Me pego tentando entender comportamentos e pessoas e percebo
que não importa o quanto eu tente jamais entenderei.
As palavras irão sempre contradizer as ações e isso não
apenas pelo fato de todo ser humano viver um duelo invisível, e sim porque cada
dia requer uma nova escolha.
Somos moldados diariamente pela vida. Decisões, renuncias,
tudo isso nos guia por caminhos inéditos por mais que tragamos na bagagem toda
uma experiência.
Nada é exatamente igual, bem como não existe perfeição. Um
fato sempre assumirá nova forma sob um novo olhar. O que antes parecia estranho
pode de repente se tornar obvio, o que era incerto pode se tornar ideal.
Questiono a vida e suas emoções. O bom da existência é a
intensidade, os anseios, as conquistas, mas até que ponto tudo isso é agradável
ou torturante?
Talvez fosse melhor viver uma vida louca, alheia a preocupações
sociais. Desse modo conseguiria viver o que prego e negar o capitalismo,
excluir o fútil, dizer não ao convencional, no entanto como ser abstrato há uma
necessidade inconsciente por companhia, o que requer aceitação dos padrões impostos.
Não nego que é uma delicia desfrutar dos prazeres e gozar
das emoções, mas tudo isso seria ainda mais formidável não fosse o sentimento
que insiste em crescer e acaba tomando proporções que fogem a razão, criando
assim situações não premeditadas e guiando a caminhos não planejados, o que
causa confusão e muitas vezes frustração.
Uma pessoa nunca é exatamente quem e como diz ser. Cada um
mostra de si o que acredita que a outra pessoa merece ver e receber. Cada um
tem em si faces ocultas, bem como segredos íntimos. O que é revelado é apenas
uma pequena porção, que ditará a conquista ou não.
Com a aproximação da virada de ano me veio uma nostalgia
voraz. Não que eu deseje voltar ao passado, não exatamente, mas revendo o
todo sinto saudades de quem fui.
Acredito que hoje estou vivendo meu melhor, me conheço, sei
de meus limites, assumo ser capaz de ir muito além, me faço moldável, falta
muito para ser quem almejo, mas a cada dia estou mais perto disso, no entanto
para chegar até aqui precisei abrir mão de detalhes que olhando agora me fazem
falta.
Toda audácia de antes cedeu lugar a um bom senso exagerado,
que muitas vezes me priva de viver bons momentos. A timidez muitas vezes me
emudece. O medo me paralisa. Os traumas fizeram de mim carcereira de meu eu. O
prazer pela companhia da solidão sabota meus relacionamentos.
Tento me arriscar. Tento me entregar. Mas as comparações me
fazem escolher por meu eu. Me vejo sempre melhor sozinha. A malicia não permite
que confie nas pessoas. Até me abro, mas até um ponto onde a verdade não me
incomoda.
Grandes muralhas se fizeram diante mim e não importa o
quanto eu tente, não consigo ultrapassa-las.
Me cobro, me acuso, me condeno, me torturo e desse modo me
perco no espaço tempo sem conseguir evoluir.
Olho meu alvo, mas não vejo como alcança-lo.
Tenho ciência de ser apenas viajante dessa passagem
terrestre, sei bem que tudo isso é atemporal e que logo estarei no “meu lugar”,
mas a viagem as vezes se faz cansativa, me sinto exausta, como se não acreditasse
no fim...
Meus sonhos parecem tão utópicos que não consigo visualiza
los, assim o objetivo nunca se torna uma meta e nunca deixa de ser sonho.
Dias vem outros vão, continuo perdida no vagão que liga a existência
a vida. Parte de mim quer saltar, trilhar outros caminhos, outra parte quer permanecer
imóvel.
Intercalando lagrimas e sorrisos sigo, vivendo momentos de
tristezas e alegrias, sempre buscando a felicidade.
A condição espiritual é opcional e ela acaba por determinar
todo o resto, por isso escolho saber mais de mim, me conhecer e assim percebo
que falta muito a saber...
Quanto mais me procuro mais me perco. Quando penso me
encontrar vejo o quanto enganada estou só de pensar.
A vida é uma grande metamorfose continua, não importa o quanto
você saiba há sempre mais por saber.
O dilema é aceitar as condições impostas e curtir a indignação
ou se revoltar e ir na contramão da sociedade.
As vezes confirmo que não sou desse planeta e se o sou nasci
no século errado.
Não que as coisas estejam ruins, tão menos se trata de certo
e errado, a insatisfação é com a moral e os costumes que estão sendo
compartilhados e ensinados de geração em geração. Costumes esses do qual fiz,
faço e continuarei fazendo parte, caso não consiga encontrar um meio de mudar.
Por hoje o equilíbrio de meu ‘ser’ com meu ‘eu’ lamenta tudo
que deixou de ser... sinto saudades da fase onde a popularidade era consequência
de certezas vividas, onde as amizades não eram em supra sinceras e confiáveis,
mas estavam sempre presentes, onde os amores causavam emoção sem ditar dor,
onde os pensamentos e orações tinham um foco certo, onde o futuro era
escolha... de tudo isso as lembranças se tornaram saudade, a popularidade se
tornou responsabilidade, as amizades se tornaram grandes desafios, os amores se
fizeram impossíveis, os pensamentos e orações se tornaram carência e o futuro
se tornou consequência.
Espero um dia olhar o hoje e ver tudo diferente. Poder me
orgulhar. Poder sorrir no lugar de chorar...
Hoje eu choro, não de tristeza ou dor, mas por tanto
desamor. As pessoas estão perdidas em suas vidas vazias e não consegue se
entregar ao Bem Maior que a vida procura oferecer. Estão penduradas num precipício
e não confiam em segurar a mão que lhe está estendida, então ouvem a voz dizer
para se jogar, mas o medo não permite e assim o sofrimento e a agonia do medo
vai torturando, sendo que seus pés estão a 5 cm do chão.
Adoraria ajudar os outros, adoraria me doar mais, mas de
repente percebo que quem tem precisado de ajuda sou eu. Na tentativa de ‘despertar’
o melhor dos outros me perdi em mim mesma. Me perdi no trajeto. Perdi a direção
do caminho certo e agora não sei como voltar... preciso escolher uma nova direção
e recomeçar a caminhar.
Nesse momento percebo que em tantos momentos imaginei ser o
fim, e uma força sobrenatural me abraçou e me motivou a começar de novo...
dessa vez não será diferente. Quero me vestir de determinação e começar, mesmo
que seja do zero.
Podem me tirar o chão de sob os pés, o céu pode desabar
sobre minha cabeça, mas eu creio que maior é a coragem que move meu ser. Eu não
nasci para me entregar e perder. Resistir já é uma forma de vencer.
Eu começo quantas vezes for preciso. Sei que sou capaz. Sei
que posso ir além. Não me importa se tentam matar meus sonhos e roubar minha
paz. Minha escolha é ser hoje muito melhor que fui ontem.
Ciclos se fecham para que outros sejam abertos...
(Faiado / Cristal)
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