Felicidade difere de motivação.
Por muito tempo me
vi apatica diante os dias. Deixando a existência se cumprir de
acordo com o vento vindo do horizonte. Me fazia forte e inabalável
diante as adversidades, mas fraca para agir e dar rumo ao destino.
Nunca me faltou
contentamento, mas nunca conheci a vibração.
Era receptível a
lei natrual do universo, a lei da ação e reação. Não me via
merecedora de nada além do meu próprio jugo.
No entanto sempre
procurei uma felicidade desconhecida.
Não sabia
exatamento onde encontrar, pelo que procurar, e assim sempre me
perdi no caminho.
Como diz o ditado
“só encontra o caminho quem sabe onde quer chegar”.
Eu queria chegar até
a felicidade, mas estava dificil defini-la. Era mais comodo ficar
parada esperando que cedo ou tarde ela aparecesse. E em diversos
momentos ela surgia e me sorria, mas eram breves instantes. Era como
se eu fosse uma viciada e felicidade fosse a droga que eu precisava
consumir. Quando a sentia era magico, mas como toda magia passava.
Quando eu não ficava irritada, nervosa, ficava deprimida, carente,
queria mais, precisava de mais. Por isso fazia loucuras, me
empenhando em sentir novamente, e quem sabe manter, a tal felicidade.
Santa ingenuidade!
Mau sabia eu que a felicidade nada tem a ver com a euforia momentanea
da alegria.
Em momentos de
descontração e alegria eu sentia a tal felicidade me impulsinar,
como se me motivasse a viver. De certo modo motivava sim, mas não a
felicidade...
Percebi o que me
move e foi assim que descobri a felicidade.
Minha motivação
não vem de status, retorno financeiro, grau de instrução, elogios,
bens ou afins. Minha motivação é vivificada a cada momento que
confirmo minha posição interior diante o universo e o humano.
Sempre que me pego
diante um desafio e me vejo sem saída tenho a opção de agir como
sempre, me tornar telespectadora do existencia e deixar o tempo
passar, ou agir como tenho feito nos ultimos meses, me tornado o
agente da ação que muda o presente e transforma o futuro.
Aprendi que agir
diferente me motiva. Essa capacidade de mutação. Ser flexivel,
maleavel, adaptavel. Tudo isso me fascina. Me encanta.
Nunca gostei de
rotinas,mesmo tendo dificuldade com mudanças. Depois que descobri
que o medo do novo é pelo desconhecido parei de temer, afinal meu
conhecimento é uma pequena fração de uma proporção até
desconhecida diante a significancia da vida e de seus misterios. O
desconhecido está presente nos meus poros, na minha mente, no meu
ser, no mundo físico, no espirtiual. Caminho com o desconhecido e ao
lado de pessoas desconhecidas. Tudo gira em torno do fazer-se saber.
E eis que agora me sinto motivada para os desfios da jornada da
existencia. E foi assim que descobri a vida.
Viver, além de
existir, me trouxe uma paz antes encontrada em raros momentos, mas de
uma forma continua e equilibrada. Essa paz me revelou um bem estar e
com ele um bem querer inenarrável e foi assim que descobri o que
tanto busquei... A FELICIDADE.
A felicidade a mim
se resume em degustar a felicidade alheia. Meu coração vibra com a
alegria do próximo. Gozo de contentamento quando sinto a energia e a
vibraçao de algum por algum merito. A felicidade me abraça quando
vejo lágrimas se convertendo em sorriso, desespero em reflexão, dor
em experiência, saudade em recordação. A felicidade me envolve
quando acordo aerea, alheia as emoções e algo sai do planejado,
logo penso que algo muito bom irá acontecer, porque se algo não
está dando certo agora é porque algo muito bom virá. Eu creio na
lei do universo, porque seria diferente?
Hoje estava eu,
vindo trabalhar, em um ônibus lotado. Não tive dificuldades para
embarcar porque quando cheguei ele jáestava saindo, caso contrário
teria encarado empurroẽs e ponta-pés, chateada por não ter outro
meio de locomoção, mas satisfeita por ter educação e bom senso,
ao não me comportar como a grande maioria das pessoas. Em um trecho
do caminho vi um senhor, aparentemente com a idade elevada, talvez
uns 60 anos ou mais. Não sei dizer se a aparencia quem ditava essa
idade ou se de fato ele a possuia. Um senhor maltrapilho, como que
andarilho na jornada da vida, fazendo uso da natureza de pedra como
fonte de sobrevivencia. Sempre que vejo pessoas em situação de rua
me questiono o que há por traz dessa condição. Contexto familiar,
oportunidades , exclusão social, etc. Mas hoje não tive tempo de
questionar as diferenças causadas pela globalização aliada aos
politicos corruptos que temos. O senhor puxava uma corda gasta em tom
azul, a qual estava amarrada no pescoço de um cachoro. O cão era
híbrido, notavelmente um filhote, porém de grande porte. Talvez
labrador com pastor alemão, ou algo do tipo. Meu coração sorriu...
Uma calçada residencial, sem comercio proximo, ninguem na rua,
apenas o senhor puxando seu animal. Ele parou, olhou o filhote e
sorriu. Ensaiou uns passos de dança, como se alguma música
estivesse tocando, e o filhote abanando o rabo lhe acompanhava no
descompasso, pulando em suas pernas e se movendo de um lado a outro.
Foi um instante
mágico onde a felicidade em sua forma mais plena me envolveu. Aquele
senhor estava desprovido de pré-conceitos, de criticas, de armagura.
Estava apenas apreciando a cia do seu amigo, e com ele dançando,
brincando, vibrando.
Quantas pessoas não
levam uma vida bem contraria a daquele senhor, nao tem cães de raça,
gastam uma fortuna com pet's shop e nem se quer param para olhar nos
olhos do seu animal de estimação? Esse senhor não tinha naquele
cãozinho um animal de estimação, tinha nele seu amigo e
companheiro de jornada.
Analizando agora se
fosse a antiga eu estaria deprimida e carente, lamentando não ter
ninguem pra compartilhar momentos assim, simples e de ternura, mas
essa nova eu, essa que eu escolho ser e cultivar pensa e age o
contrario. Fico feliz e grata ao universo por me permitir ver tal
cena, pois hoje a felicidade alheia me basta para seguir crendo que a
minha felicidade se baseia nesses instantes.
A simplicidade a
qual sempre me atribuí na verdade era simplicidade existencial e nao
vivencial... seja como for que seja sincero e sereno.
Só quero a paz da
felicidade e o despertar de um dia sempre melhor e mais produtivo que
o outro.