Dentre as experiências que vivi na infância uma vem me
tomando os pensamentos há alguns dias: a santa.
Dizer que nunca fui adepta a imagens porque não suporto
idolatria é redundante. E não só a adoração a imagens ditas santas, não suporto
idolatria mesmo, adoração a ídolos. Existem vários artista que admiro pelo belo
trabalho, muitos parecem ser humanizados, logo generosos, mas nem por isso
coleciono fotos, tao menos fico admirando, beijando a imagem e fazendo juras de
amor. Talvez por isso que sempre admirei coleções, mas nunca consegui te las.
Não sou do tipo que se prende. Não gosto da ideia de ter
raiz. Acho que meu espirito já se incomoda por de mais por estar preso nesse
corpo físico e ter tão pouco a fazer, por isso ele precisa de liberdade, desse
modo não me prendo a nada, não tenho amor a nada material, a mim basta a
vestimenta do momento e o alimento do dia, pois creio que o amanhã tudo novo se
fará e como Jesus nos ensinou “cabe a cada dia seu próprio peso”.
Confesso que houve fases em que eu ainda não sabia criticar,
sempre respeitei a opinião alheia, até porque a meu ver um grande exemplo de
Amor que Cristo nos deixou é o livre arbítrio, mas mesmo respeitando sem querer
influenciar em diversos momentos surgiam assuntos envolvendo a adoração das
imagens e em muitos deles não conseguia me expressar como gostaria e as pessoas
acabavam me taxando de incrédula, egocêntrica, e outros adjetivos que nem
consigo expor. Mas a questão é que ninguém viveu minhas experiências, ninguém
sabe de fato o que já vi, ouvi e senti.
Foi tudo a tanto tempo, mas o passado volta como se tivesse
sido a pouco, trazendo respostas de perguntas já esquecidas.
Com a maturidade adquirida aprendi a demonstrar meu respeito
de maneira fraterna, não cessaram a discussão, mas abrandei me ao expos minha opinião
e tenho notado que com isso não estou só ganhando mais atenção ao falar, mas
estou levando as pessoas a pensarem.
Ainda não estou adepta a imagens, pois como sempre digo não
importa a aparência de um amigo o importante é o carinho que nutrimos por ele.
Ainda não aprendi a orar para aqueles que a igreja católica canonizou, mas
consigo orar por aqueles que meu coração reconhece como exemplo de bondade e
afeto.
Assumo que sempre julguei necessário orar pelos vivos, pois
sempre acreditei que esses sim são carentes de cuidado e atenção. As pessoas, e
me incluo na afirmação, vivem um mundo de fantasia, onde se fazem personagens e
criam seus personagens, por isso há tanta frustração, decepção, desalento.
Procuramos nas ilusões o alivio que só a Verdade carrega por ser um caminho
mais curto, mas nem sempre o caminho mais curto é o mais fácil e assim a
temporalidade terrestre vai sofrendo com erros cíclicos, que muitas vezes
cobram um preço alto de mais, mas tudo por falta de parar, analisar, meditar e
aceitar.
Estamos tentando seguir um ritmo que não é para todos, cada
um tem seu estagio de evolução e a cada um o ‘despertar’ chega de forma
coerente, basta que paremos para analisar os sinais.
Ah os sinais. Eles estão a nossa volta o tempo todo e não
percebemos, na verdade os ignoramos e quando algo não dá certo nos perguntamos
porque não seguimos nossa intuição...
Complicamos tanto essa existência buscando tirar dela o máximo
de proveito que esquecemos que essa é a escola da vida, não o play grand.
Requer renuncias, dedicação, estudo e principalmente conscientização.
Não me recordo que dia da semana era, lembro me que era
final de tarde. Estava eu na casa dos meus 11 anos, de férias na casa de uma
tia, no interior do interior.
