quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mudança não é morte é vida.


Difícil falar da vida, mais difícil ainda falar de mim...
Por anos a fim vivi sem objetivos, deixando a vida me levar, como que em uma canoa no mar a qual as ondas sempre guiavam a direção. E ainda assim sempre me achei no direito de lamentar, de chorar, de reclamar. Hoje após tanta lastima, após tanto sofrer, percebo que deixar a onda levar não é suficiente, preciso ter atitude de pegar o remo e buscar chegar em algum lugar, preciso persistir mesmo cansada, porque a onda leva adiante, mas sempre traz de volta ao mesmo lugar.
Meus últimos 03 anos me ensinaram mais que a vida toda. Tempo! O que é o tempo? Para mim apenas uma referencia para analise da evolução!
Quando penso em tudo que vivi, em todas que fui, em como me transformei, pareço tão velha, é como se já tivesse experimentado tudo que a vida pudesse me oferecer, como se a única coisa que me restasse fosse a morte, porque o que viverei então já ocorreu um dia. Mas quando penso em todos os sonhos dos quais me privei, em tantos ideais que não busquei, na força que há em mim, me sinto tão jovem, tão disposta, e uma enorme vontade começar me toma. É como se nada fosse impossível, como se o mundo estivesse a minha espera, a espera de algo grandioso e sensacional feito por mim.
É fato que se ficar focada no passado acabo lamentando minha vida, lamentando minhas escolhas, sofrendo por minhas fraquezas, amaldiçoando minhas percas. Pensar no presente me faz ser grata por tudo que foi, me faz entender que cada lágrima foi necessária, que cada dor foi degrau, que cada perca foi estratégia de Deus. Imaginar o futuro me faz ter que escolher entre continuar no barco ou tomar a direção dele.
Levei muito tempo para entender que a vida é um mix de: renuncias, perdas, escolhas e conquistas. Não se pode ter tudo que quer nem amar tudo que se tem.
Nunca desejei ser a melhor, desde criança apenas desejava ser eu mesma. Sabia da minha capacidade, me esforçava para não ficar entre as piores, mas ser a melhor nunca foi meu objetivo. Queria apenas ser eu.
Na adolescência isso se evidenciou, fiz tudo que quis dentro de minhas possibilidades. Nunca me privei da experiência por medo ou fraqueza.
Já na juventude vi o fantasma da dúvida me tomar sempre que me surgiam opções, mas ainda assim por mais difícil que fosse a escolha era sempre pelo que acalmava meu coração.
O medo de errar nunca me paralisou, pois a certeza do aprendizado sempre esteve presente.
Já na maturidade (imagino estar nela, talvez não esteja não sei) a lição que ficou é que errar nem sempre é doloroso, mas perder é insuportável.
Durante dois anos consecutivos chorei noturnamente, senti em meu peito uma ferida aberta sangrar dia após dia. Durante o dia um curativo estancava o sangue, mas a noite, quando sozinha em meu quarto permitia que o sangue escorresse até cair no sono. No dia seguinte começava tudo outra vez.
Tenho guardado na lembrança cada palavra lançada, cada momento vivido, faço questão de não deletar da memória porque esse é meu anti vírus, é o que uso quando tenho que fazer novas escolhas.
Minha vida hoje é muito diferente do que eu imaginei um dia, já cheguei a sentir vergonha de mim mesma, de minha história, de minha vida, mas então percebi que sentir vergonha não me leva a lugar algum, que não importa o que eu faça ou como esteja tudo isso só diz respeito a mim, porque quando eu quem podia determinar como seria fui obrigada a me calar e aceitar uma situação que nunca desejei. Então percebo que por pior que seja para muitos foi e é bom, foi e é melhor, trouxe e trará melhores benefícios, e esses ‘muitos’ são de fato os maiores interessados, são os por quais eu adoraria que tudo fosse diferente, mas ser diferente pra mim significa mudar tudo pra eles e os amo de mais para permitir sentir um terço da dor que me assola nesses últimos anos.
Hoje posso afirmar com conhecimento de causa que ser humano se acostuma com tudo, seja bom ou ruim se acostuma. E tudo que acontece é causado pelo próprio ‘eu’. Ninguém tem culpa do que ocorre ao redor, meu ‘eu’ é o único responsável, logo cabe a mim mesma buscar as mudanças necessárias.
