segunda-feira, 25 de março de 2013

Príncipe está a procura do príncipe


Na rotina da semana tudo correu bem.
Pela manhã trabalho, almoço com os colegas no restaurante perto da empresa, no fim do dia faculdade.
Os finais de semana eram sempre iguais, sábado cuidava do meu quarto e organizava o que estivesse pendente da faculdade e do trabalho, cuidava de minha aparência, à noite me encontrava com as amigas e nos divertíamos onde quer que fosse.
Em casa, na balada, no shopping, em um parque qualquer, todo lugar era lugar desde que estivéssemos reunidas.
No domingo dormia até mais tarde, levantava com o cheiro da comida quentinha, almoçava, assistia a um bom filme, logo era hora de me arrumar para ir à igreja e assim findava o final de semana.
Durante muito tempo vivi essa rotina como sendo ideal, mas de repente percebi que o grupo de amigas estava ficando cada vez menor. Uma a uma elas começaram a namorar e nossas reuniões não eram mais como antes.
O pouco tempo que compartilhávamos estava agora ainda mais escasso. No começo achávamos o máximo compartilhar sobre os relacionamentos, mas dia após dia ficava mais difícil conseguir tempo para o ‘clube das luluzinhas’, pois sempre tinha um namorado que implicava e alguma das meninas acabava faltando.
Minha rotina foi se transformando, durante a semana tudo parecia comum, mas os finais de semana não seguiam mais um padrão.
A situação foi me incomodando de tal maneira que resolvi namorar também, ter alguém com quem dividir momentos especiais, ter historias para contar, ter almoços em família para ir, etc.
Resolvi que assim seria, começaria a namorar e tudo se tornaria rotina novamente. Acredito que todas decidiram ao mesmo tempo, pois poucos meses depois de tomar essa decisão todas estavam namorando, com exceção de mim.
Nessa fase o ‘clube da luluzinha’ já havia se tornado um misto com o ‘clube dos bolinhas’, pois todas iam acompanhadas dos namorados que acabaram por ficar amigos também.
Essa foi à fase mais cruel! Em cada encontro todas estavam acompanhadas e apenas eu ficava sozinha e logico que todos faziam questão de exaltar minha condição. Algumas vezes levavam amigos para me apresentar, rapazes interessantes, bonitos, mas com personalidade muito distinta da minha.
Sempre fui a ‘careta’ da turma, nunca fui de namorar para passar tempo ou ver no que daria, sempre que pensei em me envolver era pra valer e os amigos dos namorados das amigas, que conhecia não se enquadravam no padrão que eu levaria a serio, por isso preferia dar passagem.
As meninas preferiam olhar aparência, a beleza falava mais alto que qualquer outro fator, a mim importava mais a inteligência, o que era difícil, quase impossível, na turma deles. Por isso sempre era gentil, cordial, suportava educadamente as investidas e dispensava com elegância um a um deles. A essa altura já estavam colocando em duvida minha sexualidade. 
Essa foi uma longa fase, por fim não tinha mais gosto em sair, preferia ficar em casa com um bom filme, um bom livro, boa musica, qualquer coisa era melhor companhia que aguentar os comentários infelizes de todos.
Trabalhar, estudar, levantar no sábado e organizar as pendencias, cuidar de minha aparência, a noite assistir a um filme, ouvir musica, ler, aos domingos almoçar e me jogar no sofá, pela noite ir à igreja e depois dormir havia se tornado a minha rotina.
Seguiu assim por algumas semanas até que em um momento a magica aconteceu:
“Era um domingo como outro qualquer. Como todos os domingos havia chegado cedo à igreja e feito uma prece. Sentei-me no mesmo lugar de costume e pouco depois o louvor começou. O som entoava adoração, meu coração louvava ardentemente, estava flutuando em graça, quando percebi vindo em minha direção um rapaz. Andava com passos firmes, devia ter na casa dos seus 25 anos, 1.90 de altura, expressão máscula, barba escura cerrada e bem feita, olhar profundo de olhos azul piscina, bocas contornadas de lábios grossos e vermelhos. A pele era clara, cabelos cortados baixo, negros e lisos ensaiavam o ritmo dos passos. Na medida em que eu o observava ele se aproximava e cada vez estava mais