quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A felicidade e a internet

Meu primeiro monólogo. Após avaliação positiva de uma pessoa da área a coragem de divulgar chegou.
Arte em forma de teatro...novos desafios... vamos lá. "Eu não acho que você pode continuar escrevendo, eu acho que você DEVE continuar. Eu gostei muito...!" Obrigada pelo incentivo Guizo

Monólogo: A internet e a felicidade
Cenário:
Uma sala, um sofá, uma mesa de centro revirada, com um nootbook no chão, um rack com uma TV à frente e alguns bibelôs de louça e vidro. Uma luz no fundo indicando um corredor, que sugeriria a cozinha, cacos de vidro espalhados pela sala.
Na verdade uma cena escura, onde a moça está sentada no chão, com as pernas cruzada e as mãos o tempo todo entre as pernas. A luz vai mudando de acordo com a narração e ela só fica sobre a atriz no momento do desfecho, onde ela então levanta as mãos. Nesse momento o público vê que ela está com alguns hematomas. 
Ela está sentada diante o sofá, como se lá estivesse alguém lhe escutando [que seria um policial...]
O monólogo inicia como se a moça estivesse narrando às lembranças daquele momento a alguém.
Ela começa limpando as lagrimas e em tom esperançoso diz : “ Eu estava tão feliz. Uma felicidade diferente que há muito tempo não sentia...
Pequena pausa.
Ela confusa pergunta: Afinal, quantos tipos de felicidade existe?
Ainda confusa:  Não sei o que pensar.  Eu era feliz com Pedro... Tudo isso é culpa da tecnologia. Se não fosse a rede social...
Muda para um tom nostálgico: Eu namorava a 4 anos e havia acabado de ficar noiva, me sentia feliz, mas o Pedro apareceu e começou a ‘curtir’ minhas fotos, depois me ‘cutucou’ e um dia apareceu inbox me desejando uma boa semana. Eu nunca tive uma boa memoria, então perguntei se nos conhecíamos, afinal  estudei em tantas escolas, frequentei diferentes congressos estudantis, visitei varias igrejas... sempre tive uma vida ativa, sempre gostei de viajar, de praticar esportes...
Voz segura: Pensei que ele podia ser alguém que havia conhecido , sei lá quando e onde. Afinal, ninguém surge do nada na rede social de outra pessoa e começa a ‘conversar’. Ele não soube me dizer de onde nos conhecíamos, mas quanto mais ‘conversávamos’ mais aumentava a curiosidade...  ele parecia tão bom, tão ideal. Pensei que fosse minha versão masculina. Ele era perfeito, sabe? Comecei a questionar o amor que sentia por meu noivo e de repente percebi que se havia duvida era porque não era amor...
Voz esperançosa: Foi ai que o Pedro se tornou ainda mais presente...
Voz segura com timbre voraz: As pessoas diziam que eu estava louca deixando uma pessoa como meu noivo, de família boa, de índole, com princípios e valores. Parte de mim também pensava assim. Durante muito tempo ele era tudo que eu queria, sabia que ao lado dele a felicidade seria constante. Fazíamos planos de ter uma família grande, com uns 4 filhos, uma casa arejada, com muitos animais. Uma vida comum e simples, mas repleta de cumplicidade e amor.
Voz esperançosa: Mas o Pedro... ah o Pedro. Ele me despertava um instinto diferente. Me fazia desejar mais que ser ‘normal’. Incitava minha curiosidade.
Voz de descaso: Eu sempre fui muito certinha e nunca me arrisquei de verdade. Tudo que fazia era pensado e programado e eu desejava adrenalina. Eu, com 19 anos e pensando em me casar?
Voz esperançosa: O Pedro se dizia apaixonado e estava disposto a tudo pra me conquistar. Tanto que pediu transferência na empresa que trabalhava e veio morar aqui em (NOME DA CIDADE EM QUE O MONOLOGO ESTÁ SENDO APRESENTADO) Goiânia.
Voz animada: Nosso primeiro encontro foi a maior emoção que já vivi. Nunca havíamos nos visto nem pela webcam, mas trocávamos fotos com frequência. Não levou muito tempo para que eu me apaixonasse por ele. Corpo atlético, escultural, parecia modelo dessas revistas eróticas, sabe? E ele dizia que seria meu, só meu... eu acreditei! Quando ele chegou se instalou em um hotel lá perto de casa. Era uma quinta feira e eu precisava vê lo, assim disse para meus pais que dormiria em uma amiga para terminarmos um trabalho de faculdade.
Voz envergonhada:  Eles confiavam muito em mim, afinal nunca havia dado motivos para que fosse diferente...
Voz animada: Fui direto para o hotel. Um misto de emoções me dominava. Quando cheguei lá ele já havia deixado autorizada minha subida e quando abri a porta lá estava ele... Não sei ao certo como aconteceu...afinal, foi minha primeira vez... (LEVE SORRISO SAFADO E ENVERGONHADO) Sei que desde então não conseguíamos mais nos desgrudar, ele logo alugou uma casa pequena em um bairro distante, perto da empresa que trabalhava.
Voz insegura: Meus pais começaram a implicar dizendo que eu não era a mesma, que estava diferente. Mas claro que estava, eu agora era mulher. O Pedro e eu nos víamos todas as noites e meus pais não queriam um namoro daquele jeito.
Voz confiante: Mas eu estava feliz e só isso me importava! Acabei me afastando de minhas amigas porque queria ter mais tempo com Pedro. Os trabalhos da faculdade já não tinham tanta importância, assim como a opinião de meus pais também não...Já haviam dois meses que ele estava aqui, parecia que havíamos estado juntos a vida toda, em uma noite quando veio me deixar em casa, meu pai, que estava nervoso, foi até o portão e disse que só me permitiria namorar em casa e aos finais de semana, como havia sido sempre. O Pedro ficou enfurecido, não aceitou aquela decisão e me convidou para morar com ele...Não pensei duas vezes e fui.
Voz tímida: Não sabia muito sobre ele, só que não queria ter filhos, dizia que me amava de mais para dividir meu amor com alguém. Que detestava animais de estimação, porque eram como crianças... Eu achava tudo muito diferente, mas estava aberta a aprender uma nova ideologia de vida. Sabia que ele era trabalhador e dedicado e pensei que isso bastava...Meus pais não aceitaram minha decisão. Meu pai de tao chateado parou de falar comigo e minha mãe chorava inconsoladamente. Mas eu não me importei, eu só queria viver a paixão que ardia em mim...
Voz segura: Pedro recebia o suficiente para manter a casa. Na primeira semana foi como viver um sonho, era o meu conto que se realizava e o ‘viveram felizes para sempre’ era quase tangível... não fosse por meu pai ter cortado minha mesada. Estava totalmente sem dinheiro. Desse modo me vi obrigada a abandonar a faculdade...
Voz sarcástica: ...mas, eu nem queria mesmo ser advogada, estava só seguindo os passos de meu pai e meu ex noivo...
Voz animada: Assim passei a viver para o Pedro... Não sentia falta de minhas amigas nem de minha família, era como se ele me completasse. Não tínhamos telefone fixo e ele ficava com meu celular, dizia ter medo do meu ex noivo me ligar. Acreditei que isso sim era amor. Ele não me deixava sair de casa sozinha, ficava em casa o dia todo enquanto ele trabalhava. Achava esse ciúme lindo, era uma forma de proteção.
Voz nostálgica: Meu ex noivo me deixava livre, dizia que as pessoas eram como pássaros, não podiam ser aprisionadas ou perderiam sua essência. Por isso devíamos tratar todos bem para que mesmo livres eles voltassem...Por mais que dizia me amar ele nunca implicou com minhas amizades, com minha família, nunca me proibiu de nada...
Voz confiante: Tudo ia muito bem. Já havia se passado dois meses e eu nem havia percebido. Alias, pode se contar nos dedos da mão quantas vezes sai de casa nesse período. Minha mãe já estava enlouquecendo de tão preocupada e começou a ligar no meu celular, mas o Pedro quem ficava com ele...não sei o teor das conversas entre eles, mas o Pedro chegava muito nervoso sempre que ela ligava...
Voz alegre: Hoje estava cuidando da casa quando minha mãe apareceu. Meu pai a principio ficou no carro, mas depois acabou descendo. Ele não disse nada, apenas observou tudo na casa.
Voz confusa: Minha mãe dizia entre lágrimas que não entendia a escolha que eu havia feito. Saído de casa, abandonado a faculdade, deixado para traz uma vida de privilégios para me tornar uma dona de casa.
Voz confiante: Mas o que ela não sabia era que eu estava feliz.
Voz confusa: Ela dizia que eu devia estar enfeitiçada, sob efeito de alguma magia ou algo do tipo. Que aquela não era eu.
Voz confiante: Logo ela? Uma psicóloga tão conceituada dizendo isso? Ela sabe muito bem que personalidade pode ser moldada. Que nada é imutável.
Voz triste: Após uma longa conversa, meu pai, que não disse uma só palavra, chamou para ir embora. Minha mãe saiu sem nem se despedir, dizendo que eu não era a filha que ela havia criado e educado, pediu que se eu a encontrasse para lhe indicar o caminho de casa que todos estavam sentindo sua falta.
Voz chorosa e lágrimas nos olhos novamente: Algo dentre de mim mudou naquele momento. Foi como se de fato eu não me reconhecesse. Me senti perdida. Mas e toda felicidade? Procurei por ela e não a vi. Comecei a recordar momentos vividos. A nostalgia veio me abraçar. E eu comecei a perceber que estava vivendo a escolha de me arriscar, mas que a adrenalina do principio havia passado e agora o que restava era uma mesmice. Os dias se repetiam no tempo.
Voz confusa: Quando Pedro chegou eu ainda estava pensativa e não consegui disfarçar minhas duvidas. Ele claro questionou o que havia acontecido e eu lhe disse que minha mãe havia estado aqui...
Voz assustada: Ele enlouqueceu, disse que eu estava proibida de receber visitas, que se passasse os dias cuidando da casa não teria tempo de me preocupar com bobeiras.  Naquele momento a pessoa ideal que eu pensei conhecer deu lugar a uma pessoa fria que eu só via na TV. Eu nunca havia o visto tao nervoso. Ele revirou a mesa, começou a jogar os bibelôs no chão me mandando catar os cacos, pois assim pensaria menos. Me vi em uma cena que nunca me imaginei e não sabia como agir. Disse que talvez nós tivéssemos nos precipitado, que devíamos ter nos conhecido melhor, ter namorado mais antes de irmos morar juntos. Quando acabei de dizer isso ele me lançou um olhar maquiavélico e cheio de ódio. Senti medo, muito medo. Percebi que afinal eu não o conhecia. Não sabia do que ele era capaz.
Voz ainda assustada e com lagrimas rolando pela face: Ele me bateu forte na face e disse que eu jamais devia repetir isso, porque ele me amava e só queria me proteger do mundo e das pessoas.
Breve pausa. Limpa as lágrimas. Olhar parado.
Voz calma: O medo me paralisou.
Voz mais alta e confiante:  Mas uma voz dentro de mim queria gritar. Me senti um passarinho enjaulado desejando lutar pela liberdade. Então, disse que ele não podia me prender, que se ele me amava devia me deixar livre. Ai ele começou a me bater...
Voz confusa: Não sei exatamente o que aconteceu. Foi como se quanto mais fraca eu fosse ficando mais ele ia se enfurecendo. Por um instante eu pensei que ele havia se cansado e que finalmente pararia de me bater...rumou para a cozinha e me deixou ali, caída no chão da sala.
Voz triste: Eu não tinha forças para me levantar, mal conseguia respirar. Meu corpo todo doía. Mas ele logo voltou... se abaixou, beijou meus lábios... pensei que estava arrependido e que me pediria perdão... me lembro nitidamente dele me dizendo que me amava de mais para me dividir com o mundo e que se eu não fosse só dele não seria de mais ninguém...
Pausa curta... como se o ar estivesse preso nos pulmões...
Voz assustada e lembrando pânico:  Foi quando vi que estava com uma faca na mão...  o medo que me paralisou foi o mesmo que me motivou naquele momento... não sei exatamente como aconteceu... lembro que  vi um caco ao meu lado... meus pensamentos se misturaram ao som das viaturas que chegavam...
Voz confiante: ...e tudo que sei é que agora estou aqui, com sangue nas mãos.As dores me fazem saber que tudo isso é real...
Voz esperançosa: Procuro vestígios de qualquer felicidade para me consolar...
Voz triste:  mas só restou lamento.
Desejei correr risco e acabei vivendo a adrenalina de ter que escolher, matar ou morrer.
Voz confusa: Será quem sou? Quem Pedro era? Fugi de uma vida normal para viver a felicidade e acabei descobrindo que o incerto pode conduzir a um caminho trágico...
Voz confiante:  se bem que isso não é culpa minha...eu continuo a mesma... isso tudo é culpa da tecnologia. Se não fosse a internet... é tudo culpa das redes sociais... é por isso que antes de toda essa parafernália as pessoas eram mais sociáveis, os relacionamentos mais sólidos...
Voz nostálgica: Ah como queria voltar no tempo...
Voz confiante: impossível? Eu sei que é! Sendo assim um banho já me deixará feliz!
Voz duvidosa: Feliz? Huum, mas o que é a felicidade afinal? No que se baseia? Como, estando como estou posso pensar em felicidade?
Voz confiante: Mas se bem... pensando bem... talvez a felicidade seja apenas um momento passageiro que independe de circunstancias...”

