Tempo cronológico nada diz. Cada pessoa é reflexo do que
vive. Identidade é personalidade e nem mesmo gêmeos siameses são idênticos.
Cada um é cada um, e cada qual escolhe que quer ser.
Várias pessoas cruzam meu caminho diariamente. Algumas me
encantam, outras me fascinam, há as que me intrigam, outras que me repelem, há
ainda as que me conquistam, outras me sufocam. Algumas simplesmente passam se
muito causar, outras passam para semear (uma nova ideia, um novo conceito, um
novo olhar). E há também aquelas que vão querendo ficar, e outras que ficam sem
precisar. Algumas são difíceis de me livrar, outras nem adianta tentar, há
ainda as que eu permito ficar. Vários estilos, vários motivos, várias histórias,
mas dentre estas e inúmeras outras as que mais me marcam são aquelas que eu
escolho...
Descobri que relacionar é fácil, difícil é ver o personagem (que
a imaginação criou) sair de ação para o verdadeiro ser entrar em ação. Em um
primeiro contato uma incógnita. Uma breve aproximação e grandes surpresas, tudo
pode mudar para bem ou para mal, vai depender do referencial. A convivência revela
os fatos e então vem à decepção ou alusão, depende da intenção.
Minha escolha é aceitar que não existem pessoas perfeitas,
todos são humanos, mas antes disso são seres, logo falhos, errantes.
Procuro evitar a ilusão, apenas seguir segundo as sensações do
dia a dia. Por vezes as sensações duelam com o racional e faz a mente criar situações
inexistentes, gerar fantasmas, duvidas surgem. São nesses momentos que percebo
o quanto ainda preciso evoluir.
Se a vida é feita de fases o início de um relacionamento é o
melhor momento para uma autoanalise, pois é preciso aceitar o passado,
reconhecer o presente e projetar o futuro. Tudo isso analisando cada passo,
tentando entender cada situação, tendo que decidir o que vale a pena ou não.
Pessoas não precisam concordar, não precisam ter a mesma opinião,
não precisam se calar ou anular, não precisam ter razão, até porque certo ou
errado depende do referencial, logo das experiências. Pessoas só precisam
aceitar que são únicas e que jamais encontrarão outra que pense exatamente como
ela, sendo assim cada um é inteiro e não precisa de metade, precisa sim de alguém
que a faça transbordar.
Nem sempre o caminho mais curto é o melhor. Por vezes fugir,
evitar, apenas deixar pra lá é a escolha mais lógica e menos dolorida, mas eu
sempre gostei das coisas complicadas porque elas sim me ensinam e me trazem evolução.
Esse fim de semana aprendi que carinho é sentimento ligado a
admiração, e independe de quem se é ou de quem se imaginou ser.
A vida me encanta a cada momento que coloca em zona de
conflito. Discutir ideias, rever a existência, indagar motivos, questionar situações,
analisar o ser como humano, tudo isso me fascina.
Há diálogos que se tornam discussões e me tiram o equilíbrio,
sinto o ar faltar, sinto a fúria chegar, evito falar para não magoar, ou se
falo tento maquiar, no entanto não insisto se são línguas distintas é melhor
sair de cena... No balanço estão as grandes sacadas, descobri que falo por metáforas
e que isso pode incomodar, mas lutei tanto para driblar minha sinceridade que
acredito que não seja necessário mudar.
Não defendo ideias
prontas, crenças pregadas, conceitos repassados, apoio a semeadura entre pedras
a qual só gerará frutos a que for resistente e forte. Metáforas são para os que
estão prontos para elas, parábolas são lições, não ensinamentos.
Acredito no poder das palavras. Palavras podem evidenciar
fatos, relatar situações. Podem dar vida ou matar. Podem alegrar ou contrariar.
Podem fazer sorrir ou chorar. Podem fazer falar ou gritar. Palavras não são apenas
palavras quando vindas do coração. São profecias ou maldição. São vidas ou uma
simples questão. O poder das palavras é tamanho que conquistam corações, geram ilusões,
libertam de prisões.
A principio deixar de lado a armadura e me ver vulnerável foi
amedrontador, me senti como um fantoche na mão de um sentimento instável e também
vulnerável, mas confesso que sentir meu coração se aquecer foi umas das
melhores sensações... Descobri que eu sou a maior critica de minha própria vida.
Que todo preconceito parte de mim mesma. Que toda acusação vem da vergonha, da
culpa das falhas, da cobrança por fazer diferente.
Me abrir, me assumir, ainda é difícil e doloroso. O passado
ainda é uma ferida aberta que sangra a cada toque, mas saber que há pessoas que
me percebem acima de tudo isso, que acreditam em mim, em quem eu sou hoje, em
quem eu posso me tornar, é o que me motiva a acreditar e seguir sempre
confiante.
Mesmo que nada seja como gostaria, mesmo que tudo seja
passado, mesmo que não seja mais que uma fase, um simples momento, já me agregou
valores.
Dos últimos dias a maior lição que obtive foi que ainda há
muito que aprender e melhorar. Por mais que eu me conheça, por mais que saiba
onde estou, não estou certa de onde posso chegar. Meu objetivo era seguir
sozinha, destemida, independente, sem grandes ambições, sem maiores objetivos
alem de viver um dia de cada vez me aperfeiçoando sempre mais, mas o acaso me
fez rever meus conceitos e quando percebi já havia feito escolhas diferentes e
mudado toda direção. Meu coração diz para confiar que é o momento de restituição,
diz que o tratamento é provar toda a lição, mas minha razão diz que é perca de
tempo, que mais uma vez estou deixando a emoção dominar. E o que fazer? Quem
ouvir?
Na trajetória da vida vale mais caminhar lado a lado na
jornada, mesmo que cedo ou tarde esteja só e a saudade me assole ou seguir
sozinha com pausa para emoções passageiras? Se não há convicção da
reciprocidade é melhor acreditar na possibilidade e tentar a conquista ou
simplesmente aceitar que a solidão é a melhor opção e seguir adiante? Porque
estar junto faz tão bem, traz tanta paz, reflete tanto carinho e a distancia
sufoca, traz duvidas e incertezas?
Na existência ninguém é de ninguém, cada um é cada um, mas
na vida as escolhas determinam “posses” mesmo mantendo toda individualidade.
Ainda posso contar nos dedos da mão direita minhas escolhas
reais, e todas elas me impactaram e me modificaram, agora não será diferente,
quero acreditar, quero arriscar, pago o preço pra ver, porque se depender de
mim vai acontecer! O pronto pode ser bom, mas enjoa, quando se faz, quando se
cria, quando se monta peça por peça o resultado final agrada mais. O trabalho
pode sair torto, cheio de falhas, remendos, mas olhar o todo e ver que valeu é
que faz a diferença.
No quebra cabeça da vida estou começando um novo quadro,
passei a ultima fase sem louvores, mas o desejo aqui no que depender de mim será
belo, mesmo que as peças custem a se encaixar, dificuldades só aumentam o
desejo de tentar. Que o brilho seja intenso mas não ofusque, que a luz seja
clara mas não cegue, que a paixão seja voraz mas não insana, que a razão se
mostre mas não domine, que ambos sejam para um restituição.
Quanto carinho está presente em meu coração...

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.