Analisar o comportamento humano me leva a ‘lugares’
desconhecidos.
Como ser desperto e consciente procuro observar diferentes
pontos de vista em determinada situação, ao ponto de esquecer que também sou
humana.
Durante muito tempo me vi intolerante com os outros, foi
quando percebi que na verdade era intolerante comigo mesma.
Reconhecer uma falha faz parte do processo de aceitação,
onde a certeza de não haver certo ou errado apenas pontos de vista, predomina.
Todo ser humano carrega em si o bem o mal. Posso tentar
explicar isso de diferentes maneiras, usando a religião, onde diz que o homem
foi feito a imagem e semelhança de Deus, mas se contaminou com o pecado ainda
no jardim do Éden, o que me permitiria gerar toda uma teoria em torno dessa
analise. Ou posso dizer com o olhar cético que cada um é o que convêm ser de
acordo com as adversidades vividas, ou seja, o meio é o maior influenciador,
isso também dá abertura para uma longa tese. Posso supor tudo seja uma questão
biológica, que está no gene ser mal ou ser bom, o que visaria parte do
universalismo, entraria no misticismo das gerações, das vibrações que deixaram
para o presente e ai sim o assunto se estenderia. A meu ver não é nada disso e
tudo ao mesmo tempo.
Não posso negar a existência de um ser superior, mas também
não nego o poder da mente, a influencia das energias, nem tão pouco a lei da
ação e reação social.
Somos de fato frutos do meio, no entanto como seres
pensantes podemos escolher qual meio conviver. E essa escolha será ditada pelas
energias sentidas, mesmo que inconscientemente, onde se observar pode se sentir
algo superior agindo, o que eu gosto de chamar de Deus.
Muitas pessoas criticam minhas atitudes, dizem que prego
tanto a Cristo, que pareço santinha no dia a dia, mas quando vou pra balada me
transformo. Na verdade o que gostaria que essas pessoas entendessem é que há
lugar para tudo. Talvez eu realmente tenha personalidade forte, pois me conheço
suficiente para discernir quem devo ser em cada situação. Não que eu use
mascara, simplesmente sou quem sou, mas aprendi a me mover dentro do espaço que
me cabe. Minha liberdade vai até onde a do próximo começa e nessa dança de me
doar e receber o compasso muda de acordo com a situação.
Em minhas meditações, em minhas orações, sempre clamo por
discernimento, foi assim que consegui despertar. O despertar é a libertação da
alma, é o quebrar das correntes, é o desatar do nó, é tirar o entrave dos
olhos, é o ouvir além de escutar, é o sentir além do saber, é o voar sem asas,
é o crer sem ver, mas é benção da maldição.
Benção porque torna o ser livre, sem mácula, o torna capaz,
motivado, persistente.
Maldição porque lança fora toda ilusão, toda auto piedade,
toda lamentação, todo devaneio.
Despertar é acordar para a simplicidade da vida diante a
magnitude da existência. É sentir cada célula do corpo se interagir permitindo
os movimentos, os pensamentos, toda criação.
Diariamente me coloco em situações distintas as que de fato
vivo, já estive na era das cavernas, já contemplei a lua, já falei com animais
irracionais, já ouvi a natureza, já me fiz santa, já me vi assassina, já provei
prazeres que jamais conhecerei, já recusei presentes que eram tudo que sonhei,
já fui mais bem que mal, mas também já me sentir ruim quando desejava ser boa.
Todo bem tem um pouco de mal e todo mal tem um pouco de bem.
Não há pureza na miscigenação. Não existe perfeição e o mais próximo dela não é
a ausência de um ou de outro e sim o equilíbrio deles (bem e mal).
Falar em bem e mal lembra a ying yang que trata esse causa
como polo feminino e masculino. É dizer que todo ser masculino tem uma parte
feminina assim como todo ser feminino tem uma parte masculina, e em cada pessoa
se manifesta de forma diferente, a proporção nunca é exata, é sempre relativa,
o que justifica a relatividade do ser.
Aceitar esse fato é aceitar que cada ser é único em
identidade, que envolve razão e emoção. Por isso a reação das pessoas diante um
mesmo fato é tão discrepante. Cada um vê de uma forma, entende de outra e age
de outra. Cada ser é único em sua porcentagem do ser, que alia existir (ying
yang) e despertar.