terça-feira, 20 de agosto de 2013

As metamorfoses não param...


É em suma agradável sentar e ter um diálogo com uma pessoa que vê a vida além de corpo físico, além de roupas, além de bens materiais, além das futilidades sociais. Alguém que goste de olhar e analisar o universo.
Pessoas assim são tao raras que quando as encontro chego a me sentir normal, mas infelizmente o tempo é voraz e faz da magia do momento um breve instante.
Há tanto a ser analisado, pensado, discutido. E nesse conceito percebo que pensamentos vagos são carregados de razões e que se compartilhados podem gerar ideias inimagináveis.
Percebo que a identidade é única porque as pessoas são o universo da pluralidade.
Nada é certo e constante tudo é morfológico.
A variante existir é o signo linguístico do viver.
A natureza do homem não é mal, o bem é que se deixa ser corruptível.
País errado, época errada ou missão não identificada?
Um peixe vagando nas areias do deserto.
Luz sem cor.
Sol sem calor.
Noite sem lua.
Pessoas que se conhecem se reconhecem. Têm a retina tatuada com suas histórias, experiências vividas, escolhas sofridas, recomeços...
Palavras soltas ao vento, que longe chegam como pensamentos e a alguém se transformam validas.
Palavras mais ditas que pensadas, pouco analisadas, que se transformam em grandes moradas.
Roupagem do sentir que precede o saber.
Armadura do conhecer.
Palavras vãs com conteúdos mil.

Múltiplos rostos de um ser sutil. 

A cultura do Brasil diante a leitura


É curioso analisar que, apesar de ter iniciado suas atividades no século XVI, pelos jesuítas, o processo que deu independência a literatura brasileira só ocorreu no século XIX. Quando as obras ganharam destaque nos jornais da época e eram não só divulgadas, mas também comentadas. Fato que contribuiu para que a literatura se tornasse disciplina no ensino médio, quando se percebeu a necessidade de não apenas ler, mas entender questionar e quem sabe criticar os escritos.
O ato de ler divide opiniões. Há quem ame como também há quem odeie. Isso sempre existiu, no entanto até o final do século XX a leitura era aceita e praticada com certa facilidade, pois muitas vezes era não só uma obrigação escolar, mas o único passa tempo.
Ler permite que a pessoa treine sua linguagem, que conheça palavras cultas e pouco usuais, que conheça concordância verbal, que seja capaz de interpretar contextos e principalmente que desenvolva um senso critico.
Houve um tempo onde ler era diversão, causava sensações de prazer, êxtase. As pessoas se reuniam para discutir algo que havia sido lido, desse modo me arrisco a afirmar que a leitura as aproximava.
Com os avanços tecnológicos os livros foram ficando para segundo plano e hoje com os smartphones, ipods, tabletes, entre outros, sabe se lá em que plano estão.
As pessoas não se preocupam mais em cultivar uma amizade próxima, em conhecer os vizinhos, porque elas podem fazer isso sem sair de casa e sem presença física, assim estão cada vez mais interagindo na rede e é essa mesma rede que dominou o tempo e a mente dessa geração.
Há um bombardeio de informações sobre tudo, com isso se formou uma geração de acomodados (preguiçosos), que costumo chamar: “geração do instantâneo”. É mais fácil pegar pronto e se for o caso “maquiar”, que pesquisar e criar.
Desse modo a leitura, que devia ser abito, se tornou quase uma obrigação estudantil.
Pelo contexto histórico do Brasil podemos dizer que estamos vivendo na era universitária, onde a valorização de um diploma não só é notória por engrandecer um currículo, mas porque também é chave para a porta do mercado de trabalho. Porem, não é difícil perceber que em muitos casos o que vemos é a superficialidade de um curso feito sem a menor preocupação acadêmica, pois a única preocupação é em ter o titulo de uma profissão e não necessariamente ser um profissional, o que reflete em ditos profissionais que deveriam ser cultos, no entanto mal conseguem escrever.


