sexta-feira, 16 de junho de 2023

Fragmento de Deus

 Agora entendo minha toda saudade que sinto, saudade de Deus, saudade do Lar. Pela primeira vez entendo que não é saudade de mim, é saudade de onde vim. 

Há alguns anos não passava por aqui. Bem, hoje resolvi voltar. Vou tentar não reler ou corrigir nada do que foi, apenas usar o espaço como um diário virtual na tentativa de aliviar a ansiedade. 

Bem, eu nunca fui do tipo que faz muito sentido. Talvez nessa passagem terrena a pessoa que mais conhece minha essência seja minha mãe, pois a ela eu comento meus traumas mais frequentemente.  Pelo menos na superficialidade, pois o que é possível de ser narrado é apenas a ponta do icebarg. 

Hoje, sexta-feira, 16 de junho de 2023. Essa semana foi atípica e analítica. Foi a primeira semana no ano onde me reconheci. Por um breve momento, mas pude sentir meu ser vibrando em sintonia com meu eu. Foi em uma manhã agitada, onde os acontecimentos me permitiram olhar pra mim com carinho. E nesse instante, onde senti meu ser vibrando em cada célula do meu corpo a velha saudade de Casa me abraçou. Mas dessa vez me abraçou de um modo carinhoso, não doloroso como foi a vida toda. 

Eu nunca fiz muito sentido, ou melhor, a vida em sociedade do modo proposto pelo padrão nunca fez muito sentido pra mim. Eu sempre me senti fora de contexto, desconfortável, e como um artista que veste um personagem pra encenar eu vivi. Mas ao contrário do meio artístico na vida não há roteiros, não há um desfecho pré estabelecido, não é só fazer acontecer. Na vida real há emoções, há interações reais (ou que deveriam ser), há escolhas difíceis,  há dor. 

Voltando a falar especificamente dessa semana foi como se o universo tentasse se comunicar com meu ser, mas a parte humana - meu eu - nem sempre consegue compreender os sinais e os chamamentos. No entanto, essa semana foi como se uma engrenagem fosse testada. E o motor funcionou, cada peça no devido lugar cumprindo seu papel. 

 Após um longo diálogo com um colega de trabalho sobre a vida, Deus, a espiritualidade, demônios,  e afins, vi consolidar o que sempre afirmo: o universo escuta, e quando fala é de maneira sutil e objetiva. A lei da atração é real, ela não falha. 

A conclusão que cheguei foi: Deus, em sua magnitude, entediado com sua onisciência resolveu dar um brado pra se aliviar. A intensidade do grito extravasou e Deus Criador teve uma sensação gostosa, um orgasmo cósmico, abalando todo sistema. Deus viu que aquilo havia o levado ao êxtase e nesse transe de autoanálise Ele sente toda energia vital vibrar de modo aconchegante e amável,  como se Ele já não bastasse em si. Precisava compartilhar essa sensação boa, então Deus imerso em ponderações e plenitude se explode, causando o fenômeno que conhecemos como BIG BANG. 

Se o big bang é ocasionado por uma explosão, essa é Deus em si é Deus consigo, tudo que há no universo é de fato partícula de Deus. Se tudo é partícula dEle,  nossos genes, feitos a imagem e semelhança,  não seria diferente. Somos formados por partículas de Deus, o que nos torna todos um. Um com o próximo. Um com o universo. Uma energia. Uma partícula da energia de Deus. Perceber isso me deu novo ânimo. Devolveu o ar aos meus pulmões. Agora justifica minha vida ser pautada em uma saudade sem fim, sem motivo. Uma saudade não sei de quê nem de onde. Isso justifica eu não conseguir ter raiva de quem me magoa. Não conseguir guardar rancor. Justifica minha fé de que cada um oferece o que tem pra dar de acordo com as experiências vividas. Me fez entender o motivo por qual eu ainda acredito no ser humano, acredito que independente do meio no qual foi inserido (em casos não patológicos) a pessoa pode sim se transformar, mudar, aprender e escrever uma nova história de vida nessa passagem terrena. 

Somos todos partículas de Deus. Tudo que há no universo, visto e não perceptível a olho nu, é fragmento de Deus. Nossas células vibram de saudade de completar o corpo de Deus. De voltar a ser um, a ser completo. E a energia que pode nos guiar de volta foram deixadas como faróis, os orixás,  e cada qual com sua missão no universo. É como infinitas peças de lego vagando no espaço, e a vida é a tentativa de colocar as peças no lugar certo. 

Nesse "cordão de Orion" Deus viu que sua criação estava bela. Sinergia total. O homem dotado de sabedoria e criatividade estava vivendo em sociedade. Então, como um pai que ensina o filho com exemplos, Deus se fez verbo, pois verbo é ação,  e como homem caminhou na terra. Simples, humilde, grato de coração. Conhecedor da natureza, dos planetas e de tudo que compõe o universo, por ser parte de si, Ele fez maravilhas que ficaram conhecidas como milagres. 

Jesus Cristo é o exemplo de que o verdadeiro milagre da vida é o conhecimento. Saber a época de reprodução do peixes e o ponto exato de pesca-los. Reconhecer a importância da putrefação bacteriana na multiplicação dos pães. Usar um fruto em sua fermentação natural pra saborizar a água. Aguardar o momento exato de recuo do mar para indicar a travessia. Hoje a ciência responde, mas na época de Cristo não havia tecnologia. O conhecimento da natureza, a cura com ervas medicinais. O fé em si para o controle da mente e o domínio do corpo. A extinção da culpa para o início de uma vida com propósitos. 

Se trouxermos a bíblia pro contexto atual poderemos explicar cientificamente, dando entoação lógica, aos milagres de Cristo, o que ninguém explica é Deus. O Deus Criador e soberano. Esse, continua sendo a porcentagem mínima indecifrável do universo. Mas tenho uma certeza, independente de explicações sou uma porção de Deus. Deus está sim no céu, mas está no ar, no mar, na terra, nas plantas, na minha família, nas pessoas em sociedade, nos animais, em mim. Deus é tudo que é visível,  tudo que é tangível, tudo que é sensível, tudo que há. 



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