quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Meu aniversário


Não entendo bem o quê as pessoas comemoram no dia de aniversário.

O dia parece tão estranho, desde a proximidade já há um peso diferente no ar, uma certa nostalgia se apodera de mim.

Dizem que quando vamos morrer o resumo de nossa vida se passa em um olhar, sendo assim a cada aniversário sinto o pressagio da morte, pois revejo toda minha existência nos mínimos detalhes.

O bom da autoanalise é perceber que houve ao menos uma evolução mental e espiritual, o difícil é recordar momentos tão alegres que o tempo sufocou e agora são apenas lembranças.

Olho para traz e vejo várias pessoas que bem ou mal, direta ou indiretamente colaboraram para a formação de meu “eu” atual. De algumas sinto tantas saudades que recordar quase me faz sufocar, há outras que sou extremamente grata porque seus exemplos me ensinaram a como não agir, há ainda algumas que nem se deram conta de como foram significativas, mas em suma cada qual assinou no meu livro da vida.

Me entristece cruzar com algumas dessas pessoas no dia a dia e nem cordialmente por educação trocar um simples cumprimento. Me doe ver que pessoas que na infância ou adolescência estiveram tão próximas a mim simplesmente pela distancia, pelo tempo deixou chama da amizade se apagar, mas mesmo com toda dor sentimentalista ainda prefiro recordar os bons momentos e abençoar o destino, mesmo que eu esteja de longe, na plateia admirando a vitoria de cada uma delas.

As vezes percebo que o mundo está cheio de pré anjos, sou nervosa, estressada, chata, detalhista, critica, minuciosa, sincera ao estremo, não sei mentir, cometo inúmeros erros e ainda assim estou sempre rodeada de pessoas que sei poder chamar amigos.

Amigo é aquela pessoa que está além de conveniência, de permutas, de agitações. Amigo é mais que marido ou mulher, é aquele que te acompanha no médico em dias ruins ou que se não for vem te visitar na primeira oportunidade. Amigo é aquele que se alegra com suas alegrias e sofre com suas dores. Amigo é aquele que sorri de suas palhaçadas mais tolas. É aquele que é frio ao usar a verdade, mas é utópico ao sonhar com você. Amigo é aquele que sabe ser sincero sem ser ditador. É aquele que não diz o conveniente para agradar ao contrario diz a verdade para elevar. Não fala o que o outro quer ouvir e sim o que precisa. Amigo é aquele que o coração sorri com as lembranças e lamenta a saudade. Amigo é aquele que o tempo não apaga, que a distância não exclui, que a ausência não ignora. Amigo é aquele que uma década pode passar, a vida pode afastar, podem em continentes diferentes estar, mas ao se reencontrar há a percepção do carinho, mesmo que a atenção não seja como antes, mesmo que tenha se passado uma década, mesmo que já haja filhos, marido e a fins, mesmo que se perceba que nada se sabe da outra pessoa, o importante é que se sabe o bastante, se conhece a integridade e o caráter de outrora.

Há várias pessoas de minha infância no interior, da época do colegial, dos ministérios e congressos que frequentei, das loucas viagens que fiz, dos trabalhos que participei, das pessoas que atendi, que adoraria rever, olhar nos olhos e agradecer. Dizer o quanto em determinado momento, simples ou breve, mas com uma palavra, com um gesto, com um exemplo me ensinou algo, e que isso fez parte do “efeito borboleta” que alavancou a “maremoto” para construção ou destruição de quem eu era antes e me tornar o que sou agora.

Me apetece a busca pela evolução mental e espiritual e saber que agora já não sou quem era a 20 minutos atrás me fascina. O poder do ser humano de fazer jus a vida, que significa movimento logo mudança, me deixa vulnerável a novos aprendizados e grandes descobertas.

Ontem aprendi que ter medo é bom, significa que há algo a perder. A principio a única coisa que temi foi meu eu justamente por ele não temer nada. Então me questionei se isso era porque temia perder a vida, mas como se não temo a morte? Foi ai que percebi a sutil diferença: temo perder meu eu para essa socialização corrompida e cega que vivemos, temo ser manipulada pela massa, corrompida pelo modismo, usada pela popularidade e até mesmo explorada pelas superficialidades. Se em qualquer momento tiver que calar meu ser, tiver que deixar minhas convicções por suposições impostas sem comprovações teóricas ou sensitíveis, se tiver que me jogar na globalização com viseira e perceber em mim o mínimo domínio da futilidade prefiro a morte da carne.

Meu espírito é como um pássaro que voa alto e livre, mas que sem direção sempre volta ao mesmo caminho, mas que em cada retorno percebe grandes diferenças. Após tanto me ferir no percurso aprendi a voar sem asas, aprendi que mesmo com foco a trajetória pode ser interrompida, que não basta apenas a motivação e desejo, a vida=movimento=mudança pode ditar algo mais, é o elemento surpresa que não se esperava, mas que surgi avassalador.