Com a escassez da leitura não há senso critico, as pessoas não querem aprender, estão robotizadas aos decorebas, pois “a rede” lhe oferece formulas, ideias, conceitos prontos para tudo, assim a facilidade das informações gera robôs do sistema, onde o “clrt C clrt V” se revela mais rico e até aceito por muitos, pois a tentativa de desenvolver qualquer opinião sem prévio entendimento, adquirido através de uma leitura analítica, pode fazer com que a mensagem se perca.
Desse modo, as escolas, as faculdades, e demais instituições de ensino, estão se tornando fábricas de diplomas e não construindo profissionais.
Alguns podem achar que tudo que havia para ser pensado, logo criado, já foi. Que muitos pensadores cumpriram esse papel e que agora nos resta seguir os ensinamentos, mas não. O saber nunca cessa. O conhecimento é uma crescente e o mundo está em constante evolução. Seja na ciência, nas artes, na religião, há muito a ser desvendado e só uma minoria inconformada e pensante consegue ter essa percepção.
Para despertar nessa geração esse inconformismo é preciso despertar o desejo pela leitura. Precisamos nos reeducar, colocando a leitura no dia a dia, tirando-a da posição de obrigação e/ou necessidade e transformando-a em abito, prazer.
Ler é o transporte que conduz a imaginação. É preciso sair da “zona de conforto do instantâneo e colocar a mão na massa”.
A cultura que devia ser literária vem sendo alimentada por redes de relacionamentos e blogs, muitas vezes baseados no senso comum que nem sempre refletem veracidade e sim polemicas que gerarão acessos. Desse modo, a geração universitária vai se formando por jovens cada vez mais ricos em conhecimentos superficiais e em relação ao que deveras é importante se tornam meros repetitivos, pois a falta do senso crítico gera um efeito dominó no saber.
Erros de grafia, de concordância verbal, de regência, entre outros se tornaram comuns, mas é notável que, quem muito lê muito melhor escreve, errando muito menos. Sem falar que a leitura dá argumentos para que o leitor se imponha diante o assunto proposto, o capacita a discernir os fatos, sem falar que não o permite ser convencido facilmente, pois seu lado pensante nunca descansa.

A leitura é um mundo de curiosidades que se revela um universo de mistérios. 

sábado, 17 de agosto de 2013

A ignorância da juventude


A palavra ignorância recebe uma conotação social grosseira, no entanto expressa em tese nada mais que a falta de conhecimento diante algo.
Meu olhar referente a juventude talvez revele uma critica amadora, porem me coloco não apenas como observadora e sim como alguém que esteve no ângulo visto. Não foi fácil sair dele, precisou muita disposição, mas finalmente consegui.
Sempre falei sobre as ‘fases’ da vida de forma isolada, não fazia ideia que elas são na verdade os divisores de agua de uma existência.
O existir pode ser uma oportunidade comum aos seres humanos, mas a maneira com qual cada um vive essa existência é que nos difere uns dos outros.
Usei minha existência até aqui vivendo segundo minha curiosidade, sem me desviar de princípios que valorizo. Dentre o que acredito ser erro ou acerto mais errei que acertei, mais ainda me arrisquei que decidi consciente.
Em vários momentos me iludi que estava no ápice de conhecer a mim mesma, quando uma nova situação roubava me o chão. Nas primeiras vezes me revoltei, sofri, chorei, mas após suscetíveis repetições descobri que o aprender nunca cessa, pois o saber não pertence a alguém e desse modo ele é de todos.
Foi assim que me vi uma eterna criança vivendo a existência e como tal, escolhi me jogar sem medo e cheia de vontade de me aventurar...
Agora estou refém de minhas certezas. De certo modo o ‘refém’ não me aprisiona e sim me protege, não dos outros, mas de mim mesma.
Entre idas e vindas, no trajeto que percorri, não me alegrei com minhas ações e isso não me envergonha, ao contrario me motiva. Hoje sei quem sou, conheço meus limites e acima disso sei onde posso chegar, logo não vejo viável a entrega vã às futilidades sociais. Prefiro a solidez de viver em equilíbrio. Atemporalidade dos prazeres passageiros não se compara a sensação indescritível de sentir a vida pulsando em paz.
Pode ser que eu tenha me tornado antissocial, mas se assim for quem merecer me conhecer verá além de minhas ações, pois muitas dessas são mascaras adotadas para encarar as imposições sociais que não condizem com minha ideologia, mas que como humana preciso respeitar, mesmo que não aceite, para seguir a jornada.
Pode ser egoísmo acreditar que sou a única responsável por minha felicidade, por crer que eu me basto, mas de forma direta ou indireta a solidão me faz companhia...
Quanto mais analiso mais percebo a futilidade dos jovens que vivem na ignorância da vida, mas ao menos nesses momentos sinto me levemente normal, pois já me permiti sentir na pele tal fase.
Alegro me por tudo que foi e me emociono ao pensar em tudo que poderá vir!


Fases da vida existencial humana

10/08/2013 
A vida existe para ser vivida!
É, justamente. Pode parecer obvio, mas em muitas fases nos esquecemos disso, bem como em outras colocamos demasia e não analisamos o todo.
A infância talvez seja a fase onde vivemos a existência mais plenamente. É quando se descobri os limites dos outros e os próprios, onde experiências únicas moldarão o caráter e a personalidade. Fase onde não há vergonha de arriscar, de errar, de recomeçar. Onde o amor é puro e simples prazer de amar, é gratuito. Onde diferenças raciais, sociais, e de credos não influenciam. Onde o feio soa engraçado e tudo não passa de uma grande brincadeira.

Já na adolescência o todo se complica. O obvio se torna incerto, surgem duvidas, milhares de questionamentos começam a surgir. A inocência dá espaço para convicção. Surgem as ilusões. É nessa fase que se descobre que os heróis não são intocáveis, na verdade está dentro de cada um.
Afirmar que seja o descortinamento da veracidade dos contos que sela o fim da inocência pode ser errôneo, talvez isso ao contrario do que parece, não cessa a fase de descobertas e sim abre um leque de novas opções.
A adolescência se torna uma fase critica não pela variações hormonais sentidas, mas pela turbulência de pensamentos que surgem. Alguns se instalam, outros são transitórios...
Tendo vivido essas fases aproveitei o melhor que cada uma podia me dar. Sorri, chorei, me joguei. Talvez o divisor de aguas entre essas duas fases seja a intensidade.
A intensidade é aliada, pois permite momentos inesquecíveis. Ela muitas vezes dita ações, decisões... Decisões! Como é difícil a certeza do saber, mas a convicção de estarmos prontos gera as já citadas ilusões, que é nova roupagem de herói.
Merecedores de aplausos são os que chegam a juventude sem grandes erros na adolescência, revelam se centrados e coesos, mas até onde isso traz satisfação?
Desde que surgiu a urbanização códigos morais, mesmo que mutáveis, se perpetuam. Isso é sociedade e como ser social, o ser humano deve respeitar regras, mas até onde essas podem interferir na vida de alguém?
Retornamos as fases... O despertar da juventude pode confirmar o estilo de vida escolhido ou pode dizima lo completamente, evidenciando assim que o recomeço é sempre possível.
Há quem diga que a juventude chega com a maturidade, talvez sim talvez não, depende do ângulo de observação. Eu prefiro acreditar que a maturidade é uma crescente em constante evolução.
Seja como for cada fase guarda em si seu peso e seu valor. Seria fácil revive las com os conhecimentos adquiridos , pois a falta do saber que alimenta os medos e a ansiedade, mas esse saber faz dos acontecimentos apenas detalhes.
Uma observação é válida: cada fase deve ser aproveitada a finco e independente de como se dê ou das oportunidades que se crie, tao menos das decisões que se tome. A vida existe para ser vivida e nesse viver não há espaço para lamentações nem para depressões. É preciso manter as lembranças de criança e não ter medo de tentar, de se arriscar, de descobrir o novo, bem como não ter vergonha de errar.
É preciso alimentar as lembranças da adolescência, onde mesmo não acreditando em contos nos sentimos heróis.
Talvez na juventude a descoberta seja discernir que ‘ser’ nada tem a ver com ‘ter’ ou ‘estar’ e que cada um escolhe viver o que lhe parece sensato, agrade os outros ou não.
Entre tudo que o humano pode aprender , nada melhor que conhecer a si mesmo, pois só assim é possível saber que o viver é simples questão de evolução e a vida está em constante mutação.
As metamorfoses são necessárias apeteçam ou não!


