Tenho amigas que valorizam tanto a instituição do casamento
que fazem desse o ideal de vida. Visam entrar de branco na igreja, carregando
um lindo buquê. Todas querem uma grande festa, mas se as condições financeiras
não estiverem favoráveis um casamento simples já vale, desde que seja tudo como
sonhado. Ainda não conheci um homem que
tenha isso como um sonho, claro que é uma etapa natural do amadurecimento, mas
com festa ou não, com uma noiva de branco ou não o que importa para o sexo
masculino normalmente é a união em si.
O problema é que isso é um padrão social, mas como tudo na
vida vem mudando. Antigamente os pais casavam as filhas virgens e por isso casavam
ainda jovens e descobriam o que era o casamento realmente com a experiência do
dia a dia, assim os casamentos duravam até que a morte os separasse, ao até
além dela.
No ‘tempo moderno’ a verdade é outra, há a valorização da profissionalização,
as mulheres e os homens já ocupam os mesmos cargos, já tem a mesma importância e
isso se estende a terem o mesmo comportamento. Virgindade é coisa do passado. Cada
vez menos casamentos são concretizados e se são duram cada vez menos. O normal
hoje é dividir o mesmo teto, dividir as dividas, mas nem sempre dividem as
preocupações. O mal dessa geração que vive esse tipo de relacionamento é que o
sexo está tendo maior peso que o diálogo.
A meu ver não importa se o sim foi dito em uma igreja, em um
salão de festas ou em um jantar, o importante mesmo é resgatar os valores
ignorados.
Toda mulher quer um príncipe, mas ela não se faz princesa.
Todo homem quer uma princesa, mas não passa de um lobo mal.
Homens e mulheres estão no mesmo patamar, idealizam o que
desejam, mas não fazem por onde conquistar. Apenas vivem o que as noites
oferecem. É a tal lei da oferta e da procura, que muda caráter e molda
personalidades, mas mesmo com tudo isso ainda acredito no lado bom de cada ser.
Por muito tempo me fiz princesa, depois me permiti conhecer
a futilidade de me sentir piriguete, depois me permitir ficar reclusa com meus
conceitos, hoje apenas sou reciproca.
Cada um tem de mim o que cativa. Não por merecimento, mas
por reciprocidade. Dentre meus defeitos se destaca a sinceridade aliada a
racionalidade. Sou tão ‘de boa’, no sentido que tudo está bem, que isso assusta
as pessoas.
Pergunto-me pra quê complicar? Só pelo prazer de sentir a
adrenalina da insegurança, dos desabafos, dos devaneios? Tudo isso já vivi,
hoje priorizo a paz do equilíbrio emocional e mesmo que esse me falte, a paz
estando presente é o que importa.
Para ser quem hoje sou e estar onde estou precisei perder
muita coisa, mas não lamento, pois ganhei o que mais valorizo experiência de
vida.
Casada já fui. Filhos já tenho. Não tenho vocação para dar
satisfação nem para dependência moral, logo quero um relacionamento diferente.
A diferença entre o relacionamento ideal e a pessoa ideal.
Escuto muitas amigas falando que queria um homem bonito, alto, de olhos claros,
outras que querem um namorado que tenha dinheiro para lhes bancar, outras que
querem um homem que seja família... em fim, aparência alternando com personalidade
aliada a status.
O certo é que ninguém
quer alguém problemático, que tenha o passado oscilando com o presente, que
esteja em uma situação difícil...
Só que pessoas são humanos, não há ninguém sem problemas, não
há ninguém sem defeitos, não há ninguém em passado.
Por pior que seja essa é a verdade. Ou você se relaciona com
uma pessoa que ainda viu pouco da vida e suporta a imaturidade dela ou se
relaciona com uma pessoa mais velha que já é experiente, mas que vem cheia de
manias, cheia de conceitos e com todo um passado.
O que são as pessoas entenderem que relacionamento não está
sempre aliado a possibilidade de casamento ou que casamento não carrega em si
esse peso que as pessoas colocam.
A palavra casamento em si é pesada, é sinônimo de perca de
liberdade, como se tudo fosse se acabar. O ser humano normalmente, nasce,
cresce, tem filhos e morre. Esse é o novo ciclo, e casamento nem sempre está
aliado a ele, mas ainda assim as pessoas tem mais medo de se casaram que de ter
filhos.
Ter filhos sim deveria ser temeroso, e isso sim deveria ser
indicador para que um casal fosse morar junto e dividir um mesmo guarda roupa, não
pela divisão das despesas, mas pela divisão das responsabilidades, como a
formação do caráter do individuo que está em formação por exemplo.
Já vi no casamento um apoio moral emocional, hoje vejo que
só preciso me conhecer para estar bem emocionalmente, logo casar pra quê?
