Existirá alguma alma vagante dessa vida alucinante que nunca
se questionou sobre o amor? Se existir será real ou intencional?
Certeza de que é surreal, talvez irracional...
Me questiono, quando foi que o mundo mudou?
Mas no fundo imagino que ele esteja exatamente igual, as
pessoas que se modificaram dia após dia.
A história nos repede a impressão de que outrora fosse há
tanto tempo, como se uma década fosse historicamente um fato apenas memorizado,
cabendo apenas à narração, mas de repente percebo que sou capaz de lembrar
tempos anteriores à década e então me vejo vagando no espaço-tempo, onde sou
jovem pra ser velha e velha pra ser jovem.
Uns turbilhões de pensamentos surgem. Objetivos
contradizendo a realidade. Consequências silenciando sonhos. Devaneios
concretizando o real.
Vivo diariamente o duelo entre o que quero acreditar e o que
escolho acreditar.
Todos os dias acordo e me desponho a vida. Escolho ser
melhor que fui. Me doar mais. Me entregar a existência. Procuro compreender as
pessoas e suas escolhas. Tratar a todos como gostaria de ser tratada. Faço isso
não por ter o coração grato ou ter uma alma boa, faço isso porque as dores da
vida me guiaram a essa conduta. Muitas vezes tenho vontade voltar à época onde
a palavra maturidade representava apenas a responsabilidade de manter minhas
contas em dia... então o desejo de viver perigosamente me chama...vontade ligar
o foda-se de forma a não me importar com o que a sociedade pensa, não ter medo
de me arriscar, não ter vergonha de errar,
ser eu acima de tudo e de todos, não me retrair diante a possibilidade
de ferir alguém, não pensar no amanhã, não imaginar as consequências de minhas
escolhas, apenas viver um dia por sua vez. Nesses momentos é como se um filme
passasse em minha mente, e revejo cada cena, cada fala, cada passo, e é nítido que
nessa brincadeira de viver como gostaria, de ser quem gostaria, de fazer como
queria, me perdi. Me perdi em meus sonhos, em meus valores, em meus princípios morais,
e pouco a pouco fui me confundindo, me enganando, perdendo-me de mim mesma, até
que quando tudo parecia perdido algo mudou...
Me pergunto se todo ser vivente e pensante nessa passagem
terrestre já viveu um momento decisivo, onde sua alma ansiou por uma decisão
tão dolorosa ao ponto de quase ser tangível, mas que se fez o grande marco, o
divisor de aguas? Se sim, talvez esse esteja mais perto de seu ‘ser’, talvez se
conheça e saiba onde quer chegar. Se não, sem dúvida esse ainda viverá esse
momento e quando acontecer ele ficará perdido e sentirá a ferida aberta em seu
peito. Nesse instante que cabe a decisão de se manter firme e permitir que a
maturidade chegue ou se entregar a dor e entrar em uma cúpula de
arrependimentos, quando mesmo que não haja culpados se é vitima.
Quanto mais penso na vida mais vejo o amor. Quanto mais
tento entender a vida mais me chama o amor. Quanto mais desejo viver mais o
amor me parece amar. Quanto mais busco a essência da vida mais o aroma do amor
parece me agradar. Concluo então que viver é amar. O que mais poderia ser? É
esse amor incondicional que nos guia ao egocentrismo. É o amor fraternal. É o
amor casual. É o amor profissional. É o amor consensual. É o amor eventual.
Tudo é amor, mesmo que não seja igual.
Analiso minhas experiências e tudo parece tão vazio diante
tudo que acredito, mas me coloco novamente na que era na época de cada uma
delas e vejo que tudo parecia tão ideal. De alguns momentos sinto vergonha, de
outros saudades... mas independente da sensação que me trazem, as lembranças
são nítidas e vorazes, confirmo que apesar que estar longe de ser quem almejo
houve uma grande evolução.
Da que fui pouco resta, talvez quase nada. Não que fosse de
toda ruim, mas muito não me agradava. Engraçado que na trajetória percebo que
não fui capaz de mudar por ninguém, o que talvez confirme um orgulho desnecessário,
mas sempre mudei por mim mesma, procurei me moldar aos poucos, silenciosamente.
Nunca fui do tipo radical que grita aos ventos suas decisões
e que dita escolhas. Sempre me senti mais dos bastidores, apesar de vez ou
outra mesmo que indiretamente me colocarem nos palcos. A timidez é algo que me
acompanha desde sempre, no entanto não em forma de constrangimento, mas vestida
de bom senso.
Ouve um tempo em que não me importava minha imagem perante a
sociedade, não me importava o que pensavam de mim, o que importava é que eu era
capaz de pagar minhas próprias contas e pronto. Desse modo ninguém era
suficientemente bom ou viável a mim. Apenas a insanidade era atributo de
destaque, pois significava liberdade de expressão, de movimento, o que
representava vida, no entanto a linha tênue entre o certo e o coerente se
rompeu, foi nesse instante que o chão me faltou de sob os pés e coincidentemente
o céu desabou sobre mim...