sábado, 3 de agosto de 2013

Santa?

Dentre as experiências que vivi na infância uma vem me tomando os pensamentos há alguns dias: a santa.
Dizer que nunca fui adepta a imagens porque não suporto idolatria é redundante. E não só a adoração a imagens ditas santas, não suporto idolatria mesmo, adoração a ídolos. Existem vários artista que admiro pelo belo trabalho, muitos parecem ser humanizados, logo generosos, mas nem por isso coleciono fotos, tao menos fico admirando, beijando a imagem e fazendo juras de amor. Talvez por isso que sempre admirei coleções, mas nunca consegui te las.
Não sou do tipo que se prende. Não gosto da ideia de ter raiz. Acho que meu espirito já se incomoda por de mais por estar preso nesse corpo físico e ter tão pouco a fazer, por isso ele precisa de liberdade, desse modo não me prendo a nada, não tenho amor a nada material, a mim basta a vestimenta do momento e o alimento do dia, pois creio que o amanhã tudo novo se fará e como Jesus nos ensinou “cabe a cada dia seu próprio peso”.
Confesso que houve fases em que eu ainda não sabia criticar, sempre respeitei a opinião alheia, até porque a meu ver um grande exemplo de Amor que Cristo nos deixou é o livre arbítrio, mas mesmo respeitando sem querer influenciar em diversos momentos surgiam assuntos envolvendo a adoração das imagens e em muitos deles não conseguia me expressar como gostaria e as pessoas acabavam me taxando de incrédula, egocêntrica, e outros adjetivos que nem consigo expor. Mas a questão é que ninguém viveu minhas experiências, ninguém sabe de fato o que já vi, ouvi e senti.
Foi tudo a tanto tempo, mas o passado volta como se tivesse sido a pouco, trazendo respostas de perguntas já esquecidas.
Com a maturidade adquirida aprendi a demonstrar meu respeito de maneira fraterna, não cessaram a discussão, mas abrandei me ao expos minha opinião e tenho notado que com isso não estou só ganhando mais atenção ao falar, mas estou levando as pessoas a pensarem.
Ainda não estou adepta a imagens, pois como sempre digo não importa a aparência de um amigo o importante é o carinho que nutrimos por ele. Ainda não aprendi a orar para aqueles que a igreja católica canonizou, mas consigo orar por aqueles que meu coração reconhece como exemplo de bondade e afeto.
Assumo que sempre julguei necessário orar pelos vivos, pois sempre acreditei que esses sim são carentes de cuidado e atenção. As pessoas, e me incluo na afirmação, vivem um mundo de fantasia, onde se fazem personagens e criam seus personagens, por isso há tanta frustração, decepção, desalento. Procuramos nas ilusões o alivio que só a Verdade carrega por ser um caminho mais curto, mas nem sempre o caminho mais curto é o mais fácil e assim a temporalidade terrestre vai sofrendo com erros cíclicos, que muitas vezes cobram um preço alto de mais, mas tudo por falta de parar, analisar, meditar e aceitar.
Estamos tentando seguir um ritmo que não é para todos, cada um tem seu estagio de evolução e a cada um o ‘despertar’ chega de forma coerente, basta que paremos para analisar os sinais.
Ah os sinais. Eles estão a nossa volta o tempo todo e não percebemos, na verdade os ignoramos e quando algo não dá certo nos perguntamos porque não seguimos nossa intuição...
Complicamos tanto essa existência buscando tirar dela o máximo de proveito que esquecemos que essa é a escola da vida, não o play grand. Requer renuncias, dedicação, estudo e principalmente conscientização.
Não me recordo que dia da semana era, lembro me que era final de tarde. Estava eu na casa dos meus 11 anos, de férias na casa de uma tia, no interior do interior.
Acabara de fazer a primeira comunhão, não sei exatamente porque, mas nessa época havia na igreja católica central da cidade em que morava um padre que já não realizava missas devido a avançada idade. Lembro me que na verdade me apetecia ir a missa e sim ir conversar com ele. Não me recordo exatamente de seu rosto, sei que tinha traços de um homem cansado, mas expressava muita ternura e sua presença inspirava paz. Ficava horas conversando com ele e ouvindo seus ensinamentos, falava sobre tudo que via e ele não se assustava, dizia apenas que eu devia orar e me aproximar de Deus. Não me recordo de nenhuma critica ou bronca, ele sempre dizia que meu coração embora jovem era inquieto por resposta e que o tempo me traria todas, bastava crer.
Engraçado que não sei exatamente quando aquele alma abençoada deixou a terra, mas sei que depois disse nunca mais fui a igreja católica. Desde então passei a frequentar igrejas evangélicas, o que apesar de descortinar muito do sobrenatural pode ter sido um grande erro, pois vi minhas esperanças no humano se esvair pouco a pouco, ou melhor, de ministério em ministério...
Embora tivesse acabado de fazer a primeira comunhão, embora comungasse, embora ajudasse a servir a hóstia, embora lê se os textos do evangelho na igreja católica, meu coração não aceitava o todo.
Sempre acreditei no poder da oração. Sempre nutri a fé como o maior remédio da humanidade. Sempre amei o evangelho com todo meu ser, sou Cristã por amor a Cristo e a gratidão para com Ele jamais poderá ser mensurada. Apesar de errante sempre o coloco diante mim, não me basta Ele estar comigo, preciso estar com Ele, assim em tudo que vou fazer me pergunto antes: o que Jesus faria? Desse modo sei quando algo pode ser dito errado ou não e a escolha é puramente livre arbítrio.
No entanto, mesmo amando o evangelho, reconhecendo a grandeza de homens como Paulo, o primeiro que quero conhecer no reino celestial até, porque tenho uma grande admiração por suas experiências narradas. Jó, outro exemplo que admiro, Maria Madalena, e tantos outros, os reconheço como ‘guerreiros a frente da batalha’, foram pessoas escolhidas, carregam a marca da promessa que eu creio já está sendo cumprida para eles, mas nem por isso consigo adora los como santos.
Talvez seja minha pouca fé que me faz pensar assim. Talvez seja pura ignorância. Talvez seja falta de amor. Mas a mim apensa um santo existiu e foi Jesus Cristo, nenhum outro há e jamais haverá.
Uma pergunta que nunca havia sido feita me surge agora: a igreja católica prega que após a morte do corpo físico a alma fica aguardando o dia do juízo final, onde os bons subirão para o paraíso e os maus descerão ao inferno, onde seguirão a eternidade. Sendo assim, porque santificam humanos e oram a eles como se estivessem no céu? Há certa incoerência nisso.
Quanto mais analiso mais duvidas me surgem...
As férias seguia seu curso normal tirando que a pouco havia “previsto” uma morte e isso ainda me incomodava. Íamos sempre as folias de reis que passavam por ali. Havia muita gente, muita comida, muita bebida, buscando na memoria havia um manto que carregava uma santa. Ainda nessa época eu até beijava o manto pedindo proteção, sempre a Deus por intermédio de Jesus, nunca a santa em si, por isso nem sei o nome dessa, mas fazia a ação por respeito, bem como o sinal da cruz.
Não me lembro se naquela semana havíamos ido a uma dessas folias, mas havia passado a tarde brincando como sempre fazia na casa de minha tia e se bem me lembro comentamos sobre as imagens de santos e eu deixei nítida minha indignação, dizendo que não entendia como os católicos conseguiam se reunir todo domingo e fazer as mesmas orações. A meu ver era perca de tempo a repetição de vãs palavras, pois oração maior é a que sai do coração. E nesse ritmo seguiu a conversa. Nessa fase eu já era uma adolescente que se julgava muito inteligente, não me deixava convencer por qualquer um, nem padres, nem pastores, nem as freiras, nem os testemunhas de Jeová, nenhum deles nunca conseguiu ter argumento diante meus questionamentos e assim as únicas respostas que tinham vinham do sobrenatural.
