políticos, o conforto no qual vivem com o dinheiro dos cofres públicos, enquanto a massa não tem saúde publica de qualidade, os professores das redes publicas de ensino temem entrar nas salas de aula, pois além dos baixos salários ainda não são respeitados pelos jovens que deveriam lhe ser gratos.
Verdade seja dita, brasileiros são verdadeiros baderneiros que se unem em campanhas motivacionais, se unem em pedidos de paz, se unem em manifestações, mas quando tem que colocar a boca no mundo e gritar sobre os problemas reais e cotidianos, quando tem que fazer valer o direito do voto e eleger pessoas dignas, que mesmo roubando façam diferença, preferem se omitir. Preferem se calar, não participar, isso sem falar nos que se vendem...
Baderneiros sim. Enchem a boca para fazer valer seu direito como consumidor, criam caso pelo menor problema que seja, mas não tem coragem de gritar por melhores condições.
Há sempre manifestações isoladas de classes especificas de trabalhadores, já pararam para pensar como seria se todas as áreas resolvessem parar no mesmo dia. Saúde, segurança, comercio, transporte, as pessoas ignorando tecnologia, apenas vendo o dia passar diante seus olhos? Um dia apenas seria suficiente para alarmar as autoridades, pois dia a dia o comercio movimenta o Brasil.
Vivemos no país dos impostos e não é coincidência ser o país que mais tem feriados anualmente. Pagamos caro em tudo que adquirimos para poder ter os tao desejados feriados, pagamos caro pela ilusão de recebermos vantagens, mas isso é parte da nossa cultura. Furar fila, receber um troco a mais, comprar mais barato por não precisar da nota, pechinchar, brasileiro sempre dá um jeitinho. Seja uma verbinha aqui, molhar a mão de outro ali, é a cultura do povo brasileiro.
A conclusão que chego é que hoje O Brasil é um país de turismo, é um país bonito em sua formosura, porque trabalhadores pagam na verdade apenas pela liberdade de ir e vir, visto que um presidiário recebe mais que quem trabalha honestamente sol a sol.
O Brasil é de fato gerido por grandes cérebros que geração após geração conseguem manipular a massa a seu favor, para que assim continuem guiando a nação de acordo com o ideal antissocial.
O povo brasileiro são verdadeiros equinos de viseira, que não conseguem ver a força da união, que até conseguem gritar, mas não conseguem levantar um brado de mudança. São pombos urbanos que se conformam com migalhas que sobram de outros.
Vejo em quem se acha nobre, nos que se dizem da classe alta por ter bens, por estarem acima do salario mínimo, esses são os que mais me enojam, pois dentro de seus carrões com os vidros fechados ignoram os pedintes e fingem nada ver. Trancados em seus escritórios no ar condicionado não conseguem ver a vida dura de um trabalhador que lida no campo, na produção, nas ruas...
 Médicos que passaram anos estudando para salvar vidas estão mais preocupados em quanto vale o tempo que passará atendendo o paciente que se o paciente ficará bom. Enquanto isso professores arriscam suas vidas para ensinar o básico da educação para os jovens. Assistentes sociais tentam sua sorte em todo tipo de situação. Bombeiros arriscam suas vidas por pessoas que nem se quer sabem a historia.
Realmente o Brasil é um país mil, mil faces, mil interpretações.
O que me revolta não é a questão social ser tão discrepante, o que me revolta são as pessoas acreditarem que evolução é sair no nível de estrema pobreza devido as diferentes bolsas do governo, passando para o índice de pobreza apenas.
É digno uma família receber apenas o suficiente para sobreviver e ainda assim encontrar motivos para sorrir? De fato é, mas isso é conformismo.
O que falta na população é indignação. É força na voz. É liderança. É revolução.
Pior que a pobreza existencial imposta pelas condições externas é a pobreza intelectual que o governo quer ocultar.
É fácil passar melado na boca de uma criança para cala la, pois o choro pode incomodar e se incomodar algo pode acontecer.
Não é viável para a pequena parte que lidera que a maioria tire a viseira, pois assim pode se ampliar os horizontes e isso dificulta a guia.
Se a maioria for levada a questionar não haverá resposta suficiente.
Se a maioria se unir não haverá força que supere.
Se a maioria decidir não haverá lei que valha.
Mas união de um povo que duela entre si é utopia. Porque é isso que acontece com o brasileiro. Vivem uma batalha invisível constante, querendo cada vez ter mais, acumular mais, não para si, mais para o outro, e o pior é que não é para ajudar o outro e sim para mostrar que ele é melhor, que tem mais, que pode mais.
Onde iremos parar?
Se o governo quisesse mesmo ajudar investiria principalmente na educação, que é onde tudo começa. Moldando o caráter do cidadão desde os primórdios, para que as temperanças do dia a dia não o contamine, para que ele faça diferença onde estiver e não que seja mais um no conformismo.
É preciso ensinar a criança a sobreviver no meio modificando o a seu favor e não apenas suportando as adversidades do clima. Claro que muitas vezes não se pode parar a chuva, então será preciso aprender a dançar nela, esconder pode até evitar que nos molhemos, mas cedo ou tarde o suprimento cessará e a lei da sobrevivência falará mais alto.
