terça-feira, 25 de março de 2014

Sombras de mim


Durante quase três décadas vivi intensamente da maneira que me pareceu o mais agradável possível. Entre erros e acertos restaram as consequências e entre lagrimas e sorrisos restaram a experiência.
                Nada saiu como planejado, bem ao contrario, tudo saiu do controle e quando percebi estava em um barquinho em alto mar, sem nada pra remar, indo e vindo à mercê da maré. Quando essa me lançava em uma ilha eu imaginava que seria um recomeço, mas antes que pudesse saltar do barquinho outra onda me puxava de volta ao mar.
                Vivi inúmeros momentos distintos, lucidez se confundindo com delírio, desespero se misturando ao costume, até que me conformei com a situação e consenti com o destino.
                Claro que no intimo sempre houve o desejo de liberdade, de pisar em chão firme novamente, de começar em terreno desconhecido mais sólido, no entanto tudo fluía de modo contrario. Tudo que me cercava eram tempestades, saia de uma para entrar em outra, e no pequeno barquinho eu precisava me segurar.
                Um dia algo mudou. Não sei como aconteceu. Não sei se foi mais um delírio meu, mas quando percebi havia uma voz a me apontar todos os erros. A voz era tenaz, imponente, no começo me pareceu cruel, voraz, mas com o tempo aceitei a realidade.
                A verdade nem sempre é agradável, mas ignora-la é rejeitar a própria essência.
                Talvez até aqui eu não tenha sido nada nem ninguém, talvez não tenha passado de uma alma vagante perambulando pela vida, mas algo dentro de mim mudou.
                Não foi uma mudança súbita, algo foi se quebrando lentamente ao passo que “outra coisa” crescia. Doeu, feriu, mas me transformou.
                Hoje começo de novo, começo do nada, começo da maneira que quero fazer acontecer.
                O primeiro passo é não buscar aceitação, é fazer as escolhas conscientes dos riscos, sem medo das represálias.
                Aprendi a dizer não! Chega de agradar quem não se importa, chega de me doar ao que não merece minha atenção.
                Continuo convicta de que respeito e admiração são bases para qualquer tipo de relacionamento, mas talvez os outros critérios não passem de utopia...
                Não quero nada além do que consigo administrar. Quero felicidade na dose certa para me garantir bons sorrisos, preocupação na dose exata para me garantir motivação, disposição para não desistir e coragem para prosseguir, o resto... bem, é só resto.  

                Sempre acreditei me conhecer e assim foi, a partir daqui inicia-se uma nova etapa, uma nova fase e o momento é de transformação. 

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