Meu eu tenta
entender onde tudo começou. Revejo minha infância, refaço na mente toda adolescência,
analiso a juventude, tudo tão novo, tão ideal e tão diferente. Em cada etapa
fui uma, em cada fase sofri, chorei, sorri e aprendi. Sempre oscilei entre o céu
e o inferno, sempre errei tentando acertar. Do todo tiro a experiência e de
tudo lamentações. Em diversos momentos me faltou maturidade, mas esses foram os
que mais me agregaram valores. Tantas palavras mal ditas, tantos diálogos
imprudentes, tantas conversas desnecessárias, tantos silêncios frios, tantos
papos vazios, e tudo tão ‘tão’ que se fez ‘vão’.
Até bem pouco
tempo atrás a vida era apenas seguir, deixar o vento levar, dançar conforme a
canção, mas em um momento mágico, daqueles que agente não só sente, fui
agraciada com a dádiva de entender que a vida é diária, logo cada dia é único, intransferível
e irrevogável. O hoje jamais se repetirá. Duvida? Faça o teste! Faça amanha
tudo exatamente igual fizer hoje e verá que nada se repetirá. Pode ser os
mesmos gestos, as mesmas ações, os mesmos fatos, mas a emoção será outra, a
adrenalina será diferente. Mais intenso ou não, não é a questão, o fato é que
nada é igual.
Diante essa situação
me vi totalmente a mercê de uma mesmice, como uma marionete nas mãos do
cotidiano, encarando as pessoas como robôs sociais e os padrões como ditadores
de costumes. Então me revoltei e passei a viver por mim, respeitando leis
humanas sem desprezar meus ideais, logo buscando me libertar do cárcere de
existir, me livrando de ser refém da louca globalização. Aceitar o capitalismo
selvagem é preciso à sobrevivência, mas me corromper com a massa já me torna
prisioneira dele, sendo assim prefiro o isolamento, a solitária do caminhar
alheia aos padrões pré-estabelecidos, que ser consumida dia após dia pelo
bombardeio de corrupção e enganação da sociedade voraz e frustrada que se
arrasta em um ciclo hostil e vicioso.
Quanto mais
tento ser clara mais percebo que meus ideais são obscuros para a realidade
atual. Evito falar sobre a vida, é mais fácil falar sobre a aceitação da existência,
sobre possíveis formas da criação da terra e humana, sobre motivos para tal existência,
sobre questões racionais e explicáveis cientificamente do que tentar explicar a
intensidade das experiências sobrenaturais. Há fatos que só são compreendidos
por aqueles que têm a voracidade de acreditar. Posso falar para uma multidão,
todos me ouvir e ninguém entender, como posso falar para um pequeno grupo,
todos me ouvir e ninguém entender, como posso falar para uma pessoa, ela me
ouvir e não entender, mas se eu falar em qualquer dessas situações e todos me
ouvirem e ao menos 1 entender confirmarei que estou na direção certa, porque
muitos são chamados mas poucos escolhidos. As parábolas são para todos, mas o
discernimento é apenas para os que têm a marca da promessa.
Minha luta tem
sido dura, e não é contra principados nem contra homens, minha luta têm sido
contra meu eu. A dualidade em meu ser atualmente se faz avassaladora, por vezes
me sinto fraca e sem reação, é como se entrasse em um transe psíquico, fechada
em minhas emoções, revivendo o passado com o temores do presente, vendo
distante os objetivos e ideais, mas olho pra mim e me vejo ali, sentada, jogada
em um canto qualquer esperando o desfecho com um fracasso certo, esperando
apenas o momento de declarar a derrota, assumir a fraqueza e aceitar a humilhação,
mas nesse momento eu estou ali atônita vendo tudo aquilo e tendo que aceitar,
mas não, não quero aceitar. Essa não precisa ser a verdade, sou mais que um ser
vagando pela existência, sou mais que uma entre a multidão, para a sociedade
estando bem ou mal sou apenas uma estatística, para a família e amigos sou
apenas uma frustrada ou realizada dependendo da situação, mas e para mim mesma?
E meu eu? Sei que posso mais, sei que sou mais!
Desde que
despertei para a vida além da existência, desde que assumi a presente situação como
consequência de minhas escolhas passadas, desde que descobri que sou a única criadora
de minha historia, que apenas eu posso decidir o que me faz bem ou mal, o que é
certo ou errado, o que convém ou não. Desde que optei por assumir minhas falhas
orgulhosamente por ter aprendido a fim de não repeti las, desde que aceitei o
fato de conviver com o espinho da carne doendo diariamente, mas ainda assim
sorrir e acreditar na felicidade, desde que aceitei que a ferida aberta que
sangra diariamente em meu peito nunca será curada, mas poderá ser tratada com
boas vibrações e pensamentos positivos, pude sentir a resposta a minhas
orações.
