O ano de 2013 foi um ano muito diferente, em resumo me
aproximou de meus pais, de meus filhos e de minha irmã, no entanto me afastou
de tudo que me faz bem, como a independência e a falsa liberdade.
Após muito avaliar percebi que se eles estiverem felizes
isso basta. Afinal de contas eu já me acostumei a conviver com a dor, com as
criticas, com a depressão.
As duas ultimas semanas me conduziram a uma viagem pra
dentro de mim mesma, e por mais que eu tente enxergar algo positivo só vejo
destruição.
É incrível como consigo admirar qualquer pessoa diferente de
mim. Me peguei enaltecendo um morador de rua, afinal ele tem coragem suficiente
para encarar o olhar social e ainda seguir adiante, já eu...
Sempre soube que há várias em mim, minha luta nunca foi
contra a sociedade ou contra pessoas. Vivi 28 anos acreditando que minha maior
guerra era espiritual e hoje, neste exato instante entendi que estive errada
todo esse tempo.
Minha guerra é contra mim mesma, é contra a personalidade
que luto para não ser, é contra a depressão que luto para não viver, é contra o
medo que tenta me dominar, é contra as vozes que tentam me calar...olho pra
tudo isso e vejo que se resume em mim.
Reconheço meus erros, assumo minhas falhas e ainda assim não
consigo acertar.
Percebo que, por mais que eu tente agir diferente, não
importa o quanto minha maneira de pensar mude, as reações continuam iguais.
É como se dentro de mim existisse uma garotinha que vive
presa em seus traumas, que chora compulsivamente, que não quer sair por medo.
Mas ao lado tem uma mulher guerreira, que desconhece o impossível, que acredita
que lutar é a saída. Essa mulher busca encontrar essa garotinha e resgata-la, mas
ela está tão encolhida de pavor que ninguém a vê, as pessoas passam por ela e
não a percebem. Esse é o ponto fraco da guerreira, sem a garotinha ela se sente
sozinha, é como se não fosse possível continuar a jornada, pois a força da
garotinha depende da coragem da mulher, e a atitude da mulher depende da
companhia da garotinha.
A mulher grita, chama, mas a garotinha está apavorada de
mais pra responder. Por vezes a mulher tenta encontrar em outras pessoas a
motivação que a garotinha deveria dar, mas nada passa de empolgação e logo
surge tanta inquietação que a faz desistir e voltar novamente para dentro de
si. Então ela vê sinais de que a garotinha ainda está lá, amedrontada,
aterrorizada, desejando se libertar, ser livre, mas ela procura e não a
encontra. Analisa toda história, refaz cada cena do passado e tudo que consegue
é retornar a dores já superadas. As feridas voltam a sangrar, a dor volta como
no primeiro instante... A presença da garotinha fica mais nítida, mas ela não
está em lugar algum, é como se estivesse em corrente com o rio de sangue que
sangra. A mulher entra em devaneio, não sabe como se orientar, em que direção
olhar. Pensamentos surgem e a conduzem a lugares sombrios, fétidos. Ela vê as
piores possibilidades, tragédias, catástrofes e chora um choro doloroso, como
quem sente a morte lenta roubar o ar dos pulmões.
A mulher olha para todos os lados desejando socorro, mas ela
continua sozinha. Nesse momento ela sabe exatamente como sente a garotinha. É
como se finalmente elas estivessem juntas... como se houvesse uma luz.
No entanto quando o equilíbrio retorna tudo novamente perde
a forma, a garotinha é sugada como se fosse pó diante um tornado, e novamente
as duas estão separadas, recomeça toda jornada.
Quanto mais analiso a vida mais me decepciono com a espécie humana.
Não entende essa selvageria social. Não entendo tanta diferença social. E
principalmente não entende como as pessoas ainda conseguem mentir, trapacear,
enganar...
Já não basta a loucura consciente de quem governa? Já não
basta a indiferença dos desconhecidos?