O problema com tudo isso é que acabo me vendo como uma
pessoa fria. Tento me envolver, permito me relacionar, mas o amor não acontece.
Aquela paixão que causa devaneio, que me faz suspirar ao
lembrar, que faz o coração vibrar a cada olhar, que causa cala frios no
toque...tudo isso é momentâneo. Está mais ligado ao desejo pela admiração
visual que pelo sentimento liberado e/ou correspondido.
Disso sim sinto falta. De sentir ciúmes. De ficar preocupada
com onde a outra pessoa estará. Com quem estará. Fazendo o quê. Sinto falta de
sentir aquela vontade de ligar a qualquer hora e com voz de criança dizer que
sinto saudades. De toda parte ridícula que torna uma relação inesquecível como
assistir a um filme infantil e conseguir dar risadas, como praticar algum
esporte desconhecido de ambos e tirarem onda um com o outro, como dançar
cantando musicas bregas, beber sozinhos e falar bobeira a madrugada toda...
É talvez eu tenha amado, talvez eu tenha vivido a relação
que hoje julgo ideal, mas abri mão porque precisei perder para aprender a dar
valor. Claro que em muitos pontos faria diferente, mas tudo que vai abre uma
porta para que novas coisas surjam.
Hoje o homem ideal a meu ver não precisa ser o mais bonito
da turma, não precisa ser o mais rico e bem sucedido, não precisa ter um carrão
e/ou uma mansão. Fenótipos, bens, nada disso dita valores, o homem só precisa
ser de fato homem e entender a importância de um relacionamento.
Eu ainda acredito em fidelidade quando há cumplicidade.
Acredito em sinceridade quando há amizade. Acredito em amor quando há respeito.
Não quero compromisso, não quero responsabilidade, não quero
reconhecimento, quero apenas um homem que esteja disposto. Que goste das mesmas
coisas que eu, que seja educado com as pessoas, que seja sociável, que saiba
que entre um extremo e outro há sempre outras alternativas, que seja flexível,
companheiro, que goste de sorrir e de se sentir feliz. Que cante, que grite,
que chore se preciso for. Que corra, que pare, que me olhe nos olhos, que me
responda no silencio, que me veja no escuro, que me sinta presente mesmo que eu
não esteja junto. Um homem que seja seguro de si o suficiente para não me
sufocar com ciúmes, mas que demonstre medo de me perder em atitudes, não em
palavras. Que consiga admirar com sorrisos minhas qualidades e suportar
abertamente meus defeitos. Que não tenha vergonha de andar de mãos dadas no
parque, na praça nem na balada. Que me beije sem medo. Que quando longe deixe
saudades e que perto arranque suspiros. Quero alguém que conquiste minha
admiração pelas ações. Quero alguém que seja autossuficiente, que não dependa
de minhas declarações para discernir o sentimento. Quero alguém como eu
completo, para transbordar.
Tenho personalidade, mas sou eclética. Hoje posso precisar
de um bom rock in roll para animar a alma, amanhã posso preferir um MPB para
acalmar o coração. Escuto um psy para aquecer a mente, mas gosto de um reggae
para desacelerar. Escuto funk para criticar o comportamento humano, mas também sambo
quando o pagode toca. Não deixo de pular carnaval nem tão menos de dançar
quadrilha. Pinto-me de palhaça se preciso for. Visto-me de E.T. Me faço
irracional. Porque ter identidade não é ser inflexível, presa em dogmas e padrões
e sim viver uma infinidade de possibilidades sem se perder nelas.
Dentre as pessoas que cruzaram meu caminho em fases
distintas tenho certeza que jamais ouvirei as mesmas criticas, porque cada um
tem de mim o que merece. Costumo dizer que quando sou boa sou boa, mas quando
sou ruim sou ótima.
Contudo isso, acabei de perceber, que após a fase
intolerante de ser entrei na fase da reciprocidade.
Sempre tentei tratar os outros como eu gostaria de ser
tratada, mas muitas pessoas confundem isso com simplicidade, humildade e acabam
agindo com ignorância, assim despertei para a fase da reciprocidade. É legal
comigo? Serei com você! Não é legal comigo? Não fique perto, pois se ficar a coisa
irá pegar.
Já percebi que quando personalidades são semelhantes normalmente
há conflitos, por isso procuro aprender com cada pessoa que cruza meu caminho,
seja por 1 dia ou 1 minuto.
Meus pensamentos são meus únicos bens, é tudo que tenho, é
meu universo paralelo, é o mundo que reino e que não há guerra que o tome.
Em meus pensamentos posso ser quem quiser ser, viver o que
sonhar viver e chegar onde ansiar estar.
Sou reciproca com meu ser ao dizer que nessa fase eu me
basto para ser feliz.
O relacionamento ideal é aquele que mesmo conhecendo a
verdade permanece junto, sem receio, sem vergonha, sem medo.
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