sábado, 26 de janeiro de 2013

Pássaro sem ninho na tempestade


Lá fora o timbre autoritário do vento uiva sorrateiro e voraz.

Me vejo um pássaro sem ninho, perdida na tempestade. Tenho asas, mas não consigo voar. Sei cantar, mas o som não sai. Acuada, amedrontada.

O som da sociedade se torna distante diante a ferocidade do vento. Um tambor ao fundo é batido ritmado, os cachorros acompanham com os latidos, é como uma grande festa.

Carros vem e vão, mas o vento não cessa.

Sinto fome, sinto sede, sinto frio, mas tudo é insignificante diante o medo.

Pássaro saudável que não pode voar, canto suave que não pode se revelar.

Fatores externos ditando momentos.

Tempestades, ventos, tormentas.

Estou no leu, ao céu aberto, jogada, largada, mas com fé de ser intocável.

Há medo sim, mas a fé predomina.

A tempestade pode perdurar, pode insistir em ficar, mas eu creio que a bonança virá.

Aguardo calma e pacientemente.

Sem vergonha, sem receio, sem lamento, apenas usando a imaginação em meio à esperança.

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