A primeira semana de dezembro 2013 me marcou de duas
maneiras, a primeira foi quando tive a oportunidade de reencontrar uma pessoa
que apesar dos pesares sempre me surpreende. Não positiva ou negativamente, até
porque nunca gero expectativas referentes a ela, mas sempre consegue me
encantar e fazer analisar o todo de outra maneira. Depois de esperar por mais
de duas horas, já desistindo de sair de casa, a pessoa chega. Estava tão à
vontade, tão disposto, tão aberto que relaxei. As surpresas começaram pelo
passeio, que foi inédito, duvido que a situação se repita um dia, mas o que
realmente fez diferença foi perceber que por traz de tanta marra, de tanta
pose, de tanta “sinceridade declarada”, há um colecionador de decepções. Todo
egocentrismo se revelou apenas uma forma de defesa, toda hostilidade se revelou
uma mascara. Posso estar enganada, afinal meu coração nos últimos meses me
provou errar com frequência, mas por algum motivo vi o que meus olhos nunca
haviam visto, vi com o coração. Horas de conversa, compartilhando conhecimento,
duvidas anseios... Breve momento onde percebi que de repente a garotinha às
vezes tocava na mulher e ela nem se quer notava. Instante mágico registrado na memoria...
A segunda maneira aconteceu de forma curiosa. Aprendi da
pior maneira que dores da alma de fato se manifestam no corpo físico. Não
importa quão boa saúde você tenha se os pensamentos negativos tiverem voz ativa
cedo ou tarde eles irão te atingir, ainda mais se o céu resolver desabar na sua
cabeça quando o chão sob seus pés não estiver solido. Cansada, com o corpo dolorido,
estado febril, a cabeça parecendo um balão de ar prestes a estourar, depois de
dias ido e vindo de hospitais, sem que os médicos conseguissem diagnosticar
exatamente o que tinha, dizendo apenas “é possível que seja uma virose”. Virose
pra mim define tudo que eles não conseguem definir, mas tudo bem, já me
acostumei com essas enfermidades inexplicáveis que às vezes me abraçam, de
certo modo acredito que elas manifestam no físico para que minha mente se ocupe
com a dor e dê um descanso para a alma. Na situação já se passava das 22 horas
de uma noite de sexta feira, voltava da faculdade. Como de costume no primeiro
ônibus pude desfrutar da companhia de um amigo que gentilmente sempre me
acompanha, já no segundo a companhia era uma multidão difícil de contabilizar,
visto que o ônibus é biarticulado e sempre anda acima da sua capacidade de
lotação. Nessa noite tive sorte, nem estava tão lotado assim e logo que entrei
uma jovem se levantou, aproveitei para sentar, apesar de que não demoraria a
descer, mas a dor no corpo era tamanha que qualquer minuto de pé parecia uma
eternidade. No banco de traz uma pessoa começa a gritar palavras de
felicitações à outra, em tom alto, mas não vibrante e sim de deboche. Pelo
contexto da fala imaginei se tratar de um travesti que acabará de sofrer algum
tipo de preconceito ou algo do tipo, mas isso até o homem que estava ao meu
lado começar a indagar a “mulher” sobre um rapaz que estava um pouco mais a
frente. A “mulher” dizia que não estava com raiva, que ele teria o que merecia,
que era muito homem na frente das pessoas, mas que em casa ele teria o que
merecia, porque lá quem mandava era ela e sem dúvida iria acertar as contas com
ele. Dizia tudo isso aos berros, mas ainda assim pude escutar os bochichos dos
outros. Alguns pareciam sorrir da situação, outros estavam tão perdidos quanto
eu, alguns pareciam indignados. Fiquei pensando na discrepância entre os seres
humanos, em tese são todos seres pensantes, mas em nada se assemelham uns aos
outros.
Eu por exemplo, faço de tudo para passar despercebida onde
quer que seja. Odeio chamar atenção. Mesmo com raiva ou furiosa evito escândalos,
sou incapaz de ofender alguém intencionalmente, tento dosar minha sinceridade,
e principalmente, vejo uma via pública como uma via coletiva, onde meu espaço
vai até onde começa o do próximo, sendo assim o quanto mais quietinha ficar
melhor, afinal pessoas desconhecidas não precisam saber da minha vida, muito
menos de meus problemas.
