segunda-feira, 18 de março de 2013

Escutar não é ouvir


Ainda me surpreende como as pessoas se fecham em suas certezas e se blindam sobre um novo ângulo de visão. É a velha “Verdade de cada Um”.
Há momentos em minha vida que parecem dejavú, cada detalhe me permite uma ação certeira, o que me causa satisfação, mas há outros momentos que por mais que sejam familiares me deixam sem reação, isso porque em outrora eu reagi de maneira que não considerei produtiva e não desejo repeti La e assim me resta entender a situação como possibilidade de evolução.
Tenho percebido que não é fácil moldar a personalidade, não que seja impossível, mas cedo ou tarde ela acaba se revelando, sendo assim tenho tentado separar o que de fato é da personalidade e o que é comportamento. Personalidade é difícil trabalhar, já o comportamento há facilidade.
No meu caso, por exemplo, não consigo deixar de ser nervosa, me cobro a cada segundo, meus pensamentos vão alem de meus anseios e de minha consciência e me acusam 24 horas do dia, nem mesmo dormindo tenho paz, mas já consigo manter o equilíbrio em diversos momentos, isso porque não quero mais o rotulo de estressada.
Stress é manter a mente pressa e ativa no racional todo tempo enquanto ela quer mesmo é voar dando asas à imaginação.
Aprendi que canalizar as energias não se trata apenas de receber as informações e filtra las, muitas vezes é preciso não permiti las entrar.
Mais do que nunca tenho aprendido a importância de ser ouvinte. Nunca gostei de falar, talvez me falhe a comunicação proferida, opto sempre pela escrita, mas admiro as pessoas que se expressam em dizeres. São tão vorazes, tão determinadas, tão diretas.
Sempre valorizei o ouvir, veja bem estou falando sobre ouvir. Alguns pessoas não conseguem ouvir, pode ser que essas sejam as pessoas mais empreendedoras e criativas, pode ser que suas mentes sejam tão ativas que elas não perdem tempo recebendo as informações, essas pessoas apenas escutam o que foi dito.
Escutar é receber a informação sem assimila La, é não deixar nem mesmo que ela chegue as peneiras para ser filtradas, é apenas colocar um bloqueio quando elas são ditas. Na maioria dos casos quem escuta tem o habito de interromper quem está falando, não permitindo que o raciocínio seja concluído ou mudando completamente o foco de atenção dos dizeres.
Escutar é um dos sentidos do ser humano, perfeito aos olhos do homem, ou seja, que não sofre de deficiência auditiva. 
O fato de escutar não significa que a pessoa está ouvindo. Quando alguém escuta o conteúdo não gera impacto algum, não causa questionamentos nem propõe mudanças. É como saber que em um país muito distante está tendo um festival que quem escuta nem mesmo se interessa. Ele está escutando, mas aquilo ali é perca de tempo, pois não causará nenhuma mudança de ser ou agir ou pensar para o receptor.
Ouvir é a habilidade do ser humano de aperfeiçoar um dos sentidos vitais.
O ouvinte normalmente é capaz de receber a informação e se colocar na situação. Ele sempre tem mais de um ângulo de visão e não faz questão de estar certo ou errado, apenas observa os pontos de vista diferente a fim de aprender e evoluir no que quer que seja.  O ouvinte é capaz de acompanhar um raciocínio até o fim e formular questionamentos pertinentes ao assunto. Ele nunca tenta fugir ou desviar o foco, nem mesmo ganhar no grito e agressividade uma discussão.
Os ouvintes são pessoas que já foram ignorantes, mas que tiveram o bom senso de se autoanalisar e escolheu a evolução a estagnação do egocentrismo.
A diferença básica entre escutar e ouvir está em sair do papel de vitima e se colocar no papel de critico, estando sempre ciente que não existe certo e errado e sim um ângulo de visão, assim os prós e os contras acabam sendo citados e o peso é ponderado, permitindo a oportunidade de melhoria.
Por um tempo tentei ser ouvida, mas diante a ignorância mascarada em agressividade percebi que é em vão continuar tentando. Algumas pessoas simplesmente não estão prontas, elas podem estar com a situação no colo que são incapazes de perceber o peso que tem. Ainda me resta o desabafo, mas saber que irão me escutar e na parte principal podem me interromper ou desviar o foco me fez optar por silenciar. Talvez o processo da evolução seja aprender a guardar os fatos para mim e fazer uso do silencio propício, falando apenas quando questionada.


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