Como brasileiros estamos nos escondendo da chuva, estamos sobrevivendo com o estoque que temos armazenado em casa, pode até ser que o tempo seja voraz e que não soframos tanto com a tempestade, mas e nossos herdeiros? O que deixaremos para eles?
Quanto mais penso na população mais vejo fantoches. Minha imaginação insana me leva a uma viagem interdimensional onde a vida é apenas uma brincadeira da evolução, onde os dias são cartas magicas e só vai para o estagio seguinte quem desvendou os mistérios. No entanto há camadas na evolução e elas são em demasia discrepantes.
Quanta futilidade na modernidade. A valorização da globalização se concretizou distorcida. Era da superficialidade, dos desamores, das ilusões, das depressões.
É a evolução tecnológica, cientifica, cultural que nada evoluiu existencialista mente e por isso volta ao inicio, mas ninguém percebe, ninguém vê. Estão todos ocupados demais gritando suas conquistas e avaliando o que juntaram para analisar o que deixaram de observar.
As pessoas estão tão inseridas na batalha do cotidiano, que nem se dão conta que não conhecem as regras do jogo. Querem é jogar e seguir, pois conhecer pode levar tempo e dar o trabalho de faze las pensar.
Eu me coloco dentre essa maioria que tudo vê e nada diz, pois mesmo daqui, da zona de conforto, do lado desconexo da razão que se une a imaginação, assisto tudo de camarote, pois me sinto de mãos e pés atados. E não é por medo, vergonha ou receio, é simplesmente por não ver esperança nessa geração.
Pode ser que algum dia haja algum revolucionário que sozinho faça o movimento libertador valer, que crie algum meio de ser ouvido, mas por hora isso me parece insanidade. E só me resta a amargura de ter que aceitar tudo como é, colocar a viseira e seguir como é preciso, pois diferente disso seria apenas uma formiga no caminho dos lobos.
De fato sou tão responsável quanto qualquer outro, mas eu nunca quis ser nem me sentir melhor, mas o fato de fazer parte não me faz ser igual. Apenas vivo a lei da sobrevivência imposta aos que gritam silenciosos na imensidão escura e fria.
Podem calar minha voz, podem torturar meu corpo, mais jamais aprisionarão minha alma ou cessarão meus pensamentos.
Minha imaginação é remédio pra loucura ou fertilizante da insanidade, isso irá depender de que ângulo se analisar.
Sou muitas, não sou nenhuma, sou várias, sou nada, posso ser quem você quiser ou quem eu desejar, depende do que for analisar.
Por hora sou essa voz silenciosa que grita por socorro enquanto desfruta dos prazeres sociais.
                Sou a energia que vibra em calor e aquece com esperanças a fé da população.
                Sou eu, uma entre tantas,  tanta em uma querendo ser ouvida, querendo ser vista, querendo fazer diferença sendo diferente, mas segue eloquente sem muito discernir da massa de gente...

Fatos & Boatos: Meu erro foi querer agir como todo mundo hoje em dia age.


Eu sempre assisti telejornais, acompanhei os crimes bárbaros e brutais, mas nunca imaginei que um dia pudesse acontecer algo semelhante comigo e hoje estou aqui.
                Apesar do tempo já ter passado eu durmo mal à noite, tenho pesadelos, acordo chorando como se tivesse sido ontem.
                Eu duvido que um dia eu vá me acostumar com essa nova vida, ou talvez o certo seja dizer com essa falta de vida, porque viver me escondendo não é viver, é existir, é apenas esperar pela morte.
                E eu quem devia ter morrido. Eu não mereço estar aqui. A ferida nunca cicatriza, o sangue nunca para de jorrar e a cada vez que percorre meu corpo é como se estivesse envenenado, queima minhas entranhas e sufoca minha alma.
                Eu estar aqui é outro erro.
                Que país é esse onde os criminosos andam soltos nas ruas e as vitimas precisam se esconder? Onde quem tirou uma vida caminha impune trabalhando enquanto o julgamento não vem e a parte arrasada tem a vida desestruturada e ainda precisa viver como animal irracional, preso, sem poder ir e vir quando e para onde quiser? Do que adianta ter sobrevivido se minha vida acabou naquela noite?
                Aquela, tinha tudo para ser uma noite feliz. Heitor estava tão animado, tão alegre, narrava seus contos entusiasmado. Havíamos passado a tarde juntos e hoje analisando aquele dia, até parece que ele estava pressentindo que algo iria acontecer. Ele estava tao carinhoso, tao dengoso de minha atenção, e eu não me importei com nada, me dispus o dia todo a ele, fazendo suas vontades, brincando, sorrindo.
                Realmente aquela foi nossa despedida! Me lembro de cada detalhe daquele dia, me lembro de cada expressão de Heitor até seu ultimo minuto, quando a felicidade dá lugar a todo terror que surgiu...
                O ano era 2009, Heitor já estava com cinco anos, quando seu pai e eu após um casamento de longos oito anos nos separamos. A separação foi amigável e apesar das saudades Heitor aceitou bem a situação. Logo entrou na escola e acredito ter percebido que a vida é feita de escolhas, as quais nem sempre nos agrada, mas é preciso aceitar.
                Apesar da pouca idade Heitor sempre foi meu companheiro, meu amigo, meu parceiro mesmo. Sempre foi mais inteligente que as crianças da sua idade, tinha uma resposta para o que quer que fosse e uma imaginação de dar inveja. Eu quase explodia de alegria quando ele dizia que queria ser escritor.
