sábado, 30 de março de 2013

Viver meu melhor assusta as pessoas.



Saber quem sou me permite estar em qualquer lugar e me sentir bem. Ter convicção de meus ideais, conhecer meus limites, ter certeza do que espero me faz ser leve e sincera. Não que eu seja fria e calculista, mas estou vacinada e preparada. Pondero cada ação bem como cada palavra.
Não importa onde eu esteja, se tenho a chance de viver meu ser revelo quem realmente sou. Sorrisos sinceros, abraços verdadeiros, mente sem devaneio.
Meu eu tenta me dominar, tenta uma oportunidade de se encontrar, até permito que ele se sinta, mas meu ser grita vida.
Posso não ser perfeita, nem tão pouco ideal, mas sou quem desejo ser, depende de quem vai receber.
Sou tudo. Sou nada.
Sou várias. Sou uma.
Simples, complicada.
Exata? Depende de quem irá olhar.
De todas que fui pouco restou, a experiência dita quem sou.
Amante da vida, coautora de minha existência, escritora nata de vitórias e tormentas.
Estórias baseadas no real, histórias vividas de forma sobrenatural.
Ser acima de ter.
Viver além de existir.
Valorizar o sorrir.
Priorizar o agir.
Contagiar com alegria.
Aqui, ali, lá.
Amanhã, hoje, já.
Saber aproveitar a felicidade do momento espetacular.
Segredos revelados na pele.
Tatuagens traçadas na retina.
Experiência, sina da evolução.
Contexto completo ou não.
Subjetivo singular.
Sujeito oculto a se revelar.
Fascínio, tesão, incógnita sem razão.
Simples sim, resumida jamais.
Analista das probabilidades.
Observadora dos detalhes.
Confirmo que entre tudo e nada me perco na imensidão, pois cada ponto de vista me coloca em uma situação.
Personalidade é única e também ‘multipolar’, pois depende de quem irá analisar. Descobri que não sou eu quem assusta as pessoas e sim meu jeito de ser. A primeira impressão sou uma, minutos depois já mudo, na sequencia estou totalmente diferente, no convívio a transformação, chegando a agradar ou não.
Poucos entendem meu despertar, a maioria prefere a vida negar. Existir é mais fácil e não é preciso raciocinar.
Ser vivente, errante eloquente.
 Sorridente.
Essa é quem sou, essa é quem sei ser, essa é quem escolho viver. Bom ou não, não depende da razão, é questão de opinião.









Educação é questão de bom senso.



Não importa o quanto uma pessoa seja culta, popular e interessante se não tem educação.
Ser educada é sorrir quando convém, bem como calar quando necessário. Educação aqui não se trata de dizer palavrinhas mágicas, que fazem parte das normas de boa conduta, mas sim ter o bom senso de analisar o contexto.
Um dos primeiros passos do despertar é aprender que não existe certo e errado, tudo dependo do referencial, logo do ponto de vista.
Respeitar a opinião dos outros é essencial e saber discordar é primordial.
 O que torna cada um único é a identidade gerada por quem se é. Por preferencias e opiniões.
Se todos tivessem a mesma opinião formada sobre tudo ao invés de sermos fantoches na mão do sobrenatural seriamos zumbis na mão da existência.
Há uma variedade de cores, uma infinidade de possibilidades, distintas personalidades, justamente porque cada ser é único e pessoal. Até mesmo gêmeos idênticos tem sua individualidade.
Reconhecer que não sou perfeito, que não estou sempre certo, que também erro, que sou falha, faz parte do despertar e esse estagio já vivi há muito tempo, mas estou cercada de pessoas que precisam passar por isso e não se dão conta.
Bom seria poder lhes abrir a mente e fazer raciocinar, mas nem sempre a Verdade está pronta para se revelar.
Muitos ouvem, mas não escutam. Veem, mas não enxergam. Andam, mas não caminham.
Todo o projeto é feito por etapas e evolui de acordo com o material e a força da carga.
Se todos estivessem prontos para despertar sem duvida o mundo seria mais simples, as pessoas se respeitariam, e finalmente tudo seria como acredito que deveria ser. Gentileza gerando gentileza. Sorrisos conquistando sorrisos. Abraços conquistando amizades. Carinho confirmando lealdade.
Um dia uma pessoa muito especial me disse:
“Você vive seu universo paralelo, o fantástico mundo da Panmella. Se todos fossem como você, se o mundo fosse como você gostaria tudo seria cor de rosa. Não existiria discussão, nem brigas. Todos se amariam e sorririam o tempo todo. Tudo daria certo e seguiria um padrão de organização funcional. Só haveria felicidade e alegria. Que graça teria? Tudo seria sempre igual.”

De fato esse é o mundo em que vivo. Dentro de mim há uma luta constante. O bem e o mal emplacam uma batalha invisível, que hora se faz silenciosa e fria, hora se faz sangrenta e sagaz, mas isso que dá tom as cores.

Despertar não é abandonar o eu para que apenas o ser permaneça, é saber diferenciar um do outro, para que cada qual se sobressaia no momento propicio.

Educação é curativo para quem recebe e vitamina para quem oferece.









Tanto já ouvi: “Se o mundo fosse como você gostaria tudo seria cor de rosa, só haveria paz, todos se amariam, e só os sorrisos predominariam.” “Que chatice seria o mundo como você o vê.” “Como você consegue ser feliz o tempo todo?” “Pensei que você fosse uma daquelas menininhas mimadas que só querem saber de balada, mas após conversar com você vejo que você é muito mais.” “Você é muito diferente de todo mundo”. “Seu comportamento é bom”. “Você é muito doida”. “Você está sempre sorrindo’.


Sei o que quero e do que gosto. Não sei dançar, mas o que tocar eu desenrolo. Seja funk, pagode e até axé. Tudo eu pulo como quem sabe como é. Do forró ao ‘cú duro’, sertanejo, romântico ou não, samba também pode, trance me sacode, tudo me envolve, mas o que me move é o bom rock. Mpb me encanta, mas não adianta, estilos, melodias, letras e rimas vazias. O sonar do instrumento inspira movimento. Seja como for admiro o som, entro no clima e me entrego ao sabor.



Homens valorizam títulos.


Falei tanto sobre a geração que se vê, mas me enganei quanto a idade do saber. Não se trata dessa geração, é o mundo louco cão.
Se piriguete não é doença é uma praga então. Vestida à vácua, acreditam estar prontas para arrasar, se estão ou não só o contexto pode revelar.
Já escrevi antes que ser feia não é problema, a questão maior é a falta de senso.
Quem nunca comprou um produto que nunca havia visto para experimentar? Há quem olhe a embalagem, outros se preocupam com o conteúdo.
A acessibilidade causa uma mistura nas classes sociais. A plebe e a nobreza se misturam de igual para igual, mas logo nas primeiras palavras se percebe a distinção.
Em outro texto comentei sobre as mulheres do primórdio versos as mulheres de hoje em dia, mas descobri uma analise que eu ainda não sabia.
 Não se trata de época, modismo ou idade, se trata da lei divina do abstrato.
O humano como ser abstrato é carente e inconformado, quer companhia nem que seja de passagem.  No universo masculino isso representa vigor e virilidade, no feminino é sinônimo de putaria e vulgaridade. Tudo pode ser igual que se faz diferente, uma discrepância invisível estagnada na moral.
Cafajestes e piriguetes são iguais em teor, olham a embalagem sem questionar o sabor.
Quanto ao universo masculino prefiro não me pronunciar, ao contrario muitos inimigos irei arrumar.
Do feminino não posso me calar, sou mulher e digo as coisas estão feias e tendem a piorar. Solteiras são pragas que piriguetes tendem a virar.
Me coloco como exceção, que foge a regra e com razão, não tenho bela embalagem preciso ter conteúdo então.
 Entre as solteiras já não há distinção. Seja jovem, adulta, adolescente ou mulher, os erros são os mesmos, independente de quem é.
Consumismo, acumulação, futilidade perceptível à moda da estação.
A lei está mais para oferta que para procura, o que causa a desvalorização.
Uns querem troféu, outros louros e coroação, mas no fundo todos querem algo que aqueça o coração.
Popularidade ancora da liberdade.
Ser humano racional, que se faz sentimental.
Homens X Mulheres
Interesse X Sentimento
Prazer X Carinho
Renuncia X Entrega
Doação X Dedicação
Parceria X Cumplicidade
Medo X Coragem
Toda regra a exceção, cabe ao tempo revelar ou não.





quarta-feira, 27 de março de 2013

As nuvens me encantam



Hoje amanheci certa de que pouco a pouco Deus tem me preparado para uma grande obra. Não sei o que é, não sei onde é, não sei como será, mas estou na condição de escrava, sou serva fiel e nada questiono, apenas sigo a direção. Ter essa consciência me permite contemplar o despertar, me permite valorizar o dia, admirar o sol.
Às vezes confirmo que sou insana. Sou do tipo que conversa sozinha, conta o tempo todo, sorri para os desconhecidos, em fim fala com plantas e animais. Hoje acordei por volta das 6:30hs e ao abrir a cortina do quarto vi que o sol não estava raiando forte ainda. O frio da noite ainda gelava meu corpo, mas não pude deixar de admirar as nuvens. Costumo dizer que não há na natureza algo que eu admiro mais que o mar, porem as nuvens se assemelham a ele.
Nuvem expressa vida. Ela nunca está com a mesma tonalidade bem como nunca está estagnada. Quando as nuvens estão carregadas, escuras, com jeito de pesadas, fica um dia nublado e aparentemente triste, mas quando o céu está azul fica alegra e festivo. Meu favorito é quando está bem azul com manchas brancas. Amo quando as nuvens começam a ‘correr’ umas atrás das outras.
 Volto a minha infância quando começo a olhar o céu, é como se fosse o portal que me transporta para além de mim mesma.
Admirar as criações do Pai me permite confirmar que estou no caminho certo e não há homem para dizer o contrario.
Essa passagem terrestre é um estagio para a evolução da alma e as pessoas que surgem em nosso caminho são anjos enviados para nos ajudar a prosseguir. Eu não quero mais regredir ou ficar estagnada, quero seguir em frente, caminhar, correr, voar. Quero conhecer a eternidade e os louros que me esperam.
Cada um é medido seu coração. Cada ação tem um motivo bem como cada reação tem uma consequência. É a lei da vida ditada pela existência.
Viva o hoje, já, desperte!
O tempo não para e se você se distrair ele te atropela. 

Viva além de existir


Não entendo como há pessoas que dizem conhecer verdadeiramente outra se demonstra não conhecer nem a si mesmo.

