Na rotina da semana tudo correu bem.
Pela manhã trabalho, almoço com os colegas no restaurante
perto da empresa, no fim do dia faculdade.
Os finais de semana eram sempre iguais, sábado cuidava do
meu quarto e organizava o que estivesse pendente da faculdade e do trabalho,
cuidava de minha aparência, à noite me encontrava com as amigas e nos
divertíamos onde quer que fosse.
Em casa, na balada, no shopping, em um parque qualquer, todo
lugar era lugar desde que estivéssemos reunidas.
No domingo dormia até mais tarde, levantava com o cheiro da
comida quentinha, almoçava, assistia a um bom filme, logo era hora de me
arrumar para ir à igreja e assim findava o final de semana.
Durante muito tempo vivi essa rotina como sendo ideal, mas
de repente percebi que o grupo de amigas estava ficando cada vez menor. Uma a
uma elas começaram a namorar e nossas reuniões não eram mais como antes.
O pouco tempo que compartilhávamos estava agora ainda mais
escasso. No começo achávamos o máximo compartilhar sobre os relacionamentos,
mas dia após dia ficava mais difícil conseguir tempo para o ‘clube das
luluzinhas’, pois sempre tinha um namorado que implicava e alguma das meninas
acabava faltando.
Minha rotina foi se transformando, durante a semana tudo
parecia comum, mas os finais de semana não seguiam mais um padrão.
A situação foi me incomodando de tal maneira que resolvi
namorar também, ter alguém com quem dividir momentos especiais, ter historias
para contar, ter almoços em família para ir, etc.
Resolvi que assim seria, começaria a namorar e tudo se
tornaria rotina novamente. Acredito que todas decidiram ao mesmo tempo, pois
poucos meses depois de tomar essa decisão todas estavam namorando, com exceção
de mim.
Nessa fase o ‘clube da luluzinha’ já havia se tornado um
misto com o ‘clube dos bolinhas’, pois todas iam acompanhadas dos namorados que
acabaram por ficar amigos também.
Essa foi à fase mais cruel! Em cada encontro todas estavam
acompanhadas e apenas eu ficava sozinha e logico que todos faziam questão de
exaltar minha condição. Algumas vezes levavam amigos para me apresentar,
rapazes interessantes, bonitos, mas com personalidade muito distinta da minha.
Sempre fui a ‘careta’ da turma, nunca fui de namorar para
passar tempo ou ver no que daria, sempre que pensei em me envolver era pra
valer e os amigos dos namorados das amigas, que conhecia não se enquadravam no
padrão que eu levaria a serio, por isso preferia dar passagem.
As meninas preferiam olhar aparência, a beleza falava mais
alto que qualquer outro fator, a mim importava mais a inteligência, o que era
difícil, quase impossível, na turma deles. Por isso sempre era gentil, cordial,
suportava educadamente as investidas e dispensava com elegância um a um deles.
A essa altura já estavam colocando em duvida minha sexualidade.
Essa foi uma longa fase, por fim não tinha mais gosto em
sair, preferia ficar em casa com um bom filme, um bom livro, boa musica,
qualquer coisa era melhor companhia que aguentar os comentários infelizes de
todos.
Trabalhar, estudar, levantar no sábado e organizar as
pendencias, cuidar de minha aparência, a noite assistir a um filme, ouvir
musica, ler, aos domingos almoçar e me jogar no sofá, pela noite ir à igreja e
depois dormir havia se tornado a minha rotina.
Seguiu assim por algumas semanas até que em um momento a
magica aconteceu:
“Era um domingo como outro qualquer. Como todos os domingos
havia chegado cedo à igreja e feito uma prece. Sentei-me no mesmo lugar de
costume e pouco depois o louvor começou. O som entoava adoração, meu coração
louvava ardentemente, estava flutuando em graça, quando percebi vindo em minha
direção um rapaz. Andava com passos firmes, devia ter na casa dos seus 25 anos,
1.90 de altura, expressão máscula, barba escura cerrada e bem feita, olhar
profundo de olhos azul piscina, bocas contornadas de lábios grossos e
vermelhos. A pele era clara, cabelos cortados baixo, negros e lisos ensaiavam o
ritmo dos passos. Na medida em que eu o observava ele se aproximava e cada vez
estava mais perto e perto... Já não estava mais adorando, cantando ou o que
quer que fosse, estava apenas admirando a beleza daquele jovem. Ele parou ao
meu lado e se pôs a louvar, no ritmo o acompanhei. A musica parou e a pregação começou.