Estávamos sentadas na porta da rua, como era de costume no pequeno vilarejo. A casa muito simples, sem reboque, um alpendres recém construído, um enorme banco de madeira na porta e um pé de amoras muito alto ao lado. Conversamos, discutimos, como sempre fiquei sem respostas, e entrei a fim de ir ao banheiro.
Corri o mais rápido que pude, pois estava apertada e não queria demorar para voltar ao assunto, no entanto ainda na sala que dava caminho ao banheiro uma das visões mais intensas que já tive me paralisou.
A porta do banheiro estava aberta, pude ver um clarão preencher todo o espaço. Era uma luz branca muito forte que ofuscava minha vista, mas ao passo que ela foi sumindo uma imagem foi se intensificando. No vaso que parecia um trono dourado estava uma mulher, de pele clara, lembro me que tinha um nariz fino, traços delicados, seus olhos era azul como o céu de encontro ao mar em uma tarde ensolarada. Não pude observar seus cabelos, pois estavam cobertos por um manto de azul mais claro que seus olhos, mas não eram em demasia escuros nem claros. O manto cobria sua cabeça e descia por toda sua vestimenta, que era de um branco límpido. Não pude ver seus pés, mas suas mãos estavam juntas elevadas ao peito como que em oração, havia entre seus dedos uma corrente que parecia um crucifixo.
A primeira vista ela estava com a testa encostada nas mãos em oração, mas quando meus pensamentos pararam de analisa la foi como se ela ouvisse o silencio assombroso que gritava dentro de mim, então ela levantou a cabeça lentamente e me olhou fundo nos olhos.
Nunca consegui esquecer aquele olhar, ele alcançou o mais fundo de meu ser e sem que eu pudesse entender o porque ela deixou cair sobre sua pele clara lágrimas que escorriam até sua veste. Nesse momento que o susto deu lugar ao pavor, pois não eram lágrimas simples, na verdade ela não demonstrava dor, nem nada que eu pudesse identificar, além de decepção. Mas as lágrimas eram de um vermelho tão intenso quanto sangue que corre nas veias. Ela chorava um sangue vivo e sentido. Nesse momento senti algo dentro de mim que não há palavras que descreva e sem conseguir me conter gritei.
Minha mente infantil pensou que fosse o momento de ir, talvez aquela mulher tivesse vindo me buscar, e a sensação fosse à vida se esvaindo de mim.
Quando o som saiu de minha boca ele já havia percorrido diversas vezes meu corpo, mas nesse instante ela abriu um pouco mais os olhos, apertou os lábios e em um suspiro desapareceu. Ao contrário da chegada a partida não trouxe uma luz e sim uma suave camada de fumaça exalando um perfume que desde então reaparece em determinados dias e lugares.
Minha prima veio ver o que estava acontecendo e percebendo a fumaça disse que o vizinho devia estar queimando lixo ou algo do tipo, mas eu sabia que não e que não adiantaria explicar, para todos eu era apenas uma criança de imaginação fértil que se não me controlasse acabaria internada em um manicômio qualquer.
Desde então nunca me esqueci da imagem dessa mulher que me pareceu uma santa, nunca entendi porque de sua aparição e o que tentou me dizer, não faço ideia do que ela pode ter visto no meu ser ao ponto de chorar sangue, mas a partir desse dia passei ainda mais a questionar os mistérios do sobrenatural.
Há mais ou menos 2 meses essa imagem é redundante em minha mente, e revejo os olhos azuis marejados de um vermelho sangue que me inquieta e agonia. Não consigo pedir discernimento, pois tenho medo das respostas, tenho medo de novas aparições, tenho medo de descobrir que talvez meu ser não seja de fato como imagino. Mas toda inquietação gerada pelos pensamentos e questionamentos que me rondam foram em demasia uteis para me permitir o respeito que nutro hoje por qualquer imagem que seja.
Aprendi a olhar a imagem não como algo a ser adorado e sim como um retrato a ser observado, guiando o pensamento com foco. É como uma fotografia, pode trazer recordações e guiar orações. Assumo que ainda não consigo orar pedindo proteção a determinados santos, mas tenho aprendido que o pensamento já é pedido de socorro, assim peço perdão por toda ignorância...
Já conversei com diversas pessoas, já estive em lojas de artigos religiosos, mas nunca vi a santa que me apareceu. Há algumas parecidas, mas nunca uma exatamente igual. Ela não tinha nada na cabeça além do manto azul, nada nos braços além da corrente que simulava um crucifixo nas mãos. Seu rosto fino de traços suaves deixava explicito um corpo magro por baixo das inúmeras vestimentas que a deixavam rechonchuda. Dentre as imagens que vi pareceu ser nossa senhora do Bom filho, mas também se parecia com nossa senhora das Graças, no entanto lembra santa Barbara. Enfim, talvez eu nunca descubra, talvez tenha sido mesmo apenas uma alucinação da minha mente infantil e desequilibrada, mas sendo assim porquê a imagem não se perdeu no tempo como tantos outros acontecimentos? Porquê tem me voltado a mente de forma tão redundante?
Há tantas perguntas sem respostas. Na verdade há tantas duvidas sem respostas exatas para serem direcionadas.
Sei que há muito mais do que me foi revelado, bem como muito aquém do que me foi descortinado. Já não quero entender o que se foi, não busco mais resposta do que passou a fim de aceitar o presente, não me basta só fazer diferente, quero ser diferença.
Minha luta nunca foi contra principados e potestades, e agora já não é entre meu ‘eu ‘ e meu ‘ser’, já colhi informações suficientes sobre minha existência e é chegada a hora de avançar. Descobri que os pontos de melhorias nunca cessarão, porque na verdade eles fazem parte da constante evolução, então é preciso me despir dos ‘se’ e começar a agir.
A ação deve ser constante crescente em paralelo a lapidação do ‘eu’ em função do ‘ser’.
O primeiro passo foi dado e já não há opção de volta. Na escada da vida a porta guiou me ao labirinto, já não há degrau anterior e a cada passo o que estou se perde no espaço. Só há o caminho adiante, por isso é preciso seguir, mas há uma luz sutil que me guia na direção que julgo correta.
Não tenho sabedoria suficiente para garantir a Verdade, mas tenho experiências que me levam a crer que estou no caminho correto, pois o código criado vem sendo confirmado e assim o equilíbrio me vem mesmo em meio a duvidas, e a paz sela qualquer contradição.
Ninguém jamais será dotado de razão, pois só cabe ao sobrenatural o conhecimento geral, o que a nós é revelado é apenas parte da grandeza do porvir.
As dores de hoje podem confundir, mas a fraternidade da eternidade confirmará qualquer duvida.
Sigamos confiantes ainda que tementes, pois a fé não se trata de jogos momentâneos e sim de escolha de vida.
A decisão cabe a cada um, o livre arbítrio é pra todos.
Graça e Paz, fraternalmente.

ps.: hoje 04/08/2013 um dia após narrar o acontecido estava olhando o face e vi uma imagem com a mulher que me apareceu, o rosto é o mesmo, mas ela usava um manto diferente...as estratégias me assustam as vezes... vai entender...agora é descobrir que santa é e o que ela tentou me dizer!