Mergulhada nessas observações meus pensamentos foram
silenciados por outra mulher que gritava ainda mais alto ao fundo do ônibus. Um
homem tossia sem parar, alternando a tosse com ânsia de vômitos e a mulher
gritava “Isso mesmo meu filho. Tosse. Coloca pra fora.” Repetia isso sem parar
e aos gritos. Não vou mentir, no primeiro momento senti muito nojo. Questionei
a mim mesma onde perdera as rédeas de meu destino para precisar viver tal
situação. E tentando encontrar os erros que me conduziram a realidade atual me
coloquei a pensar, não com pesar, não com lamento, mas de forma curiosa, até
porque naquele momento eu estava melhor que muitos, apesar de me sentindo mal e
com dores físicas eu estava sentada no ônibus.
Faltava apenas um ponto para chegar até meu destino e a
tosse foi ficando mais perto, se chocando com a da “mulher” que reclamava dos
preconceitos da vida, eu ainda estava perdida em meus pensamentos quando o
desespero da mãe me despertou. Ela gritou “meu filho está doido? Não segura ai
não. Quer contaminar todo mundo?” Nesse momento olhei para traz e vi a uma
distância de um metro um homem de aparência cansada, não devia ter mais de 30
anos. Usava calças largas, camiseta, um jaleco por cima, segura uma bolsa higiênica
e uma mascara no queijo. A mulher trajava uma legue florida, uma blusinha com
estampa diferente, uma bolsa de lado, na mão direita um vidro de álcool líquido
e na esquerda um rolo de papel.
Olhei a cena como quem não acreditava no que via. O ônibus
parou, a “mulher” desceu, o homem que carregava uma mochila de quem ela parecia
estar falando, que possivelmente era seu caso indefinido ficou olhando sem
acreditar no que ela havia feito. Ele olhou para confirmar se ela havia descido
e ela caminhou do lado de fora para que ele pudesse ver, olhando como que o
convidando a descer, mas ele balançava a cabeça como que dizendo não e ao menos
tempo se negando a acreditar. Ela então sapateou como pode e começou a chorar
no instante que o ônibus saiu. Ele virou pra frente e se fechou em seus
pensamentos. Ele já não era mais o centro das atenções, o homem que tossia e
sua mãe agora assumiam o palco principal.
A mãe continuava a gritar “meu filho não encosta ai. Sai,
sai. Deixa a mamãe passar álcool. Depois vem alguém e segura ai. Você está
louco? Quer contaminar alguém? Não segura não, vem pra cá.” Convidando-o a se
equilibrar no meio do ônibus, como se esse oferecesse alguma estabilidade. O
jovem continuava a tossir e mãe gritava “meu filho coloca essa mascara. Não
pode ficar sem ela não. Oh meu filho, o que você está pensando?” E ele
respondia “é muito ruim pra conversar. Me sufoca. Não aguento mais isso.” E ela
“ eu sei meu filho, mas precisa. Não pode andar sem ela.”
Engraçado como nessas situações o tempo parece parar. Milésimos
de segundos são suficientes para nos conduzir a diferentes contextos. Meu
pensamento se elevou a Deus, como se Ele pudesse me recolher dali e me tele transportar
para um lugar seguro, mas ai me dei conta de que não estava segura nem sozinha
comigo mesma. Nessa altura o ponto onde iria descer já estava perto. As pessoas
corriam rumo à porta empurrando umas as outras, feito loucas, como se uma bomba
fosse explodir a qualquer momento.
Me levantei pacientemente, afinal não importava a velocidade
com que eu saísse dali, já havia respirado o mesmo ar que aquele homem, o que
quer que eu tivesse que pegar já estaria nos meus pulmões. Enquanto caminhei
até a porta novamente pensei em Deus, pedi perdão por ser incapaz de oferecer
ajuda, por não ter condição de fazer algo por alguém que precisava. Senti
vergonha, pois quando entrei no ônibus cheguei a pensar que fosse algum teatro
que estivesse acontecendo, esperei que a qualquer momento aquelas pessoas
começasse a falar que estava ali demonstrando algo ou coisa do tipo, mas
confirmei que não quando a “mulher” desceu chorando e deixando o homem
visivelmente perdido, e quando olhei para o homem que tossia sem parar e vi em
sua fisionomia a expressão de dor contracenando com o desespero de sua mãe.