                 Mal sabia escrever, rabiscava alguns traços de forma ordenada em uma folha e dizia que aquela seria a melhor das historias. Ele lia cada traço como se soubesse de fato o que estava dizendo. Contava historias seguindo um raciocino logico que não entendia de onde ele tirava, mas ele dizia que era só entrar no mundo da imaginação.
                Ele amava contos, escrevia e narrava uma bela floresta onde homem algum havia ido, com animais que ainda não eram conhecidos, em uma ilha isolada no meio do oceano, onde só se chegava à barco. Dizia que era uma ilha de mistérios, onde a noite fadas e duendes se reuniam para cantar, sereias vinham assistir, e seres não definidos participavam dançando e animando o ambiente.
                Ele descrevia cada ser como se pudesse vê los. Dizia que eu era a observadora, uma espécie de rainha que vivia no alto de uma colina longe da ilha, mas que mesmo de longe eu observava tudo. Minha visão era tao poderosa que mesmo as arvores tampando tudo eu ainda conseguia ver e assim saber tudo que se passava ali.
                Segundo ele minhas pernas eram fortes e rápidas como de leões, meus braços flexíveis como de macacos, meu corpo ágil como de uma cobra, meu rosto tinha uma luz branca muito forte que não permitia ninguém ver, mas ele dizia saber que nos meus olhos havia fogo. Mas o que ele mais gostava de admirar eram minhas asas, principalmente plainando no ar, eram como águia a voar.
                Nem sei quantas historias diferentes Heitor narrou com essa personagem. Ele sempre a desenhou, uma figura que nunca consegui de fato imaginar, mas para ele ela era bela. Ele contava que ninguém nunca conseguiu ver o pico onde ela morava e que para ele era morava no céu, escondida nas nuvens. Porque sempre que ela ia embora da ilha ao atingir certa altura ela se transformava em fogo e todo seu corpo dava lugar a um rastro de fogo que se transformava em um belo arco ires.
                Cheguei a temer pela imaginação de Heitor, mas isso nunca o prejudicou na escola, ao contrario, ele tinha muita facilidade para aprender desde o alfabeto aos sinais matemáticos e sempre foi o contador de historia da turma. Era muito querido onde quer que fosse.
                E hoje tudo que restam são lembranças. E a culpa é toda minha. Fui eu quem causou tudo isso. Eu podia ter evitado se desde o começo eu tivesse prestado atenção nos sinais. Foram tantos sinais. Porque eu não vi? Porque eu não me afastei? Porque eu quis arriscar?
                Não eu não posso suportar a verdade. Eu não mereço viver e se estou viva de fato mereço viver aqui, longe da civilização, longe das pessoas que conheço, longe do mundo, longe da liberdade. Eu não aguento mais, não sei mais o que pensar, por tanto ângulo que analise eu vejo Heitor sorrindo, calma e feliz.
                Eu sei que não. Não foi assim que o vi pela ultima vez, mas eu não consigo me lembrar... sei que o vi, sei que estava ali, mas minha memoria não o recorda naquela noite.
                Meu erro foi querer agir como todo mundo hoje em dia age.
                Haviam se passado apenas seis meses desde minha separação. Paulo já estava morando com outra mulher, na verdade não sei a quanto tempo ele mantinha uma vida dupla, mas sei que quando separamos não fez questão de esconder que tinha outra família.
                Eu nunca lamentei a situação de esposa traída, pois nunca soube de nada e meu casamento sempre havia sido perfeito, só no ultimo ano que Paulo não demonstrava mais interesse em mim, vivíamos como amigos, mas também, eu estava tao feia e descuidada que não era culpa dele.
                Quando propus a separação na verdade era acreditando que ele iria se comover e mudar, acreditava que nossa relação melhoraria. Esse foi o dia que Paulo mais se empolgou no ultimo ano, vi em seus olhos alivio, e ele me abraçou carinhosamente dizendo que estava muito feliz por eu ter essa iniciativa visto que não estávamos bem.
                Naquele momento eu soube que o problema não era eu, mas ele. Ele já não me amava mais, não me desejava mais, e na verdade já havia rompido nosso casamento há muito tempo, só não tinha coragem de dizer.            Diante o animo dele não pude dizer nada a não ser que seria melhor assim.
                Nos separamos sem grandes atritos, vendemos a casa onde morávamos e dividimos todo dinheiro. Ainda fiquei com a vantagem do carro, pois facilitaria minha locomoção com Heitor.
                O divorcio não representou guerra para nós, pelo contrario, acho que também estava cansada de uma relação insossa. Nos casamos jovens e acabamos não aproveitando muito da solteirice da juventude. Paulo havia namorado muito pouco e quanto a mim, foi meu primeiro namorado.
                 Nos tornamos amigos dentro do possível, mantínhamos uma boa relação pelo Heitor. Eu costumava dizer que se não havia conseguido ser uma boa esposa eu queria ser a melhor ex mulher possível.
                Menos de dois meses depois Paulo já estava morando com outra mulher. Não sei muito sobre ela, apenas que tinha um bebe de poucos meses. Nunca quis confirmar se era de Paulo ou não.
                Durante os primeiros meses dediquei minha atenção a Heitor, havíamos acabado de nos mudar para um apartamento, e para uma criança que é acostumada com um quintal enorme essa era uma mudança e tanto.