Com uma voz confiante ele pediu licença e se sentou ao meu lado. Ficamos ali,
lado a lado, compartilhando o momento. Ele sorrio e se apresentou, retribui o
sorriso e conversamos por muito tempo. Parecia que Deus havia nos colocado ali,
um ao lado do outro. Na verdade era como se tivéssemos sido feitos um para o
outro. Almas gêmeas. Duas metades se completando. Ele era muito mais que um dia
eu havia imaginado. Conversamos durante todo culto, ao sair de lá ele se
ofereceu para me levar em casa e claro aceitei. Esse foi o começo de tudo. Nos
falávamos diariamente por telefone e nos encontrávamos aos finais de semana.
Apresentei ele para minhas amigas que morreram de inveja, pois ele era mais
lindo que qualquer outro, era gentil, educado, sociável, cavalheiro, ao mesmo
tempo que brincalhão era culto, ao mesmo tempo que serio era descontraído.
Tinha um bom emprego, era independente, gostava de reunir meus amigos e os
dele. Era compreensivo, carinhoso, cordial. Nossas famílias em pouco tempo se
tornaram amigas e quando percebi lá estava eu, no altar com um lindo vestido
branco e minhas amigas como madrinhas. A cerimonia foi linda e a comemoração
uma festa de arromba. Após o evento fomos para um lindo hotel onde esperaríamos
para ir para lua de mel na tarde seguinte. Tudo estava perfeito, até que ouvi
uma voz dizendo:
- Desculpe senhorita, mas o culto acabou e precisamos fechar
à igreja.
Olhei em volta e mal podia acreditar tudo havia sido apenas
um sonho.”
Moral da historia: Não existe nada perfeito, se está bom de
mais cedo ou tarde você irá acordar e perceber que tudo foi apenas um sonho,
seja gerado pela ilusão ou não.
Não existe pessoa que una tudo que você considera ideal,
todo bem tem um pouco de mal e vice versa. Ninguém é imediatamente perfeito
unindo beleza, elegância e caráter, algo sempre irá prevalecer e defeitos
sempre irão aparecer, o que faz diferença é ponderar os defeitos e exaltar as
qualidades.
Seja você, independente da situação, e os fatores externos
colaborarão.
Não se sinta inferior
pela situação, o importante é o que se é e não o que se tem.
Relacionamentos vêm e vão, as amizades ficam, mesmo que
guardadas no fundo, mesmo que não se encontrem mais com frequência, mesmo que
não compartilhem momentos, mesmo que não dividam historias.
Querer viver algo por modismo é procurar frustação.
Nem sempre as pessoas se encontram por acaso, muitas vezes o
acaso que as encontram.
Pessoas são ideais quando estão dispostas a se doarem.
Sabe aquele príncipe que você está esperando no cavalo
branco? Ele existe e pode também estar a sua procura, mas preciso te dizer ele
não é nada que você imagina. Se vier com toda beleza que deseja certamente
faltará na educação e cordialidade. Se for educado e cortes sem duvida não será
belo. E se for belo e cortes sem duvida não será homem.
Infelizmente essa é a realidade, por isso a cada dia está
mais difícil ver relacionamentos duradouros. Os príncipes se revelam sapos, os
sapos são verdadeiros ogros que se acham príncipes, os que não são sapos ogros
também estão procurando um príncipe.
Mais vale a solidão culta na companhia dos livros e as
refeições silenciosas na companhia dela que momentos de falsa entrega forjando
uma alegria eterna que não passa de mero momento.
Se conhecer, se fazer princesa, viver na contramão, fazer
com que um sapo ogro se sinta um príncipe, personalizado o a seu favor.
Só sentimentos verdadeiros são capazes de revelar milagres.
Com amor o imperdoável é aceitável. O insuportável é sutil.
O ridículo é cômico. O irônico é detalhe. O querer é poder. O se dispor é fazer
acontecer.
Não perca tempo. Não durma no banco. Levante e participe,
escreva sua historia, não viva apenas a ilusão de um sonho bom. Faça seu dia a
dia ser a realização do que deseja viver.
Faça valer hoje, agora, já.
Seja como for, seja!
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.