Difícil falar da
vida, mais difícil ainda falar de mim...
Por anos a fim
vivi sem objetivos, deixando a vida me levar, como que em uma canoa no mar a
qual as ondas sempre guiavam a direção. E ainda assim sempre me achei no
direito de lamentar, de chorar, de reclamar. Hoje após tanta lastima, após
tanto sofrer, percebo que deixar a onda levar não é suficiente, preciso ter
atitude de pegar o remo e buscar chegar em algum lugar, preciso persistir mesmo
cansada, porque a onda leva adiante, mas sempre traz de volta ao mesmo lugar.
Meus últimos 03
anos me ensinaram mais que a vida toda. Tempo! O que é o tempo? Para mim apenas
uma referencia para analise da evolução!
Quando penso em
tudo que vivi, em todas que fui, em como me transformei, pareço tão velha, é
como se já tivesse experimentado tudo que a vida pudesse me oferecer, como se a
única coisa que me restasse fosse a morte, porque o que viverei então já
ocorreu um dia. Mas quando penso em todos os sonhos dos quais me privei, em
tantos ideais que não busquei, na força que há em mim, me sinto tão jovem, tão
disposta, e uma enorme vontade começar me toma. É como se nada fosse
impossível, como se o mundo estivesse a minha espera, a espera de algo
grandioso e sensacional feito por mim.
É fato que se
ficar focada no passado acabo lamentando minha vida, lamentando minhas
escolhas, sofrendo por minhas fraquezas, amaldiçoando minhas percas. Pensar no
presente me faz ser grata por tudo que foi, me faz entender que cada lágrima
foi necessária, que cada dor foi degrau, que cada perca foi estratégia de Deus.
Imaginar o futuro me faz ter que escolher entre continuar no barco ou tomar a
direção dele.
Levei muito tempo
para entender que a vida é um mix de: renuncias, perdas, escolhas e conquistas.
Não se pode ter tudo que quer nem amar tudo que se tem.
Nunca desejei ser
a melhor, desde criança apenas desejava ser eu mesma. Sabia da minha
capacidade, me esforçava para não ficar entre as piores, mas ser a melhor nunca
foi meu objetivo. Queria apenas ser eu.
Na adolescência
isso se evidenciou, fiz tudo que quis dentro de minhas possibilidades. Nunca me
privei da experiência por medo ou fraqueza.
Já na juventude vi
o fantasma da dúvida me tomar sempre que me surgiam opções, mas ainda assim por
mais difícil que fosse a escolha era sempre pelo que acalmava meu coração.
O medo de errar
nunca me paralisou, pois a certeza do aprendizado sempre esteve presente.
Já na maturidade
(imagino estar nela, talvez não esteja não sei) a lição que ficou é que errar
nem sempre é doloroso, mas perder é insuportável.
Durante dois anos
consecutivos chorei noturnamente, senti em meu peito uma ferida aberta sangrar
dia após dia. Durante o dia um curativo estancava o sangue, mas a noite, quando
sozinha em meu quarto permitia que o sangue escorresse até cair no sono. No dia
seguinte começava tudo outra vez.
Tenho guardado na
lembrança cada palavra lançada, cada momento vivido, faço questão de não
deletar da memória porque esse é meu anti vírus, é o que uso quando tenho que
fazer novas escolhas.
Minha vida hoje é
muito diferente do que eu imaginei um dia, já cheguei a sentir vergonha de mim
mesma, de minha história, de minha vida, mas então percebi que sentir vergonha
não me leva a lugar algum, que não importa o que eu faça ou como esteja tudo
isso só diz respeito a mim, porque quando eu quem podia determinar como seria
fui obrigada a me calar e aceitar uma situação que nunca desejei. Então percebo
que por pior que seja para muitos foi e é bom, foi e é melhor, trouxe e trará
melhores benefícios, e esses ‘muitos’ são de fato os maiores interessados, são
os por quais eu adoraria que tudo fosse diferente, mas ser diferente pra mim
significa mudar tudo pra eles e os amo de mais para permitir sentir um terço da
dor que me assola nesses últimos anos.
Hoje posso afirmar
com conhecimento de causa que ser humano se acostuma com tudo, seja bom ou ruim
se acostuma. E tudo que acontece é causado pelo próprio ‘eu’. Ninguém tem culpa
do que ocorre ao redor, meu ‘eu’ é o único responsável, logo cabe a mim mesma
buscar as mudanças necessárias.