Poderia dizer então que distúrbios sexuais são devido a
porcentagens representativos do Yin Yang? Se sim, essas porcentagens então
deduziriam que o homossexualismo é genético? Se não, essas porcentagens então
oscilariam no desenvolvimento do individuo como ser? E quanto aos devaneios
comportamentais, que muitas vezes levam a crimes bárbaros, quando visto pela
razão. Há um perfil sexual (masculino ou feminino) que pondera mais a
crueldade? Se sim, se trata da educação e do meio social? Se não, está ligado a
herança genética?
Falar em despertar aliada a personalidade abre um leque de
questões que devem ser tratadas individualmente e estudadas a fundo. Espero
viver o suficiente para isso...
A maldição do despertar também envolve o fato que a pessoa
desperta se torna alheia às sensações duvidosas, aos sentimentos conflitantes,
não que eles não existam, a questão é que não tem o mesmo peso. Estou na fase
onde me pergunto o que de fato tem importância? Muito vivi, muito sofri, muito
me arrependi, muito aprendi, muito evolui, mas de muito em muito até o inédito
parece ser ‘dejavu’.
Há momentos em que me vejo tão alienada que é como se eu
pudesse atravessar paredes. Sinto cada molécula do meu corpo interagindo com as
partículas do universo e são nesses momentos que mais me sinto eu. Uma
personagem na vida, uma peça em um jogo de tabuleiro, um grão de areia movendo
a direção do vento, um sonar exclusivo e único.
Uma camada invisível se forma, vejo o todo como que uma
esfera solta na infinidade do tempo, vagando na imensidão. Efeito
gravitacional, ar, vento, frio, calor, chuva, dia, noite...tudo parte de uma
grande brincadeira do universo, que fica observando como quem admira um bibelô.
Bem e mal, certo e errado, positivo e negativo, masculino e
feminino, tudo isso é parte do jogo, tudo isso são as regras da brincadeira,
tudo isso faz parte do show. No entanto
o show nunca é igual, mesmo que toque as mesmas canções cada um é único...
Sou muito feliz pelo despertar, mas não sei se o desejo para
os outros como desejava ‘ontem’. Despertar torna as pessoas mais conscientes de
si mesma, mais conformadas, mais racionais, mas tudo isso tira a emoção do jogo
ou da dança, como preferir. Percebo que estou cada dia me tornando mais fria
diante a realidade. Não que esteja escassa de sentimentos e emoções, mas a
maneira na qual lido com tudo é que está sensata em demasia.
Se antes a tentativa de controlar o medo, a dúvida, a dor, a
insegurança, o nervosismo, se manifestava em forma de lágrimas ou fuga agora
simplesmente é pauta para ponderação e analise de diferentes pontos de vista,
de forma que a balança é quase tangível e as decisões são aceitas como as
ideais no momento. Não há lamentações, não há porquês, não há justificativas. O
todo dispensa explicações, é ou não é, simples assim. É o viver um dia de cada
vez, fazendo valer o hoje.
A sensação que tenho é que passei toda minha existência
buscando viver, o que foi possível após despertar, finalmente encontrei o
equilíbrio entre o eu e o ser, encontrei a almejada paz interior e ainda assim
falta algo. Vejo-me uma pessoa egoísta. Nunca fui capitalista, materialista,
tão menos fútil, mas o egoísmo nesse caso é por valorizar meu ser, por conhecer
meu eu e saber que sou capaz de ir muito além do que os olhos veem.
Minhas atitudes, minhas ações, não dizem exatamente quem
sou, representam apenas quem a sociedade me permite ser. Posso ser melhor ou
pior, ai depende do referencial, a única coisa que posso deixar clara é que meu
ying yang gira de acordo com a rotação da terra, hora predominando a
personalidade masculina, hora tendo voz ativa a feminina.
Não importa o que se tem, não importa onde pretende chegar,
o que realmente faz diferença é que você é hoje, aqui e agora. Passado pode
ditar história, mas não escreve o presente. Aceite as mudanças que as
circunstancias oferecem, aproveite a experiência para fazer acontecer hoje,
viva seu ser, dê o seu melhor, tente, arrisque se, não tenha medo, não se
envergonhe, faça valer, faça acontecer, viva seu melhor!
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.