Talvez tudo que eu mais deseje de tão simples pareça
absurdo...
Porque é tão difícil decidir por mim, desejar para mim,
pensar em mim? Porque não posso escolher me colocando em primeiro lugar? Porque
conviver com tanta angustia se nada há que a alimente?
Seria tão mais fácil se eu conseguisse me colocar como me
vejo no lugar de como gostaria de ser! Sempre vivi personagens, sempre estive
na defensiva, sempre fui marionete de quem está acima de mim. Claro sempre com
minhas opiniões, sempre com princípios, mas tudo isso é que me coloca em zona
de conflito e me rouba paz.
Gostaria de apenas viver sem muito pensar. Gostaria de
perder minha consciência e simplesmente viver.
Talvez os pesadelos que venho tendo, os sinais que venho
ignorando, queiram me dizer apenas que o momento é de duas simples opções:
aceitar ou modificar.
Modificar sempre foi minha escolha, mas no balanço geral o
saldo é totalmente negativo. De que adianta tanta experiência de vida, de que
adianta tanta evolução espiritual, de que adianta tantos dons, tantos talentos,
de que adianta a paz tão desejada se a felicidade se ausenta?
Às vezes me pergunto por que não consigo perder toda essa
moralidade barata, toda essa ingenuidade ridícula, em nada me ajuda essa falta
de malícia.
Ontem escutei o comentário: “É engraçado ouvir como as
pessoas nos veem!” Escutar essa frase de certa forma fez com que eu me sentisse humana. Foi um dos poucos
momentos em que eu percebo que sou humana como qualquer outra pessoa, por que
minha vida se resume em ouvir as pessoas dando parecer a meu respeito e procuro
em meu ser cadê aquilo que dizem, mas não percebo nem de longe.
Estava analisando minha vida profissional. Por pior que seja
tudo foi escolha minha. Nunca fui rejeitada em uma entrevista, ao contrario,
entrevistas são as melhores psicoterapias para mim porque os examinadores após
5 minutos de conversa sempre elevam meu ego. Falam sobre minha maturidade,
minha segurança, minha boa dicção, minha beleza, minha habilidade com as
palavras, etc. Me questiono cadê tudo isso quando estou sozinha com meu eu?
Há um duelo invisível dentro de mim, que me sufoca, que
grita.
Segundo o calendário Maia o mundo acabará dia 21 de dezembro
de 2012, ou seja há pouco menos de 2 meses. Tenho nítida a certeza de que é
blefe, mas até gostaria que fosse verdade, de certa forma acredito que nos
últimos anos tudo que fiz foi esperar o fim. Não me preocupo no que
aconteceria, pra onde iria, como acabaria, em salvação...nada, apenas imagino o
alívio que seria.
É difícil ter que acordar todas as manhãs e dizer para mim
mesma o como a vida é única, o quanto é importante ser forte, resistir, começar
de novo. É difícil silenciar as vozes no meu interior que dizem que tudo isso é
fantasia, que nada muda, que seguir é apenas continuar a redundância dos meus
karmas.
Minha razão mostra que qualquer ilusão chega a ser ridícula.
A quem estou querendo enganar? Recuperar o tempo perdido, buscar tornar os
sonhos reais, começar...
Analiso as pessoas a minha volta e as separo em grupos: as
que me inspiram, as que me motivam e as que são exemplos. Cada qual tem seu
valor.
As que me inspiram me fazem sonhar, me permitem ser eu
mesma, me aceitam simples, errante, sonhadora, são as que têm alem de minha
amizade uma grande parcela de admiração.
As que me motivam despertam em mim uma ambição que nunca
tive, mas sempre desejei. Fazem com que eu me sinta capaz, com que eu acredite
que é possível, que eu posso! Essas além de admiração ainda conquistaram meu
respeito.
As que são exemplos me ensinam principalmente a como não
ser. Talvez essas sejam as de maior importância, pois são elas que afloram meu
bom senso e meu senso critico. São graças a elas que procuro evoluir meu ser e
ponderar minhas ações. Essas além de meu respeito conquistam também minha
dedicação (me moldam).
O ano de 2012 foi transformador na minha vida! Tabus foram
quebrados, princípios foram firmados, pessoas surgiram e se tornaram especiais,
outras se afastaram deixando lembranças, confirmações espirituais, novas
experiências sobrenaturais, um ano como todos os outros ÚNICO.
A nostalgia de ansiar uma maturidade que deveria ser sentida
e na verdade é imposta por meu ser duela com a ilusão de poder recuperar o
tempo perdido e começar de novo.
As feridas abertas sangram!
Tanto lutei contra meu eu, contra meu ser, tanto me
esforcei, tanto orei para ter equilíbrio, para ter humildade e reconhecer
minhas fraquezas, para nunca negar um erro, para me amar acima de ter que amar
alguém, e quando finalmente consigo tudo me é insignificante. Ainda me falta a
confirmação: PAZ!
É tão mais fácil me humilhar, viver a simplicidade, ser eu,
sorrir a vontade, estar aberta as descobertas, melhorar o que está pronto, que
assumir uma postura de liderança, que tomar o leme e remar a direção desejada,
começar e fazer acontecer!
De que adianta toda popularidade se na maior parte do tempo
estou sozinha? De que adianta ser bem recebida nos melhores bares, ter entrada
vip nas melhores baladas, estar antenada aos hits do momento, se quando chego
em casa isso tudo fica de fora? De que adianta tantos sorrisos, tantas
conversas vãs, tanta socialização se quando caio enferma ninguém fica nem
sabendo ou se fica nem se comove? De que adianta tanta dedicação às novas
amizades se são tão passageiras? De que adianta cultivar o carinho, manter
vivas as lembranças, recordar momentos e palavras se é certo que tudo se
perderá no tempo? De que adianta começar se cedo ou tarde acabará?
Estou tão cansada dessa agitação, dessa pressão, de tanta
cobrança! Preciso de terra, areia, verde, água, pássaros, enfim natureza.
Preciso de equilíbrio aliado a paz. Preciso de fé aliada a esperança. Preciso
de meu eu aliado a reclusão.

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.