                Não queria que ele se sentisse prejudicado de alguma forma, mas logo ele se adaptou, o que surpreendeu até mesmo a mim.
                Tínhamos uma rotina programada, saiamos pela manha e antes de ir para o trabalho deixava Heitor na escola, onde ele ficava por tempo integral. A escola é excelente e ele além de aulas de inglês, dança, aeróbica, ainda fazia duas habilidades extras, as quais ele escolheu natação e caratê.
                Eu me sentia segura com meu filho ali. A fortuna mensalmente empregada compensava meu sossego mental, por saber que ele estava sendo bem tratado.
                Foi nas primeiras férias de Heitor, após a separação, que tudo começou. A madrinha dele nos convidou para uma viagem ao litoral, visto tudo que havíamos vivido recentemente não podia dizer não. Eu também estava precisando descansar e ela sempre havia sido uma ótima companhia.
                O destino escolhido foi às praias de Rio Grande do Norte. Passamos uma semana lá, teria sido perfeito, não fosse por Gisele insistindo em dizer que eu devia sair e arrumar um namorado, afinal já haviam se passado mais de seis meses e eu ainda não havia sequer olhado para outro homem.
                Para mim não era tao fácil, Paulo havia sido o único homem da minha vida. Tinha quatorze anos quando o conheci e ele dezesseis. Foi no final do segundo grau e para não nos separarmos optamos pelo mesmo curso na universidade, assim podíamos ficar próximos, não demorou muito mais que quatro anos e estávamos casados. Foi o melhor ano de nossas vidas, a menos víamos assim, primeiro nosso casamento, depois a formatura, tudo estava perfeito e foi assim por anos.
                Agora lá estava eu, vivendo meus trinta anos e solteira, sem a mínima ideia de como uma mulher solteira dessa idade se comporta, tao menos como paquerar.
                Gisele me dava muitos conselhos durante a viagem, estava na casa dos trinta e alguma coisa, nunca dizia exatamente. Já havia sido casada também, mas preferiu não ter filhos. Ela dizia que bom mesmo eram os afilhados, assim enquanto os pais educavam, ela como madrinha mimava.
De fato isso acontecia. Heitor era apaixonado por ela, pois sempre que estavam juntos era garantia de muitos sorrisos, repletos de chocolates, cachorro quente e outras delícias que ele amava.
Voltamos para casa e fiquei pensando sobre isso. Já estava mesmo me sentindo sozinha nas noites frias de inverno. Poucos dias depois liguei para Gisele e combinamos de sair.
Heitor foi para a casa do pai, então aproveitamos para ir a um barzinho que Gisele frequentava sempre.
Fiquei admirada com a agitação da noite, no principio me perguntei onde estive por tanto tempo que não conhecia aquele lugar. Na verdade eram vários bares um ao lado do outro, sentamos em um que era dois andares. Ficamos no térreo. Haviam algumas TVs espalhadas no local e nessa noite transmitia uma luta de MMA.
Um som ao fundo embalava Capital Inicial, o que me agradou ainda mais, quando na sequencia veio Titãs, Legião Urbana e diversos rocks nacionais.
Eu nunca havia visto tanta gente bonita reunida. As pessoas estavam bem arrumadas, as mulheres maquiadas e deslumbrantes. Os homens sorridentes. Um clima de harmonia no ar.
Gisele logo pediu um caipirango, que veio seguido de um caipixi, caipiuva, e por fim já nem consegui acompanhar mais, pois a cada um que ela pedia para ele vinha um para mim. Nunca tive o habito de beber então essas doses foram suficientes para me fazer esquecer toda responsabilidade e deixar me envolver quando dois homens pediram para sentar na nossa mesa.
Para ser sincera não recordo exatamente da cena, nem me recordaria do homem não fosse acordar em um quarto de motel ao lado dele na manhã seguinte.
Havia ido no carro de Gisele e lapsos de memoria me diziam que ela estava por ali também, o que pude confirmar quando abri a porta do quarto duplo e a peguei nua na piscina.
Tive coragem apenas de dizer que queria ir embora, ela insistiu que era cedo, que podíamos passar a tarde ali, assando uma carne, em uma tarde descontraída, mas insisti e ela não hesitou.
No percurso de casa não sabia se minha cabeça doía mais pelos drinks ou pela vergonha de saber que havia me deitado com uma pessoa que não conhecia. A cada lembrança que me surgia a vergonha crescia e proporcionalmente a dor de cabeça.
Para Gisele tudo era festa, afinal ela estava acostumada com isso. Dizia que eu devia me acostumar, pois isso era normal. Como ser normal pessoas que mal conversaram, não sabem nada da vida uma da outra, terem tanta intimidade? Definitivamente isso não era pra eu.
Os dias seguiram normais, Gisele sempre me convidando para sair, o homem da tal noite mandando mensagem, já que eu não atendia as ligações, mas eu não desejava isso. Podia estar solteira, podia estar com 30 anos, mas ainda acreditava no amor construído, ainda acreditava no romantismo, ainda acreditava que as pessoas compartilhassem ideais.