Cansei de ser
protagonista da minha existência, até aqui nenhum de meus sonhos realizei,
nenhum de meus objetivos conquistei, apenas fui dando continuidade ao jogo de
dominó que foi minha vida. Agora olho o tabuleiro e vejo que mesmo nas jogadas
desencontradas, mesmo nos erros que precisaram ser corrigidos, o desenho que se
fez é belo.
Vejo que na luta
do dia a dia, em meio a superações, a alegria predomina, o sorriso se faz
presente. Talvez eu tenha sido apenas uma peça chave, talvez eu me descubra um
dia como peça fundamental, mas por hora quero crer que tudo deve ser como é,
pois assim a alegria geral predomina.
Eu passei por um
processo de tratamento e aceitação. Aprendi que há feridas não se fecham, não
cicatrizam, que terei que conviver. Há dias em que irei senti las com o mais
profundo de minha alma, mas haverá dias em que parecerão tão normais, que serão
um simples incomodo. Por isso seja como for tenho que começar novamente de alguma maneira...
Minha escolha é
acreditar na mudança, na evolução, ou seja: acreditar na vida!
É difícil desejar
crescer distante de todo mundo que me quer bem, a insegurança faz me ver tão
pequena, tão vulnerável há novos erros, mas em contrapartida há o peso da idade
e dos acontecimentos, há a vacina da experiência.
Uma conclusão que
tenho no todo do meu ser é que viver é fazer escolhas, e fazer escolhas é
decidir o caminho, e decidir o caminho é buscar o futuro, e buscar o futuro é
encontrar equilíbrio, e encontrar equilíbrio é ter paz, e ter paz é estar bem
consigo e com o universo.
Há momentos em que
a vida pede mudança, ela grita por metamorfose, e não basta mudar o visual,
mudar o emprego, mudar de cidade, é preciso mudar de posição diante ela, é
preciso ter atitude. Como posso querer que tudo seja diferente se faço as
coisas sempre iguais, por mais distintas que sejam? Como posso querer que agora
dê certo se só mudei o ângulo, não mudei a essência?
O clichê: “se
quiser mudar o mundo comece por você” hoje grita em meu peito. Não quero mudar
o mudo, até porque acho que ele está exatamente como deve ser, uma gaiola das
loucas, onde cada um tenta ser destaque, tenta ser o melhor, tenta juntar
vantagens, tenta ter lucros, enquanto todos se preocupam com inutilidades eu me
preocupo em cuidar do meu ‘eu’, em evoluir espiritualmente, em ter paz, em
viver a paz.
Felicidade, paz,
equilíbrio, alegria, harmonia e paixão, são meu foco. Sei que jamais os terei
reunidos, sempre faltará algum, sei que não serão permanentes nem eternos, sei
que todos dependem de mim, sei que todos se fazem difíceis, mas também sei que
impossível é uma questão de opinião.
De todas que fui
me restou ser ‘eu’, me restou aceitar que a vida pode sim ser feita de fases,
pode sim precisar de ciclos completos, mas chega um tempo em que as escolhas
devem ditar a existência.
Há escolhas que
mudam vidas, mudam destinos, mudam a história, e diante essa realidade que eu
escolho começar. Escolho assumir meus erros, declarar minhas fraquezas, citar
minhas dores e me inquietar. Escolho o não conformismo, o levantar, o ir
adiante, o lutar.
Tenho plena
convicção que posso ser derrotada, que posso novamente errar, que posso ter que
voltar pior que parti, mas as possibilidades são indescritíveis, e essas só
dependem de mim. Já fui ser analfabeta em outro país porque não posso ser
trabalhadora em outro estado?
No futuro, o que
se dará, como será só mesmo ele poderá dizer. Se a porta ficará aberta, se
levarei comigo a chave, se voltarei batendo gritando por socorro, ou se
buscarei a todos, não sei. O futuro cabe ao tempo, a mim cabe o fazer diferente
hoje, o começar agora.
Não sei como será
lá, não sei como ficarão aqui, mas vou na esperança de ser melhor e fazer
acontecer aqui.
Aos que amo
grandes agradecimentos e profundas saudades, mas as lembranças vão presente em
cada pensamento.
O tempo se faz
consumidor e voraz, mas é passageiro e dócil, logo trará respostas e colocará
tudo de volta no lugar.
Amo a
inconsistência do viver, amo o movimento da vida, amo a juventude viva!
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Me pergunto se sou mesmo maluca ou há mais alguem que pensa como eu? Critícas são sempre construtivas, deixe seu comentário.