É curioso analisar que, apesar de
ter iniciado suas atividades no século XVI, pelos jesuítas, o processo que deu
independência a literatura brasileira só ocorreu no século XIX. Quando as obras
ganharam destaque nos jornais da época e eram não só divulgadas, mas também
comentadas. Fato que contribuiu para que a literatura se tornasse disciplina no
ensino médio, quando se percebeu a necessidade de não apenas ler, mas entender questionar
e quem sabe criticar os escritos.
O ato de ler divide opiniões. Há
quem ame como também há quem odeie. Isso sempre existiu, no entanto até o final
do século XX a leitura era aceita e praticada com certa facilidade, pois muitas
vezes era não só uma obrigação escolar, mas o único passa tempo.
Ler permite que a pessoa treine
sua linguagem, que conheça palavras cultas e pouco usuais, que conheça
concordância verbal, que seja capaz de interpretar contextos e principalmente
que desenvolva um senso critico.
Houve um tempo onde ler era
diversão, causava sensações de prazer, êxtase. As pessoas se reuniam para
discutir algo que havia sido lido, desse modo me arrisco a afirmar que a leitura
as aproximava.
Com os avanços tecnológicos os
livros foram ficando para segundo plano e hoje com os smartphones, ipods,
tabletes, entre outros, sabe se lá em que plano estão.
As pessoas não se preocupam mais
em cultivar uma amizade próxima, em conhecer os vizinhos, porque elas podem
fazer isso sem sair de casa e sem presença física, assim estão cada vez mais
interagindo na rede e é essa mesma rede que dominou o tempo e a mente dessa
geração.
Há um bombardeio de informações
sobre tudo, com isso se formou uma geração de acomodados (preguiçosos), que
costumo chamar: “geração do instantâneo”. É mais fácil pegar pronto e se for o
caso “maquiar”, que pesquisar e criar.
Desse modo a leitura, que devia
ser abito, se tornou quase uma obrigação estudantil.
Pelo contexto histórico do Brasil
podemos dizer que estamos vivendo na era universitária, onde a valorização de
um diploma não só é notória por engrandecer um currículo, mas porque também é
chave para a porta do mercado de trabalho. Porem, não é difícil perceber que em
muitos casos o que vemos é a superficialidade de um curso feito sem a menor
preocupação acadêmica, pois a única preocupação é em ter o titulo de uma
profissão e não necessariamente ser um profissional, o que reflete em ditos
profissionais que deveriam ser cultos, no entanto mal conseguem escrever.
A charge a seguir, extraída da
internet (http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjtKD4RkquRHGiK6d3nmTwdhCEpVoy-Np134ZlsVsJQBLk-XowQNu1Tw81jxef_PHZUTtnfqAoK2cEww0HZH_oTH_HDiLTUzKLIYsKibhM3qd4zeTJ4huplB9A-Iy5fwNocQBY3YoDCu0Q/s400/capoliglota.jpg&imgrefurl=http://profgraciele.blogspot.com/2013/04/variacao-linguistica.html&h=289&w=436&sz=27&tbnid=Mtrk5P9vQhVqRM:&tbnh=80&tbnw=120&zoom=1&usg=__Uqy7Prl5q1WEYzzmFxMCYvOsOTM=&docid=2DQq6nDx_AZ_KM&sa=X&ei=pZUTUvenC4Oc9gSJ9YHIDA&sqi=2&ved=0CEQQ9QEwAg&dur=419), exemplifica bem o contexto narrado:
Com a escassez da leitura não há
senso critico, as pessoas não querem aprender, estão robotizadas aos decorebas,
pois “a rede” lhe oferece formulas, ideias, conceitos prontos para tudo, assim
a facilidade das informações gera robôs do sistema, onde o “clrt C clrt V” se
revela mais rico e até aceito por muitos, pois a tentativa de desenvolver
qualquer opinião sem prévio entendimento, adquirido através de uma leitura
analítica, pode fazer com que a mensagem se perca.
Desse modo, as escolas, as
faculdades, e demais instituições de ensino, estão se tornando fábricas de
diplomas e não construindo profissionais.
Alguns podem achar que tudo que
havia para ser pensado, logo criado, já foi. Que muitos pensadores cumpriram
esse papel e que agora nos resta seguir os ensinamentos, mas não. O saber nunca
cessa. O conhecimento é uma crescente e o mundo está em constante evolução.
Seja na ciência, nas artes, na religião, há muito a ser desvendado e só uma
minoria inconformada e pensante consegue ter essa percepção.
Para despertar nessa geração esse
inconformismo é preciso despertar o desejo pela leitura. Precisamos nos
reeducar, colocando a leitura no dia a dia, tirando-a da posição de obrigação
e/ou necessidade e transformando-a em abito, prazer.
Ler é o transporte que conduz a
imaginação. É preciso sair da “zona de conforto do instantâneo e colocar a mão
na massa”.
A cultura que devia ser literária
vem sendo alimentada por redes de relacionamentos e blogs, muitas vezes
baseados no senso comum que nem sempre refletem veracidade e sim polemicas que
gerarão acessos. Desse modo, a geração universitária vai se formando por jovens
cada vez mais ricos em conhecimentos superficiais e em relação ao que deveras é
importante se tornam meros repetitivos, pois a falta do senso crítico gera um
efeito dominó no saber.
Erros de grafia, de concordância
verbal, de regência, entre outros se tornaram comuns, mas é notável que, quem
muito lê muito melhor escreve, errando muito menos. Sem falar que a leitura dá
argumentos para que o leitor se imponha diante o assunto proposto, o capacita a
discernir os fatos, sem falar que não o permite ser convencido facilmente, pois
seu lado pensante nunca descansa.
A leitura é um mundo de
curiosidades que se revela um universo de mistérios.

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.