Estava anestesiada em meus pensamentos, o ônibus mal parou,
a porta ainda nem havia se aberto completamente quando fui grosseiramente
empurrada para fora. As pessoas estavam desesperadas para sair de perto daquele
homem.
Comecei a questionar não apenas a humanidade das pessoas,
mas a fé. Não fiz nada para ajudar aquelas pessoas, até porque estava me
sentindo tão debilitada, mas de alguma forma senti que Deus falava comigo. A
intensidade do desespero das pessoas foi o tom das minhas orações. Estava ali
reclamando da minha situação, das minhas dores e de repente me coloquei no
lugar daquele homem que estava visivelmente mais debilitado do que eu, me
coloquei no lugar daquela mãe que estava desesperada tentando cuidar do filho
ao mesmo tempo que tentava proteger as pessoas. Todos os olhavam com nojo, com
medo, viam a doença, mas não viam o ser humano por traz dela.
Não posso dizer que não senti medo, mas no lugar de correr, de
apontar, de condenar, apenas orei, pedindo a Deus que fortalecesse a fé deles,
que os desse a exata carga que seus ombros pudessem carregar. Enfrentei um
breve duelo entre oferecer ajuda ou deixar de respirar. Não fazia ideia do que
aquele homem tinha que podia ser assim tao contagiante como sua mãe fazia
questão de evidenciar, mas sabia que o que quer que fosse eu não me contagiaria
se não fosse da vontade de Deus, pois eu estava ali não por vontade, mas por
necessidade, bem como aqueles dois.
Desci tentando entender o que havia acontecido naquele
trajeto. E enquanto caminhava até o ponto onde deveria aguardar o terceiro e
ultimo ônibus que me conduziria pra casa me lembrei de quando tinha por volta
dos 9 anos de idade e me vi em uma situação similar. Havia contraído catapora e
precisei faltar alguns dias de aula, mas quando elas começaram a secar fui
autorizada a ir novamente. Lembro-me que todos meus amigos (a) corriam de mim,
gritavam pra eu ficar longe, que não queriam pegar catapora, até minhas
melhores amigas que me acompanham até hoje se afastaram, com exceção de uma que
não apenas me fez companhia, mas também dividiu o lanche comigo sem medo.
Lembro-me de ouvi-la dizer as outras “que bobeira se tiver que pegar vai pegar
de qualquer jeito, não adianta, mas se não for da vontade de Deus você não pega”.
“Se não for da vontade de Deus”... essa minha amiga não faz
parte do meu cotidiano, na verdade ainda na adolescência nos afastamos, nossas
vidas tomaram rumos diferentes, mas ainda assim sou grata a muito que ela me
ensinou. A base Cristã que alimentei durante minha infância, devo a ela, que
pacientemente me esperava e me motivava. Sei que ela está muito bem, com uma família
linda e muito feliz, bem como sei que ela merece tudo que Deus pode ofertar.
Voltando aquela curiosa sexta feira o ônibus não demorou a
passar, pouco depois já estava em casa. Egoistamente me despi ainda na sala e
já levei minhas roupas e meu sapato para a área de serviço, afinal não fazia
ideia do que aquele homem tinha, não que eu me importasse com que o pudesse
acontecer comigo, mas não queria arriscar contaminar as pessoas da minha família.
Desde então tenho pensado sobre a vida. Não a existência, a
espiritualidade, mas a vida em si. O corpo humano, o pulsar do coração, o
sangue. E quanto mais penso mais perdida me vejo.