Me permiti sair com o pessoal do trabalho algumas vezes e pude conferir que o que Gisele dizia era certo, era uma pegação geral. Cada fim de semana uma pessoa diferente. Para quem via pareciam namorados, sendo que haviam acabado de conhecer. O que eu não me permiti novamente foi beber e perder a razão.
Após alguns fins de semanas esses passeios estavam sem graça, foi quando um comercial publicitário me chamou atenção. Era um site de relacionamentos. Me perguntei que tipo de pessoa apelava para esses sites, visto que nas baladas o negocio estava tão fácil porque um site?
A curiosidade foi maior que eu e quando vi já havia não só me cadastrado, mas estava trocando mensagens.
Alguns homens desde o primeiro contato já percebi que estavam ali só por curtição, para ver se encontravam alguma bobinha carente para usar, ou mesmo para banca los, mas um homem especificamente me chamou a atenção.
Seu perfil era sucinto e não dava muitas explicações, em frases curtas demonstrava cultura e maturidade. Começamos a trocar e-mails, acabei criando uma rede social para manter contato com os amigos e com ele. Evitei falar sobre mim, mas o básico que havia sido casada, que tinha um filho de quase seis anos, que era publicitária. Ele me contou sobre ele também, estava com trinta e três anos, a idade de Cristo como ele dizia. De família simples, porem guerreira, teve uma adolescência difícil, por isso não casou antes, preferiu investir nos estudos, de modo que conseguiu se formar em direito e pouco depois passar em um concurso para delegado federal, o que era recente.
Conversamos por quase um mês até que eu sentisse liberdade para conhece lo pessoalmente.
Era uma sexta feira anoite, eu sugeri que fossemos ao shopping, pensando ser um lugar publico sem grandes problemas, mas nada resolveria, visto que ele fez questão de me buscar em casa.
Tive medo, pois por mais que nos falássemos diariamente eu nunca havia o visto pessoalmente, não conhecia mais que as historias que contava, não sabia sobre sua índole.
Gisele quem ficou com Heitor essa noite, quando sai ele já estava dormindo. Eu dizia a ela que mandaria um sms por hora, que se não mandasse ela podia me ligar e ver o que aconteceu. Ela ria e dizia que isso não era necessário, afinal hoje em dia era normal esse tipo de encontro.
De fato estávamos vivendo a era digital, onde os relacionamentos já não tinham o calor humano de antes. Na minha adolescência namorava tomando sorvete na esquina, comendo pipoca na praça, comendo pastel na feira, meu filho provavelmente não verá nada disso, pois enquanto ele ainda é uma criança os namoros são na tela de um computador ou celular, e o tempo que seria de conhecer a personalidade da pessoa e preparar o futuro não existe, vão direto para a faze da intimidade, o que após enjoar do produto faz com que a relação termine.
Foi quando entendi que essa geração vive relacionamentos instantâneos, não há mais romantismo, não há mais respeito, não há tempo de ter afeto e carinho, é só o sexo que importa e não faz diferença se muito ou pouco, se bom ou ruim, nem mesmo com quem seja, quanto mais melhor.
Receosa, passei meu endereço a Martins, que na hora exata já me aguardava. Antes de entrar no carro memorizei sua placa e na sequencia enviei em um sms ao meu e-mail e a Gisele. Sei que se algo acontecesse isso de nada valeria, mas ao menos já teriam uma luz para entender o que se passou. Quando viu que estava no celular questionou o que eu fazia, não neguei e falei a verdade.
Ele sorriu, disse que se ele um psicopata ou coisa assim isso de nada adiantaria. Concordei com ele, mas reafirmei minha tese de que a menos estava fazendo minha parte. Ele sorria, pois era nítido que eu não estava a vontade com aquela situação e mesmo assim arrisquei.
Meu erro foi querer agir como todo mundo hoje em dia age.
No principio estava nervosa, não sabia como agir. Martins parecia tranquilo, como se aquilo fosse rotineiro na vida dele, fato que ele negava.
Conversamos um pouco e resolvemos assistir a uma comedia. O filme foi ótimo, sorrimos muito e ao final fomos lanchar, momento onde ele me pediu um beijo. Não neguei, afinal eu também queria.
Conversamos por horas, sorrimos muito, até consegui me soltar. Quando foi me deixar em casa ele tentou de todas as maneiras tocar em meu corpo, mas claro que não deixei e ele até se divertiu com isso. Disse que me respeitava, mas preferia que eu me soltasse mais. Eu disse que quando sentisse liberdade para isso o faria.
Pude confirmar que ele falava a verdade sobre ser delegado, afinal era o que parecia, pois cheguei a pegar o distintivo e ver. Ele também não fez questão de esconder a arma, que estava sempre na cintura, tirando apenas quando entrava no carro. Cheguei a questionar sobre andar armando mesmo estando a paisana e ele disse que andava assim 24 horas.
Talvez aquele fosse o primeiro sinal e eu ignorei...
No decorrer da semana nos falávamos diariamente e apesar de não termos muito em comum ele se tornou uma companhia agradável. Era uma possibilidade, alguém em quem pensar, alguém para quem ligar, alguém com quem planejar sair.
No meio da semana teria um evento alternativo, o qual a agencia estava divulgando. Seria em um local centralizado, o que já não é bem visto, por ser um local com um numero grande de moradores de ruas e usuários de drogas, mas pelo que vi da organização o evento estava bem planejado, teria bandas locais de blues e jazz, além de comidas e bebidas.