Vaidade, egoísmo, timidez e medo

Quanto mais tento entender o sobrenatural mais me vejo errante.
Sempre imaginei a Verdade se revelando de forma arrebatadora, me roubando os sentidos, me tirando o sono, deixando nítido o porquê de tudo ter sido como foi, no entanto não está sendo assim. As revelações estão sendo mais brandas, cada situação está tão repleta de sentindo óbvio que não entendo porque tive dúvidas.
Vejo meu ‘eu’ falho e precisando ser doutrinado, mas quando analiso meu ‘ser’ uma calmaria me abraça. Na primeira o receio me incomoda, pois a sensação de tempo perdido me envolve ao ponto de me sufocar, na segunda o conforto vem de mãos dadas com a convicção de que o livre arbítrio pode até ter me permitido andar por caminhos distantes, mas o Amor me trouxe de volta para onde eu devo ficar...
Percebo que entre todas as minhas falhas predomina a vaidade e o egoísmo. Nunca me achei bonita, nunca tive condições de me vestir como gostaria andando na moda, nunca gostei do meu corpo, da minha pele, do meu cabelo, sempre fui comum, normal, apenas mais uma entre tantas. Nunca tive ambição suficiente para desejar ter bens, diplomas, luxo. Não sei dizer se sempre fui assim ou se os acontecimentos em minha trajetória me moldaram, sei apenas que desde muito cedo a única certeza que gritava dentro de mim é a de querer conhecer a Verdade. Nunca soube aceitar o véu do esquecimento e sempre tentei rompe lo, em alguns momentos consegui, no entanto ao passo que o conhecimento me chegava ao invés de aprofundar nele eu me sentia completa, como se finalmente entendesse o todo e pudesse seguir sozinha, pra qualquer lugar.
De certo modo estava certa, com os esclarecimentos devidos as visões se abrandavam, as vozes silenciavam, e eu finalmente pensava ‘estar normal’, mas o tempo de bonança era passageiro e logo tudo voltava ainda mais intenso.
Onde quer que eu fosse sempre havia alguém para me dizer que eu tinha um dom e que precisava ser trabalhado. Não importava a religião, podia ser a primeira visita que alguém sempre vinha me cumprimentar e dizer algo que soava especial. A principio eu sentia receio, pois todos diziam sobre uma responsabilidade para com os outros, mas quando voltava para casa, na proteção do meu quarto eu me sentia privilegiada, sem nem saber porque, era como se de fato eu fosse um grão de areia com maior brilho.
Em minhas orações sempre me dispus a ser usada ao Bem Maior, sempre desejei que o tal dom fosse revelado, porque eu não o vejo e gostaria muito de me conhecer e saber dominar tudo que me acontecia. Nunca senti nada se concretizar, nunca identifiquei de fato esse dom que todos dizem, mas aos poucos percebo a razão.
Nunca soube ser grata. Grata em nada, nem por meu corpo saudável, nem por minha aparência normal, nem por minhas conquistas, nem por minhas vitórias.
Gastei toda minha existência até aqui procurando me encontrar e em diversos momentos senti a plenitude de meu ser. Fases tão intensas vistas como ideais, onde a felicidade se refletia como calmaria e o Amor como normalidade no dia a dia, mas algo sempre fez esse cenário mudar drasticamente e o pior é que muitos vezes eu tinha a opção, ou talvez a opção fosse apenas acreditar no tempo e esperar, mas paciência nunca foi um de meus atributos e munida de certeza agia de acordo com a intensidade do momento. Não posso afirmar que esse tenha sido meu principal erro, até porque tudo isso me ensinou mais que eu pensei poder aprender um dia.
Essas oscilações no meu percurso não só moldaram minha personalidade, mudando meu ‘eu’ como também o deixou mais perto do meu ‘ser’.
Vejo nítido que os momentos de maiores aprendizados foram em meio à dificuldade e a perda. Não sei dizer quantas vezes precisei morrer para renascer mais forte na manhã seguinte. Não sei dizer quantas de mim se foram para dar espaço a que existe hoje.
Lógico que em diferentes momentos se eu tivesse a cabeça que tenho hoje minha vida não estaria como está, talvez eu tivesse um bom cargo em uma boa empresa, talvez eu tivesse casada e com meus filhos, talvez eu tivesse uma casa, com um belo jardim, um cachorro, um periquito, uma tartaruga e peixes. Talvez eu tivesse um belo carrão, talvez eu tivesse diplomas e falasse outros dois ou quem sabe mais idiomas.
São infinitas as possibilidades visto todas as oportunidades que tive e me pergunto o que eu faria se pudesse voltar no tempo, mantendo a maturidade que hoje possuo?
E a resposta não tarda: faria tudo exatamente igual.
Minha vaidade sempre predominou em acreditar que eu por mim mesma fosse capaz de resolver qualquer conflito. Sempre me gabei por meu bom senso, por ser responsável e do Bem. Sempre procurei me conhecer para moldar meu ‘eu’ ao ‘ser’ que de fato gritava em meu peito e pude sentir em cada fase o momento magico onde essa transformação ocorria.
Nunca foi fácil rasgar o casulo para voar, eram momentos dolorosos, mas planar no ar sempre compensou, mas mais uma vez eu me vesti de egoísmo e não agradeci o conhecimento adquirido nem tão menos as metamorfoses sentidas, assim me vi em um ciclo vicioso onde nunca passei do ponto de partida, mas quer saber?
Talvez o ponto final não passe de reticencias.
Se pudesse voltar no tempo faria tudo exatamente igual.
Minha visão sobre a vida ser vividas em fases não estava em tudo errada, de fato o universo conspira em diferentes sintonias onde a maneira com que recebemos essa energia é que dita a fase a ser vivida.
Vivi fases boas, ruins, algumas péssimas, outras das quais me envergonho, umas que lamento, mas todas foram em suma importantes para meu único objetivo na vida: me conhecer.
Mesmo após quase três décadas, por vezes, me sinto perdida, sem saber quem de fato sou, o que de fato quero, mas isso me parece um detalhe tão simples que não entendo como nunca percebi antes. A vida é feita por fases, assim de fato preciso estar em constante mudança, só é preciso aprender a respeitar o tempo.
É estranho ver minha vida de pernas por ar e ainda sentir o equilíbrio predominar. Não é difícil imaginar o que as pessoas pensam, mas de repente isso perdeu o valor, o que me importa é como eu me vejo e principalmente como eu me sinto.
O sentir que já foi tão criticado por alguns se concretiza mais e mais como parâmetro de discernimento.
Vejo meu passado tão errante e ainda assim sou grata por tudo que foi. Sei que muito virá, sei que não posso evitar errar, mas quero agir muito diferente. Mais uma ‘eu’ foi velada, agora uma mais perto do ‘ser’ nasce e assim o despertar para o Amor vem mais intenso.
A humanidade está cada dia menos humanizada, os valores estão sendo esquecidos, os princípios apagados, não se vê mais raiz, apenas filhos do sistema, robotizados, manipulados. Bens de consumo, com valores estipulados, se tornaram mais valiosos que vidas. O juntar predomina o compartilhar. O ter sobressai ao ‘ser’. O fazer igual ou o que mandar substitui o saber. Aprender se tornou histórias lidas e contadas ao passo que se conhecer beira a utopia. Pessoas acreditando cada vez mais na segurança armada, eletrônica, programada e se distanciando cada vez mais da fé. Milagres se tornando lendas. Exemplos contos. Religião virando comercio. Líderes usando e desenvolvendo dons para explorar os menos esclarecidos. Guerra silenciosa e fria...
