Me senti tão perdida, em meio as minhas emoções, que fui
passear na terra dos sentimentos.
Olhei a tristeza e com ela estava à dor, ao lado pude
perceber e saudar o amor, visitei a insegurança na casa do medo, almocei com o
afeto, caminhei com a amizade, cantei com a ternura, dancei com a saudade,
brinquei com a ilusão, sorri pra razão, não encontrei com a experiência, e
cruzei rápido com a carência, mas fiquei intima de sua aprendiz a solidão, que
tem uma irmã gêmea a depressão...
Os sentimentos veem
me visitar diariamente, alguns permanecem por mais tempo que outros. É que para
alguns tenho tempo, para outros nem sempre. Muitas vezes eles passam e eu nem
os percebo, outras os cumprimento rapidamente.
De todos aprendi a valorizar um deles que há anos me acompanha
e nunca me deixa sozinha. Posso estar triste, alegre, festejando ou lamentando,
que ela nunca me abandona. É amiga, confidente, conselheira. Me inspira, me
motiva, me anima. Minha eterna companheira solidão,
irmã gêmea da depressão.
Muitas vezes gostaria de ficar a sós com a razão, mas a
solidão diz ’não’. Sempre escuto os palpites da depressão, afinal ela está
sempre presente com a gente, mas finge ser amiga da razão, no fundo não gosta
da experiência e é intima da insegurança e do medo.
A depressão me dá muito trabalho. A solidão me pede pra
ignorar, mas não consigo a evitar. Ela é egoísta, mesquinha, vive fazendo
picuinha. Ela quer me dominar, tenta me ganhar, mas me faço mais esperta e me
coloco a negociar.
Olho nos olhos dela. Não a deixo persuadir e ela não
consegue sorrir. Todas as manhãs ela tenta, me abraça, eu fico sem graça. Me
aperta forte, carinhosamente pede pra ficar, mas eu digo que não pode, que ela
precisa ir, que não adianta ficar porque cedo ou tarde terá que partir, então
melhor que vá de uma vez..
Meu coração aguenta, nem lamenta, a solidão vê como a melhor
solução, nem mesmo ela gosta da depressão. Só que há dias em que tudo sai ao
contrário, a carência está aqui, ai é difícil resistir...
Evito escutar, a
carência sempre defende a depressão. Tento evita-las, mas elas me abraçam, me
envolvem, pedem espaço pra ficar. As duas estando juntas não consigo evitar, me
falta o não no falar...
A depressão aproveita a situação e se instala...me abraça,
me envolve... sem perceber já não saio
da cama... fico ali, deitada, largada, me sentindo abandonada...me lembro do
passado, revejo os sonhos frustrados... reverbero sobre tudo que não deu certo,
choro um choro dolorido e voraz.
Pode durar um dia inteiro... pode chegar a noite... e quando
percebo a felicidade da depressão é tamanha que ela convidou o desespero...
então eu me perco em meio ao devaneio, quando percebo intercalo traumas, com
medos e anseios. Picos de sonolência me envolvem e me fazem sonhar, sonhos tao
reais que parecem revelações, algumas vezes me acalmam, outras me agoniam ainda
mais...
Logo vem um novo amanhecer e a solidão vem me socorrer,
manda embora o desespero, expulsa a carência e briga com a depressão...quando
vejo sou só eu e a solidão...ela me aconselha, me anima, me inspira...me faz
imaginar, sonhar, desejar... volta a direção tomar...
Chamo a depressão, olhos em seus olhos e digo com emoção: - pronto.
Passou. Você teve sua chance e ficou, brincou... viveu seu momento, agora acabou.
É hora de ir.
Ela reclama. Pede pra ficar por mais tempo. Insiste. Tenta
me mostrar que com ela tudo é mais fácil de suportar, pois nada preciso fazer,
é só curtir o tempo se perder...
Mas eu nego. Dou a
cada dia seu próprio valor. Por um curto período curto dor que a depressão me
apresentou, não lamento, pois assim penso no antes, no durante e no depois.
Revejo minhas escolhas, meus erros, os acertos. Analiso tudo que foi, o que
deixou de ser e as possibilidades que podem surgir. Desse modo escolho como
agir a partir daqui.
Não condeno a depressão, sua presença é uma escolha do meu
coração.
Não vou me afastar da solidão, ela me escuta sem me
criticar, me abraça sem me apertar, fala comigo sem gritar.
Acho que estou aprendendo a me amar, e isso devo a solidão
que todos os dias vem me acariciar, me aconselhar, me levar o pensar... sempre
que possível quero a terra dos sentimentos voltar.
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