Tento entender o todo, mas tudo se faz obscuro.
É como se o resumo de minha existência passasse diante meus
olhos em questão de minutos.
Aprendi que não é difícil lutar contra o mundo, difícil é
lutar contra mim mesma!
Parte de mim deseja apenas seguir aceitando os fatos como
eles são, apenas vivendo dia após dia, mas outra parte deseja voar, sente paz
na liberdade, por mais que a saudade corroa ainda fere menos que a disparidade
da situação.
Os últimos 2 meses me trouxeram tantas respostas, o
complicado é com elas surgiram novas perguntas. Em cada instante pude sentir o
sobrenatural me cercar. Tanto o bem como o mal me rodam vorazes, o mal intenta,
o bem acolhe. Finalmente entendi que sobre tudo isso só cabe a mim e a meus
pensamentos, para outros seria insanidade.
O que me incomoda nesse instante é a clareza dos fatos, é
ter que assumir que não importa onde eu esteja eu não estou vivendo o que de
fato desejo, mas o que de fato eu quero? É ridículo ter que assumir, mas no
intimo acredito que por mais que eu lute, por mais que eu me faça forte, a
realidade é que não passo de uma criança mimada e medrosa que deseja proteção.
Me questiono o que preciso fazer, o que preciso ter para me sentir confortável
com minhas escolhas.
Luxo, alimentar vaidades, viver o que me parecia utopia,
tudo isso alegra, mas é tão passageiro que se torna apenas uma vaga lembrança.
A luta diária, a admiração nos detalhes, à felicitação na simplicidade, tudo
isso pode ser contemplado diariamente e de tão belo é quase tangível.
Buscar o sonho é fácil, difícil é organizar a forma de faze
ló a fim de que dê tudo certo.
A mim vejo que essa tentativa foi para me mostrar até onde
consigo ir, até onde suporto, o que consigo superar. Verdade seja dita: infelizmente
não existe perfeição!
A única dor da distancia é a saudade, se pudesse apagar as
lembranças dos sorrisos... mas ao fechar os olhos vejo os rostinhos sorrindo
com tanta ingenuidade, posso ouvir as vozes manhosas e carinhosas dizendo:
mamãe. No peito o coração fica em pedaços, mas ao retornar viver isso é tão
momentâneo. Nada se tem, tudo é um breve momento...
De todas que fui, de todas que poderei ser, de tudo que já
fiz, todas as escolhas erradas, todo atraso de vida, nada me causa maior dor
que não poder viver o único e verdadeiro sonho que cultivei. Talvez perder os
filhos para vida seja pior que perde lós para morte, mas essa duvida não quero
sanar, não quero discernir, sei apenas que estando perto a ferida sangra sem
cessar, a dor incondicionalmente avassaladora, sinto que se dilacerasse minha
alma. Mas o que importa o eu, o que importa a mim, todos estão seguindo com
suas vidas alegres, eu estar aqui é apenas uma figura a qual as crianças possam
ver e de certa forma crescer sentindo que não as abandonei.
Nosso como corrói por dentro...
Repito para mim mesma que abriria mão de tudo para voltar no
tempo e ter meus filhos comigo, para voltar no tempo e ter impedido minha mãe
de leva lós, mas ai olho pra mim e vejo que nada sou, não possuo, então abriria
mão de que? O que teria oferecido a eles? Que educação daria? De fato amor não
enche barriga, assim como sonhos não são trampolins.
Tudo que desejo é manter meu equilíbrio e ter paz, logo sei
que esse é o pior lugar para conseguir isso, mas vai ver esse é o espinho da
minha carne: aceitar todas as derrotas como carma e seguir sofrendo dia após
dia, até o grande final aconteça naturalmente!
Por hoje adoraria ter companhia, ter alguém com quem
conversar, um colo para me consolar, alguém para me ouvir. Adoraria chorar sem
cessar, apenas sentindo a dor apertar...mas nem eu mesma quero me fazer
companhia. Por hoje a depressão veio me assolar e até a solidao me abandonou,
deixou no lugar um turbilhão de pensamentos e lamentações. A mente lateja, o
coração sangra a cada pulsação. Uma dor sufoca a alma e cega a esperança.
“Você precisa de direção!” Talvez essa seja a frase mais
sabia que alguém já me disse. Sim, eu preciso. Preciso de direção em todos os
sentidos, preciso de direção em todas as áreas. Acho incrível como as pessoas
ao me conhecer me desenham de uma forma tão inédita, e todas me desejam igual:
uma mulher inteligente, determinada, corajosa, batalhadora, líder nata, capaz
de ir longe... cadê tudo isso? Onde está escondido? Porque eu não consigo ver
assim? Porque não consigo ser assim? Será que meu subconsciente criou essa
fantasia como uma proteção e não percebi? Se sou tudo isso porque minha vida é
como está? Como mudar?
Preciso de direção! O sobrenatural vivifica minha fé me traz
experiências indescritíveis, essa certeza carrego em mim, o que me ensinou a
respeitar e nunca discutir, mas e no mais? Preciso de direção humana? Os que
seriam exemplos só me mostraram o que não pretendo fazer, o que não pretendo
viver, para quem olhar?
Algumas pessoas surgem em meu caminho e fazem meu coração
vibrar, fazem a esperança brilhar uma luz tão reluzente que me impulsiona a
seguir, independente de tempo cronológico as conversas tão edificantes, que me
motivam a não desistir, é como se meu interior sentisse o desejo de vencer
também, como se nada fosse impossível, como se tudo dependesse de mim. Mas ai
tudo se torna apenas lembranças, tudo foi apenas momentos que ao recordar toda
ambição se faz apenas utopia.
Na trajetória da existência há pessoas que abençoo com minha
própria vida, pessoas que por mais breve momento que tenham passado vieram para
me ensinar, pessoas com as quais pude ser eu, pude sorrir, pude lamentar, pude
pentelhar, pude sonhar, pude deixar livre a muleka que há em mim. São essas
pessoas que ainda me fazem acreditar que a síndrome da Cinderela poderá ser
vivida um dia...espero apenas ter forças para suportar o tempo até lá.
Por hoje me sinto um peso, inútil, incapaz, um lixo! Mas sou
humana, sou errante, sou escoria, mas creio que esse é apenas um breve momento,
pois como humana sou a melhor criação do Pai, fui feita a imagem e semelhança,
repleta de graça e formosura. Sei que o choro pode insistir, mas a alegria
virá! Sei que a dor nunca cessara, mas nos momentos de trégua a felicidade será
bem notada e vivida.
De fato meu desejo é sumir, não me isolar ou fugir, mas me
desligar do mundo. Bom seria se fosse um
avatar e apenas dissesse adeus, mas infelizmente não sou, então escolho
carregar meu carma e seguir, até onde e quando conseguir, enquanto isso vou me
enganando no decorrer do caminho, vou me iludindo nas miragens, vou me apoiando
as ilusões, e assim será até o dia em que for tarde de mais...
As pessoas são suas escolhas, os fortes são quem desejam
ser. Eu sou apenas as consequências de quem gostaria de ter sido envolta em
vestígios de quem poderia ser.
De volta ao precipício obscuro e sem fim!
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.