Sabe aquela sensação de estar investindo em algo perdido?
Então, estou tendo a...
Nos últimos dias aprendi que independente do quanto você se
importe, do quanto você se doe, do quanto você deseje, a outra pessoa pode
simplesmente ir levando e nem sempre se trata de falta de interesse, mas de
excesso de dor, o que leva ao desamor.
Talvez relacionamentos seja a maior forma de exclusão social
e nem mesmo Foucault tenha conseguido compreender...conscientemente você
escolhe alguém e se separa de todo o resto, você se inspira na pessoa, deseja
estar ao lado da pessoa, faz planos com a pessoa, tudo gira em torno da pessoa
e os outros...são apenas outros, apêndices... talvez seja essa exclusão natural
que faz com que as frustrações doam tão profundamente ao ponto de ir matando as
esperanças e transformando qualquer intenção em simples ilusão.
O ser humano é abstrato e como tal tem o anseio vital de
amar e ser amada, cada qual a sua maneira, mas consciente ou inconsciente o
anseio grita no peito.
Tanto já me arrisquei, tanto já me magoei, por um tempo
acreditei ter acertado, depois percebi que novamente havia errado....e assim
segui na busca incessante até aqui...mas aprendi que amor não se encontra,
porque ele não se perde.
O amor é uma escolha, é uma construção.
Infelizmente poucos percebem isso e maltratam o amor,
acreditam que ele simplesmente nasce e vai ficar como está, estagnado, aconteça
o que acontecer, outros não percebem quando o amor morre e continuam insistindo
decepção após decepção, sem perceber que a insistência só aumenta a coleção de
decepções e faz perder tempo.
O amor exige ser bem tratado, cultivado, cuidado.
Ele cobra toda educação, carinho, dedicação.
Ele é sensível ao passo que se faz indestrutível.
Ele é singelo ao passo que se faz grandioso.
Ele é egoísta ao passo que se faz o mais humano dos
sentimentos.
Ele é carente ao passo que consegue amar sem medidas.
Muitas vezes ele é cultivado em um só coração e se sente
rejeitado, dessa forma ele machuca, corrói... agora quando um mesmo amor habita
dois corações esses encontraram o verdadeiro sentido da vida!
Em tempos de superficialidade os relacionamentos instantâneos
são tão evidentes que o diálogo se tornou ausente, apenas aparência e moral
ditam os momentos ocasionais, e diante essa geração que vê tudo como uma grande
brincadeira, onde o arriscar é mais ideal que o acreditar e lutar, me vejo
alienada...
Talvez eu esteja vivendo no século errado, talvez minha
missão seja aprender a viver como essa geração, talvez eu não seja de fato
desse planeta, mas talvez, só talvez o mundo esteja errado e eu esteja certa, e
se for assim, quem sabe um dia ainda poderei afirmar entender porque nunca deu
certo antes...
Eu acredito sim que nessa imensidão do espaço-tempo exista alguém que acredite no amor, não como uma necessidade, não como
uma consequência, não como uma opção, mas como uma escolha de vida, como uma
construção a ser edificada e cuidada.
Então, talvez tudo que passei faça sentido, talvez todas as
histórias vividas se tornem apenas preparação, talvez todas as lembranças se
tornem vagos momentos diante a intensidade do sentimento sincero que se faz
mútuo. E quem sabe assim eu encontre um novo significado para a eternidade e perceba
nos laços de alma não só o amor, mas a reciprocidade, o carinho, a amizade.
Duvido que alguém seja plenamente feliz sozinho, mas ainda
acredito que mais vale o incomodo da solidão que a sensação de enganação.
A existência nos mostra a vida, mas essa permite nos
escolher como iremos viver.
Eu escolho ser assim: reciprocidade, dedicação, cuidado e
atenção. Muita gente não gosta, preferia que eu fosse fria, vazia, sem
motivação, então procuro apenas viver o instante sem muita preocupação, mas é difícil
porque meu sexto sentido me rouba a atenção...
Se a passagem terrena é uma luta de evolução interior e
ainda assim diariamente percebo que não me conheço como acreditei, como posso
desejar conhecer a outra pessoa?
Cada dia é único, é uma nova manhã, uma nova oportunidade,
um novo ciclo, que como tal está repleto de fatos inéditos que ditam escolhas
diferentes, e mesmo quem conhece seu próprio limite muitas vezes pode se perder
pelo caminho, sendo assim, porque acreditar que se pode conhecer outra pessoa?
Porque supervalorizar o tempo? Porque manter esperanças de que um dia faça
diferença?
Se o que vê hoje não agrada a tendência é piorar.
As pessoas podem se fazer maleáveis ao ponto de serem
moldadas, mas para isso é preciso iniciativa própria e não pressão do outro.
Todos temos qualidades e defeitos, e nem sempre cada qual é
tal, muitas vezes o que é qualidade para alguns pode ser defeitos para outros,
e vice versa, por isso cada pessoa precisa se conhecer o suficiente para
admirar as qualidades e identificar se os defeitos são pontos de melhorias a
serem trabalhados, o que os torna suportáveis, ou se são defeitos que
incomodam, pois se for nem precisa insistir, pois se o fizer estará entrando em
uma guerra de braços sem fim.
Hoje meu dia amanheceu assim: reverberando conceitos,
valores, essência.
Que a sabedoria me abrace e o discernimento me envolva!!!
Bom dia