Não me canso de exaltar as vantagens do viver sobre o existir.
Existir é uma dadiva divina, mas viver é uma escolha consequente do despertar, por isso me fascina.
A disparidade, entre quem existe e quem vive, é tanta que afeta além do físico o emocional.
De fato estamos vivendo na era da sustentabilidade, onde a cultura do reciclável é ensinada, no entanto os valores estão tão distorcidos que estão confundindo pessoas com objetos.
É a velha questão já narrada em outros textos sobre relacionamentos instantâneos, mas a coisa está ainda pior, não há tempo suficiente para ser chamado relacionamento é um “ocasionamento”, que acontece porque duas pessoas se encontram sem ‘que’ nem ‘porque’ e decidem se satisfazer, matar o desejo da carne. É como se a outra pessoa fosse um instrumento para saciar sua carência e seus desejos físicos.
Acredito já ter narrado várias vezes sobre um filme que assisti há muitos anos atrás, Alguém como você, o filme relata de forma descontraída a realidade que antes era dita do mundo masculino, mas que muitas mulheres adotaram para si, a teoria da vaca velha. O filme aborda um teste aplicado com um boi de reprodução viril e dominador, onde colocado junto a uma vaca que ele não conhecia ele fica todo pomposo e não perde tempo em ‘toma la’, mas nos dias seguintes ele não se interessa mais por ela, pois ela deixou de ser novidade. Certo da teoria de que o boi vai por instinto eles lambuzam a mesma vaca com o cheiro de uma nova, mas o boi não é bobo, ele sabe que é a vaca antiga camuflada e nada faz. Eles decidem colocar uma vaca nova que o boi não conhecia e seu instinto dominador e viril novamente age até tomar a vaca nova, que no dia seguinte não serve mais por estar velha. Assim é no mundo animal racional, os homens tem se comportado  da mesma maneira e digo homens dizendo humano.
Tolice acreditar que o sexo masculino que é culpado pela falta de comprometimento e fidelidade nos tempos atuais, eles até podem levar a culpa por não serem discretos, afinal o instinto deles é se gabar da quantidade e não valorizar a qualidade, porem o sexo feminino na louca busca por direitos iguais acabou perdendo a direção e banalizou a situação.
Vejam bem, não estou defendendo que homem pode aprontar, trair e está correto. Estou dizendo que se não tivesse mulher para se sujeitar a ser a outra traição não existiria.
As mulheres há tempos desejam se igualar aos homens nos direitos iguais que, sem perceber, ultrapassaram o limite da razão e perderam o sentido do bom senso. Desde muito cedo as meninas não se valorizam e começam a se relacionar de forma sexual cada vez mais cedo e isso ocasiona na nova geração conhecida como piriguetes.
Moças e adolescentes em formação estão se tornando mães cada vez mais cedo. São crianças gerando vidas, crianças trazendo ao mundo outras crianças. Que futuro teremos? Em pouco tempo os pais não serão mais pais, e os avós herdarão a responsabilidade de serem pais novamente, além do programado.
Falar disso é falar não só do devaneio da juventude atual, que por fim acaba influenciando os mais velhos, nunca se viu tanto divorcio como agora e não é só entre os jovens dessa geração não, casais com certa idade, que jamais se separariam estão se separando, isso é bom para os asilos, principalmente pagos, para as clinicas psiquiátricas e para as indústrias de medicamento. É falar do futuro, como será a mente dessa geração que chega? Quais valores terão? Onde será o limite? Sem falar da economia familiar.
As pessoas estão parecendo baratas tontas. Não procuram discernimento, não tem direção, apenas segue ao curso do destino, apenas existem. São marionetes da existência outorgada pelo Criador e já estão tão distantes do todo que muitos nem acreditam que aja algo maior no universo. Preferem acreditar que somos efeito de causa.
Contudo quem lucra são os grandes, a classe menor e mais capitalizada, que também sofre com a discrepância dos tempos atuais, mas preferem ignorar os fatos, pois o que de fato importa são os números que multiplicam se. Quanto mais as pessoas estiverem perdidas mais elas tentarão se encontrar, mesmo que inconscientemente, e sem despertar para a vida além da mera existência fica difícil, porque não verão padrões, tudo que tem são exemplos fracassados que se tornaram comum. Assim a moda passa a ditar caráter e fazer uma nova espécie de cidadãos.
Quem ganha são os nobres que cada vez acumulam mais para si, enquanto os menos favorecidos estão pagando para descobrir onde está o problema. É a geração da depressão e do stress.
Volto a dar o exemplo de relacionamento, é mais fácil desistir de uma relação que lutar por ela. Tomo mundo cedo ou tarde desisti, o que deixa o mercado cheio de opção. É a famosa lei da oferta e da procura. Pra quê insistir e lutar para fazer acontecer se desistir é mais fácil e comum? Todo mundo desiste. Alguns até preferem, pois assim variam o cardápio e o mercado está cheio de opção.
As pessoas querem conhecer umas as outras, querem ter intimidade, dizem ser amigas, dizem conhecer, mas não veem mais do que desejam ver. Veem apenas o que os olhos captam, não enxergam verdadeiramente. Olham apenas o rótulo, a embalagem e muitas vezes ignoram o conteúdo. Grande maioria ignora até si mesmo. Preferem acreditar no que lhe é imposto como sendo característica de comportamento que se rebelar e agir para fazer diferente.
Algumas iniciaram o processo de despertar e tentam ir na contra mão dessa massa, que nem mesmo se conhece, mas o processo é longo e cansativo, em diversos momentos é preciso abrir mão de suas convicções e aceitar que nada é o que parecia, que se está errado e recomeçar. E esse é o problema para muitos, recomeçar.
As pessoas cultivam a ideia de que precisar sem melhores, mas muitas não sabem melhores que quem ou o quê. Alguns querem ser melhores que seus pais, que seus irmãos, que um amigo. Outras se espelham em pessoas famosas, de grande sucesso, pessoas que nem mesmo sabe da rotina e do cotidiano, conhece apenas a imagem projetada. É claro que ninguém conhece ninguém verdadeiramente e essa é a questão. Essa geração está tão confusa que olha o superficial e o vive sem se tocar que há muito além dessa mesmice.
É preciso ser melhor sim, mas não que a alguém ou algo, é preciso ser melhor que você mesmo. Se superar sempre. Não faça se comparando há alguém que fez e deu certo ou mesmo que falhou e você quer fazer diferente, faça respeitando seus limites e desejando se superar cada vez mais.
Sabe por que isso hoje não acontece? Porque as pessoas tropeçaram no bom senso e perderam seus valores, agora não sabe quem são nem do que são capazes. Querem ganhar o mundo e conquistar o impossível, mas não conhecem nem a si mesma além de um reflexo projetado no espelho ou dizeres das pessoas que convive.
Cada ser é único e vai além de mera imagem ou rotulo que recebe.
Eu por exemplo, nem sempre acreditei em magica, quando criança ia aos shows e sempre imaginava o mistério por traz da ação humana, o efeito do jogo de mãos, mas com o tempo e os acontecimentos percebi que quanto mais eu crescia mais a magica acontecia e hoje tenho claro que ela é real e é bem simples como eu via, mas não enxergava porque eu não acreditava. No entanto a magica da infância é diferente da maturidade.
Quando criança achava graça em bolinhas que sumia de um lugar e aparecia em outro, as adivinhações de cartas e afins, mas hoje admiro a magica de uma família com quatro pessoas sobreviver com um salario mínimo, ser feliz e ainda crer que há um Deus que provê. Admiro a mágica de uma mãe não ter como dar um brinquedo para o filho e ainda conseguir receber dele um sorriso carinhoso. Admiro a mãe que não tem condição de dar boa educação, que vive nas favelas e periferias, cercadas pelo trafico, pela prostituição, pela marginalidade e ainda assim consegue educar o filho com valores, no caminho reto e formar um cidadão respeitado. Isso é magica.
Mágica é realmente um mistério para poucos e normalmente quem a vê e a valoriza são os que despertaram para a vida.
Poucos me conhecem além de minha imagem, poucos sabem dos poderes especiais que guardo, poucos contemplaram alguma magica minha, mas os que tiveram essa oportunidade sei que de fato olharam além de meus olhos, posso dizer que leram minha alma.
Não sou presunçosa nem tão pouco egocêntrica, a questão é que de fato vivi meu despertar e não foi fácil. Ele veio lenta e dolorosamente. Até que o percebesse precisei sofrer perdas irrecuperáveis, dores, lamentações e tudo me causou feridas incuráveis que ainda sangram, mas notar a evolução do despertar me faz aceita las e trata las diariamente.
O meu despertar realmente foi obra de um artesão. Eu era uma joia bruta, cheia de razão, convicta de meus desejos, ciente do que queria, acreditava que bastava eu e meus ideais. Como qualquer adolescente acreditava que venceria por mim mesma, não precisava de ninguém por tanto não me importava com o que dissessem, eu era eu e pronto, o resto não passava disso, resto. Foi assim por muitos anos e os mais delicados, pois formariam minha personalidade e ditariam minha imagem diante os outros, mas não foi.
Desde sempre fui diferente. Hoje entendo o que não entendia na época e sei que ter a marca da promessa faz com que o chamado seja evidente e mesmo que o coração entre em divergência com a mente o despertar faz a obra.
Fui sendo lapidada lentamente e a cada novo formato o olhar sobrenatural analisava e visto que a obra não estava perfeita um novo corte surgia. A cada lapidação eu acreditava que finalmente estava pronta, que finalmente me conhecia e podia desbravar o mundo, no entanto não passou de mera ilusão.
Após muitos anos em processo de lapidação posso ver que esse é um processo continuo que nunca para. Assim como o tempo o despertar é diário. O saber, o conhecer, nunca é suficiente, e conhecer a si mesmo, saber seus limites, seus ideais faz toda diferença.
Uma pessoa que ignora a vida além da existência segue um caminho sem norte. É como se tivesse uma doença paliativa que cedo ou tarde irá se complicar.
É chegado a hora da desvalorização do capitalismo e da valorização humana. Me indigna ver por exemplo pessoas tratando animais de estimação como filhos, dando amor e carinho como se fosse alguém da família. Claro que amo animais e sei a importância de trata los bem, afinal são seres vivos, mas não aceito a ideia de dedicação a eles e posso dizer claramente porque: porque mesmo que inconscientemente há pessoas que preferem criar animais a ter filhos  pura e simplesmente porque é mais conveniente. Há pessoas que temem a responsabilidade com outra vida humana, temem o futuro pensando em como anda o presente.
Já ouvi tantos amigos dizendo que é loucura ter filho no mundo de hoje em dia, concordo pois a perca de valores é crescente, mas quem vê assim está declarando sua incapacidade, está assinando o decreto de fracasso, pois se você tem valores porque não conseguirá passar para uma criança? Tantas mães paupérrimas na classe da pobreza conseguem o que dirá alguém de classe media.
É mais cômodo colocar a culpa nos problemas sociais, nos devaneios do cotidiano, que assumir a derrota. Um cachorrinho, por exemplo, dá menos trabalho. É carinhoso, pode ser educado, não responde, não dá tanta despesa e pode se deixar sozinho em casa, pode se deixar com um vizinho ou amigo quando for viajar.
 É a facilidade que dita às escolhas. Ninguém quer ter preocupação e cuidado. É o egocentrismo gritando mudo no interior.
Enquanto isso, vamos acompanhando atônitos os crimes perversos que cada vez se tornam mais comuns. Pai matando filhos, filhos matando pais, babás matando e/ou espancando crianças, avos torturando netos, idosos sendo espancados sem o menor remorso, médicos brincando de ser Deus, jovens alienados assassinando pessoas por nada, assaltos acabando em assassinados e uma lista sem fim.
Essa é a realidade que ao invés de caminhar rumo à evolução declina cada vez mais. Os de maior idade que deveriam ser os conscientes ao invés de dar o exemplo e cobrar moral estão se perdendo ao modernismo e achando tudo normal, ao ponto de sucumbirem ao modismo.
Como está indo daqui a pouco nem mesmo relacionamentos instantâneos existirão, serão apenas relações momentâneas, cujo nem mesmo o nome precisa ser revelado.
 E nessa condição a crescente continua dos grandes, pois como seres abstratos o conflito de emoções aumentará e a má administração acarretará em doenças psíquicas que precisarão ser tratadas, mas antes da aceitação tem sempre o processo de negação e a louca busca por algo que tape o vazio que se sente. Mas esse algo não é visível e nem tangível, porque a pessoa não conhece a si mesma e o efeito dominó já estará em fase avançava para parar. E não só as doenças psíquicas, mas também as paliativas.
Como narrado em outros textos o ser humano se diz dotado de inteligência, no entanto não a aproveita para si, tudo que tenta é para mostrar aos outros do que é capaz, é para satisfazer seu ego e receber reconhecimento.
Quanto mais convivo com pessoas que ainda não viram a luz do despertar mais confirmo que não viverei suficiente para ver a diferença no mundo.
Voltando a falar dos relacionamentos tudo está tão comum, tão liberal, que um casal fazer troca entre eles é comum, o dito swing. Não é traição porque não há mentira, o outro também participa, mas a promiscuidade é vista como livre arbítrio e confundida com respeito. Não condeno essa ação e respeito quem pratica. Até porque muito das pessoas que amo estão nesse meio, no entanto me vejo barroca diante o fato.
E se for falar sobre isso entrarei em tantos outros fatos que levam a outros e assim vai.
Estou escrevendo um livro que dentre os assuntos apontados abordo o vírus HIV e até nesse tipo de projeto o Sobrenatural cria estratégias. Tenho conhecido pessoas soro positivas, tenho escutado relatos sobre isso. Percebo que a doença mesmo controlada afeta não só o corpo, mas principalmente a mente e acima de tudo isso percebo que o contagio ocorreu por descuido.
Digo descuido para ser menos agressiva, porque na verdade o contagio é consequência dessa era de promiscuidade, de prazeres momentâneos sem consciência. Ainda há quem acredite que DST é coisa de poucos, mas não é. DST não tem cara, não tem cor, não tem classe social. Ela está solta, caminhando, dançando, brincando. Pode se esconder em um alto executivo ou em um marginal. Pode estar na prisão ou na igreja. Pode acompanhar um idoso ou um bebê. Chega em um hetero assim como em um homossexual.
Quando começo a analisar o padrão de hoje temo sim pelos meus filhos, mas oro e ajo para que eles despertem o quanto antes para a vida além da existência, pois só assim poderão seguir conscientes de que ser estar acima de ter e que fazer acontecer só depende da vontade própria.
Todos nós somos responsáveis por tudo que nos acontece, seja bom ou ruim, cabe a cada um fazer a escolha e assumir a direção.
Eu escolhi viver o processo de despertar que não cessa e você? A escolha é sua, viver na sombra do modismo corrompido ou seguir contra a massa sendo exceção.
Eu escolho nadar contra a maré, escolho seguir no social o que me é imposto à sobrevivência, mas não abro mão de viver o despertar. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Poesia e rima

