Pensar a existência me traz direto a consciência.
Sei quem sou, conheço meus limites, mas me sinto perdida no
caminho.
De repente penso em tudo que rejeito e esse tudo me parece
tão familiar. O não lutar para impor meus ideais acaba criando uma imagem
distorcida de quem de fato sou.
Preciso anos de luta para moldar meu ser, hoje respeito os
limites e as escolhas alheias sem criticar, mesmo não concordando, mas isso
contribui para que as pessoas me vejam de uma maneira muito discrepante da que
realmente sou.
Estou em um daqueles momentos decisivos, onde se escolhe
matar ou morrer, mas nenhuma das opções convém...
Porque as pessoas escolhem sempre complicar tudo? Como ser
pensante deveríamos facilitar, mas nem sempre o fácil é lícito...
Me pergunto se chegará um tempo onde me sentirei grande, não
no sentido de superioridade, mas no sentido de me sentir adulta de fato.
Quanto mais vejo os erros alheios mais distante do universo
me vejo.
Tenho aprendido que o saber pode ser para todos, mas poucos conseguirão
aprender. Cada um escolho o momento em
que quer viver, o despertar existe, mas nem todos o percebem.
Sempre me senti de outro planeta, de outro mundo, nada na
terra parece exatamente como devia ser, com exceção das vezes em que estou em
meio a natureza me sinto uma extraterrestre a procura do caminho de volta para
casa. É como se estivesse perdida em um mundo de ilusões e as lembranças fosse
flash de realidade.
Sinto falta da cumplicidade entre os seres, do respeito
mútuo, do olhar fraterno, da ajuda desinteressada, da simplicidade, da vibração
da paz, da luz do equilíbrio, do calor do amor. Em contradição tudo que vejo é futilidade,
é competitividade, é superficialidade. Um mundo onde o que predomina é a troca
de interesses, o que sobressai é o ter, onde as aparências dizem mais que
palavras, onde as ações são atos egoístas, onde ser mesquinho é sinônimo de
luta, onde a hipocrisia é normal, onde a marginalidade é um detalhe social.
Que nação é essa? Que planeta é esse? Como entender essa
humanidade?
As vezes creio que a insanidade que tanto me foi profetizada
não seja alienação e sim fuga ao meu interior...
Me vejo refugiada em mim mesma, deixando de ser vitima ou
soldado ferido e me tornando um pássaro enjaulado em minha imaginação. Ainda
assim, me vejo melhor...
Talvez minha real liberdade esteja em me prender ao meu
mundo de fantasias, onde a simplicidade dita personalidade, onde o caráter valha
como principio, onde boas ações não recebem êxito por serem simples obrigação,
onde não haja bajulação nem badalação, onde todos convivam como irmão. Meu
mundo não é isento de problemas e dificuldades, a diferença é que esses ficam
no passado, pois no presente só cabe as coisas boas que a experiência deixou.
Felicidade não é um estado permanente, é uma escolha diária,
talvez seja uma conquista...
Não espero ser feliz, desejo apenas ter o direito de ser
quem eu sou.
Entre a alegria e a paz eu escolho a paz, pois na calmaria
contém grande alegria.
Gosto do sabor da empolgação e de toda vibração, mas prefiro
o tempero do equilíbrio.
Estou cansada de mudar as escolhas e viver as mesmas ações.
Estou cansada de mudar os personagens e viver as mesmas histórias. Estou
cansada de mudar o cenário e viver a mesma peça. Estou cansada de moldar meu
ser e continuar a viver como se nada tivesse evoluído.
Me falta direção ao passo que me sobra motivação.
Talvez meu dom nessa passagem terrestre seja mesmo de curar
feridas e incentivar vidas...
E as minhas, como curar? Como me incentivar?
Falta me o chão de sob os pés...
parabens pelos textos! Adoro ler eles
ResponderExcluirObrigada meu querido amigo, por ler, gostar e principalmente por não se assustar...rsrs Vivo uma louca oscilação entre a satisfação e a decepção, mas não me privo dos prazeres da vida e gozo da existência o máximo que posso. Abraços
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