Cansei de ser protagonista da minha existência, até aqui nenhum de meus sonhos realizei, nenhum de meus objetivos conquistei, apenas fui dando continuidade ao jogo de dominó que foi minha vida. Agora olho o tabuleiro e vejo que mesmo nas jogadas desencontradas, mesmo nos erros que precisaram ser corrigidos, o desenho que se fez é belo.
Vejo que na luta do dia a dia, em meio a superações, a alegria predomina, o sorriso se faz presente. Talvez eu tenha sido apenas uma peça chave, talvez eu me descubra um dia como peça fundamental, mas por hora quero crer que tudo deve ser como é, pois assim a alegria geral predomina.
Eu passei por um processo de tratamento e aceitação. Aprendi que há feridas não se fecham, não cicatrizam, que terei que conviver. Há dias em que irei senti las com o mais profundo de minha alma, mas haverá dias em que parecerão tão normais, que serão um simples incomodo. Por isso seja como for tenho que  começar novamente de alguma maneira...
Minha escolha é acreditar na mudança, na evolução, ou seja: acreditar na vida!
É difícil desejar crescer distante de todo mundo que me quer bem, a insegurança faz me ver tão pequena, tão vulnerável há novos erros, mas em contrapartida há o peso da idade e dos acontecimentos, há a vacina da experiência.
Uma conclusão que tenho no todo do meu ser é que viver é fazer escolhas, e fazer escolhas é decidir o caminho, e decidir o caminho é buscar o futuro, e buscar o futuro é encontrar equilíbrio, e encontrar equilíbrio é ter paz, e ter paz é estar bem consigo e com o universo.
Há momentos em que a vida pede mudança, ela grita por metamorfose, e não basta mudar o visual, mudar o emprego, mudar de cidade, é preciso mudar de posição diante ela, é preciso ter atitude. Como posso querer que tudo seja diferente se faço as coisas sempre iguais, por mais distintas que sejam? Como posso querer que agora dê certo se só mudei o ângulo, não mudei a essência?
O clichê: “se quiser mudar o mundo comece por você” hoje grita em meu peito. Não quero mudar o mudo, até porque acho que ele está exatamente como deve ser, uma gaiola das loucas, onde cada um tenta ser destaque, tenta ser o melhor, tenta juntar vantagens, tenta ter lucros, enquanto todos se preocupam com inutilidades eu me preocupo em cuidar do meu ‘eu’, em evoluir espiritualmente, em ter paz, em viver a paz.
Felicidade, paz, equilíbrio, alegria, harmonia e paixão, são meu foco. Sei que jamais os terei reunidos, sempre faltará algum, sei que não serão permanentes nem eternos, sei que todos dependem de mim, sei que todos se fazem difíceis, mas também sei que impossível é uma questão de opinião.
De todas que fui me restou ser ‘eu’, me restou aceitar que a vida pode sim ser feita de fases, pode sim precisar de ciclos completos, mas chega um tempo em que as escolhas devem ditar a existência.
Há escolhas que mudam vidas, mudam destinos, mudam a história, e diante essa realidade que eu escolho começar. Escolho assumir meus erros, declarar minhas fraquezas, citar minhas dores e me inquietar. Escolho o não conformismo, o levantar, o ir adiante, o lutar.
Tenho plena convicção que posso ser derrotada, que posso novamente errar, que posso ter que voltar pior que parti, mas as possibilidades são indescritíveis, e essas só dependem de mim. Já fui ser analfabeta em outro país porque não posso ser trabalhadora em outro estado?
No futuro, o que se dará, como será só mesmo ele poderá dizer. Se a porta ficará aberta, se levarei comigo a chave, se voltarei batendo gritando por socorro, ou se buscarei a todos, não sei. O futuro cabe ao tempo, a mim cabe o fazer diferente hoje, o começar agora.
Não sei como será lá, não sei como ficarão aqui, mas vou na esperança de ser melhor e fazer acontecer aqui.
Aos que amo grandes agradecimentos e profundas saudades, mas as lembranças vão presente em cada pensamento.
O tempo se faz consumidor e voraz, mas é passageiro e dócil, logo trará respostas e colocará tudo de volta no lugar.
Amo a inconsistência do viver, amo o movimento da vida, amo a juventude viva!

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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.

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