Se o homem como pó vivesse para ao pó retornar, do que
valeriam os sentimentos?
O homem é mais que partículas se misturando formando
matéria. É mais que pensamentos impostos. O que torna o homem humano é a razão,
é a capacidade de sentir e amar.
Esse princípio, de sentir e amar, é o mesmo que traz a vida.
Existir é cultivar um grande jardim, repleto de diversas flores,
inclusive rosas com seus espinhos.
Dois polos distintos se unem, a semente (espermatozoide) é
colocada no adubo (óvulo) que então é lançado a terra (útero), assim aquela brotará
e se desenvolverá trazendo a vida.
As intemperes do tempo, clima, influenciam e muito para esse
desenvolvimento, podendo contribuir criando um ambiente favorável (confortável)
ou não (insuportável), assim se inicia o processo natural da vida. A nova vida
pode resistir ao todo e crescer, mas também pode desistir e morrer.
Eu nunca fui boa com plantas. Dizem que a pessoa que sabe
cultivar um jardim tem um bom coração, se assim for tenho traços de desamor que
ainda não pude identificar.
A questão na qual me levo a refletir aqui é sobre as raízes.
O Criador em Sua perfeição não se esqueceu de nenhum detalhe
em Sua obra e fez em tudo uma simetria.
Na natureza o homem poda as arvores de acordo com sua
necessidade, e muitas vezes corta a raiz de forma a matar a planta, outras se
vê obrigado a fazer o replantio em determinados locais, o que faz com que a
raiz seja retirada cuidadosamente para ser replantada em outro local.
Isso acontece também com o próprio homem, o cordão umbilical
é a raiz da arvore da vida, que é cortada após brotar. Enquanto a criança
precisa de cuidados vive a sombra, mas quando cresce (se torna arvore) segue
seu destino.
Ontem ouvindo no celular a pasta de músicas que escuto
diariamente, fui surpreendida com uma história que não conhecia. Não sei como
ela foi parar ali, mas nem quis entender, pois sua mensagem falou diretamente
ao meu coração. Dizia:
“ Três arvores pequenas que sonhavam o que queriam ser
depois de grandes. A primeira queria ser o baú mais precioso do mundo cheio de tesouros,
a segunda queria ser um grande navio para transportar reis e rainhas, a
terceira arvore queria ficar no alto de uma montanha e crescer tanto que as
pessoas quando olhassem para ela
levantassem seus olhos e pensassem em Deus, mas a primeira foi transformada em
um cocho de animais e coberta de feno, a segunda virou um simples barco de
pesca carregando pessoas e peixes todos os dias e a terceira arvore, mesmo
sonhando em ficar no alto de uma montanha acabou cortada em altas vigas e
colocada de nado num deposito. Mas numa certa noite uma jovem mulher colocou
seu neném nascido naquele cocho de animais e de repente a primeira arvore
percebeu que continha o maior tesouro do mundo. A segunda arvore, anos mais
tarde, acabou transportando um homem que acabou dormindo no barco, mas quando a
tempestade quase afundou o pequeno barco o homem levantou se e disse ao mar
revolto: - sossega, ela entendeu que estava carregando o Rei dos céus e da
terra. Tempos mais tarde, numa sexta feira, a terceira arvore espantou se
quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela,
pois fora condenado à morte, mesmo sendo inocente, logo sentiu se horrível e
cruel, mas no domingo o mundo vibrou de alegria e a terceira arvore entendeu
que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade e que as
pessoas se lembrariam de Deus e de Seu filho Jesus Cristo ao olharem para ela.”
Fiquei meditando por breves segundos que falaram me tanto,
foi como se todo fracasso de meu passado de certo modo fosse justificável, e
veio a conclusão da mensagem:
“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa
vem do Senhor.”
Senti um forte arrepio, como se uma descarga elétrica percorresse
meu corpo e uma voz falou me suavemente: - você está no caminho certo. Esse é o
plano que havia sido traçado. Não desista. Não tema. Continue. No momento certo
você irá entender e mesmo que não entenda, confie, tenha fé.
O velho desejo de chorar veio vorazmente, de maneira que uma
lágrima escapou do controle, mas os olhares das pessoas em volta me reprimiram,
o que me fez manter o equilíbrio e apenas contemplar aquele momento.
Hoje essa reflexão queima meu peito, como querendo revelar
muito além do que a mensagem consegue transmitir. Fazendo alegoria de arvores
como seres pensantes que sonham, fazem planos, bem como nomeando o Criador. Me
leva a pensar nas imagens e suas representações.
O princípio nunca será de todo esclarecido aos humanos, pois
a Verdade exige uma fé muito maior que possuímos, mas resquícios dele se propagam
pela história e cabe a cada um escolher no que acreditar e como se dedicar.
A lei do esquecimento anda de mãos dadas com o livre arbítrio.
Ainda estou cansada de tanto correr atrás das borboletas, continuo
cultivando meu jardim para que elas se acheguem. É fato que escolhi um local de
difícil acesso, mas as flores estão desabrochando e posso contemplar o ‘despertar’,
desse modo mesmo que o jardim não esteja em evidencia e não receba tantas
visitas, ainda assim ele se torna belo e florido. Nas lembranças carrego a
saudade de tudo que foi e com gratidão no coração aguardo tudo que virá.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.