No exterior tudo se transformou, mas a mudança principal
aconteceu dentro de mim... meus sonhos foram assassinados, meus objetivos
roubados, o plano de vida se tornou um labirinto em forma de quebra cabeça, o
que era obvio estava em uma língua extinta, o sabor perdeu o gosto, as cores
não tinham vida, o tempo parou... estava eu e mim mesma diante uma existência já
não mais desejava, já não mais querida...só me restava a vida.
Levei tempo para entender que perder não significa
fracassar, muitas vezes para vencer é preciso começar e quando o caminho está
errado não adianta fazer uma curva, é preciso voltar ao ponto de origem.
Me vejo tantas!!!
Há um duelo dentro de mim, ” quem sou X quem desejo ser”,
diariamente mata-me, alguns dias lentamente, outros de forma fria e calculada,
mas dia após dia me faço assassina e me faço suicida, não necessariamente nessa
ordem, mas sempre sou uma ou outra.
Tento entender porque as pessoas me veem tão diferente de
como de fato sou. Percebo que talvez meu pior defeito seja não saber me
expressar. Não sou boa com palavras ditas, nem com palavras escritas, menos
ainda com gestos e expressões. Até mesmo
meu silencio às vezes passa uma mensagem diferente da intenção e mesmo quando
falo em declaração sou alvo de suspeitas.
Talvez o comunicar seja uma arte que não aprendi a dominar,
por isso permito que meu olhar fale por mim, ele nunca falha, nunca erra, nunca
engana.
Essa semana pude viver momentos que marcaram minha história.
É incrível como a vida em determinados momentos me surpreende positivamente.
Pessoas que imaginei tão vazias se revelam tão completas, e toda marra se torna
apenas uma mascara, a mesma que utilizei em outros tempos, mas com um formato
diferente. Vejo tanto conhecimento, uma vasta cultura represada em meio a um
egocentrismo absurdamente admirável. O melhor é que sou a favor do egocídio, em
outros tempos essa tal marra até me parecia ofensiva, mas após conhecer o mínimo
pude perceber que por traz de tudo há muita humanidade, mesmo que de uma
maneira diferente da que julgo correta, mas quem sou eu pra julgar? (DD)
E após uma semana desgastante, de descoberta de meus
limites, viver momentos inéditos que sem dúvidas jamais se repetirão trouxe
certo animo. As pessoas muitas vezes agem como podem em determinados momentos
sem se dar conta do quanto à simplicidade do instante pode ser reveladora.
Pude confirmar que palavras ditam muito mais que intenções
quando são espontâneas e do coração. Muitas vezes uma boa conversa é o melhor
dos remédios para uma alma aflita.
E de repente me vejo aquela velha e antiga duvida sobre o amor...
porque há tanta desilusão? Porquê as pessoas estão tão frias e vazias? E então
percebo que refaço as mesmas perguntas há muito tempo, e é que talvez elas
precisem mudar para que alguma resposta chegue... no entanto chego a conclusão
que não. Não importa como eu pergunte, o fato será sempre igual, mesmo que de
maneira diferente.
As pessoas são feitas por amor, pelo amor e para o amor, no
entanto o desamor as traumatiza ao ponto de as fazerem desacreditar em sua própria
essência “amor”, e assim elas se fecham, mas mesmo fechadas o amor chama.
Muitos ignoram, fingem não perceber, mas o amor não desiste e sempre vem na
porta bater.
Alguns desafiam, dizem gostar de personalidade, esses
esperam ser conquistados, esperam descobrir que o amor é de verdade.
No entanto é tudo isso e nada... pode ser que tudo seja
apenas fachada...
O amor não é conquista é disposição. Não é devoção é
atenção. Não é consequência é escolha. Ao contrario do que pensam não é emoção
é razão. É preciso ter sanidade para amar.
Em um mundo tomado de pessoas porque com uma especifica se
escolher ficar? Porque se casar? Porque uma família formar? Porque se enraizar?
Por que isso é amar!!!
Nos últimos conversei com diferentes pessoas, de diferentes
classes sociais, de diferentes idades, com contextos diferente de vida e as
questionei se acreditavam no amor. Após diferentes modos de analise e reflexão
a resposta foi unanime: “sim”. Cheguei a escutar que se não acreditar no amor
não há porque viver. Isso de uma pessoa
que jamais imaginei que acreditava em amor, na verdade de uma pessoa que via
alheia de sentimentos. (DD) Então pude concluir que de fato todos estamos nessa
passagem pelo mesmo motivo e talvez tenhamos todos o mesmo objetivo, mesmo que
os caminhos sejam diferentes o alvo é o mesmo.
