É preciso aceitar as situações que não podemos mudar. A
escolha é individual a cada um, e cada qual a faz segundo acredita...
Hoje amanheci leve. Uma alegria sem “q” nem porque. Vontade
sair e fazer acontecer. Desejo de enviar flores, distribuir elogios. Mesmo sem
ver parece que escuto pássaros cantar. Nas ruas o som do transito parece ter
sintonia. No prédio portas batendo, objetos caindo, mas tudo completa a canção do
dia.
O vento suave entra por minha janela e vem me acariciar.
Temperatura agradável que me faz relaxar. A luz do dia está com uma tenacidade
que nunca havia percebido, um brilho que de tão belo está especial.
Me pergunto o que há de diferente hoje, meu dia apenas
começou, não imagino o que poderá surgir, mas hoje o acordar muito me
felicitou. Minha noite de sono foi agradável, recebi revelações utópicas, mas
já bastaram para me motivar a não desistir. Ao menos nos sonhos as pessoas de
fato percebem a simplicidade do meu ser.
As vezes luto para me manter alheia no meu eu, para me
manter na superficialidade da existência, vivendo os momentos, as badalações,
mas viver meu eu é quase que uma imposição. Toda popularidade e agito alegra me
momentaneamente, mas mascara minha personalidade, não que eu não goste, aprendi
a tirar proveito de toda e qualquer situação que esteja vivendo, seja ela positiva
ou negativa sempre há algo a me agregar, mas meu eu sente falta da liberdade de
viver meu ser.
Por mais que eu goste de conforto, de luxo, por mais que eu
seja destemida e voraz, meu ser gosta mesmo é de calmaria, de desfrutar da
natureza e de tudo que ela oferece. Gosto do cheiro da terra molhada, do frio
do anoitecer, dos raios de sol me acordando, dos pássaros cantando, das flores
desabrochando, das folhas secas caindo ao chão. Gosto do som das águas rolando,
dos insetos e até do medo primitivo a incomodar.
Meu eu é um, mas pode ser vários em mim. Pode ser qualquer
uma, pode ser quem quiser, é mutável, é flexível, sabe se portar, sabe até onde
ir, sabe respeitar diferenças, e sobre tudo sabe a diferença de estar em um
lugar não fazer parte dele.
Meu ser já é mais
complexo ao entendimento, mas muito resumido a mim. É apenas experiência, é sutileza,
simplicidade, disposição. É a nítida certeza de que escolhas ditam o hoje e
podem mudar o amanhã. É o lamentar sem sofrer. É o chorar sem dor. É o falar
com olhar. É ser o eu sem me corromper.
Eu sou essa, aquela ou outra. Posso ser quem querem que eu
seja, posso ser alguém que precisem que eu seja, posso ser momentânea, posso
ser pura intensidade, pode ser fiel ou levar na sacanagem, posso ser nervosa ou
curtir uma boa amizade.
...Por muito tempo acreditei que meu ser era resposta ao comportamento
dos outros, que dava exatamente o que recebia, mas a evolução mental me ensinou
que não posso me sujar só porque estou em meio a porcos, devo sim respeitar
suas condições e forma de ser, mas não preciso agir como eles. Logo aprendi a
me doar mais e me magoar menos. Aprendi que não basta dar a cada um a parte que
merece de meu eu, preciso dedicar toda reciprocidade com meu ser, porque meu
ser é o melhor que há em mim, meu eu pode se confundir e errar, mas quem sou ninguém
poderá mudar. Meus princípios, meus conceitos, minha fé, são inabaláveis.
Me faço flexível e procuro a cada me moldar. A lapidação é o
melhor processo da evolução. Quando percebo um erro não me frustro, aproveito a
oportunidade para poder melhorar meu ser. Errar, falhar, assumir e recomeçar são
qualidades dos sábios que vivem em processo de evolução, pois se não houver
erros o que devera ser melhorado?
Esse fim de semana foi em suma surpreendente. Vivi situações
que muito me inspiraram nas ficções e no meu ser. Descobri que por mais que eu
tente a disparidade entre quem sou e quem quero ser ainda é grande. O duelo
entre ser e agir (eu) guerreiam silenciosamente dentro de mim. Vejo nítido as armas de cada um, é dedutível as
consequências, logo prefiro apaziguar, recuar e neutralizar as situações.
Tudo acontece quando tem que acontecer. No caminho rumo ao
destino muitas vezes pegamos atalhos, mudamos a direção, pode ser que peguemos
uma rua mais curta, em outros momentos uma estrada bem mais longa, mas
independente das escolhas a direção é sempre a mesma, o destino tão desejado. O
caminho é um labirinto que acaba por confundir, mas escolher que direção tomar
é fundamental, se parar o tempo pode nos atropelar, muita coisa acontece sem
que as criemos, são como ervas daninhas na plantação, se não fizer algo elas
tomam conta, é preciso sair da zona de conforto e agir.
Há escolhas que parecem certas, mas que causam duvidas. O
que seria ideal se torna sem cor.
Seria agradável se em cada conversa pudemos apenas expressar
o ser, falar dos desejos, das vontades, sem medo, sem receio, talvez isso seja
o fazer acontecer. Só que existe todo medo, toda insegurança por frustrações já
vividas, o receio de que no futuro aconteça novamente. Então é preferível calar,
não influenciar, deixar acontecer como tiver que ser, para que ter presa se há
escolhas que levam a eternidade?
Bom mesmo seria esquecer todo passado e viver o hoje sem
medo do amanhã. Bom mesmo seria abraçar toda compatibilidade e aproveitar cada
momento desfrutando da troca de experiências. Bom mesmo seria aceitar que o
momento tão desejado chegou e encarar as consequências de desejar vive ló. Bom
mesmo seria não questionar, não duvidar, apenas curtir sem receio.
É preciso aceitar que os dias são os tijolos da construção
da vida, assim de acordo com a situação ele deverá ser lascado ou até quebrado
para aderir melhor. E na maioria das vezes os cacos não servem para nada, mas é
ai que eles assumem o papel principal, cauçam toda a construção, dando
sustentabilidade e firmeza.
De repente vi a possibilidade do ideal deixar de ser utopia
e ser tornar real, estava tão nítido que quase tangível, mas em pouco tempo se
revelou ser alucinação.
Me decepciono como qualquer outro ser, mas não me frustro. Aceito
a escolha de cada um com esperança de evolução, pois sei que não é fácil ter opções,
mas difícil ainda é não discernir o que se pode esperar.
Me apetece poder gozar da alegria alheia e ainda assim
manter esperanças de que meu conto ainda se concretizará. Ter os sonhos
anulados só aumentou a criatividade para crer que quando acontecer será ainda
mais belo e verdadeiro. A síndrome da Cinderela foge aos padrões conhecidos e
gera sua própria historia de superação.
A solidao não me assusta, ela me faz companhia. Não tem ciúmes
de meus pensamentos e compartilha meus ideais. É uma amiga verdadeira, mesmo
ciente de que posso abandona La ainda me motiva a sonhar.
Hoje estou assim, suave com meus sentimentos, em paz com
meus pensamentos.