terça-feira, 20 de agosto de 2013

A cultura do Brasil diante a leitura


É curioso analisar que, apesar de ter iniciado suas atividades no século XVI, pelos jesuítas, o processo que deu independência a literatura brasileira só ocorreu no século XIX. Quando as obras ganharam destaque nos jornais da época e eram não só divulgadas, mas também comentadas. Fato que contribuiu para que a literatura se tornasse disciplina no ensino médio, quando se percebeu a necessidade de não apenas ler, mas entender questionar e quem sabe criticar os escritos.
O ato de ler divide opiniões. Há quem ame como também há quem odeie. Isso sempre existiu, no entanto até o final do século XX a leitura era aceita e praticada com certa facilidade, pois muitas vezes era não só uma obrigação escolar, mas o único passa tempo.
Ler permite que a pessoa treine sua linguagem, que conheça palavras cultas e pouco usuais, que conheça concordância verbal, que seja capaz de interpretar contextos e principalmente que desenvolva um senso critico.
Houve um tempo onde ler era diversão, causava sensações de prazer, êxtase. As pessoas se reuniam para discutir algo que havia sido lido, desse modo me arrisco a afirmar que a leitura as aproximava.
Com os avanços tecnológicos os livros foram ficando para segundo plano e hoje com os smartphones, ipods, tabletes, entre outros, sabe se lá em que plano estão.
As pessoas não se preocupam mais em cultivar uma amizade próxima, em conhecer os vizinhos, porque elas podem fazer isso sem sair de casa e sem presença física, assim estão cada vez mais interagindo na rede e é essa mesma rede que dominou o tempo e a mente dessa geração.
Há um bombardeio de informações sobre tudo, com isso se formou uma geração de acomodados (preguiçosos), que costumo chamar: “geração do instantâneo”. É mais fácil pegar pronto e se for o caso “maquiar”, que pesquisar e criar.
Desse modo a leitura, que devia ser abito, se tornou quase uma obrigação estudantil.
Pelo contexto histórico do Brasil podemos dizer que estamos vivendo na era universitária, onde a valorização de um diploma não só é notória por engrandecer um currículo, mas porque também é chave para a porta do mercado de trabalho. Porem, não é difícil perceber que em muitos casos o que vemos é a superficialidade de um curso feito sem a menor preocupação acadêmica, pois a única preocupação é em ter o titulo de uma profissão e não necessariamente ser um profissional, o que reflete em ditos profissionais que deveriam ser cultos, no entanto mal conseguem escrever.


Com a escassez da leitura não há senso critico, as pessoas não querem aprender, estão robotizadas aos decorebas, pois “a rede” lhe oferece formulas, ideias, conceitos prontos para tudo, assim a facilidade das informações gera robôs do sistema, onde o “clrt C clrt V” se revela mais rico e até aceito por muitos, pois a tentativa de desenvolver qualquer opinião sem prévio entendimento, adquirido através de uma leitura analítica, pode fazer com que a mensagem se perca.
Desse modo, as escolas, as faculdades, e demais instituições de ensino, estão se tornando fábricas de diplomas e não construindo profissionais.
Alguns podem achar que tudo que havia para ser pensado, logo criado, já foi. Que muitos pensadores cumpriram esse papel e que agora nos resta seguir os ensinamentos, mas não. O saber nunca cessa. O conhecimento é uma crescente e o mundo está em constante evolução. Seja na ciência, nas artes, na religião, há muito a ser desvendado e só uma minoria inconformada e pensante consegue ter essa percepção.
Para despertar nessa geração esse inconformismo é preciso despertar o desejo pela leitura. Precisamos nos reeducar, colocando a leitura no dia a dia, tirando-a da posição de obrigação e/ou necessidade e transformando-a em abito, prazer.
Ler é o transporte que conduz a imaginação. É preciso sair da “zona de conforto do instantâneo e colocar a mão na massa”.
A cultura que devia ser literária vem sendo alimentada por redes de relacionamentos e blogs, muitas vezes baseados no senso comum que nem sempre refletem veracidade e sim polemicas que gerarão acessos. Desse modo, a geração universitária vai se formando por jovens cada vez mais ricos em conhecimentos superficiais e em relação ao que deveras é importante se tornam meros repetitivos, pois a falta do senso crítico gera um efeito dominó no saber.
Erros de grafia, de concordância verbal, de regência, entre outros se tornaram comuns, mas é notável que, quem muito lê muito melhor escreve, errando muito menos. Sem falar que a leitura dá argumentos para que o leitor se imponha diante o assunto proposto, o capacita a discernir os fatos, sem falar que não o permite ser convencido facilmente, pois seu lado pensante nunca descansa.

A leitura é um mundo de curiosidades que se revela um universo de mistérios. 

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