Não pensei em outra pessoa se não em Martins, mas mal terminei de falar e ele já falou sobre ser um local de maconheiros. Me assustei com o comentário e disse a ele que fosse sem pré conceitos, aberto para ouvir um bom som e comer alguns aperitivos, que se não tivesse legal não precisaríamos ficar, que ele até podia deixar a arma em casa para evitar constrangimentos. Nesse momento minha surpresa foi ainda maior, ele disse que eu estava era armando uma ‘casinha’ para ele. Demorei entender o que isso significava, mas assim que consegui me desculpei e disse que preferia que ele não fosse.
O segundo sinal e eu não percebi...
Fui ao evento e pude conferir que de fato estava muito bem organizado, tudo muito simples, lembrando interior, mas as pessoas estavam produzidas. Não vi nenhum marginal por perto, se bem que marginal não é só pedinte e andarilho, há tantos marginais vestidos de ternos e usando gravatas, mas não vi os tais maconheiros que Martins havia citado, pelo contrario, haviam muitos idosos e até crianças. O evento seria bem familiar, não fosse as bebidas alcoólicas.
No dia seguinte nos encontramos e pude compartilhar com ele os acontecimentos do evento. Sempre que entrava no carro dele me assustava com a pistola que ficava ao lado do cambio do carro. Dizia a ele que preferia que ele a deixasse em um lugar que eu não visse, mas ele fazia questão de pega la, me dizia para pegar, sentir o peso, me mostrava como se destravava. Eu preferia não ver, mas por outro lado entendia que aquele era o mundo dele, então devia ser normal que ele se comportasse assim.
Começamos a namorar. Desde o principio Martins se mostrou muito ciumento. Queria saber de cada passo que dava. Se ia as compras queria saber até o que comprava. Acreditei que aquilo fosse normal e pensei que ele se sentisse um pouco inseguro porque eu não quis apresenta lo para minha família, afinal havia o Heitor e eu não queria o envolver em uma relação que eu não sabia no que daria.
Quando Heitor completou seis anos ainda estávamos nos conhecendo e ele não se importou por não ir à festa, mas quando ele fez sete anos foi diferente. Sempre convivi bem com Paulo e isso incluía sua nova família também. Mesmo sabendo que Sheila sua nova mulher podia ter sido sua amante nunca a maltratei, afinal segundo Heitor ela lhe tratava muito bem e isso bastava para que eu a respeitasse.
No entanto o fato de saber que eu receberia no aniversario do meu filho a mulher do meu ex marido deixou Martins desequilibrado, eu até disse que ele estava convidado, mas no fundo tinha medo de como ele se portaria no mesmo ambiente que Paulo, certo disso não fez esforço para mudar o dia de seu plantão.
Já estávamos há pouco mais de um ano juntos e não tenho nada a reclamar dele. Era atencioso, respeitava meu espaço, mesmo sendo ciumento e querendo saber de meus passos, mas como não tinha nada a esconder não me incomodava.
No começo saiamos com o pessoal da agencia, mas houve dias em que Martins bebia de mais e sabendo que ele era delegado as pessoas ficavam perguntando como era o trabalho, sobre grupos de extermínio na policia, sobre crimes não solucionados, e tudo mais sobre esses assuntos que eu tanto evitava. Em alguns momentos os sinais eram claros e ainda assim eu ignorava. Um dia terminamos uma campanha publicitaria tarde e passei com a equipe em uma lanchonete para tomar um açaí, era uma sexta feira de feriado, só não sabia que Martins havia passado a tarde bebendo com os amigos. Ele me ligou e eu sem hesitar disse onde e com quem estava, ele logo se dispôs a ir me encontrar. Estava tao bêbado que já chegou colocando a arma sobre a mesa, falava alto sobre uma prisão que haviam feito dias atrás, um caso que ainda estava na mídia. Um colega que nutria um desejo reprimido por ser policial não poupava perguntas e ele embriagado não media as respostas. Após aquela noite pedi a ele que quando bebesse não me procurasse.
Ele ficou muito tento sem beber, dizia que não fazia questão e já que eu não gostava não queria mais. Achei bonitinho o ato, visto que a maioria dos homens acham vantagem sair e beber horrores. Por muito tempo Martins não fez graça, mas não sei se foi coincidência nas vésperas do aniversario de Heitor ele estava irritadíssimo. Há pouco havíamos viajado juntos comemorando nosso aniversario de namoro, mas mesmo fora da cidade, onde ninguém o conhecia ele não relaxava. Parecia sofrer síndrome de perseguição, acreditava que estava sendo observado, que a qualquer momento alguém tentaria contra sua vida. Analisava as pessoas pela forma de se vestir e de falar. Suspeitava de tudo e de todos, até eu me sentia analisada as vezes.
Na verdade ele sempre foi nervoso, acreditava ser pelo trabalho, mas preferia ficar alheia ao que acontecia, afinal eu não podia ajudar em nada mesmo. Ouvia o que ele contava e pronto.
Nas vésperas do aniversario de Heitor ele estava tao nervoso que uma noite enquanto conversávamos no carro outro carro surgiu acelerando e quase bateu no carro dele, tudo aconteceu em um milésimo de segundo, mas quando voltei o olhar a ele já estava com a arma em posição de tiro.
E os sinais naquela semana não pararam...