Acabara de fazer a primeira comunhão, não sei exatamente porque,
mas nessa época havia na igreja católica central da cidade em que morava um
padre que já não realizava missas devido a avançada idade. Lembro me que na
verdade me apetecia ir a missa e sim ir conversar com ele. Não me recordo
exatamente de seu rosto, sei que tinha traços de um homem cansado, mas
expressava muita ternura e sua presença inspirava paz. Ficava horas conversando
com ele e ouvindo seus ensinamentos, falava sobre tudo que via e ele não se
assustava, dizia apenas que eu devia orar e me aproximar de Deus. Não me
recordo de nenhuma critica ou bronca, ele sempre dizia que meu coração embora
jovem era inquieto por resposta e que o tempo me traria todas, bastava crer.
Engraçado que não sei exatamente quando aquele alma
abençoada deixou a terra, mas sei que depois disse nunca mais fui a igreja
católica. Desde então passei a frequentar igrejas evangélicas, o que apesar de
descortinar muito do sobrenatural pode ter sido um grande erro, pois vi minhas
esperanças no humano se esvair pouco a pouco, ou melhor, de ministério em
ministério...
Embora tivesse acabado de fazer a primeira comunhão, embora
comungasse, embora ajudasse a servir a hóstia, embora lê se os textos do evangelho
na igreja católica, meu coração não aceitava o todo.
Sempre acreditei no poder da oração. Sempre nutri a fé como
o maior remédio da humanidade. Sempre amei o evangelho com todo meu ser, sou
Cristã por amor a Cristo e a gratidão para com Ele jamais poderá ser mensurada.
Apesar de errante sempre o coloco diante mim, não me basta Ele estar comigo,
preciso estar com Ele, assim em tudo que vou fazer me pergunto antes: o que
Jesus faria? Desse modo sei quando algo pode ser dito errado ou não e a escolha
é puramente livre arbítrio.
No entanto, mesmo amando o evangelho, reconhecendo a
grandeza de homens como Paulo, o primeiro que quero conhecer no reino celestial
até, porque tenho uma grande admiração por suas experiências narradas. Jó,
outro exemplo que admiro, Maria Madalena, e tantos outros, os reconheço como ‘guerreiros
a frente da batalha’, foram pessoas escolhidas, carregam a marca da promessa
que eu creio já está sendo cumprida para eles, mas nem por isso consigo adora
los como santos.
Talvez seja minha pouca fé que me faz pensar assim. Talvez
seja pura ignorância. Talvez seja falta de amor. Mas a mim apensa um santo
existiu e foi Jesus Cristo, nenhum outro há e jamais haverá.
Uma pergunta que nunca havia sido feita me surge agora: a
igreja católica prega que após a morte do corpo físico a alma fica aguardando o
dia do juízo final, onde os bons subirão para o paraíso e os maus descerão ao
inferno, onde seguirão a eternidade. Sendo assim, porque santificam humanos e
oram a eles como se estivessem no céu? Há certa incoerência nisso.
Quanto mais analiso mais duvidas me surgem...
As férias seguia seu curso normal tirando que a pouco havia “previsto”
uma morte e isso ainda me incomodava. Íamos sempre as folias de reis que
passavam por ali. Havia muita gente, muita comida, muita bebida, buscando na
memoria havia um manto que carregava uma santa. Ainda nessa época eu até
beijava o manto pedindo proteção, sempre a Deus por intermédio de Jesus, nunca
a santa em si, por isso nem sei o nome dessa, mas fazia a ação por respeito,
bem como o sinal da cruz.
Não me lembro se naquela semana havíamos ido a uma dessas
folias, mas havia passado a tarde brincando como sempre fazia na casa de minha tia
e se bem me lembro comentamos sobre as imagens de santos e eu deixei nítida minha
indignação, dizendo que não entendia como os católicos conseguiam se reunir
todo domingo e fazer as mesmas orações. A meu ver era perca de tempo a
repetição de vãs palavras, pois oração maior é a que sai do coração. E nesse
ritmo seguiu a conversa. Nessa fase eu já era uma adolescente que se julgava
muito inteligente, não me deixava convencer por qualquer um, nem padres, nem
pastores, nem as freiras, nem os testemunhas de Jeová, nenhum deles nunca
conseguiu ter argumento diante meus questionamentos e assim as únicas respostas
que tinham vinham do sobrenatural.