Olhar discreto a me vigiar
Sem se intrometer ou questionar.
Respeita minhas escolhas
Sem me condenar.
Me ampara ao te procurar.
Tanto me ensinou, tanto me mostrou.
 Motivação à disposição.
Conselheiro, amigo, confidente sutil.
Amante como nunca se viu.
Meu tudo no nada.
Intenso tesão.
Paixão avassaladora
Dominando coração.









Relacionamento é loteria


Com meu ultimo relacionamento aprendi que a diferença não é fazer diferente é ser paciente.
Não importa o quanto você se doe, o quanto você se empenhe, o quanto você participa, a única coisa que importa é o quanto você aguenta.
É difícil medir forças quando não há certo ou errado, quando o ângulo de visão é que não coincide.
Paixão avassaladora e voraz pode não durar a primeira divergência.  Não se trata de intensidade, mas de disponibilidade.
Um relacionamento não é mensurado pelo nível do sentimento, mas pelo nível da paciência.
Não há pessoas perfeitas e/ou ideais, o que há são pessoas dispostas a conversar e juntas encontrar um denominador comum, ou seja, encontrar uma solução que se não satisfizer ambas as partes ao menos agrade.
Ter maturidade em um relacionamento não é puramente se entender e não brigar, é superar os obstáculos com muita conversa.
Ouvir além de escutar é uma grande ferramenta para se trabalhar e claro ter a consciência de que mentira não tem tamanho, é sempre mentira, é imprescindível.
Não é preciso aceitar as diferenças, mas respeitar é fundamental.
Em um relacionamento nada deve ser imposto, tudo é uma conquista. É ceder e doar. É receber e agradar. É mais fazer que receber. É dar espaço para o outro se mover.
Descobri que mascaras são invisíveis e os que mais dizem se conhecer são os que mais precisam de atenção.
Nem sempre estar disponível significa estar pronto.
É a velha questão da pessoa certa no momento errado.
E assim segue cada um a sua maneira, com suas convicções e seus anseios.
Arriscar se em um relacionamento é como jogar na loteria, ganhar fica só na ilusão, ou às vezes se ganha, mas a má administração faz gastar todo premio. É uma questão de administração, do tempo, das ações, das decisões, dos sentimentos. Há quem deseja ganhar, mas nunca arrisca. Há quem arrisca sempre e vive frustrado. Há quem não acredita e nem arrisca. Há quem já ganhou e não se contenta com o valor e vive arriscando mais alto. A não satisfação gera a ilusão de que sempre haverá um premio melhor. Só pessoas gratas se conformam e fazem acontecer com o que tem.



Príncipe está a procura do príncipe


Na rotina da semana tudo correu bem.
Pela manhã trabalho, almoço com os colegas no restaurante perto da empresa, no fim do dia faculdade.
Os finais de semana eram sempre iguais, sábado cuidava do meu quarto e organizava o que estivesse pendente da faculdade e do trabalho, cuidava de minha aparência, à noite me encontrava com as amigas e nos divertíamos onde quer que fosse.
Em casa, na balada, no shopping, em um parque qualquer, todo lugar era lugar desde que estivéssemos reunidas.
No domingo dormia até mais tarde, levantava com o cheiro da comida quentinha, almoçava, assistia a um bom filme, logo era hora de me arrumar para ir à igreja e assim findava o final de semana.
Durante muito tempo vivi essa rotina como sendo ideal, mas de repente percebi que o grupo de amigas estava ficando cada vez menor. Uma a uma elas começaram a namorar e nossas reuniões não eram mais como antes.
O pouco tempo que compartilhávamos estava agora ainda mais escasso. No começo achávamos o máximo compartilhar sobre os relacionamentos, mas dia após dia ficava mais difícil conseguir tempo para o ‘clube das luluzinhas’, pois sempre tinha um namorado que implicava e alguma das meninas acabava faltando.
Minha rotina foi se transformando, durante a semana tudo parecia comum, mas os finais de semana não seguiam mais um padrão.
A situação foi me incomodando de tal maneira que resolvi namorar também, ter alguém com quem dividir momentos especiais, ter historias para contar, ter almoços em família para ir, etc.
Resolvi que assim seria, começaria a namorar e tudo se tornaria rotina novamente. Acredito que todas decidiram ao mesmo tempo, pois poucos meses depois de tomar essa decisão todas estavam namorando, com exceção de mim.
Nessa fase o ‘clube da luluzinha’ já havia se tornado um misto com o ‘clube dos bolinhas’, pois todas iam acompanhadas dos namorados que acabaram por ficar amigos também.
Essa foi à fase mais cruel! Em cada encontro todas estavam acompanhadas e apenas eu ficava sozinha e logico que todos faziam questão de exaltar minha condição. Algumas vezes levavam amigos para me apresentar, rapazes interessantes, bonitos, mas com personalidade muito distinta da minha.
Sempre fui a ‘careta’ da turma, nunca fui de namorar para passar tempo ou ver no que daria, sempre que pensei em me envolver era pra valer e os amigos dos namorados das amigas, que conhecia não se enquadravam no padrão que eu levaria a serio, por isso preferia dar passagem.
As meninas preferiam olhar aparência, a beleza falava mais alto que qualquer outro fator, a mim importava mais a inteligência, o que era difícil, quase impossível, na turma deles. Por isso sempre era gentil, cordial, suportava educadamente as investidas e dispensava com elegância um a um deles. A essa altura já estavam colocando em duvida minha sexualidade. 
Essa foi uma longa fase, por fim não tinha mais gosto em sair, preferia ficar em casa com um bom filme, um bom livro, boa musica, qualquer coisa era melhor companhia que aguentar os comentários infelizes de todos.
Trabalhar, estudar, levantar no sábado e organizar as pendencias, cuidar de minha aparência, a noite assistir a um filme, ouvir musica, ler, aos domingos almoçar e me jogar no sofá, pela noite ir à igreja e depois dormir havia se tornado a minha rotina.
Seguiu assim por algumas semanas até que em um momento a magica aconteceu:
“Era um domingo como outro qualquer. Como todos os domingos havia chegado cedo à igreja e feito uma prece. Sentei-me no mesmo lugar de costume e pouco depois o louvor começou. O som entoava adoração, meu coração louvava ardentemente, estava flutuando em graça, quando percebi vindo em minha direção um rapaz. Andava com passos firmes, devia ter na casa dos seus 25 anos, 1.90 de altura, expressão máscula, barba escura cerrada e bem feita, olhar profundo de olhos azul piscina, bocas contornadas de lábios grossos e vermelhos. A pele era clara, cabelos cortados baixo, negros e lisos ensaiavam o ritmo dos passos. Na medida em que eu o observava ele se aproximava e cada vez estava mais perto e perto... Já não estava mais adorando, cantando ou o que quer que fosse, estava apenas admirando a beleza daquele jovem. Ele parou ao meu lado e se pôs a louvar, no ritmo o acompanhei. A musica parou e a pregação começou. Com uma voz confiante ele pediu licença e se sentou ao meu lado. Ficamos ali, lado a lado, compartilhando o momento. Ele sorrio e se apresentou, retribui o sorriso e conversamos por muito tempo. Parecia que Deus havia nos colocado ali, um ao lado do outro. Na verdade era como se tivéssemos sido feitos um para o outro. Almas gêmeas. Duas metades se completando. Ele era muito mais que um dia eu havia imaginado. Conversamos durante todo culto, ao sair de lá ele se ofereceu para me levar em casa e claro aceitei. Esse foi o começo de tudo. Nos falávamos diariamente por telefone e nos encontrávamos aos finais de semana. Apresentei ele para minhas amigas que morreram de inveja, pois ele era mais lindo que qualquer outro, era gentil, educado, sociável, cavalheiro, ao mesmo tempo que brincalhão era culto, ao mesmo tempo que serio era descontraído. Tinha um bom emprego, era independente, gostava de reunir meus amigos e os dele. Era compreensivo, carinhoso, cordial. Nossas famílias em pouco tempo se tornaram amigas e quando percebi lá estava eu, no altar com um lindo vestido branco e minhas amigas como madrinhas. A cerimonia foi linda e a comemoração uma festa de arromba. Após o evento fomos para um lindo hotel onde esperaríamos para ir para lua de mel na tarde seguinte. Tudo estava perfeito, até que ouvi uma voz dizendo:
- Desculpe senhorita, mas o culto acabou e precisamos fechar à igreja.
Olhei em volta e mal podia acreditar tudo havia sido apenas um sonho.”
Moral da historia: Não existe nada perfeito, se está bom de mais cedo ou tarde você irá acordar e perceber que tudo foi apenas um sonho, seja gerado pela ilusão ou não.
Não existe pessoa que una tudo que você considera ideal, todo bem tem um pouco de mal e vice versa. Ninguém é imediatamente perfeito unindo beleza, elegância e caráter, algo sempre irá prevalecer e defeitos sempre irão aparecer, o que faz diferença é ponderar os defeitos e exaltar as qualidades.
Seja você, independente da situação, e os fatores externos colaborarão.
 Não se sinta inferior pela situação, o importante é o que se é e não o que se tem.
Relacionamentos vêm e vão, as amizades ficam, mesmo que guardadas no fundo, mesmo que não se encontrem mais com frequência, mesmo que não compartilhem momentos, mesmo que não dividam historias.
Querer viver algo por modismo é procurar frustação.
Nem sempre as pessoas se encontram por acaso, muitas vezes o acaso que as encontram.
Pessoas são ideais quando estão dispostas a se doarem.
Sabe aquele príncipe que você está esperando no cavalo branco? Ele existe e pode também estar a sua procura, mas preciso te dizer ele não é nada que você imagina. Se vier com toda beleza que deseja certamente faltará na educação e cordialidade. Se for educado e cortes sem duvida não será belo. E se for belo e cortes sem duvida não será homem.
Infelizmente essa é a realidade, por isso a cada dia está mais difícil ver relacionamentos duradouros. Os príncipes se revelam sapos, os sapos são verdadeiros ogros que se acham príncipes, os que não são sapos ogros também estão procurando um príncipe.
Mais vale a solidão culta na companhia dos livros e as refeições silenciosas na companhia dela que momentos de falsa entrega forjando uma alegria eterna que não passa de mero momento.
Se conhecer, se fazer princesa, viver na contramão, fazer com que um sapo ogro se sinta um príncipe, personalizado o a seu favor.
Só sentimentos verdadeiros são capazes de revelar milagres.
Com amor o imperdoável é aceitável. O insuportável é sutil. O ridículo é cômico. O irônico é detalhe. O querer é poder. O se dispor é fazer acontecer.
Não perca tempo. Não durma no banco. Levante e participe, escreva sua historia, não viva apenas a ilusão de um sonho bom. Faça seu dia a dia ser a realização do que deseja viver.
Faça valer hoje, agora, já.
Seja como for, seja!