A vida é um barquinho no grande oceano da existência, as vezes há calmaria, há momentos de grandes ondas, tempestades e tormentas, há grandes predadores a espreita, alguns aguardam a queda para atacar, outros atacam tentando te derrubar. Há momentos que é possível ver terra firme e até parar e relaxar, mas há momentos em que não há chão, onde quer que se olhe não vê a direção, tudo está igual. Desde que entendi que minha vida é um empréstimo do Criador resolvi cuidar bem dela para devolve La agradável e com grandes louvores. Me espelho na passagem bíblica dos talentos, onde os que multiplicaram receberam ainda mais, mas aquele que teve medo de perder e guardou o que tinha até esse perdeu. (Mateus 25.14-30) Não escondo meus talentos, não temo perde lós. Aprendi que por mais que se tenha um projeto bem elaborado haverá momentos em que terei que correr riscos, e se não tiver coragem ou estagnarei ou farei escolhas que deixarão grandes consequências, logo me arrisco sim. Não temo errar, não temo o fracasso, não temo assumir a derrota estando certa que dei meu melhor, porque sei que se perder o talento que me foi dado tentando, meu Pai Celestial me dará novos talentos, ainda melhores para que eu possa começar e me arriscar e seguir com a redundância da existência.

Só sai da praia quem assume a fragilidade do seu barquinho e ainda assim não teme, que confia no Senhor como Mestre do destino e o permite se não guiar ao menos proteger durante a trajetória. Eu desde sempre desenvolvi o projeto, pesquisei a direção, analisei o caminho, assumi o leme e remei, remei e remei. Avistei o alvo, pude ver a luz da conquista, mas quando me dei conta não havia soltado a corta que prende o barco no porto. E todo tempo remando, todo investimento feito, tudo se perdeu por falta de elaboração de estratégias. Investi tudo que tinha, dediquei todo meu eu, mas não desprendi o que me ancorava, logo o cansaço bateu e quando percebi estava de novo no ponto de partida. Duas opções então me surgiram: aceitar a decepção do erro e me estagnar, me vestir do conformismo como a maioria e apenas existir na vidinha pacata que me foi imposta pela existência, mas me alegrar com o conformismo da futilidade ou começar novamente, com mais atenção desde a partida, começando do começo, soltando a corda assumindo o leme e remando, remando, mesmo que seja contra a maré, mesmo que esteja em tempos de tempestades, mesmo que o tempo pareça escasso para a travessia.

Ao meu ver o importante é não desistir!

Precisei de quase 3 décadas para descobrir que o erro foi ter esquecido de soltar a corda, de pegar a ancora, quando essa percepção me surgiu me vi velha, cansada, cheguei a pensar em desistir, imaginei não ter mais forças, não conseguir, mas então anjos vestidos de humanos foram colocados no meu caminho e como exemplos se fizeram espelhos, então percebi que a temporalidade do tempo nada representa, o que de fato tem valor é o desejo de evolução contido no espírito humano.

“O ser humano é dotado de qualidades que nem mesmo se dá conta, é a obra perfeita do Criador, o herdeiro não só de Seu trono, mas também de Seus dons ao receber o sopro da vida que passou tudo que Ele tinha em seu Ser para o homem. (Gênesis 1.26 ; 2.7)”

Até poucos meses atrás acreditava me conhecer bem, sabia exatamente quem era, o que queria e como agiria, mas as metamorfoses me trouxeram para um plano onde não me imaginava, logo por mais que seja um plano conhecido tudo está diferente, porque isso é vida=movimento=mudança.

O difícil na trajetória é que muitas pessoas de quem eu gostaria de ter apoio ou mesmo de apoiar se perderam no caminho, se afastaram em demasia de uma forma que mesmo nos vendo não é possível retornar, mas o importante é não parar, é não desistir, é não cansar de lutar, é estar atendo aos sinais, é saber diferenciar os anjos dos malignos que surgem para confundir, é mesmo temendo não deixar de seguir!

27 anos de muita briga interior, de muita guerra pessoal, mas de grande satisfação. Sei que a guerra só acaba quando o barco afunda, mas enquanto houver leme sei que o Deus está comigo, logo não irei desistir. Posso ficar sozinha com lembranças e recordações que ainda estarei feliz, pois a mim felicidade é estar em paz mesmo que em meio à guerra, é ter equilíbrio mesmo que na tempestade, porque viver vai alem de existir.

27 ANOS! A idade da loba se aproxima, dizem que a mulher se torna mulher quando se torna loba, se é assim ainda não sei, mas espero que tudo esteja diferente quando chegar lá. Independente de melhor ou pior, apenas diferente, porque notar as mudanças é perceber a evolução.

Hoje em especial agradeço a Deus por tudo que foi. Agradeço por cada pessoa que cruzou meu caminho, por cada um que assinou no meu livro da vida. Agradeço por cada oportunidade liberada, por cada porta destrancada, por cada pedra removida. Agradeço por todas as benções, por todos os ‘presentes’, por todos os talentos, por todos os dons. Agradeço principalmente por me permitir errar. Por todas as lagrimas, por tanta dor, por tanto sofrimento. Agradeço por todas as vezes que o inimigo veio voraz contra minha vida, por todas as vezes que me iludiu e me enganou. Agradeço por todas as perdas.

Me felicita as vitorias, mas muito mais me apetece as lastimas, pois o positivo me tenta mas o negativo me eleva.

Grata a Pai ao Filho e ao Espírito Santo por tanta graça, misericórdia e amor.

Grata aos humanos por cumprirem tão bem seu papel, positiva ou negativamente.

Grata a minha família (de sangue e a de coração) que por ser exatamente quem são me moldou.

Grata ao meu “ser” que não cessa em evoluir.

Grata ao meu “eu” que está sempre em lapidação.

Feliz Aniversário para mim que acima da nostalgia do dia ainda consigo ter tanto a agradecer e desejar.

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.

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