quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Aleluia


Desde que aceitei que o Criador me fale diretamente, sem que eu precise de templos, de líderes, de sacrifícios ou do que quer que seja, muito tem acontecido. As manifestações da luz negra pararam de me atormentar, talvez porque eu as reconheça e não mais as temo. Agora aceito sua forma de agir e respeito sua hierarquia entre os mundos.

Acredito que assim consegui conquistar meu espaço na esfera mística e os demônios não precisam mais se apresentar a mim, mas mesmo eles mantendo seus disfarces em portes apessoados, em trajes finos, e galanteios e elegância, eles ainda possuem o mesmo odor fétido que me incomoda a narina e enjoa o estomago, o que confirma assim sua verdadeira aura.

Uma novidade a mim é que, aceitando a realidade negra e sua força, agora sei distinguir a alma negra da alma suja. Ninguém nasce com a alma negra, todos recebem o sopro da vida do mesmo Criador, mas as oportunidades na existência levam as escolhas que ditam o caminho, e algumas escolham vão manchando a aura até que em um momento as oportunidades não influenciam mais, porque só mesmo a morte pode trazer de volta a vida. “Morrer para si e para o mundo e nascer para a Verdade.”

Aceitar o sobrenatural e seus mistérios sem querer desvenda lós, apenas vivendo-os conforme me vão sendo apresentados me trouxe uma força indescritível. Após algumas experiências de quase morte, que ainda não consegui relatar em detalhes, um forte chamado me guiou a um ministério que há tempos ouvia comentários com distintas opiniões então resolvi ir pessoalmente coferir e formar a minha própria.

Na chegada nada senti; nada de paz, nada de fogo, nada de glória. Apenas um grande templo, com pessoas indo e vindo em todas as direções. Um amigo que me guiava foi direto ao andar superior, que dava a uma lanchonete com as mesas expostas como que em uma sacada, mas ao invés de dar acesso à área uma aberta dá acesso ao salão, como que um camarote. Sabia que devia escolher entre ficar ali como mera espectadora e ver o que aconteceria ou me envolver e ver o que sentiria. Como não podia deixar de ser optei por sentir, que vai muito além de meras imagens vistas com o olhar humano. 

Após uma breve caminhada pelo salão finalmente encontramos assentos ao centro, que mantém uma media de 3 mil cadeiras ao fieis e visitantes. Em poucos minutos o salão estava cheio e o som já começava a soar. Ainda estava alheia, visualizava cada detalhe, um grande galpão com painéis de diversos setores do ministério, cada um mostrando algo especifico, no púlpito uma grande prancha de surf, em volta do altar às paredes possuíam papeis paredes representando o mar. Aquilo estava me inquietando, vários pensamentos me assolavam, agora ficavam claros os mistérios daquela primeira experiência de quase morte e um grande desejo de respostas gritava em meu peito.

Jovens, adultos, crianças, idosos, de diferentes tribos, de diferentes raças, de diferentes classe sociais, todos ali reunidos em um mesmo lugar, voltados para uma banda que repassava insistentemente o som. Reggae, rock, um tom de adoração, a discrepância entre todos ali presentes ficava visível até mesmo nos ritmos das canções. Um mix de gerações e estilos. A luz de repente diminui e uma voz começava a falar palavras ao Criador. E eu, ainda alheia. Apenas observando e tentando formar uma opinião valida sobre aquele ministério. Com os pensamentos envoltos, na superficialidade humana do meu ser, observava tudo e todos atenta a cada movimento, imaginando como seria a vida de cada uma daquelas pessoas tão distintas a mim e a minha realidade. Confesso que algumas se cruzassem meu caminho durante o dia já me faria temer, mas se fosse durante a noite me causaria desespero, com pensamentos tão horrendos e nojentos que prefiro nem narrar. Me lembrei das vezes que havia sofrido assaltos, me lembrei do trauma de garotos usando calças largas, camisas extremamente maiores, bonés de aba reta.

Analisando o todo, uma voz doce me soprou aos ouvidos, respostas que há anos conhecia, mas  agora eram tão límpidas que faziam eu me sentir ridícula e ao mesmo tempo me trazia uma imensa segurança em relação ao mundo terrestre. Dia após dia, quanto mais o sobrenatural se revelara a mim mais clamava por uma confirmação de um ministério para servir, ao qual confiar e me entregar ao trabalho, e eis que naquele momento, ali em uma igreja na qual ouvira tantas criticas, me veio o discernimento.

De forma direta ou indireta tantas pessoas reunidas sob um templo, em louvor e adoração, as deixam sob a unção. Dentro o numero elevado de presentes há de haver ao menos 1 que seja senão puro ao menos reto de coração, o qual transborde unção tocando assim outro que seguira conforme as revelações lhe chegarem ao coração. O sobrenatural é um projeto perfeito e tudo acontece no tempo devido do Criador, que nada tem a ver como tempo dos homens.

Com essa nova lição, me senti, então corresponsável por derramar unção naquele lugar, e sem perceber fui transportada para o sobrenatural. “Mais de Ti Senhor!” Bom seria conseguir descrever a chama que ardia em meu peito por estar em adoração. Desconheço palavras que expressem o sentimento. As respostas queimavam meu coração em um transe de adoração. Línguas estranhas ao meu próprio discernimento, ditas não mais com minha mente mas com meu coração. Clamei por discernimento, visto que agradável é aquele que fala a língua dos anjos, mas ainda mais glorioso é aquele que a entende. Finalmente meu próprio Criador se achegou a mim e com um simples toque fez cair o pó de meus olhos. Finalmente entendi que independente de independente de ministério meu chamado é para queimar. Louvar, engrandecer, ministrar, clamar o Fogo do Cordeiro, sentir Teu suspiro ao chegar, ter as revelações Ao me tocar, ouvir Tua voz como canção suave no coração, contemplar Teu cheiro doce a emoção. E então entendi que a paz que tanto me faz bem é perceber quando Deus me sorri.