domingo, 24 de março de 2013

Ler é viver! Meu corpo pode padecer, mas minha alma resistirá


Perguntaram-me porque gosto de ler, foi uma das poucas perguntas que me deixou sem resposta de imediato.
Na verdade, a meu ver, a leitura é um universo paralelo tangível.
Amo viajar para lugares desconhecidos e inusitados. Admiro a diversidade de cultura, de credo, de lazer, bem como a miscigenação universal que se formou no mundo. Uma das experiências mais importantes que vivi, foi ir morar em outro país levando apenas a coragem na bagagem. Sem saber falar o idioma local, sem conhecer nada nem ninguém. Isso me ensinou que não importa raça, classe social, idioma, país, todos somos iguais, feitos da mesma essência.  Assim vejo a leitura, é como embarcar em uma viagem ao desconhecido. Quanto mais leio mais me vejo intima do contexto e confiante no final promissor.
Ler me permite estar em lugares nunca antes imaginados, participar de projetos e eventos nunca cobiçados, gerar criticas e questionamentos que me trarão esclarecimentos.
A leitura é mais que um hobby, é uma atividade diária, pois é o alimento da alma.


Simples assim


Hoje estava carente, mas recebi um abraço e tudo se transformou.

                   
No meu mundo não há príncipes encantados, há apenas aqueles que sabem ouvir além de escutar e que procuram entender antes de criticar. 

                             Cada ser é único e aceitar as diferenças é sinônimo de maturidade.

Ser feliz é escolha

Minha tarde hoje foi assim! 

Pode parecer egoísmo, mas ler e escrever abre as portas do despertar e me permite viver acima de existir e ser acima de ter. 

Simples, mas consciente de quem sou.

Meu transporte preferido



A verdade é que adoro quando a leitura me sequestra!
Ler me inspira a escrever, o que permite que eu seja quem quiser.
No meu mundo imaginário nada é impossível e não há certo ou errado, tudo é questão de interpretação.