 Na noite anterior ao aniversario paramos em uma rua paralela a minha apenas para virar o carro e retornar, já eram mais de 23 horas e do nada surge um andarilho, mas vendo que acelerou o carro foi mexer em uma cesta de lixo. Martins passou devagar ao lado dele que pediu umas moedas, Martins disse que daria, que era para ele se aproximar. Enquanto falava já tirou a arma da bainha, nem o andarilho acreditava que ele fosse dar moedas e questionando se era verdade mesmo se aproximou, foi quando Martins empunhou a arma e ordenou que ele se mandasse. Meus pedidos para não agir daquela maneira eram em vão. Não havia necessidade daquilo, mas confesso que nunca vi alguém correr tanto sem nem olhar para traz. Não sei quantas vezes aquele homem viu a morte de perto, mas aquela com certeza foi uma delas.
                O aniversario de Heitor foi um grande evento para ele que via toda família reunida com os amigos da escola e para mim, que pude perceber que por mais que a vida tivesse tomado rumo diferente do planejado tudo ia bem.
                Quando me casei com Paulo estava certa de que ele era o homem da minha vida, o que seria pai dos meus filhos, com o qual eu envelheceria, mas ele estava ali, ao lado de outra mulher e com uma criança que sem dúvida era sua, visto os traços tao semelhantes. Mas ainda assim eu não conseguia amaldiçoar minha sorte, afinal todos estavam bem, com saúde e aparentemente muito felizes, até eu que imaginei que jamais conseguiria me envolver com outro homem estava bem com Martins.
                Pensava assim naquele dia enquanto olhava Heitor brincar no pula pula, abrir os presentes, cortar o bolo...
                Foi sem duvida o melhor dos aniversários de Heitor, afinal ele era um rapazinho agora, ele se transformava no nosso Contador de Histórias.
                Por mais que eu tento só me lembro de Heitor feliz e sorrindo, não tenho outra imagem dele se não essa e ainda assim uma dor me sufoca, é um misto de saudade e culpa...
                Assumi uma campanha nova na agencia, o que me tomaria mais tempo e dedicação, mas também me renderia uma grana melhor. Teria que trabalhar dobrado por uns três meses. Nesse período Tina foi indispensável, a babá que cuidava de Heitor desde sempre, e agora intensivamente.
                Martins quem não gostou muito desse meu empenho e ficou ainda mais possessivo que o normal. Ligava de minuto em minuto, passou a vigiar a porta da agencia para confirmar se eu estava lá, por fim insinuava que eu estava com rolo com alguém de lá mesmo. Foi tanta a alienação que eu não vi outra saída se não terminar nosso namoro.
                Meu erro foi querer agir como todo mundo hoje em dia age.
                Não quis muita conversa nem explicações, afinal ele estava desorientado e já perdia o respeito insinuando que eu tivesse outra pessoa além dele.
                No primeiro momento ele disse palavras torpes, como se me confundindo com o tipo de gente que ele era acostumado a lidar, estava fora de si, dizia que  rompimento era a confirmação de que eu tinha outra pessoa.
                Tentei convence lo de que ele precisava se tratar, mas foi em vão, aos olhos dele apenas ele tinha razão e o resto tramava contra ele.
                Mantinha meu celular desligado e não tinha muito tempo para pensar nas discussões, o trabalho ocupava minha mente e em casa Heitor era meu foco.
                Já haviam se passado duas semanas desde o rompimento e eu sabia que ele havia colocado pessoas para me vigiar, mas isso não me incomodava, ao contrario cheguei a imaginar que com isso ele percebesse que estava ficando neurótico, pois ia do trabalho para casa e vice versa, mas isso não aconteceu.
                Em uma tarde de domingo estava no parque com Heitor e tudo estava bem. O sol já havia partido, dando lugar ao anoitecer vermelho como ele gostava de dizer. Segundo ele era o momento que a observadora saia para ir a tal ilha da fantasia, onde a mata ganhava vida e os animais festejavam.
                Foi no meio de uma das historias de Heitor que Davi surgiu, era um amiguinho da escola que estava por ali caminhando com o pai. Heitor e eu havíamos combinado de comer uma pizza e ele não fez segredo a Davi que logo se ofereceu para ir junto, sem como dizer não seu pai concordou e fomos todos a pizzaria que ficava a duas quadras dali.
                Enquanto as crianças brincavam o pai de Davi e eu conversávamos sobre a lida de crianças de pais separados, sobre como era preciso trabalhar a mente da criança de forma a lhes ensinar valores de família, afim de que não crescessem achando que ser pais solteiros fosse normal, afinal é o que parecia a essa geração.
                Sem duvida aquela foi à única conversa que tive com alguém que de certo modo me compreendia por pensar como eu. Nos conhecíamos apenas dos eventos da escola, ele até chegou a ir no aniversario de Heitor, visto que ele e Davi eram muito unidos, mas nós havíamos trocado poucas palavras até ali.
                A noite foi perfeita e voltávamos para casa cantarolando quando na vi na porta do prédio o carro de Martins. Antes que o portão da garagem abrisse suficiente para que eu pudesse entrar ele me gritou.
                Pela voz percebi que estava nervoso e parecia agitado, logo imaginei que tivesse bebido. Disse que iria subir e logo desceria, mas ele não quis aguardar, desceu pela garagem mesmo seguindo o carro.