Infelizmente não
tenho poder de criação, mas sinto o poder da recriação, poder começar do zero
hoje, de fazer o velho virar novo, o triste ter contentamento, o que era nada
ter zelo, o que assustava ser benção.
Nada é real,
tudo é faz de conta, tudo é ilusório, tudo é passageiro. Viver acreditando na
eternidade torna essa realidade cruel e dolorosa, negar prazeres, controlar
impulsos, frear desejos, mas não acreditar me torna insana, inconsequente,
alienada. Tudo tem duas versões, tudo tem dois lados, tudo é dualidade.
Fazer escolhas! No que crer? Como viver? O que ser? Até onde ir? Como chegar? Quanto esperar? Devo buscar? Pós e contras! Certo ou errado? Você prefere um copo meio vazio ou um copo meio cheio?
Tudo é questão
de visão! Tudo depende do referencial!
Quanto mais
busco viver meus sonhos, quanto mais sinto a possibilidade de torna lós reais,
mais me vejo anormal diante a normalidade humana. Mais me vejo alheia a essa
realidade que segue cega de princípios e cheia de anseios vagos. A era que vejo
aqui já superou o capitalismo, mais que juntar o que manda agora é competir.
Não é preciso ter, basta fingir bem, a aparência é que determina. A alusão é
maior que a veracidade.
Sou maior que
qualquer bem que possa conseguir, vou alem de qualquer sentimento que eu possa
despertar, sinto mais que qualquer dor que eu possa causar, estou além de
qualquer sensação que venha me incomodar.
Vivo meu eu,
sinto meu ser, sigo o coração mesmo ouvindo a razão. Me permito errar sem me
envergonhar, me arrependo sem lamentar, peço perdão sem me culpar, pois sei que
aceitar essa realidade é conviver com tudo que ela me proporciona, e estar
feliz é ainda assim conseguir acreditar no amanhã.
Na trajetória do
meu viver sempre surgem anjos que me fazem lembrar que já deixei de existir a
tempos. Matei a existência quando decidi dar vida a ela. Muitos desses anjos
tentam roubar meu sorriso, tentam ofuscar meu brilho, tentam tirar minha
concentração do foco, mas esses são os que mais me trazem revelações, são com
eles que mais aprendo e mais me fortalece. Podem ser anjos caídos, ou talvez
sejam anjos em resgate, não me é nítido o saber, mas entendo que de todo modo
agrega em meu ser.
Procuro rever na
adolescência toda revolta, toda ignorância, toda futilidade, toda incerteza, e
consigo ver, mas não posso sentir...tudo é tão intenso e hoje se faz ridículo.
Como é cruel a escola da vida. Como é doloroso matar a existência para que a
vida nasça. Como é tenso saber a verdade mas ver a realidade oculta La. Mas
talvez essa seja a maior questão da vida, que cada um descubra por si só os mistérios
que lhe convém conforme o sobrenatural se apresenta.
Não espero
encontrar pessoas que compartilhem do mesmo ponto de vista que o meu, não espero
que haja no mundo alguém que pense como eu, que creia no que eu creio ou que
busque o que desejo, espero apenas que na trajetória da evolução, pessoas em
suas existências ou mesmo certas de vivencia apenas me tragam indagações e
novas questões, que me despertem a ir alem, que nos permita troca de experiências.
Para conviver
bem não é preciso concordar sempre, ter as mesmas opiniões, só é preciso ter
maturidade suficiente para aceitar que cada ser é único e como ser é dotado de
erros e defeitos, permitindo assim que as qualidades sejam evidenciadas, logo a
questão é identificar o que convém e aceitar o que devera ser suportado.
Viver é evoluir
diariamente, mesmo que em uma fração de segundo. Tempo cronológico não é para
marcar o quanto se viveu, mas para analisar o quanto aprendeu!
Vivendo o melhor
de mim a cada escolha, a cada dúvida, a cada lamento.
Meu olhar vê
hoje, mas meu foco olha o amanhã, não tenho tempo para olhar o passado, meus
objetivos me tomam tempo de mais projetando o futuro enquanto meus ideais
praticam hoje o esboço da conquista.
O universo cada
dia aumenta sua infinidade e o abismo das possibilidades se torna ainda mais
profundo. Posso cair sentindo o medo durante a queda, ou posso me lançar de
olhos fechados fazendo uso da imaginação.
Saltar de esfera
em esfera é como passar de fase em um vídeo game, hora satisfaz, hora torna
ainda mais difícil, mas o anseio é por chegar logo ao fim e o fim é nunca
desistir.
Sou louca, mas só
machuco a mim mesma, os de mais podem sofrem, mas é por opção... Cada um é responsável
por suas escolhas, por mais que essas mudem o curso da vida de outras
pessoas...

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