Revelações


Aqui estou perdido e vagando no tempo.
Minha mente me leva de volta aos lugares que tanto lamentava estar.
Vejo a normalidade terrestre do meu ser. Os dilemas, os conflitos, as dores, tudo que antes parecia cruel de doloroso se tornou leve e satisfatório.
A capacidade humana de suportar tormentas está aliada a redundância dos acontecimentos.
Aqui tudo é diferente, está alem do imaginável.
Assistir a filmes de terror assusta e causa incômodo, mas isso aqui é pior que qualquer filme já representou. Por um tempo procurei saída, tentei fugir, correr, mas a cada passo o cenário se transformava e as visões bem como as sensações eram ainda mais cruéis. Perdi-me, como em outros momentos desejei findar tudo aquilo e quanto mais desejava sair daquele lugar mais lembrava minha vida pacata e difícil, que agora de tão fácil e simples parecia perfeita.
Cansado de altos e baixos perdi o gosto pela vida e me entreguei à existência. Por muito tempo desejei a morte. Em alguns momentos desafiei a vida, mas sempre voltava ao ponto de origem.
Pai sem filhos, desempregado, sem dinheiro, vivendo da caridade da família ligada a laços sanguíneos.
O desejo de melhorar era grande, mas esse anseio sempre me fazia escolher a opção que mais causava dor.
Em diversos momentos me questionava qual a melhor maneira de findar minha vida. Analisava todas as possibilidades. Não via como suicídio, mas como uma forma de ajudar a todos a ter menos preocupação e a mim menos pressão psicológica. Em algumas noites me dopava em medicamentos para dormir, em outras fazia uso do álcool.
O álcool por um tempo foi meu refugio, mas por fim não tinha dinheiro para  o alimento tão menos para o álcool, assim o peso da situação ficou ainda mais insuportável. Pensei em fazer um pacto com o diabo, um pentagrama de cabeça para baixo feito com meu próprio sangue, em um quarto escuro de uma noite qualquer, mas a certeza de que o diabo me conhecia muito bem não me permitiu arriscar. Eu acreditava ser capaz de engana ló, fingir acreditar nele para conseguir o que desejava e depois dizer que tudo era uma armação, que meu coração pertence a Cristo, mas me lembrava que a primeira ordem dele seria adora ló e isso seria impossível, pois mesmo que meu coração esteja no ser adorar um ser que se diz deus vai contra meus princípios, assim ele poderia me torturar ainda mais na terra. Por outro lado ouvia uma voz me disser para não desistir, que a restituição chegaria, eu só precisava esperar.
Esperar? Mais quanto tempo? Há anos minha vida havia se perdido.
Por um tempo fui uma pessoa popular e bem quista, mas as dificuldades acabaram me fazendo refém de minha situação e me isolei do mundo e das pessoas. Desejava apenas suportar a existência já que não conseguia me livrar dela.
Só tinha alivio quando me imaginava não mais tendo que viver essa vida terrena. Pensava em como encontrar alguém e oferecer algo para que sem que eu percebesse atirasse em mim, findando assim finalmente esse martírio de existir.
Em uma noite, como outra qualquer, fui me deitar sem sono, mas entregue a imaginação. Imaginava como acabar com todo tormento, como silenciar minha mente, como apagar minha alma. Desejava viver nada, não pensar, não sentir, apenas ir, apagar a mente como se paga uma lâmpada em casa.
                E lá estava eu, a princípio senti um frio que me fez encolher, mas veio um calor que me molhou a face de suor. O frio e o calor alternavam se sem me dar chance de imaginar o que podia estar acontecendo.
Abri os olhos e tudo estava tão escuro que a negritude nada me permitiu ver. Forcei os olhos, mas foi em vão.
Senti uma pressão me puxar. Fiquei assustado e com medo. Não sabia o que fazer, me levantei para caminhar rumo ao interruptor da luz, mas quando tentei colocar os pés para fora da cama percebi que não estava mais nela.
Um sino soou alto, muito alto, ao ponto de me deixar atordoado. Soou por um longo período, não conseguia identificar de onde vinha, parecia ter eco. Levantei o mais rápido que pude me colocando de pé. Foi quando meus olhos pareciam ter se acostumado à negritude do lugar.
Vi alguém se aproximar e corri para perguntar que lugar era aquele, mas ao me aproximar percebi que era um homem nu e sem muita forma. Pessoas surgiram de todos os lados indo e vindo, como que querendo descobrir de onde o som vinha. Todos estavam nus e disformes, não sei dizer com o que pareciam, pois nunca vi nada semelhante. Imaginei que fosse uma espécie de zumbi, tentei falar, mas não adiantou. O sino soava ensurdecedor.
Parei por um tempo na tentativa de decidir o que fazer, para que sentido seguir. Sabia que aquilo não era um sonho, pois não conseguia acordar. As pessoas continuavam a ir e vir passava por mim como se não me notasse. O medo estava tomando minha mente e dominando minha razão, quando finalmente o sino parou. Percebi que estava sozinho, já não havia mais ninguém indo e vindo e tudo que via era uma escuridão sem fim.
Comecei a caminhar, ia em frente, seguia reto na intenção de chegar a algum lugar, mas tudo parecia igual. Não conseguia ver alem de poucos passos adiante. De repente a luz que meus olhos via vermelha cedeu lugar a um tom de laranja e conseguia ver um lugar parecido com uma vila, casas velhas, tudo na madeira. Nada de casas, muros e portões, era uma construção na outra. Não sabia exatamente o que era começo meio e fim, era um longo caminho repleto por portas. Gritei por alguém, tentei abrir as portas, mas tudo estava trancado, até que escutei um rangido.
O barulho soava devagar e me alarmava. Procurava de onde vinha, mas não via nada. Fechei os olhos, forte, queria sair dali, queria acordar na minha cama, mas não adiantou. Comecei a ouvir passos, eram fortes e firmes. A princípio parecia uma única pessoa. Os passos se aproximaram. Girei em torno de mim mesmo, mas não havia nada ali. Os passos cessaram, foi quando ouvi uma respiração forte atrás de mim, virei rápido, mas nada havia ali e nesse momento senti algo me cheirar a nuca e esbaforir o que havia sido recebido pelo ar.
Um frio desceu de minha espinha e parou em meus pés, me impedindo de me mover. Meu estomago encontrou o frio e se vez oco. Eu estava amedrontada, era como se algo terrível fosse acontecer e eu não podia nem mesmo correr.
Vários passos começaram a vir em minha direção, começaram devagar, mas depois parecia uma multidão e os passos diminuíam ao tempo que respirações aumentavam. Era como se uma multidão estivesse me cheirando, ouvia a respiração, sentia a respiração. Eu não via nada alem da luz laranja. Não sei dizer quanto tempo tudo isso durou, no principio tomado pelo medo fiquei imóvel, mas meu corpo pareceu perder as forças e caí ao chão. Pensei que eles fossem se jogar contra mim e fazer algo, mas ouvi um grito: ‘preciso de ajuda’.
Olhei em volta e nada vi, mas os passos aumentaram como se todos corressem para se esconder. Novamente não vi ninguém, mas percebi que em um determinado ponto a luz fiava amarelada. Levantei e fui até lá.
Estava de pé em meio ao nada, nem mesmo a aparência de vila com construções de madeira havia ali. Era repleto de escuridão e nada. Novamente alguém disse: ‘preciso de ajuda’. Olhei em volta, questionei quem era, onde estava, mas nada de respostas. Continuei a caminhar reto e os pedidos foram ficando intensos.
‘Socorro’. ‘Preciso de ajuda. ’ ‘Me ajude’. ‘Eu preciso de socorro. ’
Os pedidos se intensificavam, mas não via ninguém. Sentia próximos, como que junto a mim, mas não estavam lá. Vozes de homens e mulheres se misturavam e eu não sabia o que fazer ou pensar. Caminhei, caminhei e nada encontrei. Era apenas vozes, em minha mente buscava uma saída daquela situação o que era em vão.
Estava rendido e determinado a sair dali, precisava correr e encontrar logo a saída, era um pesadelo sem fim do qual eu precisava despertar. As vozes estavam eram tantas que se confundiam no ar, eram como se saíssem de mim. Estava perdendo a sanidade e decidi correr, corri rápido, muito rápido e percebi que as vozes estavam sumindo, ficando cada vez mais distante, e quanto mais distante mais rápido eu corria. Até que não pude mais ouvi las e cheguei a um lugar que a luz brilhava violeta.
Não via ninguém, não ouvia ninguém, mas de repente algo passou rápido a minha frente. Assustei-me e virei para ver, então passou novamente e de novo, e de novo. Eu não podia ver exatamente o que era. Eram vultos negros, como que fumaça, mas cada vez que passavam ao meu lado deixava tristeza e angustia. O peso foi tanto que cai sentado ao chão. Estava abraçando minhas pernas e tentei colocar a cabeça dentro delas para nada ver, mas foi em vão, pois eu os sentia ali. Eles voavam por todos os lados como que se passassem dentro de mim, e a angustia aumentava mais e mais. Eu desejava morrer, não mais sentir aquilo, sair dali, me desligar, não pensar, não tentar encontrar saída. Queria apenas finalizar a situação. Não sei quanto tempo durou, mas sei que eles me sufocavam, estava entregue a dor e a lamentação, até que escutei um assovio.
Foi estridente e longo, os vultos não pararam, eles iam e vinham com toda veracidade que tinham, mas eu fiquei intrigado com o assovio e resolvi procura ló. Foram varias tentativas até que conseguisse me levantar. Tentei correr, mas os impactos dos vultos se tornavam mais fortes e me lançava ao chão, por isso caminhei devagar, sentindo os passar por mim como fumaça. A tristeza e a angustia ainda estava presentes, mas a curiosidade de encontrar quem havia assoviado falava mais alto e me fez suportar toda dificuldade da caminhada.
A luz ficou azul, foi quando soube que algo aconteceria.
Era apenas a luz e eu ali no meio da escuridão total. Percebi um brilho a frente, algo que parecia extenso. Caminhei para ver o que  era, mas quanto mais caminhava mais distante ficava. Não alcançava o brilho. Por alguns momentos desisti, parei, sofri. Lembrei-me das dificuldades do dia a dia, de minha família, de meus sonhos perdidos. Chorei um sofro sincero e sem esperanças. E quanto mais às lembranças vinham mais as lagrimas caiam, foi quando uma delas tocou o chão.
Ao tocar a negritude que parecia ser o solo a lagrima se transformou em sangue e escorreu. Não pude ver para onde, mas percebi que o brilho havia piscado e estava mais intenso. Pensei ser mais uma miragem e as lagrimas se intensificaram, foi quando uma a uma tocavam o chão se convertiam em sangue e escorriam para não sei onde. O brilho ficava ainda mais forte e parecia ainda mais perto.
Não sei dizer por quanto tempo chorei até que decidi voltar a caminhar. A sensação térmica ficou mais intensa, o frio gelado que alternava ao calor insuportável.
Caminhei rumo ao brilho e percebi que ele estava ao meu redor. Para onde quer que eu olhasse o brilho estava lá, como raio de luz cintilante, um misto de cores e intensidade.
Ao me aproximar percebi que era uma possa de sangue, fui até outro brilho e também era possa de sangue, e outro e outro, por fim não sabia nem mesmo de qual direção eu havia vindo e fora a escuridão apenas possa de sangue havia ali. Possas redondas de vermelho vivo.
Entreguei-me novamente a um choro sem fim, caído ao chão, reduzido a nada. À medida que as lagrimas caiam as possas aumentavam, foi quando percebi que estava cercado por elas, que caso não parasse de chorar elas iam me inundar. Enxuguei as lagrimas e novamente de pé me coloquei a caminhar por entre as possas, no pouco espaço que havia sobrado.
Acredito que caminhei por horas, estava exausto e cansado e um cheiro forte começava a me incomodar. Cheiro de sangue podre, o cheiro exalava no ar como se estivesse aquecido. Junto a percepção do cheiro e veio o desespero ao ouvir o silencio.
A luz azul, o sangue vermelho, eu, a escuridão e agora o silencio. O silencio era tanto que gritava em meus ouvidos. Nem mesmo os pensamentos me encontravam. Por um tempo somente o silencio me dominou. Não consegui pensar ou agir e no ápice do desespero me lancei ao chão. Senti o impacto com o sangue, porem algo era diferente do que eu creditava. Não eram simples possas de sangue, pois quando cai em uma delas não apenas me sujei como imaginei que seria. Foi como me lançar em alto mar, caí e emergi a uma profundidade que não sei descrever. Vi-me em uma imensidão de sangue. Mas não era de todo liquido, pois apesar de estar me envolvendo eu conseguia respirar.
Não sei por quanto tempo fiquei naquela situação, caindo sem fim. Sentia a pressão da queda, via apenas a vermelhidão ao derredor, mas nada mudava. Por um tempo tentei nadar, tentei sair dali, mas as lembranças daquele lugar me fazia acreditar que aquela era a queda que iria me despertar. Esperei tocar o chão, mas ele não veio. Esperei acordar, mas também não aconteceu, foi quando desejei novamente silenciar minha alma. Queria apenas morrer, acabar com tudo aquilo, não mais ver, sentir, ou ouvir o que quer que fosse e assim fechei os olhos me entregando à situação. Durante muito tempo a pressão da queda me incomodou até que me conformei e me entreguei a ela, foi quando parei de senti La.
Não senti nada mais, nem pressão, nem medo, nada. Tive medo de abrir os olhos, mas não demorei a abri lós e estava ali, em volta de uma luz avermelhada, em um lugar qualquer, no meio do nada, em plena escuridão, lançado ao chão. O sino soou e já sabia o que aconteceria a seguir. Esperei que as pessoas surgissem e elas não demoraram, segui uma que ia ao sentido contrario ao que despertei, caminhei atrás dela até que o sino parasse, foi quando ela desapareceu no ar. Continuei em frente e a sequencia dos acontecimentos se deram da maneira já conhecida, o que me permitiu poupar tempo rumo a uma saída. Escolhi ações e caminhos diferentes, mas tudo me levava ao mesmo rumo, assim corri rápido, muito rápido.
Novamente vi a luz azul, e o brilho distante. Não chorei, não derramei uma lagrima sequer e caminhei rumo ao brilho. Ele estava mais distante, mas o alcancei. Eram as mesmas possa de sangue já conhecidas, só que agora o vermelho não estava tão vivo. Corri entre elas procurando uma saída e nada encontrei. Até que o silencio voltou a me incomodar.
Não quis ouvi lo busquei lembranças, mas elas não vieram. Desejei usar a imaginação, mas ela não estava lá. Lembrei-me da linha tênue entre o bem e o mal que havia conhecido e tentei focar neles em busca de uma saída, mas foi em vão. A solidao era voraz e dominava qualquer pensamento, até que sem analisar o contexto mergulhei em uma possa como quem mergulha em uma piscina, mas na verdade estava mergulhando em insegurança, medo, lamentações, dores, tristezas e perdas. Diferente da outra vez que havia caído agora o sangue me sufocava e me impedia de respirar, fiquei desesperado, incrédulo. Eu já havia estado ali e a sensação era completamente diferente. Fechei os olhos e findei a respiração e ao despertar lá estava eu, em meio a escuridão sem fim.
Não sei ao certo quantas vezes percorri as mesmas situações e cada vez algo me despertava a atenção e mudava o contexto, mas era sempre o melhor lugar e a mesma situaçao, até que em um momento me lembrei de todas as experiências sobrenaturais que havia vivido e diante aquela situação nada se comparava. Lamentei não saber a diferença entre o que era revelação e o que era imaginação e me envergonhei por não deixar Deus me guiar.
Estava dentro da possa de sangue quando uma luz muito branca, mais branca que qualquer branco já visto antes surgiu no ar. Eu fechei os olhos forte, pois a claridade incomodava minhas vistas, mas mesmo de olhos fechadas eu via tudo que surgia.
A escuridão tinha dado espaço ao dia, era como se um sol brilhasse sem parar. A temperatura era tão agradável que beirava a perfeição imaginada por mim. Eu flutuava entre nuvens que pareciam o mais branco algodão. Estava sozinho, mas isso não me incomodava. Sentia muita coragem e vontade de seguir.
Para onde quer que eu olhasse só via a brancura do lugar. Tentei caminhar, mas meus pés afundaram nas nuvens, temi cair e meu corpo pesou ainda mais, foi quando percebi que abaixo das nuvens estava a escuridão, um pavor me tomou e meu corpo pesou ainda mais, aos poucos escorregada pelas nuvens, como vela colocada ao fogo escorregava da luz rumo a escuridão.
Respirei fundo, tentei encontrar o equilíbrio e me alegrei ao ver que ele estava ali. Consegui parar a queda, mas a cada tentativa de caminhar caia um pouco mais, foi quando percebi que tudo estava ligado a mente e não ao corpo. Percebi que meus olhos ainda estavam fechados e que para caminhar eu só precisava desejar e seguir vagando com a mente e assim fiz.
Não sei por quanto tempo flutuei naquele lugar, mas sei que acabei me cansando, mas não tinha como descansar, pois mesmo de olhos fechados eu estava ali.
Parei, respirei fundo e senti um ar gostoso, uma sensação de natureza, de pureza. Abri os olhos e me surpreendi com o que estava a minha volta.
Um grande jardim com árvores frutíferas, plantas e flores de todas as espécies conhecidas e algumas jamais vistas. O solo era todo em grama macia e confortável. Seres de diversas espécies conviviam entre si. Todos presavam pelo bem do outro e trabalhavam para vê lós felizes, esquecendo de si mesmos.
Almas satisfeitas em servir, contentes em ajudar e se doar.
Tentei conversar com alguns, mas era como se eles não me vissem ali. Alguns sorriam para mim, mas olhavam alem de meus olhos, como se não pudessem me ver. Alguns respiravam forte quando eu me aproximava como que sentindo meu cheiro, mas também não podiam me ver. Crianças corriam por todo lado e passavam por mim sem notar minha presença. Todos estavam completos de satisfação e repletos de alegria.
Não sei por quanto tempo fiquei admirando aquele lugar, mas após um período as gargalhadas foram dando lugar ao silencio que se fez dominante e voraz. Eu ouvia apenas o silencio, que se fez sensação de solidao que logo se convertei em desespero e eu novamente cai. Quando percebi já estava envolto em escuridão e lamento. Fechei forte os olhos para ver se conseguiria ver a luz através deles, mas não funcionou, então decidi abrir e tentar voltar ao ponto da luz branca.
Ao abrir os olhos ali estava eu, deitado em minha cama. Levantei e minha família estava nos afazeres diários normalmente, parecia que tudo havia sido apenas um sonho, mas eu sabia que não, eu de fato havia estado naqueles lugares.
Minha mulher me deu um beijo e meu filho correu e pulou em meu colo. Os abracei forte e emocionado, como quem chega de uma viagem longa.
Meu filho voltou correndo para o quintal a brincar e minha mulher perguntou se eu estava bem. Se estava?! Talvez nunca estivesse melhor. Em casa, com minha família, na realidade que conheço e sei viver. Sim estava bem, mas comecei a questionar como seria quando o corpo humano não resistisse ao tempo e a alma o deixasse descansar.
A partir de tal experiência comecei a analisar que fosse possível haver um novo trajeto antes de chegar a eternidade e mesmo sem saber exatamente se sim ou se não estava certo que aquele lugar eu não queria voltar, nem tão pouco ver os meus passando por ali.
Foi assim que descobri que na escuridão não há dia e quando se está na luz não há noite, assim não fazia ideia da discrepância da temporalidade terrestre e sobrenatural, mas estava ciente que muito mais me seria revelado em momento oportuno.
Contudo pude confirmar que a temporalidade terrestre é apenas ensaio para a conquista da eternidade, que é escolha de nossa fé e nossas ações.
[Salve Deus.]