Parei então para analisar esse alvo, afinal a vida se faz
uma grande e incoerente interrogação. Pude definir que o mais complexo e difícil
é manter a ordem entre o que é dito e o que é vivido. As palavras contradizem
as ações. Por isso muitas vezes o que vemos não é o que de fato existe. O olhar
pode enganar, confundir, mas muitas palavras também o fazem. Então mais vale
confiar nas ações, mas como se há pessoas que são atores da vida real?
Realmente fica difícil definir o que certo do que convém, mas uma certeza eu
tenho, quando a maturidade chega não há mascara que perdure.
O tempo se torna nosso amigo intimo, o equilíbrio se faz
nosso psicólogo e a paz nossa conselheira, assim só perdura o que é sincero.
Sou grata por poder dizer que de fato estou na tal ‘maturidade’,
longe de estar como gostaria, mas perto de ser quem de fato almejo.
Na minha vida sempre me fiz aberta, sempre fui do tipo que
retribuo de acordo com o que me ofertam. Nunca fui de buscar o impossível, de
querer fazer acontecer, de conquistar... acredito que o que está reservado a
mim cedo ou tarde aparecerá, afinal se estou seguindo meu caminho como devo o
universo conspirará a meu favor. Talvez esse pensamento tenha me feito errar em
demasia, pois me arrisquei, me doei, muito me magoei, mas aprendi e isso me
basta.
Minha vida é feito em ciclos, faço de tudo para que sejam
ciclos completos, que não tenham assuntos mal resolvidos, pois assim sou capaz
de deixar o passado onde ele de fato deve ficar e iniciar uma nova história. No
entanto cada ciclo que inicia vem repleto de determinada característica,
algumas perceptíveis de imediato, já outras demoro a identificar...
Saí da fase da intolerância e entrei na fase do equilíbrio,
julguei que seria o auge do meu autoconhecimento, no entanto em muito pouco
tempo vivi fatos inéditos onde me perdi de mim mesma, fui obrigada a me
reencontrar, a me rever, a me refazer. (k0.20; GN; DD ; Faiado)
Contudo o que de fato tem valor é perceber o lado negativo e
o positivo. Negativo por ver que ainda me emociono, ainda me engano, ainda me
dedico demais, me arrisco. Positivo por ver que tudo vai até onde eu permito,
que a empolgação pode ditar a situação, mas não determina uma direção.
No balanço geral, o melhor das lições é saber que eu posso
me refazer quantas vezes forem convenientes e apenas deixar passar o que não
convir.
Não nego que ainda acredito no tal amor, talvez de uma forma
diferente da que todos veem, talvez meu olhar seja utópico e não passe de
ilusão, mas ainda assim me faz bem acreditar e prefiro sonhar que um dia, em
algum lugar, esse amor irá me encontrar. Esse que eu desejo, que eu almejo, que
eu recrio diariamente. Que foge a perfeição, que não é ideal nem certo, mas que
é incondicional e sincero. Que não nasce do olhar nem é conquistado por
palavras, mas que desperta nas atitudes e floresce na convivência. Não esse
amor que acontece por acaso, mas um que é escolhido. Não um que seja livre de
dificuldades e brigas, mas um que estenda a mão e receba a minha quando necessário,
que saiba ouvir mesmo quando a vontade for de falar. Não o amor que a tudo renuncia,
mas aquele que tudo pondera. Não um amor que exalta, mas o que desenvolve
junto. Não o amor que enaltece, mas o que admira. Não o amor que compete, mas o
que agrega. Não o amor que critica, mas o que ensina. Não o amor que tudo sabe,
mas o que se abre para um novo olhar. Não o amor que completa, mas o que
compartilha. Não o amor que cega, mas o que traz luz.
É, talvez o amor que eu deseje exista apenas em mim e por
mim... talvez a utopia maior seja acreditar que um dia ele possa chegar... mas
talvez me basta sonhar...me basta imaginar... me basta arriscar.
Um momento de cada
vez...sorrisos...alegrias...momentos...histórias!
Não consigo calar a voz que age em mim. Talvez o querer
esteja além do poder, mas me agrada assim viver, acreditando no Bem Maior, na essência,
no ‘ser’.
Que venham os desafios... que o Sobrenatural me dote de
sabedoria para soluciona-los e que mesmo em falta dela eu não me engane. Que
quando as palavras me faltarem os anjos soprem em meus ouvidos...
Sou grata a existência, a vida, ao universo, aos seres
celestiais, aos cosmos, aos planetas e a tudo que neles há. Sou grata à energia
vital, a lei da reação, a todo Bem Maior, ao Sobrenatural. Sou grata a Deus.
Que me falte o que pedir, o que receber, mas que eu jamais
me esqueça dos motivos de agradecer... meu coração levanta preces ao céu. As
palavras conhecidas humanamente são insuficientes... “...eis me aqui, envia-me
a mim...”
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