Estávamos sentadas na porta da rua, como era de costume no
pequeno vilarejo. A casa muito simples, sem reboque, um alpendres recém construído,
um enorme banco de madeira na porta e um pé de amoras muito alto ao lado.
Conversamos, discutimos, como sempre fiquei sem respostas, e entrei a fim de ir
ao banheiro.
Corri o mais rápido que pude, pois estava apertada e não queria
demorar para voltar ao assunto, no entanto ainda na sala que dava caminho ao
banheiro uma das visões mais intensas que já tive me paralisou.
A porta do banheiro estava aberta, pude ver um clarão
preencher todo o espaço. Era uma luz branca muito forte que ofuscava minha
vista, mas ao passo que ela foi sumindo uma imagem foi se intensificando. No
vaso que parecia um trono dourado estava uma mulher, de pele clara, lembro me
que tinha um nariz fino, traços delicados, seus olhos era azul como o céu de
encontro ao mar em uma tarde ensolarada. Não pude observar seus cabelos, pois
estavam cobertos por um manto de azul mais claro que seus olhos, mas não eram
em demasia escuros nem claros. O manto cobria sua cabeça e descia por toda sua
vestimenta, que era de um branco límpido. Não pude ver seus pés, mas suas mãos
estavam juntas elevadas ao peito como que em oração, havia entre seus dedos uma
corrente que parecia um crucifixo.
A primeira vista ela estava com a testa encostada nas mãos
em oração, mas quando meus pensamentos pararam de analisa la foi como se ela
ouvisse o silencio assombroso que gritava dentro de mim, então ela levantou a
cabeça lentamente e me olhou fundo nos olhos.
Nunca consegui esquecer aquele olhar, ele alcançou o mais
fundo de meu ser e sem que eu pudesse entender o porque ela deixou cair sobre
sua pele clara lágrimas que escorriam até sua veste. Nesse momento que o susto
deu lugar ao pavor, pois não eram lágrimas simples, na verdade ela não demonstrava
dor, nem nada que eu pudesse identificar, além de decepção. Mas as lágrimas
eram de um vermelho tão intenso quanto sangue que corre nas veias. Ela chorava
um sangue vivo e sentido. Nesse momento senti algo dentro de mim que não há
palavras que descreva e sem conseguir me conter gritei.
Minha mente infantil pensou que fosse o momento de ir,
talvez aquela mulher tivesse vindo me buscar, e a sensação fosse à vida se
esvaindo de mim.
Quando o som saiu de minha boca ele já havia percorrido
diversas vezes meu corpo, mas nesse instante ela abriu um pouco mais os olhos,
apertou os lábios e em um suspiro desapareceu. Ao contrário da chegada a
partida não trouxe uma luz e sim uma suave camada de fumaça exalando um perfume
que desde então reaparece em determinados dias e lugares.
Minha prima veio ver o que estava acontecendo e percebendo a
fumaça disse que o vizinho devia estar queimando lixo ou algo do tipo, mas eu
sabia que não e que não adiantaria explicar, para todos eu era apenas uma
criança de imaginação fértil que se não me controlasse acabaria internada em um
manicômio qualquer.
Desde então nunca me esqueci da imagem dessa mulher que me
pareceu uma santa, nunca entendi porque de sua aparição e o que tentou me
dizer, não faço ideia do que ela pode ter visto no meu ser ao ponto de chorar
sangue, mas a partir desse dia passei ainda mais a questionar os mistérios do
sobrenatural.