sábado, 23 de março de 2013

Carta recebida


Começo a narrar não parte de minha história vivida, mas um episódio especial que mudou todo meu existir.

Era uma manhã de segunda feira, ao acordar parecia ter perdido a memória. Não despertei em meu quarto como costumava, nem tão pouco em minha casa. Na verdade lembro-me de sentir muito frio e por isso acordei, mas ao abrir os olhos o susto superou a surpresa e me deixou atônito diante as imagens que meus olhos contemplavam.

Estava em um lugar desconhecido e difícil de descrever. Não era parecido com nada que já havia visto antes.

Não havia ruas nem calçadas, nem mesmo casas ou comercio, talvez fosse assemelhado a uma caverna. Eu não conseguia ver começo nem fim, não sabia como havia chegado aquele lugar. As paredes eram grotescas e baixas, deixando evidente serem rochas, mas delas brotavam água sem parar, que deixava o solo pantanoso e causava a sensação de frio.

A princípio eu pude observar as paredes e o chão, não queria sair do lugar, olhava para direita e não via ninguém, mas ouvia diferentes pedidos de socorro e gritos de dor. Eram gemidos sofridos e aflitos, como se tivessem sendo torturados, os gritos intercalavam com risadas macabras que soavam crueldade. Olhei para esquerda e também não vi muito além, o ambiente era escuro, não havia luz alguma, meus olhos só conseguiam ver ao meu redor.

Distante dali, ainda à esquerda, por vezes surgia um raio de luz seguido de certa calmaria, mas tudo se passava de forma muito rápida e quando a luz se esvaia os gritos se tornavam ainda mais intensos e desesperados.

Por muito tempo fiquei ali parado, sem me mover, sem sair do lugar. O medo parecia ter me roubado as pernas e só a mente estava ativa. Depois de certo tempo já nem me importava onde estava ou como havia parado ali, só desejava encontrar a saída. Ciente que me manter ali não mostraria como sair, coloquei-me a andar. Como os gritos da direita eram estridentes optei por seguir para a esquerda, onde os gritos pareciam mais distantes, mas a cada passo uma visão me surpreendia.

Meus olhos pareciam habituados à escuridão e via tudo como vultos. A princípio tentava olhar adiante o que pudesse ver, caminhava sobre a água fria e barrosa daquele lugar. Dei alguns passos e logo os gritos ficaram mais distantes, dando lugar a sussurros, não entendia muito bem o que diziam, pareciam milhares de vozes falando ao mesmo tempo, continuei e os sussurros não cessaram. Lembravam-me o som de uma vitrola velha quando queria sintonizar uma rádio qualquer, apenas chiados desconexos, sem clareza, mas eu sabia que tentavam dizer algo do tipo pedido de socorro.

Com a mente atordoada e confusa continuei até que senti como se algo tivesse mordido meu pé. Sabia que não era um animal, pois não senti dentes, mas senti certa pressão. Abaixei meu olhar e me deparei com a pior imagem que meus olhos já puderam contemplar. Imaginei estar em um pesadelo, pois era pior que qualquer imagem de filme de terror, tentei acordar, mas foi em vão.

Ali, sob meus pés, milhares de rostos submergiam e voltavam à superfície, não via corpos nem outros membros, apenas os rostos disformes, as bocas sem dentes e os olhos me olhando como que pedindo socorro. Ao fita lós pareceu que o desespero deles aumentou e um rosto sobrepunha o outro gruindo como que tentando me dizer algo, nesse momento me desesperei e corri o mais rápido que pude, não deixando de olhar para baixo, vendo que o caminho era repleto deles, foi nesse momento que bati em algo e caí. Senti como se todas as mãos que eu não havia visto antes tentassem me puxar para baixo na esperança de sair dali.

Levantei-me o mais rápido que pude e vi que havia batido em uma rocha, a parede e o teto se encontravam e alguns lugares eram mais baixos que outros. Segui o caminho à frente, que fazia uma pequena curva um pouco mais a esquerda e pude ver que meus pés já estavam em solo firme, não sei dizer ao certo que matéria prima era aquele solo, mas era mais firme que barro ou argila porem mais mole que a parede de rocha.

Olhei para traz e percebi que aquele lugar pantanoso no qual estava era uma espécie de lago, estava tão cheio do que parecia pessoas presas ali que a saturação não me permitiu afundar. Confirmei estar em um daqueles pesadelos onde mesmo sabendo se tratar de um sonho não conseguimos acordar, já imaginava um precipício a qualquer momento de onde me jogaria e então despertaria antes de chegar ao chão, mas não foi isso que aconteceu.

Os gritos de socorro ficaram próximos e agora conseguia ouvir claramente, havia muito choro e lamentação, as vozes se misturavam de homens e mulheres, ouvi então um som que parecia chibatadas, seguido de uma risada sarcástica e cruel.

Estava novamente cercado, mas agora as pessoas caminhavam de quatro como animais quadrúpedes, seus rostos eram desconfigurados e parecia não enxergar, pois trombavam uns nos outros. Corriam gritando, chorando e gemendo de um lado para outro, sem rumo certo, como baratas tontas. Alguns arriscavam parar e nesse momento um grande chicote de fogo surgia no ar atingindo-os ao ponto de parti lós ao meio. Uma massa gosmenta caia ao chão e se fundia formando o ser novamente ainda mais disforme. Por não enxergarem não podiam me ver, mas a cada clarão era como se pudessem sentir minha presença, não conseguia ver as expressões de quem auferia as chibatadas, mas o som das gargalhadas era suficiente para me gelar a alma.

Houve um instante em que uma das chibatadas de fogo quase me atingiu, me vi em meio a uma névoa de fumaça com um cheiro sufocante, não aguentei e vomitei. Não sei ao certo o que saiu de meu estomago, era parecido com uma espuma branca e gosmenta, mas não pude analisar por muito tempo, pois os seres atacaram na tentativa de comer e eu me afastei, observando tudo um pouco distante. Os que seriam braços e pernas não se dobravam e assim eles não conseguiam alcançar o chão, alguns caíram e aproveitaram para lamber a gosma, e nesse momento o chicote de fogo surgiu ainda mais ardente.

Não fiquei parado para ver como terminaria aquilo e continuei a andar, parecia que o pesadelo estava findando, pois por um tempo não escutei barulho algum. Era apenas a negritude, o frio, o cheiro estranho, as paredes rochosas e eu, mas estava enganada, das paredes saiam pessoas sem membros, apenas corpo e cabeça, pude perceber que eles possuíam boa visão, pois olhavam dentro de meus olhos como que querendo ler minha alma ou me relatar as deles. Tentei questionar porque estavam ali daquela forma, mas eles vinham e iam, na rocha, como se fossem minhocas na terra, e de alguma forma sabia que eles não podiam me ouvir nem falar.

Escutei barulhos parecidos com gigantes panelas em cozimento, me aproximei e de fato algo parecia cozinhar, eram buracos aparentemente profundos no chão e não havia ninguém por perto. O conteúdo que estava sendo cozido exalava um odor mais forte que todos os outros que eu havia sentido. Cuidadosamente atravessei aquele local, e quando tomei certa distancia pude ver a tal substância que queimava subir como vulcão e atingir todo caminho por onde eu havia passado. Nesse momento os gritos pareciam se unir aos gemidos e sussurros formando um som estridente e quase insuportável, toda estrutura do local tremeu, como se as pessoas minhocas estivessem acelerado seus movimentos, a fim de não ser atingidas, o que era em vão, pois elas sempre voltavam para o mesmo lugar. Não fiquei observando por tempo suficiente para ver o que aconteceria a seguir, estava com medo, e assim a disposição de sair logo dali falou mais alto.

Não sabia quanto tempo havia se passado. Ao tempo que tudo parecia rápido sentia como se fosse uma eternidade. Houve momentos em que minha respiração parecia parar me sentia sem ar, sufocado, minhas pernas pesavam como que me impedindo de caminhar, meus braços pareciam adormecidos, meus olhos estavam ardendo e meus ouvidos cansados. Só minha mente não cessava, os pensamentos eram turbilhões de perguntas e afins. Havia muita curiosidade de saber que lugar era aquele, mas o desejo de sair dali era maior. Nesse momento me veio à indagação: sair e ir para onde?

Sentei-me no que pareceu um canto, encostada na parede, o teto não estando distante, e fechei os olhos. Diante mim revi minha vida como quem assiste a um filme no cinema. Todas as oportunidades perdidas, todas as escolhas que se revelaram erradas, os conselhos que ignorei as palavras malditas que lancei os projetos inacabados, as desistências no caminho, a fraqueza em cada novo desafio.

Tudo aquilo me sufocou ainda mais e me delimitou. Foi como se eu estivesse sem membros, sem sentidos, sem nexo. Então surgiram vozes entoando orações, a princípio eram vozes desconhecidas, vozes que não distinguia, mas que pediam por mim. Vozes sublimes e redentoras me acalmaram, não pude ver quem era, mas pela luz que erradiava paz sabia ser do próprio Criador através de Seu Espírito que intercedia da terra e de Jesus Cristo, que intercedia do céu. Senti-me repleta de afeto, um carinho sobrenatural me preencheu, me lembrei de meus pais e irmãos, de meus filhos, de minha mulher. Então novas orações surgiram e dessa vez pude reconhecer a voz, era minha.

