segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ying Yang de forma superficial a meu ver


Analisar o comportamento humano me leva a ‘lugares’ desconhecidos.
Como ser desperto e consciente procuro observar diferentes pontos de vista em determinada situação, ao ponto de esquecer que também sou humana.
Durante muito tempo me vi intolerante com os outros, foi quando percebi que na verdade era intolerante comigo mesma.
Reconhecer uma falha faz parte do processo de aceitação, onde a certeza de não haver certo ou errado apenas pontos de vista, predomina.
Todo ser humano carrega em si o bem o mal. Posso tentar explicar isso de diferentes maneiras, usando a religião, onde diz que o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus, mas se contaminou com o pecado ainda no jardim do Éden, o que me permitiria gerar toda uma teoria em torno dessa analise. Ou posso dizer com o olhar cético que cada um é o que convêm ser de acordo com as adversidades vividas, ou seja, o meio é o maior influenciador, isso também dá abertura para uma longa tese. Posso supor tudo seja uma questão biológica, que está no gene ser mal ou ser bom, o que visaria parte do universalismo, entraria no misticismo das gerações, das vibrações que deixaram para o presente e ai sim o assunto se estenderia. A meu ver não é nada disso e tudo ao mesmo tempo.
Não posso negar a existência de um ser superior, mas também não nego o poder da mente, a influencia das energias, nem tão pouco a lei da ação e reação social.
Somos de fato frutos do meio, no entanto como seres pensantes podemos escolher qual meio conviver. E essa escolha será ditada pelas energias sentidas, mesmo que inconscientemente, onde se observar pode se sentir algo superior agindo, o que eu gosto de chamar de Deus.
Muitas pessoas criticam minhas atitudes, dizem que prego tanto a Cristo, que pareço santinha no dia a dia, mas quando vou pra balada me transformo. Na verdade o que gostaria que essas pessoas entendessem é que há lugar para tudo. Talvez eu realmente tenha personalidade forte, pois me conheço suficiente para discernir quem devo ser em cada situação. Não que eu use mascara, simplesmente sou quem sou, mas aprendi a me mover dentro do espaço que me cabe. Minha liberdade vai até onde a do próximo começa e nessa dança de me doar e receber o compasso muda de acordo com a situação.
Em minhas meditações, em minhas orações, sempre clamo por discernimento, foi assim que consegui despertar. O despertar é a libertação da alma, é o quebrar das correntes, é o desatar do nó, é tirar o entrave dos olhos, é o ouvir além de escutar, é o sentir além do saber, é o voar sem asas, é o crer sem ver, mas é benção da maldição.
Benção porque torna o ser livre, sem mácula, o torna capaz, motivado, persistente.
Maldição porque lança fora toda ilusão, toda auto piedade, toda lamentação, todo devaneio.
Despertar é acordar para a simplicidade da vida diante a magnitude da existência. É sentir cada célula do corpo se interagir permitindo os movimentos, os pensamentos, toda criação.
Diariamente me coloco em situações distintas as que de fato vivo, já estive na era das cavernas, já contemplei a lua, já falei com animais irracionais, já ouvi a natureza, já me fiz santa, já me vi assassina, já provei prazeres que jamais conhecerei, já recusei presentes que eram tudo que sonhei, já fui mais bem que mal, mas também já me sentir ruim quando desejava ser boa.
Todo bem tem um pouco de mal e todo mal tem um pouco de bem. Não há pureza na miscigenação. Não existe perfeição e o mais próximo dela não é a ausência de um ou de outro e sim o equilíbrio deles (bem e mal).
Falar em bem e mal lembra a ying yang que trata esse causa como polo feminino e masculino. É dizer que todo ser masculino tem uma parte feminina assim como todo ser feminino tem uma parte masculina, e em cada pessoa se manifesta de forma diferente, a proporção nunca é exata, é sempre relativa, o que justifica a relatividade do ser.
Aceitar esse fato é aceitar que cada ser é único em identidade, que envolve razão e emoção. Por isso a reação das pessoas diante um mesmo fato é tão discrepante. Cada um vê de uma forma, entende de outra e age de outra. Cada ser é único em sua porcentagem do ser, que alia existir (ying yang) e despertar.