Sempre afirmei que ‘o que não faço em ação faço em oração’, mas será que isso basta?
Talvez pior que a vaidade e o egoísmo seja o medo e a vergonha. O medo de tentar que anda de mãos dadas com a vergonha de falhar.
Minha timidez sempre me inibiu, talvez seja fruto do excesso de bom senso, ou talvez seja apenas uma fraqueza assumida e mascarada para ser usada como desculpa por não assumir responsabilidades, o que na verdade é gerado pelo medo de falhar, de não ser capaz.
Aos poucos vou percebendo que o pior vilão na minha trajetória foi na verdade uma grande vilã: eu mesma. Enquanto as pessoas sempre acreditaram em mim eu sempre me coloquei em prova. Nunca vi o tal potencial que todos dizem, nunca vi a tal coragem, a força, a capacidade de persuasão, a liderança, a tal dedicação. Sempre agi de maneira simples conforme minha consciência outorgou, nunca desejei ser destaque nem melhor que ninguém. Até prefiro os bastidores ao palco principal. Egoistamente prefiro ajudar, mesmo que não receba gratidão, a ter uma rotina imposta a ser cumprida. Seja como e o que for a rotina sempre se revela mesmice e o tédio se torna uma companhia desagradável, repetindo sempre que estou agindo como a massa, sendo apenas mais um robô do sistema.
Mas e se o detalhe estiver ai, talvez eu pudesse ser um robô da Verdade, carregado de luz, onde as pessoas pudessem recarregar suas energias, assim seria mais fácil ter uma rotina onde elas saberiam me encontrar que caminhar sem destino.
O saber nunca cessará pois o aprender é constante, assim se ficar parada procurando acumular informações jamais conseguirei compartilhar o que sei e assim o conhecimento será privado, logo inútil.
O conhecimento deve ser compartilhado, distribuído gratuitamente e meu coração de repente anseia por isso, mas eu nada sei, compartilhar o quê? O desejo da autobiografia volta a queimar, mas as tentativas são em vão. Há detalhes que precisam ser colocados com outro ângulo, pois as futilidades existenciais ainda ponderam as narrativas.
É tao mais fácil narrar os caminhos que minha imaginação me leva a contar os caminhos que percorri nessa jornada até aqui. Talvez ainda não seja hora, talvez eu ainda não esteja pronta, mas será que um dia estarei?
Em instantes mágicos sou guiada aos momentos que vivi sem entender e o discernimento me surge de forma tão clara que não entendo como não percebi antes e é então que percebo que estava cega pelo medo.
Hoje não tenho duvidas que a religiosidade engana não apenas a mente confusa, mas principalmente a que teme. É mais fácil acreditar na simplicidade do céu e inferno que conhecer caminhos intermediários. É mais fácil assumir apenas Deus e o diabo a reconhecer a evolução humana ao ponto de estar perto de Cristo. É mais fácil reunir com outros em um templo de adoração que ser um. É mais fácil acreditar na igreja, nos pastores, nos líderes, que assumir a responsabilidade de ter que se auto doutrinar. É mais fácil ter desculpas que agir. É mais fácil seguir a trilha que abrir o caminho. É mais fácil caminhar com a multidão sem querer saber a direção que entrar na contramão, mesmo que essa guie a Verdade.
Sou apenas mais um grão de areia na multidão, quero sim ter um brilho diferente, para que  Deus me perceba chamando Sua atenção, mas não consigo ser manipulada. O sobrenatural e eu temos um código que tem funcionado bem e cada vez mais fica claro, assumo que ainda não entendo muito do que me é revelado, mas sigo confiante que cedo ou tarde o discernimento chegará.
Por anos me fiz critica e agora percebo que a critica não passou de ignorância. Por falta de conhecimento segui um padrão pré estabelecido por homens, como eu falhos, e o todo que era tao complicado vem se revelando simples e sutil. Ainda há tanto que “rejeito”, mas respeito e assumo assim minha coparticipação, mas sei que o Criador conhece meus pensamentos bem como meu coração e tudo me será revelado no momento propicio.
O engraçado é que agora que me sinto preparada tudo minimizou, restam as sensações, as vibrações, ainda escuto vozes aleatórias, mas as visões não passam de vultos que estão em seus afazeres diários, nenhum me fita, me sorri, me espera, me toca...
É a primeira vez que vivo essa fase de aprendizagem e não me sinto louca, talvez eu deva ter me assumido assim e ainda não sei, mas a calmaria me abraça de todas as formas e se isso for insanidade eu a desejo.
Pode o céu desabar, o chão se abrir, as rochas ruir, que eu continuarei aqui, convicta de que tudo tem um quê, nada fica sem por quê. A lei da atração é nítida bem como ação e reação, por isso meu momento de ‘ser’ (melhor) é agora, hoje, já. Nada pode ficar pra depois, o amanhã pode me reservar surpresas que deixam o projeto inacabado...mas bem sei que de fato ele está longe de ser concluído.
Me pergunto se verei em vida as mudanças que tanto acredito... começando por meu ‘ser’.
Ah, vaidade hostil que me leva a pensar que no pouco faço algo. Egoísmo enraizado que não me permite ir além de meu ‘eu’. Timidez demasiada que me faz estacionar. Medo incoerente que se apega as desculpas e me conduz na direção contraria.
Rogo para que a Verdade me chegue límpida como agua cristalina, que o Bem Maior se manifeste em confirmações, que o selo entre o sobrenatural e o ‘eu’ (pouca fé) seja cumprido, que não me falte socorre, capacitando me assim a socorrer, mesmo inconscientemente, quem a mim recorrer.
As dores físicas incomodam cada vez mais, não sei discernir se por um trabalho não desenvolvido ou por auxilio prestado, mas acredito mais naquela que nessa, por isso espero que as energias vitais me guiem a atração dos que procuram trilhar o mesmo caminho que eu. Que as dificuldades no caminho sejam apenas degraus rumo a tal almejada evolução e que a eternidade me afague com carinho, mesmo em dor, pois mesmo sigo viajante, passageira errante dessa dimensão.
O que anos neguei de repente clama por ser revelado, será tarde? Terá Deus atendido o desejo criado pelo medo? Não sei, mas seja como for é e sempre será. Continuo acreditando que não há mal que possa me derrubar. Podem até tentar me tocar, mas maior é aquele que está comigo. Onde há luz as trevas não predominam.
Meu anjo da guarda é de fato muito persistente de um amor incondicional... quantos livramentos, quantos esclarecimentos, quanta inspiração.
Obrigada ao sobrenatural por tanto carinho a mim dedicado, peço lhes perdão por tanta confusão, mas aos poucos retomo aos trilhos que um dia me conduzirão ao meu verdadeiro lugar. Ah, não fazem ideia de quantas saudades sinto. Aqui, mesmo com as orientações recebidas, me sinto perdida, não consigo discernir o real da imaginação, mas sei que há muito mais do que minha fé consegue alcançar. Aos poucos me preparo para o trabalho a ser feito. Sei que não me faltará apoio. Paz!