Observei que cada pedido vinha acompanhado da solicitação para que o Senhor me livrasse de tudo aquilo que me separava dEle, que não permitisse pessoas mesquinhas, mentirosas e falsas em meu caminho, que independente de meus planos predominasse o Seu projeto para minha vida. Eu entregava minha vida nas mãos de Deus em oração, e o fazia com toda fé, pois esse era o desígnio de meu coração, mas as ações não condiziam com os anseios e assim eu sempre fazia escolhas por mim mesmo, o que era contrario a vontade do Senhor, por isso tudo sempre ficava pela metade.

Revi quantas oportunidades tive de falar sobre o Criador, quantos momentos eu podia aliviar dores com uma simples conversa ou com palavras de consolo, e ainda assim temia esvair de meu limite e usava o bom senso como argumento, falando apenas a quem me questionasse. Deixei de irradiar luz por onde passei e meu brilho foi se apagando. Sobre mim havia uma unção que não podia ser vista, mas eu sentia, pois era como um fogo santo a queimar, mas ao invés de alimentar esse fogo abençoando as pessoas, contando minhas experiências, servindo aos irmãos, minha timidez e todo receio, de não ser bem visto, aliado ao meu desejo pessoal de crescer profissionalmente e juntar bens fizeram o fogo se apagar.

Já havia passado dificuldades na vida, já conhecia bem a face do fracasso, mas agora ele havia chegado de maneira avassaladora que me cegava as esperanças e me ofuscava a fé.

Lá estava eu, um homem que havia se separado da esposa devido às dificuldades financeiras, não conseguindo cumprir com meu papel de progenitor optei por abrir mão de minha família, acreditei que assim eles não sofreriam comigo, afinal meus sogros tinham melhores condições de ajudar minha mulher e nossos filhos. Nossos filhos... Dois garotos que ainda nada sabiam da vida, ainda viviam no mundo de inocência e pureza. Nem faziam ideia da guerra que os esperavam na maturidade.

Voltando a mim, um homem no auge dos seus 28 anos, que muito viveu, já teve excelentes cargos de chefia em diferentes empresas, sempre foi bem colocado no mercado de trabalho, sempre poupou para emergências, sempre pode escolher onde e com o quê trabalharia, pois as oportunidades lhe batiam a porta, sempre rodeado de colegas e amigos. Popular e agradável, com a agenda sempre lotada, convidado dos melhores eventos, sempre por dentro dos melhores acontecimentos, de classe média, mas sempre cercado pela alta sociedade, comia o que desejava a qualquer hora ou dia, agora não tinha mais nada disso.

Desempregado há quase um ano, só recebia propostas para ganhar salário mínimo. Sem minha esposa, sem meus filhos, sem nome no mercado, com dividas que ultrapassavam a lógica, sem um meio de condução, com a conta bancária zerada, sem dinheiro nem mesmo para me alimentar ou me locomover. Tentar uma vaga de emprego parecia utopia, pois não havia dinheiro nem mesmo para pagar um coletivo e chegar à entrevista.

Em casa o telefone toca, é um amigo indicando um super trabalho que poderia me trazer novamente as minhas origens, poderia me ajudar a sanar minhas dividas e ainda a sair da casa de meus pais, onde estava vivendo da caridade deles. Durante a ligação me entusiasmo e digo que entrarei em contato com a pessoa responsável pela contratação, anoto o numero, mas ao desligar a realidade esbraveja em minha frente como um ditador feroz. Como ligar se não tenho telefone nem mesmo dinheiro para comprar um cartão de orelhão? Quanta aflição, quanto desespero, de que adianta a força de vontade se os fatores externos não colaboram?

Sobre a estante uma caixa de remédios, diferentes tipos. Os pensamentos são tão perturbadores que desejo cessa lós. Preciso dormir, mas minha cabeça dói. Os pensamentos não param. Preciso de remédio para dor de cabeça, outro para pegar no sono, porque não tomar todos que estão aqui? Porque me preocupar com a indicação? Quero dormir, bom seria nunca mais acordar, não ter mais uma vida com qual me preocupar, apenas me desligar e pronto. É isso ai. Vou tomar todos e dormir.

Nesse ultimo momento estava vivendo de fato a situação, tomei inúmeras caixas de remédio e então abri os olhos e voltei aquele lugar escuro e frio. Não sabia discernir o que era real e o que era sonho. Não entendia porque não acordava daquele pesadelo. Fechei novamente os olhos e uma dor horrível corroia meu estomago e se dissipava por todo corpo. Parecia haver vida em mim, uma baba grossa espumava de minha boca, foi quando finalmente acordei. Acordei naquele mesmo momento em que não sabia onde estava, onde o frio me despertou e pude ver um lugar parecido com uma caverna com paredes rochosas emendando com o teto e o chão pantanoso. Retornei ao principio, teria que refazer todo aquele caminho novamente e voltaria para onde estava sentada em um canto de olhos fechados revendo toda minha existência. Entendi que estava vivendo algo redundante e cíclico, não importava o quanto eu caminhasse eu voltaria para o mesmo lugar.

Coloquei-me a chorar, não com lágrimas saindo dos olhos, mas com uma dor voraz que saia da alma e encontrava com a dor do coração. Não queria estar ali, mas também não queria voltar àquela situação deplorável. Queria sim dormir eternamente, mas como se apaga uma luz, cortando toda energia, queria desligar minha mente, minhas lembranças, todas as possibilidades de estar em algum lugar. Queria ser como uma gota de água que evapora quando aquecida, mas era bem diferente, eu até podia sair da condição que estava vivendo, mas acabaria ficando ali, preso naquele lugar que nem mesmo sabia onde nem o quê era. Eu não desejava nenhuma das duas opções e chorava incessantemente desejando orientação, foi quando senti um leve toque na cabeça, foi como se uma energia percorresse todo meu corpo. Tentei abrir os olhos, mas não consegui. Meu corpo estava envolto em uma luz muito forte, era o mais branco da pureza, um tom jamais visto antes. Fiquei cego e atordoado.

Não sei quanto tempo fiquei desmaiado, mas despertei em outra atmosfera, o lugar era repleto de luz do dia. Não sei explicar onde estava. Despertei sobre a grama, mas era mais confortável que qualquer colchão que eu conhecia. Havia muitas arvores em volta e muitos animais de diferentes espécies também. As pessoas caminhavam em meio a eles como que interagindo entre si. A principio me amedrontei, pois haviam inúmeros animais de grande porte que normalmente eram selvagens, mas até os tigres ali pareciam inofensivos gatinhos.

Eu despertei, mas não levantei, observava tudo deitado onde estava, temia o que aconteceria quando levantasse. Sobre toda extensão daquele lugar havia tecidos brancos amarrados nas arvores, como que formando tendas.

Um rugido soou por traz de mim, o medo foi tamanho que nem mesmo consegui me virar para olhar o que era. Um homem, aparentemente com seus 50 anos, se aproximou e com um sorriso suave me saudou. Perguntei onde estava e ele me disse que aquele era um hospital e que eu estava ali para tratamento. Eu não entendia aquilo, um hospital na natureza e eu nem doente estava.

Imaginei-me em um sonho, mas o lugar era tão lindo, a sensação era tão boa que eu não queria acordar. Levantei e ao meu lado estava um leão, aparentemente mais feroz que os que já havia conhecido em zoológicos e circos, era mais robusto, mais bem tratado, o pelo era brilhante e aparentemente macio. O animal olhou dentro de meus olhos e foi como se pudesse ler minha mente, o olhar lançou fora tomo medo que eu sentia e toquei lhe o pelo. Seu pelo era mais macio que qualquer coisa que pudesse me lembrar, seus dentes eram brancos e afiados, podia ver minha imagem refletida neles.  Levantei-me com a ajuda do homem que me falava sobre tudo que veria ali, mas minha mente não capturava nada do que ele dizia,estava atônito com aquele animal tão próximo de mim.

Quando me coloquei de pé o leão fez o mesmo, percebi que ele batia em minha cintura, era alto e forte. Ele novamente rugiu, o homem sorriu como que satisfeito com a situação, dessa vez eu não senti medo, ao contrario, uma paz me tomou. O homem disse que eu já estava pronto para explorar o lugar, pois minha alma e de meu guia já haviam se reconhecido, e após essas palavras ele saiu cantando uma canção que não pude ouvir, mas pude sentir que emanava paz.

Olhei ao meu redor e todo mundo que estava por ali brincava com  um animal, haviam pessoas deitadas como que dormindo, mas até ao lado dessas havia um animal aguardando o despertar do sono. Procurei pelo meu guia e não vi ninguém, foi nesse momento que ouvi um novo rugido. Não sabia exatamente o que aquilo significava, mas o leão foi caminhando e eu sentia que devia acompanha ló.

Não sabia há quanto tempo estava naquele lugar, não sabia por quanto tempo havia dormido, não sabia sequer como havia chegado ali. O leão caminhava entre as pessoas e os outros animais que se curvavam levemente e sorriam. Após um tempo de caminhada olhei para traz e vi que todos estavam distantes, já não via mais tecidos, apenas nuvens azuis e brilhantes cobriam o céu. O sol estava claro, parecia maior, era como se eu pudesse ver uma grande bola de fogo queimar perto de mim, mas a sensação térmica era agradável, uma suave brisa tocava minha pele.

Ainda estávamos caminhando sobre uma grama verdinha e macia, foi quando percebi que eu não estava usando minhas roupas normais, eu estava com uma espécie de túnica longa que chegava aos meus pés. O tecido era claro, um branco diferente, era fino e leve, em nada lembrava os tecidos que sempre conheci e usei. Olhei em volta e havia muitas flores espalhadas como que em cercados, onde muitas borboletas pousavam. Ouvi um zunir e percebi que havia também muitas abelhas por ali, beija-flores, joaninhas e dezenas de espécie de insetos que eu não conhecia, todos pareciam olhar quando passava.

Um som diferente se fez no ar, e o leão novamente rugiu, como que me pedindo para caminhar mais rápido, pois ele já estava distante de mim. Parei de olhar para traz e para o lado e olhando para o felino caminhei rápido. O som aumentava de acordo com as passadas que dava. O leão parou e sentou como faz um cão diante algo interessante de se ver. Quando me aproximei não podia ser diferente, me sentei e contemplei toda maravilha que meus olhos jamais haviam visto. Estávamos sobre um monte, era como um morro, de onde podíamos ver o que se passava lá em baixo.

Havia uma imensa cachoeira que desembocava em um rio de águas calmas e transparentes. De cima podia ver tudo que se passava sob as águas, como se fosse um aquário. Muitas pedras, peixes, diferentes seres vivos que eu não conhecia. Em torno do rio muitas arvores de diferentes espécies, algumas frutíferas, muitas flores em locais reservados, as pessoas e os animais brincavam em volta. A direita uma grande toalha branca estava posta, e as pessoas vinham uma a uma colocando as frutas que haviam colhido ali.

Ficamos observando de longe até que um grave som se fez. Era como um raio no céu, mas não vi clarão, apenas o som. Não havia chuva ali, mas o clima agradável indicava que ela havia passado, e após o estrondo um belo arco ires se formou. Parecia descer de traz do sol pelas nuvens e chegar ao chão. Todos olharam admirados por alguns instantes, até que voltaram e se sentaram ao redor da tolha branca. O leão que me acompanhava também se levantou e desceu rumo ao que parecia um pic-nik. O segui como sentia que tinha que ser. Ao meu lado havia outras pessoas com expressão de tão perdidas como eu, todos nos olhavam como que nos saudando por estar ali e acenavam para que comecemos.