                Pedi a Heitor que aguardasse no carro por um instante e aumentei o volume do som para que ele não escutasse o que quer que fosse.
                Sai do carro e pelo odor confirmei que Martins estava alcoolizado. Não podia disfarçar meu medo, mas tentei ser o mais natural possível, procurei manter meu equilíbrio, o que enfureceu o ainda mais, pois ele estava pronto para briga.
                Começou me chamando de vadia, dizia que eu havia rompido com ele porque já estava com outro e que agora ele sabia quem era. Era o cara da pizzaria. Dizia que havia visto tudo, que estávamos rindo, parecíamos uma família feliz com nossos filhos.
                Eu tentava explicar que tudo havia sido uma coincidência, que havíamos nos encontrado ao acaso, mas ele não ouvia nada do que eu dizia, que sempre alterava mais o tom da voz.
                Disse inúmeras palavras torpes de baixo calão, algumas que minha mente não esquece, mas minha boca nem consegue proferir.
                Pedi a ele que fosse embora, que voltasse depois quando estivesse mais calmo para conversarmos, mas ele dizia que só iria embora quando terminasse o que queria fazer. Eu dizia a ele que não fizesse nada que fosse se arrepender depois, que ele havia bebido, que devia ponderar seus atos e ele dizia que devia ter ponderado quando me conheceu. Que acreditou que eu era uma e na verdade não era. Dizia que eu era uma atriz, que devia trabalhar na rede globo, que ficaria milionária, que seria popular, mas que isso também me faria ser desejada por outros homens e que isso ele não aceitaria. Que se eu não fosse dele eu não seria de mais ninguém. Foi dizendo isso que ele empunhou a arma em minha direção.
                Senti muito medo, mas duvidei que ele fosse atirar e tentava conversar com ele, que parecia estar cedendo, quando Heitor olhou e vendo o que acontecia saiu correndo do carro e pulou no Martins, em uma tentativa insana que tirar lhe a arma das mãos.
                Eu sei que foi ai que tudo aconteceu, mas eu não me lembro de mais nada. Heitor saltou como um dos cangurus gigantes de seus contos, mas infelizmente ele não tinha o pelo de aço. Ele viveu a fantasia de ser o herói, ele salvou a observadora e hoje é ele quem observa do céu a realidade desumana dessa humanidade insana e torpe que o homem se tornou.
                Foi naquele momento que meu Heitor se tornou um raio de sol.
                Só faz oito meses, mas para mim quando penso que ele não está aqui parece oito anos.
                 O tempo sem ele tem um peso insuportável, meus dias se arrastam, mas quando me recordo dos detalhes tudo ganha cor. É como se tudo fosse cinza e lembrar o sorriso dele colorisse o lugar.
                Acredito que seria mais fácil suportar a situação se me fosse permitido tentar seguir sem muitos alardes, mas essa já não é uma opção.
                Já não tenho vida, vivo refém do medo, da insegurança, da impunidade.
                Martins conseguiu se safar mesmo com todos os indícios contra ele. Ganhou liberdade, alegando insanidade temporária, por uso de entorpecentes na primeira audiência. Foi afastado do cargo, mas ainda exerce influencia no meio e enquanto ele anda solto por ai eu fico aqui, ilhada, escondida, refugiada como se a prisioneira fosse eu.
                Me colocaram aqui com a alegação de proteção, mas enquanto isso ele está solto, caminhando e sabe se lá fazendo novas vitimas.
                Até quando ficarei aqui? Dizem que a escolha é minha, assim como a responsabilidade de sair, mas sobre sair o tom é ameaçador, como se ele estivesse me esperando na porta.
                De um jeito ou de outro ele conseguiu o que queria, não acabou com minha vida diretamente, mas matou minha alegria de viver e ainda me mantem prisioneira, pois tenho certeza que ele tem ciência de minha atual situação e se diverte com isso. Hoje estou como ele gostaria, eu não trabalho, não estudo, não me socializo, vivo escondida de todos, só não consigo me esconder de meus pensamentos.
                O pior é que ninguém sabe me dizer quanto tempo essa situação durará, pois julgamento no Brasil é ágil quando nenhuma das partes envolve influencias, no meu caso já não tenho esperanças. Se nem as imagens do circuito interno do prédio foram suficientes para incriminar Martins o que mais será?
                Pode até ser que ele não seja criminoso, mas naquele momento ele se tornou um e isso que deve ser levado em consideração. Melhor seria que ele tivesse acabo com minha vida naquela garagem, aquela noite.
                Como outra pessoa agiria no meu lugar? Sairia daqui correndo o risco de ser assassinada na esquina? Continuaria aqui agarrada apenas na esperança de viver mais um dia? Vai ver o melhor seja assumir o posto de observadora e com o olhar de fogo me tornar justiceira, acabando com a vida do ceifador de sonhos... mas isso me tornaria como ele e a culpa me acompanharia para toda eternidade.
                Em pensar que meu erro foi querer agir como todo mundo hoje em dia age, achando normal conhecer uma pessoa através de um site e logo me envolver, sem saber do passado, sem conhecer a família...
                Logo eu que sempre segui padrões, que sempre fui disciplinada, que acreditava tanto nas pessoas como humanas. É meu erro foi querer agir como todo mundo hoje em dia age.

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