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Por hoje

Que a lei do esquecimento se faça véu, rompendo se, permitindo-me o discernimento da Verdade, me aproximando assim da evolução.
Que os compromissos assumidos sejam cumpridos, para que as lagrimas se convertam em sorrisos e a tristeza traga a felicidade plena.

Só o Amor conduz a eternidade. 

“Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro...” André Luiz por Chico Xavier em Ações e Reações.

Há tanto a ser dito...aprendido... basta de religiosidade ditando valores...só o Amor importa!


A existência nesse plano se torna tão confusa que os valores se perdem na mesma proporção que o egocentrismo cresce silencioso e discreto.
Nós estamos vivendo uma falsa sensação de liberdade, enquanto não passamos de reféns de nosso egoísmo.
Há muitos anos a terra vem vivendo marcos histórico, pontos de mudanças e transformações, mas nós estamos sempre nos perdendo no caminho.
Como humano, seres pensantes dotados de razão, procuramos evoluir na ciência, na física, em todos os campos sociais, até analisamos o campo psicológico, mas esquecemos de procurar por nós mesmos as experiências.
Nos acomodamos em ter sempre as respostas prontas, em aceitar que a pequena minoria encontre as respostas e as traga para nós, o que é um grande equivoco, pois como dizia Napoleão Bonaparte “história é um monte de mentiras juntas”.
A questão é que uma informação passada de uma pessoa a outras 50 de uma vez atinge um ideal, agora uma informação passada a 50 pessoas uma por vez pode ser distorcida no caminho e é ai que o todo se complica, pois já precisa análise, discernimento e aceitação.
Talvez esses sejam os três pilares dessa existência. Analisar o todo, discernir além do que ouve e vê. Aceitar como é, além de como gostaríamos que fosse.
Infelizmente a religiosidade tem falado mais alto que afinidades e até mesmo que laços sanguíneos. Entendo que haja diferentes culturas e credos, mas por mais que os caminhos sejam distintos o lugar de encontro deveria ser o mesmo: o Amor.
Não importa denominações, rituais, dogmas, o importante é o foco no Bem Maior, o respeito ao Criador e a fé no sobrenatural.
Nós temos nos deixado levar por culturas enraizadas que acreditam ser dotadas de razão, enquanto a Verdade é uma só e não cabe a mim ou a você domina la.
Diversos caminhos levam a um mesmo lugar, não há um caminho certo ou errado, o que há é a necessidade de se distinguir o bem do mal, pois só assim pode se cultivar o respeito necessário à jornada.
Vivemos buscando mais, sabemos que podemos mais, desejamos mais, mas não sabemos distinguir o momento de parar ou mudar o foco. Alimentamos nossos pensamentos como verdades absolutas, acreditamos estar sempre certos, nos vemos dotados de razão e sabedoria, assim nos resguardamos no conforto de nossas casas, cercados por um seleto grupo, a quem chamamos amigos. Seguimos nosso dia a dia sem grandes preocupações, mantendo a certeza de estarmos vivendo nosso melhor.
Estamos perdidos em nós mesmos.
Enquanto perdemos tempo discutindo política, religião, pré-conceitos. Enquanto tentamos ser melhores que todos. Enquanto desejamos mais conhecimento, mais bens, mais títulos, mais poder, o tempo está passando.
Não há aquele que não olhe para traz e não tenha lembranças. Isso é o tempo se esvaindo. E a grande maioria de nós até percebe isso, mas não se dá conta de que algo deveria ser feito. A grande maioria de nós nunca se questionou o porquê de sua fé, o porquê de sua determinação, o porquê de seu ‘ser’, apenas seguem como robôs programados pelo sistema, fantoches na mão do destino, brincando de fazer escolhas e renuncias. Com isso o tempo passa e quando o ‘despertar’ chega é tarde de mais.
Então se torna nítido que o dever a ser feito era tão simples e ela estava presa no dia a dia, nos afazeres que aprendeu ser devidos, que se esqueceu de questionar, de seguir seus instintos...
Fomos feito a imagem e semelhança do Pai, o mesmo que por amor a nós mantem a lei do esquecimento, para que possamos seguir nosso caminho sem imposição, ou seja, Ele nos deixa livres.
Saber disso me emociona, como um Pai pode amar seus filhos de tal maneira a deixa los livres? Quantos filhos não vão para longe e se esquecem de voltar? Quantos nem se lembram do Pai? Quantos não se perdem no caminho? Há de fato aqueles que nunca se afastam dEle, mas ainda assim mantem no dia a dia atos de desamor. Quantos não ouvem os ensinamentos do Pai e ainda assim ignoram?
Mas o Pai, ahh o Pai. Ele sempre está lá, disposto, pronto para receber um filho que retorna, que pede socorro, que clama por abraço, que precisa de colo.
Esse é o maior preceito que devemos seguir e alimentar, o Amor acima de qualquer circunstancia, de qualquer obstáculo, de qualquer religião.
Somos, todos nós humanos, uma grande família errante em busca de redenção.

Não há uns melhores que outros. Talvez alguns tenham ‘despertado’ enquanto outros dormem, talvez alguns escolheram caminhos mais curtos que se revelam mais difíceis, talvez outros tenham escolhido o caminho mais longo que se mostra mais confortável, talvez alguns tenham escolhido desbravar o próprio caminho. Não importa, o importante é que todo e qualquer caminho leva ao mesmo lugar: ao Amor. 

Meu jardim (as 3 arvores)

Se o homem como pó vivesse para ao pó retornar, do que valeriam os sentimentos?
O homem é mais que partículas se misturando formando matéria. É mais que pensamentos impostos. O que torna o homem humano é a razão, é a capacidade de sentir e amar.
Esse princípio, de sentir e amar, é o mesmo que traz a vida.
Existir é cultivar um grande jardim, repleto de diversas flores, inclusive rosas com seus espinhos.
Dois polos distintos se unem, a semente (espermatozoide) é colocada no adubo (óvulo) que então é lançado a terra (útero), assim aquela brotará e se desenvolverá trazendo a vida.
As intemperes do tempo, clima, influenciam e muito para esse desenvolvimento, podendo contribuir criando um ambiente favorável (confortável) ou não (insuportável), assim se inicia o processo natural da vida. A nova vida pode resistir ao todo e crescer, mas também pode desistir e morrer.
Eu nunca fui boa com plantas. Dizem que a pessoa que sabe cultivar um jardim tem um bom coração, se assim for tenho traços de desamor que ainda não pude identificar.
A questão na qual me levo a refletir aqui é sobre as raízes.
O Criador em Sua perfeição não se esqueceu de nenhum detalhe em Sua obra e fez em tudo uma simetria.
Na natureza o homem poda as arvores de acordo com sua necessidade, e muitas vezes corta a raiz de forma a matar a planta, outras se vê obrigado a fazer o replantio em determinados locais, o que faz com que a raiz seja retirada cuidadosamente para ser replantada em outro local.
Isso acontece também com o próprio homem, o cordão umbilical é a raiz da arvore da vida, que é cortada após brotar. Enquanto a criança precisa de cuidados vive a sombra, mas quando cresce (se torna arvore) segue seu destino.
Ontem ouvindo no celular a pasta de músicas que escuto diariamente, fui surpreendida com uma história que não conhecia. Não sei como ela foi parar ali, mas nem quis entender, pois sua mensagem falou diretamente ao meu coração. Dizia:
“ Três arvores pequenas que sonhavam o que queriam ser depois de grandes. A primeira queria ser o baú mais precioso do mundo cheio de tesouros, a segunda queria ser um grande navio para transportar reis e rainhas, a terceira arvore queria ficar no alto de uma montanha e crescer tanto que as pessoas  quando olhassem para ela levantassem seus olhos e pensassem em Deus, mas a primeira foi transformada em um cocho de animais e coberta de feno, a segunda virou um simples barco de pesca carregando pessoas e peixes todos os dias e a terceira arvore, mesmo sonhando em ficar no alto de uma montanha acabou cortada em altas vigas e colocada de nado num deposito. Mas numa certa noite uma jovem mulher colocou seu neném nascido naquele cocho de animais e de repente a primeira arvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo. A segunda arvore, anos mais tarde, acabou transportando um homem que acabou dormindo no barco, mas quando a tempestade quase afundou o pequeno barco o homem levantou se e disse ao mar revolto: - sossega, ela entendeu que estava carregando o Rei dos céus e da terra. Tempos mais tarde, numa sexta feira, a terceira arvore espantou se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela, pois fora condenado à morte, mesmo sendo inocente, logo sentiu se horrível e cruel, mas no domingo o mundo vibrou de alegria e a terceira arvore entendeu que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas se lembrariam de Deus e de Seu filho Jesus Cristo ao olharem para ela.”
Fiquei meditando por breves segundos que falaram me tanto, foi como se todo fracasso de meu passado de certo modo fosse justificável, e veio a conclusão da mensagem:
“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor.”
Senti um forte arrepio, como se uma descarga elétrica percorresse meu corpo e uma voz falou me suavemente: - você está no caminho certo. Esse é o plano que havia sido traçado. Não desista. Não tema. Continue. No momento certo você irá entender e mesmo que não entenda, confie, tenha fé.
O velho desejo de chorar veio vorazmente, de maneira que uma lágrima escapou do controle, mas os olhares das pessoas em volta me reprimiram, o que me fez manter o equilíbrio e apenas contemplar aquele momento.
Hoje essa reflexão queima meu peito, como querendo revelar muito além do que a mensagem consegue transmitir. Fazendo alegoria de arvores como seres pensantes que sonham, fazem planos, bem como nomeando o Criador. Me leva a pensar nas imagens e suas representações.
O princípio nunca será de todo esclarecido aos humanos, pois a Verdade exige uma fé muito maior que possuímos, mas resquícios dele se propagam pela história e cabe a cada um escolher no que acreditar e como se dedicar.
A lei do esquecimento anda de mãos dadas com o livre arbítrio.

Ainda estou cansada de tanto correr atrás das borboletas, continuo cultivando meu jardim para que elas se acheguem. É fato que escolhi um local de difícil acesso, mas as flores estão desabrochando e posso contemplar o ‘despertar’, desse modo mesmo que o jardim não esteja em evidencia e não receba tantas visitas, ainda assim ele se torna belo e florido. Nas lembranças carrego a saudade de tudo que foi e com gratidão no coração aguardo tudo que virá. 

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