Ouvi o pastor falando do que vira enquanto orava, e logo senti o velho desejo de desafiar o sobrenatural a me trazer respostas diretas, a fim de saber se de fato aquele lugar era consagrado ao Bem Maior, a fim de saber se aquele homem era de fato um servo fiel. Tentava organizar os pensamentos e lançar o desafio, mas ainda me recuperava do estado de êxtase, quando mais uma vez o Criador me chamou a atenção de uma forma que me deixou constrangida. Sua voz doce deu espaço a um tom de decepção : “Filha porque ainda nega toda revelação? Veja com o olhar singelo do seu lado humano então. Estar em um templo onde homens se reúnem em meu nome é sempre um momento de desafios e de cobranças por respostas? Porque ignora que falo direto ao teu coração? Tantos livramentos, tantas provas materializadas, tantas revelações que a outros parecem absurdas e ainda assim precisa ouvir de homens? Eleva tua fé filha amada. Sou Eu quem te desperta a cada manha. Sou Eu quem te faz forte no momento exato. Sou Eu quem vivifico a esperança que pulsa em seu corpo. Porque não credes? Porque não se entrega sem receio? O que mais preciso fazer para que entendas? A escolha cabe a você. Por hoje te digo, mais que ao material você pertence ao sobrenatural.”

E foi nesse momento que senti o Criador se afastar, ainda sentia sua presença, mas o perfume de Seu aroma já não estava ali. Anjos desciam do alto, mas eu não conseguia vislumbrar suas faces. Uma rajada de luz que me aquecia mesmo não sendo o foco principal. Então pude observar o que acontecia alem daquelas paredes, alem do plano físico. Almas desprovidas de virtudes e princípios morais não resistiam ao calor Santo e se entregavam em adoração, com corações quebrantados e um anseio descomunal por gloria.  O espiritual então estava agindo de forma voraz a fim de vivificar a fé. Muitos ali nasciam de novo. Alguns experimentavam pela primeira vez a melhor experiência com o sobrenatural, outros talvez estivessem matando a saudade da família que abandonara em outrora, mas em contra partida pude senti que o inimigo já rugia lá fora, a espreita organizando o próximo ataque.

Pode ser que todos ali resistam ao vilão das almas, pode ser que nenhum consiga, pode ser que amanha tudo isso seja apenas uma breve lembrança. Seja como for por hoje aquelas almas estavam livres e a minha também, pude sentir.

Sempre digo que devemos viver um dia de cada vez, deixar que cada dia carregue em si seu peso ou sua gloria, sendo assim devemos nos despedir diariamente e seguir sempre vigilante, logo naquele momento estávamos com passe livre para o próximo estagio, para a gloria. Minha alma me permitia sentir, no corpo humano, o prazer de ser filha do Dono do mundo, de ser coerdeira do Trono, de ser mais que apenas uma, de ser o grão de areia com maior brilho. Shekinah caia como gotas de ouro... o céu festejava, os anjos dançavam entre os escolhidos trazendo unção. “Glória a Deus.”

O discernimento me veio de forma avassaladora. Senti forte o tocar do Senhor e Suas palavras dilaceravam minhas entranhas. Então as repeti para mim mesma; “Deus é Deus dos retos de coração, é Deus de amor, é Cordeiro da Paz. Ele olha cada um segundo suas ações. Quando finalmente o dia do julgamento chegar cada um será avaliado segundo seu coração. Não importa estilo, não importa religião, não importa credo, não importa forma física, não importa cor da pele, não importa tipo de cabelo, não importa quantas riquezas possua, não importa quais bens que adquiriu, não importam quais títulos conquistou. A salvação não tem nada haver com nível de hierarquia na terra, nível de humildade e nem mesmo grau de instrução. Ao despertar da trombeta cada um será avaliado por si só, segundo o coração. Tatuagens, piercings, silicones, plásticas, cicatrizes, são apenas marcas que registram uma fase, para alguns adereços. Pode alegrar ou incomodar a carne, mas no todo é apenas imagem aos olhos humanos, meras ilustrações. Diante o Criador o homem puro e reto de coração tem a alma límpida, pois emana luz. O que é visto pela visão humana é mera imagem, alusão, o que de fato tem valia é o que vê o coração. 

Mais uma vez o sobrenatural me cofirma que estou no caminho certo. Minha escolha atual é não mais procurar, deixarei que tudo me seja revelado no tempo exato. Não adianta me incomodar e buscar em desafios e possíveis tragédias. O Criador habita meu ser e posso senti ló a cada manha que me levanto, a cada dia que vejo o sol, a cada tarde que consigo me locomover, a cada lembrança que consigo recordar, a cada pensamento que consigo dominar, a cada dialogo que consigo raciocinar. Deus está em tudo, cada partícula, cada molécula, cada átomo. Deus não se faz necessariamente homem, nem tão pouco se figura em um animal, Deus se manifesta em amor e pode ser sentido pela Paz!

Aleluia!

 

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.

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