perto e perto... Já não estava mais adorando, cantando ou o que quer que fosse, estava apenas admirando a beleza daquele jovem. Ele parou ao meu lado e se pôs a louvar, no ritmo o acompanhei. A musica parou e a pregação começou. Com uma voz confiante ele pediu licença e se sentou ao meu lado. Ficamos ali, lado a lado, compartilhando o momento. Ele sorrio e se apresentou, retribui o sorriso e conversamos por muito tempo. Parecia que Deus havia nos colocado ali, um ao lado do outro. Na verdade era como se tivéssemos sido feitos um para o outro. Almas gêmeas. Duas metades se completando. Ele era muito mais que um dia eu havia imaginado. Conversamos durante todo culto, ao sair de lá ele se ofereceu para me levar em casa e claro aceitei. Esse foi o começo de tudo. Nos falávamos diariamente por telefone e nos encontrávamos aos finais de semana. Apresentei ele para minhas amigas que morreram de inveja, pois ele era mais lindo que qualquer outro, era gentil, educado, sociável, cavalheiro, ao mesmo tempo que brincalhão era culto, ao mesmo tempo que serio era descontraído. Tinha um bom emprego, era independente, gostava de reunir meus amigos e os dele. Era compreensivo, carinhoso, cordial. Nossas famílias em pouco tempo se tornaram amigas e quando percebi lá estava eu, no altar com um lindo vestido branco e minhas amigas como madrinhas. A cerimonia foi linda e a comemoração uma festa de arromba. Após o evento fomos para um lindo hotel onde esperaríamos para ir para lua de mel na tarde seguinte. Tudo estava perfeito, até que ouvi uma voz dizendo:
- Desculpe senhorita, mas o culto acabou e precisamos fechar à igreja.
Olhei em volta e mal podia acreditar tudo havia sido apenas um sonho.”
Moral da historia: Não existe nada perfeito, se está bom de mais cedo ou tarde você irá acordar e perceber que tudo foi apenas um sonho, seja gerado pela ilusão ou não.
Não existe pessoa que una tudo que você considera ideal, todo bem tem um pouco de mal e vice versa. Ninguém é imediatamente perfeito unindo beleza, elegância e caráter, algo sempre irá prevalecer e defeitos sempre irão aparecer, o que faz diferença é ponderar os defeitos e exaltar as qualidades.
Seja você, independente da situação, e os fatores externos colaborarão.
 Não se sinta inferior pela situação, o importante é o que se é e não o que se tem.
Relacionamentos vêm e vão, as amizades ficam, mesmo que guardadas no fundo, mesmo que não se encontrem mais com frequência, mesmo que não compartilhem momentos, mesmo que não dividam historias.
Querer viver algo por modismo é procurar frustação.
Nem sempre as pessoas se encontram por acaso, muitas vezes o acaso que as encontram.
Pessoas são ideais quando estão dispostas a se doarem.
Sabe aquele príncipe que você está esperando no cavalo branco? Ele existe e pode também estar a sua procura, mas preciso te dizer ele não é nada que você imagina. Se vier com toda beleza que deseja certamente faltará na educação e cordialidade. Se for educado e cortes sem duvida não será belo. E se for belo e cortes sem duvida não será homem.
Infelizmente essa é a realidade, por isso a cada dia está mais difícil ver relacionamentos duradouros. Os príncipes se revelam sapos, os sapos são verdadeiros ogros que se acham príncipes, os que não são sapos ogros também estão procurando um príncipe.
Mais vale a solidão culta na companhia dos livros e as refeições silenciosas na companhia dela que momentos de falsa entrega forjando uma alegria eterna que não passa de mero momento.
Se conhecer, se fazer princesa, viver na contramão, fazer com que um sapo ogro se sinta um príncipe, personalizado o a seu favor.
Só sentimentos verdadeiros são capazes de revelar milagres.
Com amor o imperdoável é aceitável. O insuportável é sutil. O ridículo é cômico. O irônico é detalhe. O querer é poder. O se dispor é fazer acontecer.
Não perca tempo. Não durma no banco. Levante e participe, escreva sua historia, não viva apenas a ilusão de um sonho bom. Faça seu dia a dia ser a realização do que deseja viver.
Faça valer hoje, agora, já.
Seja como for, seja!

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