Observo a coragem
dos meus filhos e não entendo minhas inseguranças.
Tão pequenos,
frágeis e sempre testando seus limites, indo além.
Lógico que muitas
vezes se machucam, mas antes da ferida cicatrizar já estão sorrindo
e brincando novamente.
Me pergunto o que
acontece com a coragem quando crescemos?
Ano após ano nos
empenhamos em tornar sonhos reais. Muitas vezes eles se realizam,
outras vezes não. E o lado que acaba por marcar é sempre o
negativo.
Como humanos nos
esquecemos logo das conquistas, até porque essas são substituídas
por novos anseios. Tendemos a recordar o que não deu certo, como se
as falhas fossem uma vacina. No entanto uma vacina que deu errado,
pois nesse caso as lembranças não apenas nos alerta, mas causa medo
de arriscar.
É assim em todas as
areas da vida. Quando um projeto é frustrado uma ferida imensa se
abre no peito e por mais que tenhamos força para superar , por mais
que se feche haverá sempre a cicatriz nos fazendo lembrar. Em alguns
casos a ferida nunca para de sangrar, ela apenas é tratada
paleativamente.
Durante muito tempo
perdi o presente presa no passado. Preocupada, aflita, me acusando,
lamentando...mas chegou o tempo que o passado ficou no lugar devido,
lá atras, de forma que o observo hoje não com lamento, mas como
experiência que me conduzio até aqui.
Houve um tempo em
que eu tinha vergonha de mim. Vergonha de meus erros, de minhas
falhas. Hoje não me orgulho, mas sou grata por tudo que vivi.
Fui capaz de
aprender e moldar minha personalidade.
Sou exatamente quem
gostaria. Claro que há muito a melhorar, mas no quesito sabedoria
sou uma eterna aprendiz, criança na existência.
Pode ser que eu
nunca cresça. Estou sempre testando meus limites, tentando me
superar. Sinto medo, mas não deixo que ele me paralise. Tento
confiar nas pessoas e me dedicar a elas. Não vivo de fantasias ou
ilusões. Não me escondo em metades e futilidades. Certa ou errada
sou sempre eu. Não escondo minha fragilidade, mas minha força
sempre predomina.
Ainda não consegui
enxergar no eu o que as pessoas formadoras de opinião enxergam, mas
assumo que tanta positividade massageia meu ego.
Me vejo tão
simples, tão pequena, para a complexidade e a grandeza que me
agragam.
Vai ver o que veem
de fato não seja o eu e sim o ser.
É impossível saber
o que estar para acontecer, mas o que tem acontecido me basta.
Me sinto grata e com
o coração sempre em prece e agradecimento.