segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fatos e/ou Boatos : Traumas da primeira vez


Minha vida sentimental desde sempre foi uma bagunça. Sempre fui muleka e enquanto minhas amigas já namoravam eu pensava em brincar de bonecas, até que um dia ou melhor em uma noite surge uma grande nuvem branca e dela sai um rapaz, um rapaz não ô rapaz mais lindo que meus olhos já haviam contemplado. Alto, robusto, cabelos alinhados embebidos em gel, olhos puxados, pele clara, lábios rosados e um sorriso lindo revelando a bela dentição. Ah, que visão, me vi na eternidade ao lado do anjo escolhido para mim! De repente o lapso de devaneio me trouxe pra realidade e ao ver a namorada do cidadão toda nuvem se retirou sem deixar vestígios. A meu ver aconteceu assim, mas na verdade foi à eternidade mais curta da história, pois na verdade foram segundos entre ele descer do carro e esperar ela dar a volta, para que entrassem para a festa. O bom é que nenhum dos dois me notou.
A festa correu como planejada, era um jantar na igreja, o qual eu estava ajudando na organização. Fazia questão de me colocar à disposição para o que fosse.
A nuvem branca retornou e fiquei sem visão, foi quando aquela voz forte, marcando presença, abriu espaço, era ele ali, a minha frente. Parecia um sonho, não tive reação, quando ele perguntou: - está me ouvindo? A nuvem se retirou novamente e voltei a mim. Ele precisava de uma cadeira para a amiga. Amiga?! E eu pensei que era namorada... algo estava diferente dentro de mim. Meu coração vibrava em uma frequência desconhecida. Surgiram borboletas, formigas, cigarras, tudo ao mesmo tempo no estomago. A timidez tão ignorada queimava-me a face. A preocupação com a aparência que nunca havia se manifestado de repente teve voz ativa.
Entre sorrisos e olhares muita conversa surgiu até que na despedida da noite um beijo aconteceu. Me senti como a Cinderela ao receber o sapatinho de cristal, ou a Branca de neve ao receber o beijo do príncipe que a desperta, ou a Rapunzel ao ser resgatada da torre, na verdade era muito melhor que qualquer conto, pois nesse eu era a princesa que estava sendo beijada pela primeira vez pelo príncipe como sempre sonhou. Ele não estava em um cavalo branco, mas voava como anjo em uma nuvem que só eu podia ver.
Foi nessa noite que meus conceitos mudaram. Meus dias nunca mais foram os mesmos. Continuei a brincar de boneca, mas já não era como antes. Já estava com 13 anos e ainda não tinha descido minhas ‘regras’, mas eu já havia beijado na boca e isso foi à experiência mais louca que havia vivido até ali.
A comida não tinha sabor, na escola me via perdida em meus pensamentos. Reservei um caderno só para minhas declarações, minhas ilusões. Recriava aquela noite dentro de mim mesma diversas vezes e de diversas maneiras diferentes.
A vibração da adrenalina do momento, aliada às lembranças, alimentadas pelos pensamentos, despertaram em mim um amor platônico. E o impossível aconteceu, em 1 mês perdi 12 kg, pois não queria me alimentar, a ilusão bastava.
Bem mais magra e mais confiante passei a me preocupar com o que antes não me preocupava, minha aparência.
Foram anos e anos de ilusão e esperança, os quais convivi com o dito príncipe e suas candidatas a princesas. Sempre nos bastidores, as vezes protagonizando o papel principal sonhando em receber de fato o posto, mas era só mais uma utopia. Até que após muita conversa, resolvi deixar de fato a infância de lado e entrar de fato na adolescência, e quem melhor para me ajudar nisso que o príncipe?
Foi a decisão mais difícil de tomar naquele momento, mas minhas amigas já não eram moças a tempos e só eu restava sem ter o que falar sobre assuntos que ainda não conhecia, então precisava conhecer.
Foi a pior experiência da minha vida.
Ali estávamos nós, sozinhos em uma casa enorme, depois de sair de uma festa agitadíssima. Fomos para o quarto e começamos a nos beijar. Ele sempre envolto na nuvem branca me tocava ardentemente e um misto de frio e calor percorria meu corpo. Não consigo descrever a sensação da paixão, mas a sentia arder dentro de mim. Ele retirou minha roupa, se despiu, e por fim tirou minhas peças intimas e a dele, e em movimentos de vai e vem tentava penetrar meu corpo.
Meus pensamentos estavam focados apenas em sentir o que todos diziam, algo que eu não conseguisse descrever, uma sensação que me fizesse ver estrelas, uma descarga elétrica que me deixasse sem sentido, no entanto o que eu senti foi muita dor, muito desconforto, muito medo e por fim muita vergonha. Além de desconfortável foi traumatizante, pois além de dolorido me fez sangrar, o que pedia um banho. Estava sob o chuveiro quando ele entrou no banheiro e não se fez de rogado entrando também. Começou a me beijar e iniciar todo um novo processo, senti um toque diferente descendo da minha barriga, meu quadril e quando estava na coxa olhei para saber exatamente o que era, pois a sensação era de cócegas, quando vi uma enorme barata caminhando em meu corpo.
Sapatiei e gritei como uma louca, devo ter acordado toda vizinhança, nem continuei o banho, nem quis lavar o caminho que a detestável praga havia percorrido. Só queria sair correndo daquele lugar horrível.

E assim foi minha primeira vez, em dose dupla, primeira noite 'de amor' e primeiro contato direto com uma barata do qual me lembro. Detalhe: Pessoas da família dizem que quando era criança costumava pegar a barata e colocar na boca, ficava só as patinhas balançando de fora.

Chegando em casa fui analisar o todo e ponderar os detalhes, sobre o sexo tinha apenas a certeza de que não queria repetir tão cedo, afinal isso era clara demonstração de sadomasoquismo, porque só mesmo gostando de sentir dor para praticar tal ato. Tanto que levei quase 3 anos para repetir a experiência. No geral apenas a barata me vinha a mente. Sempre tiver pavor a tal, mas depois daquela noite isso se multiplicou imensuravelmente e acredito que todas as baratas do mundo conversem por telepatia, pois não tenho duvidas que todas saibam disso. Muitas historias com as pequenas no tamanho mas gigantes maquiavélicas surgiram, não tenho dúvidas que uma das principais funções da vida de uma barata é provocar o pânico de pessoas especificas como eu, e assim elas marcam o território, pode ser na multidão que elas sempre me acham.



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