As pessoas passam a vida inteira buscando ter, buscando
acumular, buscando um conforto, uma estabilidade. Durante o percurso fazem
amizades, se divertem, se apaixonam, algumas formam famílias, outras
simplesmente têm filhos. Algumas estudam, outras trabalham. Algumas nascem em
berço de ouro, outras precisam roubar pra sobreviver. Algumas roubam por se
sentirem mais expertos, outras omitem por se sentirem poderosos.
Valores discrepantes. Anseios alucinantes.
De repente percebo que por mais que eu evolua nunca será o
suficiente. Não importa quantas vezes eu desça a terra, jamais conhecerei a essência
do homem.
Costumo dizer que fomos feito por amor e para o amor, mas
até onde isso é verdade? Não será essa apenas uma utopia que me ajuda a ter
esperanças?
Se o mundo é tão desigual, se há tanta diferença social,
porque insistir?
Sinto como se estivesse me afogando em um mar de mentiras
criados por mim mesma. Que na verdade não existe esse lado bom da vida que
escolhi acreditar e que essa personalidade que eu optei por alimentar na verdade
é uma marionete que hora está nas mãos da garotinha amedrontada e hora está nas
mãos da mulher corajosa. Assim não importa o quanto eu corra, não importa a
direção em que eu caminhe, nunca encontrarei o que de fato procuro, puro e
simplesmente porque só existe na minha imaginação.
Talvez acreditar no amanhã seja mesmo desejar um céu cor de
rosa e estrelas em formato de coração.
Talvez acreditar que as pessoas possam ser melhor seja mesmo
tentar transformar fel em mel.
Talvez acreditar que fazendo minha parte posso conquistar a “salvação”
seja o mesmo que tentar prender a respiração até a chegada da morte.
Talvez a vida seja de fato não pensar e apenas viver, sem me
preocupar com o amanhã, nem com o próximo. Já fui assim, já vivi assim e talvez
tenha sido o período que me senti feliz...mesmo que entorpecida por drogas químicas,
mas pelo menos os pensamentos não me incomodavam, a realidade não doía.
Mas hoje sou tão diferente da que fui. Será que se voltasse
aqueles instantes conseguiria ter as mesmas sensações?
Minha consciência hoje é outra.
Quero a liberdade que anseio. Quero a verdade que busco.
Quero o equilíbrio ditado pela paz.
Como calar a inquietação? Como abrandar a revolta? Como
acreditar na vida e nas pessoas? Como me conformar? Como me aceitar?
2013 chega ao fim sem que eu pudesse concretizar nada do que
planejei, mais um ano se vai sem produtividade. As sementes não germinaram. No
balanço geral não há lucros, o saldo é demasiadamente negativo.
Não sei que verdade alimentar.
Não sei quem apoiar, a garotinha amedrontada ou a mulher
corajosa?
Demorei 28 anos para entender que a guerra não é espiritual
e sim pessoal. Demorei 28 anos para aprender que não importa os outros só
importa meu ‘ser’. Demorei 28 anos para aceitar que eu me basto e que cabe a
mim as emoções que vou sentir, os sonhos que vou gerar, os desejos que vou
alimentar, os planos que vou administrar, as ilusões que vou calar, e tudo mais
que possa ou não incomodar.
No entanto quanto mais analiso mais percebo que esse ‘eu’ é
nada, que tudo é vazio, é estranho, é frio. E sou conduzida de uma forma inexplicável
ao gozo da fé. Vejo que o que me conduz é a esperança, não em dias melhores,
não em uma dita salvação, mas em mim mesma. E essa voz interior que grita
silenciosa, me leva a ver que a garotinha não pode viver sem a mulher e a
mulher não pode viver sem a garotinha, mas pode ser que elas nunca se
encontrem, que nunca olhem nos olhos uma da outra, mas ainda assim elas
precisam estar juntas, em sintonia.
Há dias em que tudo que gostaria era de ter um colo pra
deitar, um ombro pra chorar, alguém com quem pudesse de fato conversar, mas
isso pede laços de alma que nem mesmo meus pais ou filhos conseguem me ofertar.
São nesses momentos que me vejo de outro mundo. Só mesmo escrever me faz
aliviar.
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.