Poderia dizer então que distúrbios sexuais são devido a porcentagens representativos do Yin Yang? Se sim, essas porcentagens então deduziriam que o homossexualismo é genético? Se não, essas porcentagens então oscilariam no desenvolvimento do individuo como ser? E quanto aos devaneios comportamentais, que muitas vezes levam a crimes bárbaros, quando visto pela razão. Há um perfil sexual (masculino ou feminino) que pondera mais a crueldade? Se sim, se trata da educação e do meio social? Se não, está ligado a herança genética?
Falar em despertar aliada a personalidade abre um leque de questões que devem ser tratadas individualmente e estudadas a fundo. Espero viver o suficiente para isso...
A maldição do despertar também envolve o fato que a pessoa desperta se torna alheia às sensações duvidosas, aos sentimentos conflitantes, não que eles não existam, a questão é que não tem o mesmo peso. Estou na fase onde me pergunto o que de fato tem importância? Muito vivi, muito sofri, muito me arrependi, muito aprendi, muito evolui, mas de muito em muito até o inédito parece ser ‘dejavu’.
Há momentos em que me vejo tão alienada que é como se eu pudesse atravessar paredes. Sinto cada molécula do meu corpo interagindo com as partículas do universo e são nesses momentos que mais me sinto eu. Uma personagem na vida, uma peça em um jogo de tabuleiro, um grão de areia movendo a direção do vento, um sonar exclusivo e único.
Uma camada invisível se forma, vejo o todo como que uma esfera solta na infinidade do tempo, vagando na imensidão. Efeito gravitacional, ar, vento, frio, calor, chuva, dia, noite...tudo parte de uma grande brincadeira do universo, que fica observando como quem admira um bibelô.
Bem e mal, certo e errado, positivo e negativo, masculino e feminino, tudo isso é parte do jogo, tudo isso são as regras da brincadeira, tudo isso faz parte do show.  No entanto o show nunca é igual, mesmo que toque as mesmas canções cada um é único...
Sou muito feliz pelo despertar, mas não sei se o desejo para os outros como desejava ‘ontem’. Despertar torna as pessoas mais conscientes de si mesma, mais conformadas, mais racionais, mas tudo isso tira a emoção do jogo ou da dança, como preferir. Percebo que estou cada dia me tornando mais fria diante a realidade. Não que esteja escassa de sentimentos e emoções, mas a maneira na qual lido com tudo é que está sensata em demasia.
Se antes a tentativa de controlar o medo, a dúvida, a dor, a insegurança, o nervosismo, se manifestava em forma de lágrimas ou fuga agora simplesmente é pauta para ponderação e analise de diferentes pontos de vista, de forma que a balança é quase tangível e as decisões são aceitas como as ideais no momento. Não há lamentações, não há porquês, não há justificativas. O todo dispensa explicações, é ou não é, simples assim. É o viver um dia de cada vez, fazendo valer o hoje.
A sensação que tenho é que passei toda minha existência buscando viver, o que foi possível após despertar, finalmente encontrei o equilíbrio entre o eu e o ser, encontrei a almejada paz interior e ainda assim falta algo. Vejo-me uma pessoa egoísta. Nunca fui capitalista, materialista, tão menos fútil, mas o egoísmo nesse caso é por valorizar meu ser, por conhecer meu eu e saber que sou capaz de ir muito além do que os olhos veem.
Minhas atitudes, minhas ações, não dizem exatamente quem sou, representam apenas quem a sociedade me permite ser. Posso ser melhor ou pior, ai depende do referencial, a única coisa que posso deixar clara é que meu ying yang gira de acordo com a rotação da terra, hora predominando a personalidade masculina, hora tendo voz ativa a feminina.  
Não importa o que se tem, não importa onde pretende chegar, o que realmente faz diferença é que você é hoje, aqui e agora. Passado pode ditar história, mas não escreve o presente. Aceite as mudanças que as circunstancias oferecem, aproveite a experiência para fazer acontecer hoje, viva seu ser, dê o seu melhor, tente, arrisque se, não tenha medo, não se envergonhe, faça valer, faça acontecer, viva seu melhor!


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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.

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