Há mais ou menos 2 meses essa imagem é redundante em minha
mente, e revejo os olhos azuis marejados de um vermelho sangue que me inquieta
e agonia. Não consigo pedir discernimento, pois tenho medo das respostas, tenho
medo de novas aparições, tenho medo de descobrir que talvez meu ser não seja de
fato como imagino. Mas toda inquietação gerada pelos pensamentos e
questionamentos que me rondam foram em demasia uteis para me permitir o
respeito que nutro hoje por qualquer imagem que seja.
Aprendi a olhar a imagem não como algo a ser adorado e sim
como um retrato a ser observado, guiando o pensamento com foco. É como uma
fotografia, pode trazer recordações e guiar orações. Assumo que ainda não consigo
orar pedindo proteção a determinados santos, mas tenho aprendido que o
pensamento já é pedido de socorro, assim peço perdão por toda ignorância...
Já conversei com diversas pessoas, já estive em lojas de
artigos religiosos, mas nunca vi a santa que me apareceu. Há algumas parecidas,
mas nunca uma exatamente igual. Ela não tinha nada na cabeça além do manto
azul, nada nos braços além da corrente que simulava um crucifixo nas mãos. Seu
rosto fino de traços suaves deixava explicito um corpo magro por baixo das inúmeras
vestimentas que a deixavam rechonchuda. Dentre as imagens que vi pareceu ser
nossa senhora do Bom filho, mas também se parecia com nossa senhora das Graças,
no entanto lembra santa Barbara. Enfim, talvez eu nunca descubra, talvez tenha
sido mesmo apenas uma alucinação da minha mente infantil e desequilibrada, mas
sendo assim porquê a imagem não se perdeu no tempo como tantos outros acontecimentos?
Porquê tem me voltado a mente de forma tão redundante?
Há tantas perguntas sem respostas. Na verdade há tantas
duvidas sem respostas exatas para serem direcionadas.
Sei que há muito mais do que me foi revelado, bem como muito
aquém do que me foi descortinado. Já não quero entender o que se foi, não busco
mais resposta do que passou a fim de aceitar o presente, não me basta só fazer
diferente, quero ser diferença.
Minha luta nunca foi contra principados e potestades, e
agora já não é entre meu ‘eu ‘ e meu ‘ser’, já colhi informações suficientes
sobre minha existência e é chegada a hora de avançar. Descobri que os pontos de
melhorias nunca cessarão, porque na verdade eles fazem parte da constante
evolução, então é preciso me despir dos ‘se’ e começar a agir.
A ação deve ser constante crescente em paralelo a lapidação
do ‘eu’ em função do ‘ser’.
O primeiro passo foi dado e já não há opção de volta. Na
escada da vida a porta guiou me ao labirinto, já não há degrau anterior e a
cada passo o que estou se perde no espaço. Só há o caminho adiante, por isso é
preciso seguir, mas há uma luz sutil que me guia na direção que julgo correta.
Não tenho sabedoria suficiente para garantir a Verdade, mas
tenho experiências que me levam a crer que estou no caminho correto, pois o
código criado vem sendo confirmado e assim o equilíbrio me vem mesmo em meio a
duvidas, e a paz sela qualquer contradição.
Ninguém jamais será dotado de razão, pois só cabe ao
sobrenatural o conhecimento geral, o que a nós é revelado é apenas parte da
grandeza do porvir.
As dores de hoje podem confundir, mas a fraternidade da
eternidade confirmará qualquer duvida.
Sigamos confiantes ainda que tementes, pois a fé não se
trata de jogos momentâneos e sim de escolha de vida.
A decisão cabe a cada um, o livre arbítrio é pra todos.
Graça e Paz, fraternalmente.
ps.: hoje 04/08/2013 um dia após narrar o acontecido estava olhando o face e vi uma imagem com a mulher que me apareceu, o rosto é o mesmo, mas ela usava um manto diferente...as estratégias me assustam as vezes... vai entender...agora é descobrir que santa é e o que ela tentou me dizer!

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.