Eu não sentia a menor fome, mas visto que todos esperavam que eu provasse algo não me opus. A minha frente havia um belo cacho de grandes uvas verdes, peguei uma e comi. A sensação que tive foi de liberdade, me senti leve e livre, como se aquela uva tivesse mais que sabor, o que já seria difícil visto que era a fruta mais doce que já havia provado. Seu gosto não era de uvas comuns, era um saber que incitava vida. Não resisti e provei então uma maçã, uma pera, um caqui, um kiuí, e muitas outras frutas que ali estavam. Quanto mais eu comia mais sentia gosto de vida, não consigo explicar o que era nem tão pouco como era, mas eu não sentia fome nem tão menos necessidade de comer, mas o sabor daquelas frutas era algo mágico.

Um novo trovão soou, e todos levantaram e saíram, eu não entendia porque não podia continuar a comer, ainda havia tanta coisa ali, e por mais que eu não estivesse com fome degustar aquelas frutas me causava prazer.

O leão olhou dentro dos meus olhos e sem piscar ou rugir me fez segui ló, naquele momento confirmei que aquele era de fato meu guia, pois sem dizer uma palavra só de me olhar eu entendia o que ele dizia.

Fomos até o lago que se formava ao final da cachoeira, era na verdade o belo rio que havia visto do alto. As pessoas que pareciam não entender nada, assim como eu, estavam a frente rodeando o lugar, os animais se colocavam atrás. Um leve vento começou a soprar, ele parecia trazer uma canção, a mesma canção que o homem havia saído cantando antes. Não me era possível entender o que dizia, nem tão pouco distinguir as notas, mas me trazia calma e paz.

Fiquei ali, como os outros, parado escutando a musica. Foi como se ela me conduzisse a um transe, fechei meus olhos e sem ver me deixei levar.

Um grande choque me despertou, vi que estava em meu quarto agonizando em dor. De minha boca saia uma gosma espumada branca. Recordando os inúmeros medicamentos que havia tomado lembrei-me do desejo de adormecer e não mais despertar, e novamente se passou o resumo de minha existência como que em um filme a minha frente. Com essas lembranças novamente fui levado naquele local que parecia uma caverna, o frio gelava minha alma, os gritos eram ensurdecedores, as pessoas eram de longe humanas. Senti-me sufocado e temeroso e foi nesse momento que a luz mais alva que qualquer luz já vista ou narrada me percorreu o corpo, escutei como que distante o som do vento cantar a canção que não entendia, mas me acalmava e trazia paz. Abri os olhos e ainda estava ali, diante aquele rio, com pessoas desconhecidas e animais de todas as espécies e tipos.

Senti uma grande vontade não sair daquele lugar, mas eu sabia que uma hora ou outra eu voltaria a percorrer aquelas lembranças que me causavam dor. Desejei nunca mais abandonar aquela serenidade que sentia. Sentia-me completo, era como se a paz me preenchesse de tal forma que nada mais me importava. Se desejava adormecer queria acordar ali, naquele local, e nunca mais dormir. Queria viver cada minuto daquele paraíso.

Quando estava ansiando não sair dali o leão novamente rugiu, dessa vez como que me alertando de algo. A princípio não discerni o que queria dizer, mas depois foi claro o saber que eu ainda não estava pronto para ficar ali.

Só o fato de ainda ter lembranças, o fato de ainda questionar sobre dormir e acordar, tudo isso revelava que eu ainda não estava pronto para permanecer ali. De alguma maneira eu sentia que estar ali era a glória e não queria sair.

O leão olhou me novamente dentro dos olhos, mas dessa vez me transportou para momentos de minha existência nos quais eu nunca havia dado valor. Guiou-me diante breves instantes em que eu ajudava um cego a atravessar a rua, instantes em que eu sedia o banco aos mais velhos, instantes em que eu deixava de comer algo que estava desejando para dar a um pedinte na rua, instantes em que eu ia contra a lógica dos fatos e dizia palavras de incentivo e apoio a pessoas que precisavam de direção.

Revi diversos momentos em que me vi no chão e encontrei um meio de me levantar. Me vi contemplando flores, e admirando a criação. Me vi feliz ao ouvir o som dos pássaros a cantar. Me vi alegre ao contemplar a infinidade de tons e a diversificação das cores. Revi que muitas vezes eu não conquistava o que queria por abrir mão do meu anseio em função do anseio do próximo, mas tudo isso inconscientemente, por que era minha essência e fugia ao meu racional, por isso muitas vezes quando a razão me cobrava eu me sentia perdido e me alienava. Foi nesse momento que senti queimar em mim um desejo de começar novamente.

Não importava quão ruim estava não me importava o que estavam dizendo ou pensando. Eu sabia que havia feito tudo conforme o momento. Claro que havia muita culpa pelos erros, mas em cada escolha havia o desejo de acertar. E por pior que eu estivesse ainda tinha membros, ainda tinha sentidos e isso me tornava capaz de começar novamente. Por mais que fosse humilhante a dependência, por mais que fosse constrangedor passar necessidades, eu ainda era dotado de saúde para começar.

Com esses pensamentos o desejo de dormir e nunca mais acordar deu lugar a um desejo muito maior de despertar para a vida. De sair da condição de ser existente para a condição de ser que vive a existência.


Abri novamente os olhos e todos me olhavam como que se despedindo. Nos olhos do leão haviam lagrimas acompanhadas de uma expressão de satisfação e vitoria. Era como se ele me dissesse que havia feito à escolha certa. Sem entender nem questionar entrei no rio. A água era cristalina. A princípio me pareceu fria, mas me lembrei da caverna gelada e percebi que a temperatura era agradável, caminhei mais para o centro do rio que parecia não ser tão fundo, visto que as águas permitiam ver o solo. Enquanto caminhava novamente o leão rugiu, me virei para vê ló, mas era tarde, ele já havia saltado sobre mim. Veio tão rápido que não pude vê ló, apenas senti seu peso sobre meu corpo.

O choque, do peso do corpo do imenso felino contra o meu, pareceu causar um impacto tão grande que me transportou para outra dimensão. Apreensivo de onde estaria abri os olhos assustado e lá estava eu, deitado sobre uma cama de hospital com tubos por todo lado.

Meu corpo estava frágil e já não queria lutar, os equipamentos que mantinham meu coração funcionando. Meus sinais vitais eram escassos. Ao redor estavam meus pais, meus filhos e minha mulher, todos de mãos dadas levantando clamor a Deus. Então reconheci que aquelas eram as vozes que havia escutado, mas não havia discernido. Pude escutar claramente eles pedindo para que predominasse a vontade do Criador, que eu descansasse em paz onde quer que fosse em vida ou em morte.

Atrás de cada um deles havia uma pessoa amparando com as mãos os pensamentos. Os rostos me eram familiar, do tal local de tratamento. Um homem entra na sala e vem em minha direção. Eu estava de pé, de frente para meu corpo delimitado e frágil. Percebo que é o mesmo homem que falou comigo quando despertei na grama verdinha, e pude sentir que era o mesmo homem que tocou minha cabeça quando estava sentado em um canto na caverna fria, ele chegou com a mesma luz, mas dessa vez menos ofuscante. Não foi possível contemplar seu rosto e sua idade nada tinha haver com os 50 anos que havia imaginado antes, na verdade sua existência nada tinha haver com o tempo cronológico vivido na terra.

Bem certo foi a interpretação quando ele me disse que eu devia fazer a escolha, pois meus familiares já sofriam em demasia, visto que para eles já haviam se passado longos meses em que estava naquela situação. Nesse momento entendi o que de fato significa livre arbítrio e o que quer de fato dizer que o tempo de Deus não é o tempo dos homens.

Minha escolha foi voltar a humanidade, não apenas como ser humano que sou, mas sendo humano em minhas ações com o próximo e deixando meu ser falar mais vezes. 

Aprendi de uma maneira indescritível e inexplicável que muito mais vale ser que ter. Que admirar as coisas simples da criação nos leva para perto do nosso paraíso pessoal. E assim, acreditando que um dia me será permitido viver eternamente em uma bela colônia de tratamento, não sendo tratada, mas ajudando a tratar é que voltei à vida terrestre.

É verdade que poucas lembranças ficaram das sensações de tais experiências, mas desde então em mim começou a arder um imenso desejo de evoluir espiritualmente, a fim de um dia poder viver toda paz novamente, de poder provar tão doce sabor das frutas e de ter como guia um protetor que de fato conhece até meus pensamentos.

Até esse tempo tinha plena ciência e conhecimento que do todo, da eternidade, muito pouco havia sido revelado e sabia que muito ainda viria a conhecer, mas essa experiência me bastou para escolher viver a existência terrestre como me era proposto, aceitando os desafios e encarando as consequências, certo de que um dia todo sofrimento seria muito bem recompensado.

Manter em vida terrena o equilíbrio mental aliado ao emocional se aproximava daquela paz que sentia naquele lugar sobrenatural. E foi assim que optei por nunca me desesperar e aguardar que tudo se desse, independente dos obstáculos. E posso afirmar que de fato foi a melhor escolha que fiz.

É com grande satisfação que narro uma de minhas mais audaciosas experiências com o sobrenatural. Muitas outras ainda virão, mas cada uma em seu tempo determinado.

Eu creio!

[Com a graça e a paz, do nosso Senhor Jesus Cristo, saúdo você. Minha benção está sobre ti.] 


Obs.: As vezes escrevo coisas que nem mesma entendo, as vezes vejo de fato o que relato em textos como se eu estivesse lá, mas sei que meu corpo não saiu do lugar, mas as vezes é ainda mais estranho, pois é como se não fosse eu quem estivesse escrevendo. Simplesmente começo e não consigo parar até que tudo esteja terminado. Muitas vezes tenho medo de reler, pois não reconheço o conteúdo, é como se não tivesse saído de minha imaginação, não me recordo de ter escrito nada do contexto...
De certo modo me vi nos lugares narrados, senti o frio, senti o cheiro, meu coração acelerou ao mesmo compasso que depois se alegrou, mas eu não sai do lugar, estava o tempo todo sentada em minha cama escrevendo, dessa vez ao reler não só o conteúdo me intrigou, mas a primeira frase que cortei onde constava: “Olá, me apresento a você como Henrique Alberto Damascena, quando o fato a ser narrado ocorreu eu tinha 28 anos na cronologia terrestre. “

Não conheço ninguém com esse nome, bem como minha memória não me recorda nenhum fato que eu possa inconscientemente ter ligado a ele. Não consigo explicar porque nem mesmo consigo entender. Às vezes temo perder a sanidade e me ver presa em um manicômio qualquer, as vezes temo dar asas demais a minha imaginação e alcançar lugares onde não consiga voltar a realidade... Não sei ao certo como, mas continuo escrevendo o que diz respeito a mim ou o que prefiro chamar de contos, que passam diante meus olhos como filme.

Bom seria se minhas mãos acompanhassem minha mente...


Postagens populares

Arquivo do blog

Páginas

Postagens populares